Ovelha Negra

O Fado. Todos o temos, e ninguém lhe pode escapar. Há poemas que falam disso, letras que abordam essa inevitabilidade e que marcaram a história do género. Não é assunto novo. E certamente que Paulo Pedro Gonçalves não pretende ser a exceção. Já nos Heróis do Mar, para que tocou guitarra durante toda a carreira, Paulo Pedro tinha deixado que qualquer coisa do trinado das guitarras inspirasse algumas das suas melodias. Depois foi para Londres, com os LX 90 e Kick Out The Jams e por lá ficou. Mas porque ao fado não se escapa, há década e meia Paulo Pedro Gonçalves criou os Ovelha Negra, lançando o primeiro álbum «quando o fado ainda não estava na moda e era coisa de turista», como o próprio explica. E porque não se pode fugir ao fado, cá está ele de novo, em 2012, com Ilumina, uma nova visão para o mesmo destino de sempre.

«No primeiro disco», explica Paulo Pedro Gonçalves, «havia canções originais gravadas de forma tradicional com guitarra portuguesa, viola, cantores a que depois se adicionaram loops, samples, baterias, teclados, guitarra eléctrica, etc. Mas este novo disco é completamente orgânico». Ou seja, sem loops ou sintetizadores, mas também sem os instrumentos tradicionais do fado. «Mas tocado em ensemble como se fosse fado», explica o músico e compositor. Foi a emotividade das performances que ditou a escolha de cada take.

Há mais novidades em Ilumina. A voz de Cátia Silva, «ouro sobre azul», como adianta Paulo Pedro Gonçalves, é outra das pedras de toque do novo álbum de Ovelha Negra. Paulo Pedro descobriu esta angolana em Londres e percebeu de imediato que tinha aí encontrado a voz certa. Aliásm voltando ao tema do destino, este disco foi muito a cerca de encontrar as pessoas certas para cada momento. De Sam Harley a Arnulf Lindner e daí a Ralph Simin há uma série de participantes no projecto que ligam os Ovelha Negra de forma direta às histórias de gente como K.D. Lang, St. Etienne, Kirsty MacColl, Fairground Attraction, Portishead ou Sinéad O’Connor, tal a extensão dos seus currículos.

Gravado ao longo de mais de um ano, este álbum foi construído em cima da visão de Paulo Pedro Gonçalves e com o trabalho de músicos que viram nas suas composições uma mais valia inescapável. Eles mesmos passaram a fazer parte deste destino. «A musica realmente é uma linguagem universal, não é preciso ser africano-americano para sentir os blues», argumenta Paulo Pedro Gonçalves. «A minha visão é a visão de um filho que por várias razões tem de viver longe de casa mas que nunca deixou de amar ou de sentir Portugal. Um pouco como o Ulisses». E daí a saudade: «Saudade? A saudade para mim é mais do que a letra duma canção. É uma amante de que, por mais que tu queiras, não te consegues livrar. Nem mesmo quando fechas os olhos para dormir».

 

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