JOAN AS POLICE WOMAN

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“Uma voz tão maravilhosa e tocante que faz todas as outras parecerem vulgares e mundanas”. In The Guardian

Os elogios rasgados de publicações como o Times, a Uncut ou a Q, onde palavras como “sublime”, “devastador” ou “sofisticação” tentam dar a correcta dimensão da música de Joan as Police Woman, são apenas algumas gotas num oceano de aplausos que esta senhora não se tem cansado de receber. A culpa, claro, é da brilhante música que produz. Joan, no entanto, e de uma forma mais poética, é bem capaz de fazer melhor do que aquelas publicações quando se trata de descrever a sua própria música. Diz ela que a sua maior influência é a vida e que a sua música soa como “o vento que atravessa a floresta.”

Artistas assim não aparecem todos os dias e, no entanto, ela aí está: Joan As Police Woman, também conhecida por Joan Wasser, uma mulher com um currículo impressionante. Tocou com Lou Reed no fabuloso «The Raven», foi recrutada por Hal Willner para a banda de suporte da sua homenagem a Leonard Cohen, esteve na formação de Anthony & The Johnsons, faz parte do grupo de Rufus Wainwright e, antes que o fôlego acabe, também tocou com Nick Cave. Joan também adicionou gasolina ao fogo das suas próprias bandas, como os Dambuilders, Black Beetle ou Those Bastard Souls. Mais ainda: foi para ela que Jeff Buckley escreveu «Everybody Here Wants You». Ela era a companheira de Buckley à altura da sua morte e a sua musa. Na casa dos 30, Joan parece já ter vivido o suficiente para várias vidas e a sua música manifesta exactamente isso, deixando mais clara a ideia do vento e da floresta e de como a vida pode realmente marcar um artista.

Editou «Real Life» em 2006, a sua estreia a solo, e o aplauso foi unânime, muito por causa de uma voz que convida a que surjam comparações a Dusty Springfield e Chrissie Hynde e Annette Peacock. «Já lhe chamei R&B Punk Rock, mas American Soul Music é melhor. Sinto que a minha música é o resultado da junção dos dois estilos de que mais gosto: Soul, aquele género que engloba desde Al Green a Nina Simone e Isaac Hayes, e depois tudo aquilo que veio do Punk – os Smiths, os Grifters, a Siouxsie Sioux.»

Joan cresceu como pessoa e músico graças à proximidade de um clube de punk, o Anthrax, onde viu os Sonic Youth, os Black Flag e os Bad Brains. «They all blew my mind», garante ela. Tudo isso deu-lhe vontade de ser ela própria uma participante activa no mundo da música e o seu violino depressa se juntou à barragem de electricidade debitada por bandas como os Those Bastard Souls (que incluía o frontman dos Grifters, David Shouse, Joan, Steve Drozd dos Flaming Lips e Fred Armisen dos Trenchmouth). Os Black Beetle, por seu lado, incluíam músicos da banda de suporte de Jeff Buckley. “Fui tentando fazer da minha música uma prioridade, mas sempre gostei de tocar nas bandas de outras pessoas.”

Violinista desde os seis anos, Joan depressa percebeu que o seu caminho não estava na música clássica: «Beethoven já foi interpretado milhões de vezes, eu não iria fazê-lo melhor.» Esta determinação e capacidade de vocalizar as suas opiniões talvez estejam ligadas ao facto de ter surgido ao lado de Barack Obama numa angariação de fundos. Esse interesse na política está manifestado no álbum, «To Survive», escrito depois do falecimento da sua mãe. Com um nome artístico inspirado numa série de TV dos anos 70 com Angie Dickinson, Joan Wasser tem certamente uma história, um lugar especial para a memória e música profundamente apaixonante para embalar toda a sua experiência que ao vivo tem arrancado os mais rasgados elogios à crítica. Diz ela: “A raiva é tão fácil e eu senti-me zangada durante tanto tempo. Mas a raiva apenas nasce de sentimentos com que te recusas a lidar. E eu tenho tentado ir mais fundo.” Ao vivo, essa gestão de sentimentos – verdadeiros, honestos, profundos – é o verdadeiro cenário da sua música. É normal as pessoas saírem sem fôlego de um dos seus concertos. Porque as canções de Joan as Police Woman são rajadas de sentimentos que todos atingem. Directamente no coração. “Porque eu não lido com a necessidade de sobreviver todos os dias, ter que matar para comer ou tentar não enregelar até à morte, a minha música é sobre amor e perda. Para lá disso é sobre tentar ser verdadeira comigo própria, depois de muito tempo a tentar fugir de mim mesma.”

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