De Viva Voz

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Canto Profundo à Capela

- Direcção artística de Amélia Muge

Se soubéssemos que temos um passado comum, só pelo que os livros ou os registos sonoros nos contam, seria pouco. É porque esse passado continua – sabiamente – a produzir futuros, que estes cantos nos enchem de emoção, alegria e nos dão uma dimensão maior ao escutá-los.

Em primeiro lugar, são cantos que trazem a sabedoria dos tempos, que encontram sempre um modo de repor continuamente o que de essencial permanece, como característica do humano.

Depois, são cantos despojados – contam apenas com a voz e o corpo de quem os canta. Mas vão buscar a sua riqueza a esse despojamento – prolongam os sons das vozes de origem, das vozes rituais, encomendam cantos aos deuses e aos santos, celebram colheitas, espantam medos nos embalos, apoiam gestos de trabalho, dão mote aos tempos de luto ou de folia, celebrando os amores, a casa e o mundo.

São cantos despojados, sim, mas cheios de tudo isto, o que traz uma sonoridade espantosa que misteriosamente se renova, com cada geração que a eles se entrega e os prolonga, com novos arranjos e novas composições.

Na evocação do canto à capela, vão estar quatro dos grupos de mulheres que, em Portugal, lhe dão a grandeza maior de uma tradição que se repete, se interroga e continuamente se transforma: Cramol, Maria Monda, Segue-me à Capela e Sopa de Pedra.

CRAMOL: entre-cruzando em canto o sagrado e o profano, o ciclo da vida, o ciclo da natureza e o ciclo religioso. Um projeto que procura dar a conhecer a quinta-essência do canto da mulher rural no seu quotidiano.

MARIA MONDA: três mulheres que exploram a força do canto polifónico, tecendo as vozes ora em sedas suaves, ora em mantas rudes e cantando em homenagem à Terra-Mãe, de nome Maria.

SEGUE-ME À CAPELA: sete mulheres que cantam sons antigos e sons novos dessa arte fugidia com que se embalam os meninos, se encomenda a alma, se evoca o divino e o terreno, se espanta a fadiga, se anima o corpo, se alimenta o coração.

SOPA DE PEDRA: grupo vocal feminino dedicado ao canto de canções de raiz tradicional. Une-as o gosto de cantar canções que falam sobre a vida das gentes, de muitos lugares e costumes, pondo a arte ao serviço da vida.

Vídeo

Veja aqui o vídeo da estreia deste projecto no âmbito do Misty Fest 2016:

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Disponibilidade

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