PETER SANDBERG

Na música do sueco Peter Sandberg todas as categorias se confundem – clássica, de câmara, cinemática ou ambiental – mas não faz mal, porque no fim o que daí resulta é um som celestial. Criador de inúmeras peças para cinema e televisão é um prolífico compositor capaz de trabalhar as cordas com enorme sensibilidade. Em Portugal apresentar-se-á, sentado, ao piano, revelando algumas das suas peças mais delicadas, feitas de notas e cadências, silêncios e melodias, histórias sonoras.

Música doce, ondulando em câmara lenta, povoada pelas notas de piano, insinuando-se como filigranas em crescendo, numa subtil tapeçaria sonora feita de maneira aparentemente simples, evocando formas, espaços, paisagens e personagens tocadas pela humanidade. É música instrumental tão rigorosa quanto emotiva aquela que propõe.

Cada tema cria as suas próprias imagens, mas em conexão com um sentido geral. Por vezes aproximamo-nos do sossego, outras vezes de uma espécie de sinfonia sumptuosa com as notas elevando-se em espiral. Como tantos outros jovens músicos que se movem pelos terrenos da música neoclássica ou pós-clássica, mais do que fazer ligações entre géneros ou preocupar-se com classificações, interessa-lhe o tipo de sensações que difunde. Perdermos a noção de tempo e espaço. Induzir o ouvinte a uma experiência diferente. Transcendermo-nos.

Na música de Peter Sandberg criam-se pontes invisíveis entre escolas e geografias, tanto fazendo ressoar o minimalismo como a música cinemática ou as palpitações da música clássica contemporânea. A forma como acaricia o piano resulta em qualquer coisa intensa sendo capaz de iluminar a melancolia, com delicadeza e sabedoria. Às vezes, na maior parte das vezes, não é preciso absolutamente mais nada.

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