Tulipa Ruiz

O Brasil tem a capacidade quase mágica de produzir cantores e músicos assombrosos, facto que deve certamente assustar qualquer cantor em início de carreira, por saber que a régua com que lhe vão medir o alcance é aquela que serviu a história. Tal facto só sublinha o arranque espantoso de Tulipa Ruiz que acaba de ver o seu álbum de estreia, Efémera, votado como um dos melhores da década pelos títulos de referência Folha de São Paulo e Globo.

Essa distinção pela mais exigente imprensa brasileira chega como culminar de um crescendo de aplausos por parte da crítica especializada, sinal de que embora rápido, o crescimento de Tulipa Ruiz tem sido sólido e marcante. Como Marisa Monte antes dela, foi também nos palcos que Tulipa começou por se fazer notar, juntando reportório próprio e alheio para definir as margens generosas da sua personalidade artística.

Rômulo Froes, ele próprio outra revelação da presente cena musical brasileira, descreve Tulipa socorrendo-se da história da música do seu país: «De sua voz pessoalíssima e original brotam canções em que se ouvem ecos de Clube da Esquina, vanguarda paulista, Tropicália, histórias aos quadradinhos e muito mais, presentes no som e em suas óptimas letras, que nos transportam para seu mundo particular, cheio de imagens e acontecimentos». «Nova musa da cena alternativa paulistana» é outra forma que a imprensa do Brasil encontrou para descrever esta cantora que em 2009 se apresentou em palco a cantar clássicos da fase psicadélica de Gal Costa, revelando o alcance das suas referências. Patricia Palumbo, jornalista que tem coberto os novos rumos da música do Brasil, remata: «As suas letras são tão delicadas como a sua voz e lembram os desenhos que ela faz, leves e divertidos». Tulipa Ruiz é, enfim, um verdadeiro fenômeno, uma artista completa que espalha talento em palco e no estúdio e que desenha como canta – com enorme paixão.

Tulipa é do Brasil, mas antes é de Minas Gerais, como o coração de Milton Nascimento. Mas na sua música há outras latitudes: a Nova Iorque de Yoko Ono, a Baía de Caetano… E há algo de Baby Consuelo ou de Itamar Assumpção e de Ná Ozzetti, outros valores “desalinhados” da música do Brasil que Tulipa estudou com devoção.

Gustavo Ruiz, irmão de Tulipa, é o companheiro desta aventura: guitarrista, director musical e produtor de Efêmera. No seu currículo conta-se trabalho com outra revelação feminina do Brasil, a cantora Mariana Aydar. Dono de uma sensibilidade que permite traduzir da melhor forma a criatividade de Tulipa, Gustavo assinou um trabalho de exceção no álbum de estreia da irmã. E voltamos às distinções do Globo e da Folha.

O disco tem onze canções, dez assinadas por Tulipa, algumas em parceria com o irmão Gustavo. O álbum foi gravado nos estúdios da YB, sob o comando de Carlos “Caca” Lima, e inclui participações de Mariana Aydar, de Kassin, músico e produtor associado a alguns dos melhores momentos da história recente do Brasil, e de vários outros músicos de exceção. Mas é Tulipa quem mais brilha. O que não é fácil num país com tantas estrelas!

Vídeo

Tulipa Ruiz – Clip Oficial “Sushi”. Direção: Leandra Leal

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