Gaiteiros de Lisboa

“BESTIÁRIO” É O SEXTO DISCO DE ORIGINAIS E ASSINALA OS 30 ANOS DE CARREIRA DA BANDA

Quando primeiro surgiram, em 1991, os Gaiteiros de Lisboa eram “outra coisa”. Mesmo pelo meio de uma cena musical fervilhante de novos olhares para a música tradicional portuguesa, os Gaiteiros promoviam o embate directo entre tradição e inovação, respeito pelo passado e vontade de abrir caminhos para o futuro.

De um lado, músicos veteranos que tinham aprendido com as recolhas de Giacometti e tocado com nomes como José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco (que viria a produzir o primeiro disco do grupo) ou Fausto. Do outro, músicos oriundos da cena pop ou rock ou jazz que olhavam para a tradição de modos totalmente novos.

A conjugação projectava os Gaiteiros de Lisboa para outro patamar, com a gaita de foles trazida por Paulo Marinho (Sétima Legião) e as polifonias vocais lideradas por Carlos Guerreiro e José Manuel David no centro de um furacão criativo que estava permanentemente em ebulição. Como diz a frase: “a tradição já não é o que era nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era”.

E o que saiu dessa abordagem era “outra coisa”. Nas palavras do crítico do Expresso, João Lisboa, “os Gaiteiros de Lisboa habitam um universo inteiramente privado […] (onde) muito pouco ou nada funciona de acordo com as normas com que habitualmente a música é lançada à pauta”.

Trinta anos depois, o mundo mudou, a formação do grupo também. Em “Bestiário”, sexto álbum de material original e primeiro em sete anos, apenas Carlos Guerreiro e Paulo Tato Marinho restam dos Gaiteiros que entraram em estúdio pela primeira vez em 1995. A nova formação completa-se com Miguel Veríssimo, Miguel Quitério, Paulo Charneca  (que já fez anteriormente parte do grupo) e Sebastião Antunes (dos Quadrilha).

Mas os Gaiteiros de Lisboa, tendo mudado, não mudaram: continuam a ser “outra coisa”. Como a aldeia gaulesa do Astérix, os Gaiteiros resistem, ainda e sempre, a serem metidos numa gaveta. A gaita de foles e as polifonias vocais continuam no centro, a música ao seu redor continua a ser surpreendentemente moderna, inventiva, viva, contemporânea e ao mesmo tempo intemporal. Nunca se ouviu o clássico açoriano “Chamateia” desta maneira; um tema novo como “Brites de Almeida” parece um clássico tradicional só agora reencontrado.

E os muitos convidados de “Bestiário” insistem nessa fuga a categorias e gavetas. A companheiros de percurso como o açoriano Zeca Medeiros ou a veterana Filipa Pais juntam-se o jovem colectivo vocal feminino Segue-me à Capela e João Afonso Lima, sobrinho de Zeca. Pedro Oliveira, dos Sétima Legião, dá voz a “Besta Quadrada” e Rui Veloso empresta a sua guitarra eléctrica e a sua voz a “Comprei uma Capa Chilrada”.

“Bestiário” é inteiramente composto por material inédito em disco – as excepções são “Roncos do Diabo”, publicado na compilação de 2018 “A História”, e “Comprei uma Capa Chilrada”, gravado pela primeira vez em “Sátiro” mas aqui numa versão regravada.

“Bestiário” confirma como os Gaiteiros de Lisboa, trinta anos depois do início e com uma formação nova, continuam a ser “outra coisa”, a habitar o mesmo universo privado alheio a modas passageiras e aberto a tudo o que nele caiba. Ou seja, os mesmos Gaiteiros de sempre: imprevisíveis, inconfundíveis, imprescindíveis.

GAITEIROS DE LISBOA

CARLOS GUERREIRO | MIGUEL QUITÉRIO | MIGUEL VERÍSSIMO |PAULO CHARNECA | PAULO TATO MARINHO | SEBASTIÃO ANTUNES

BESTIÁRIO

Produção e direcção musical de CARLOS GUERREIRO

excepto “BESTA QUADRADA” (PAULO MARINHO)

e “CANTO DO CORAÇÃO” (MIGUEL QUITÉRIO)

Co-produção, gravação e mistura de CARLOS JORGE VALES

 “BALEEIROS DE NEW BEDFORD”

(com ZECA MEDEIROS)

“RONCOS DO DIABO”

“CANTO DO CORAÇÃO”

“BRITES DE ALMEIDA”

“BESTA QUADRADA”

(com PEDRO OLIVEIRA)

“CHAMATEIA”

(com FILIPA PAIS e JOÃO AFONSO)

“FLECHA “

(com SEGUE-ME À CAPELA)

“PARA SANTALICES”

“NATIVIDADE”

“COMPREI UMA CAPA CHILRADA “

(com RUI VELOSO)

“LOLITA FIREWINGS”

 

DISCOGRAFIA

 

1995 – INVASÕES BÁRBARAS (Farol)

1997 – BOCAS DO INFERNO (Farol)

2000 – DANÇACHAMAS (ao vivo) (Farol)

2002 – MACARÉU (Aduf)

2006 – SÁTIRO (Aduf/Sony Music)

2012 – AVIS RARA (D’Euridice)

2018 – A HISTÓRIA (compilação) (Uguru)

2019 – BESTIÁRIO (Uguru)

 

 

Vídeo

 

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Imprensa

“Vale a pena ter orgulho: é uma das mais importantes bandas portuguesas da última década, e sem dúvida uma das maiores do Mundo”

in Público

“Até ao momento, os Gaiteiros de Lisboa revelam-se simplesmente incapazes de produzir outra coisa que não seja uma monumental obra-prima.”

Gonçalo Frota, in Blitz

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Disponibilidade

TODO O ANO (SOB CONSULTA)

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Territórios

MUNDO

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