Kamasi Washington

The Epic Cover-high resKamasi Washington é um fenómeno. É uma raridade. The Epic, o álbum que lançou o ano passado, recolheu elogios de toda a imprensa – da Pitchfork ao New York Times – e posicionou-se destacado nas listas de melhores registos do ano em todo o lado. Foi o melhor disco de jazz de 2015 para o The Guardian, Rolling Stone ou Blitz, por exemplo.

Mas nada em Kamasi Washington parece seguir as regras: conduz um grupo de tamanho considerável numa era que já não se compadece muito com a generosidade das visões, edita numa label de hip hop, pertença de Flying Lotus, sobrinho neto de Alice Coltrane e um dos mais respeitados produtores do presente, toca em álbuns de rap – como o enorme To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar, grande vencedor dos Grammys deste ano – em festivais jazz de referência como em eventos de música pop alternativa. Não há outro saxofonista assim e já é, muito justamente, apontado como herdeiro dos grandes.

Sobre ele, Rui Miguel Abreu escreveu na Blitz palavras compreensivelmente elogiosas. “The Epic” é um objecto inesperado: não capitaliza nas suas credenciais hip hop e parece muito mais interessado em elevar-se aos céus e, por meio de uma ambiciosa paleta orquestral, praticamente pegar no jazz onde John Coltrane o deixou. The Epic é um dos factos do ano jazz, sem a menor sombra de dúvida, um disco que vai precisar de tempo para ser digerido (são mais de três horas de música) porque é, coisa rara nos dias que correm, um disco ambicioso – na sua forma dilatada, na generosa lista de músicos que emprega – orquestra de 32 músicos, coro de 20 elementos! – e na paleta estética que pretende cobrir. Como se o saxofonista Kamasi Washington tivesse uma missão: mostrar o jazz, livre, cósmico, espiritual, a uma nova geração habituada a ouvi-lo como suporte de palavras ou tempero de grooves”.

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