FERNANDO CUNHA

EM PARCERIA COM XAPA13
O novo álbum, composto por 14 temas, traduz a forma principal de expressão de Fernando Cunha e o que acredita ainda ser um instrumento que poderá estar “em vias de extinção” no atual panorama pop. “A minha ideia inicial era fazer um disco instrumental que partisse de alguns dos universos mais ambientais do pós-rock e do rock progressivo, de influências de sempre na minha vida como os Talk Talk ou Radiohead e mais recentemente Steve Wilson ou Jonathan Wilson e juntar-lhe um universo específico dentro de todo o legado dos Delfins”, explica o guitarrista e compositor.
“Afastei-me”, “Hoje” e “Se Eu Pudesse Um Dia” são alguns dos temas clássicos dos Delfins que ganham uma nova vida em “A Guitarra A Tocar”, sendo que o último está presente no alinhamento em duas versões distintas, uma delas misturada pelo produtor Jonathan Miller.

Enquanto os instrumentais começavam a nascer, surgia a necessidade de trabalhar a voz. Apesar do músico se ver, primeiro, como um “guitarrista que adora cantar”, aceitou o desafio de dar voz a este novo disco. Não tivesse a voz de Fernando Cunha ecoado nos mais importantes palcos nacionais à boleia dos Resistência.

O novo álbum conta com as colaborações de João Gomes; do pianista/teclista João Pedro Pimenta, de alguns dos mais reconhecidos guitarristas como Tó Trips, João Cabeleira, Flak e Mário Delgado, entre outros; de Jonathan Miller, Gary O’Toole (histórico baterista dos Genesis) e, ainda, do coro Gospel Collective liderado por Selma Uamusse.

A importância do contributo de Fernando Cunha nos Delfins é inquestionável. Em conjunto com Miguel Ângelo, o guitarrista criou algumas das mais memoráveis canções da música pop nacional, como “Baia de Cascais”, “Um Lugar Ao Sol”, entre tantos outros. A bagagem que ganhou com os Delfins levou à formação do coletivo Resistência, com Pedro Ayres Magalhães, Miguel Ângelo e Tim, projeto que tem percorrido o país de norte a sul em concertos que têm celebrado, de uma forma grandiosa, o melhor da música nacional.

PETER SANDBERG

Na música do sueco Peter Sandberg todas as categorias se confundem – clássica, de câmara, cinemática ou ambiental – mas não faz mal, porque no fim o que daí resulta é um som celestial. Criador de inúmeras peças para cinema e televisão é um prolífico compositor capaz de trabalhar as cordas com enorme sensibilidade. Em Portugal apresentar-se-á, sentado, ao piano, revelando algumas das suas peças mais delicadas, feitas de notas e cadências, silêncios e melodias, histórias sonoras.

Música doce, ondulando em câmara lenta, povoada pelas notas de piano, insinuando-se como filigranas em crescendo, numa subtil tapeçaria sonora feita de maneira aparentemente simples, evocando formas, espaços, paisagens e personagens tocadas pela humanidade. É música instrumental tão rigorosa quanto emotiva aquela que propõe.

Cada tema cria as suas próprias imagens, mas em conexão com um sentido geral. Por vezes aproximamo-nos do sossego, outras vezes de uma espécie de sinfonia sumptuosa com as notas elevando-se em espiral. Como tantos outros jovens músicos que se movem pelos terrenos da música neoclássica ou pós-clássica, mais do que fazer ligações entre géneros ou preocupar-se com classificações, interessa-lhe o tipo de sensações que difunde. Perdermos a noção de tempo e espaço. Induzir o ouvinte a uma experiência diferente. Transcendermo-nos.

Na música de Peter Sandberg criam-se pontes invisíveis entre escolas e geografias, tanto fazendo ressoar o minimalismo como a música cinemática ou as palpitações da música clássica contemporânea. A forma como acaricia o piano resulta em qualquer coisa intensa sendo capaz de iluminar a melancolia, com delicadeza e sabedoria. Às vezes, na maior parte das vezes, não é preciso absolutamente mais nada.

PIANORQUESTRA

10 mãos e um piano preparado. Quem diria que um conceito que teve, por exemplo, em John Cage um dos seus grandes criativos – o de intervir sobre a mecânica sonora do piano através da adição de objetos a ele estranhos – poderia ter uma vida tão diferente? É essa a proposta dos brasileiros da PianOrquestra, grupo singular que toma o piano como um quase infinito universo de possibilidades.
O Globo nomeou o seu espetáculo como um dos melhores do ano e o histórico João Bosco, que fez uma digressão dedicada a Pixinguinha com a PianOrquestra, descreveu-os como “uma surpresa” e classificou o espetáculo conjunto como “maravilhoso”. O grupo, que garante produzir, “música instrumental brasileira como nunca ninguém viu ou ouviu” inclui o consagrado pianista Claudio Dauelsberg que se apresenta ao lado das também pianistas Mariana Spoladore, Priscila Azevedo e Anne Amberget além da percussionista Masako Tanaka. Neste formato, a PianOrchestra tem pisado os mais conceituados palcos mundiais arrancando sempre os mais efusivos aplausos e elogios.

WILKO JOHNSON

Blow Your Mind”: o título do mais recente trabalho de Wilko Johnson, datado já de 2018, é também uma promessa. É que o antigo líder dos míticos Dr. Feelgood, banda gigante na Inglaterra dos anos 70 e que chegou a tocar em Portugal no arranque dos anos 80 aquando da explosão rock que assolou o nosso país, pode mesmo espantar-nos.

A vitalidade de que goza agora, depois de editar um álbum com Roger Daltrey dos The Who em 2014 cujo título, “Going Back Home”, soava a despedida, é compreensível. Por volta dessa altura foi diagnosticado com um cancro terminal e inoperável, mas depois, como escreveu Alex Petridis no Guardian em 2015, “aconteceu a coisa mais estranha: Wilko não morreu”.

Depois de ser diagnosticado, o antigo líder dos Dr. Feelgood (banda precursora do punk, praticante de um feroz rhythm n’ blues que influenciou gente como Paul Weller dos The Jam ou Joe Strummer dos The Clash) marcou uma digressão de despedida e nas muitas entrevistas que concedeu comoveu um país com a sua tranquila aceitação da mortalidade.

Johnson gravou então com Daltrey, convencido de que não chegaria a ver o disco editado, cruzou-se com um fã médico que o recomendou a um colega, acabou mesmo por ser operado e, depois de uma série de complexos procedimentos, acabou por ser declarado como curado do cancro. O disco “Going Back Home” chegou aos tops, feito que Wilko Johnson não conseguia desde 1976, e agora, cá está no presente, com um justo estatuto de lenda.

Depois de ter tido uma participação em “Game of Thrones”, como o enigmático carrasco mudo Ser Llyn Payne, Wilko gravou o novíssimo “Blow Your Mind” com uma banda que inclui músicos como Mick Talbot, dos Style Council, ou Norman Watt-Roy dos Blockheads de Ian Dury.

Protegido: MISIA – PURA VIDA

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