CAROLINA

É em noites como aquelas em que se apresenta no histórico Clube de Fado, em Alfama, Lisboa, que Carolina verdadeiramente se revela. Nesse contexto, de recorte mais solene, mais noturno, com a iluminação mais baixa a acentuar o natural intimismo da ocasião, rodeada de viola e guitarra, sem amplificação, sem qualquer filtro tecnológico, a sua voz e a sua entrega ecoam de forma extraordinária no cenário de pedras centenárias, arrebatando quem lhe dá atenção, arrancando naturais aplausos dos que se deixam enredar nas palavras que a sua garganta solta, límpidas e profundas, como devem ser sempre as palavras que uma fadista sente e vive.

Com dois registos no ativo lançados através da Sony Music – Carolina, produzido por Ricardo Cruz (que tem António Zambujo no seu currículo), foi lançado em 2014, enquanto o mais recente, enCantado, trabalho assinado pelo produtor Diogo Clemente (Carminho), data já de 2017 -, Carolina já deixou muito claro que tem voz, coração, personalidade e cabeça para ir muito longe. Exatamente porque a seriedade que investe na sua arte e a entrega que lhe dá sem quaisquer reservas são, juntamente com o talento, pilares em que se pode e deve sustentar uma longa carreira.

Carolina nasceu na Alemanha, mas cresceu em Trás-os-Montes, onde o fado foi descoberta em que apoiou a sua própria procura de identidade. Mais tarde, no Porto, respondeu ao apelo dos palcos, estudou e fez teatro, cantou ópera e, um dia, deixou que o fado a puxasse para dentro de si mesmo quando, de forma impulsiva, deu voz a três fados que conhecia, recorrendo a todas as lições aprendidas a escutar de forma atenta Amália Rodrigues, facto que chegou para impressionar quem programava a reputada Casa da Mariquinhas, um dos melhores redutos de fado da Invicta, onde passou a apresentar-se regularmente.

O fado, muito logicamente, puxou-a para os palcos, mas também a foi trazendo para mais próximo de Lisboa. Foi Beatriz Costa por mão de Filipe La Féria na sua encenação de A Canção de Lisboa, e, a convite de Mário Pacheco, a alma do Clube de Fado, apresentou-se pela primeira vez fora de Portugal, em Varsóvia, trazendo da viagem a força dos aplausos e a certeza de que este seria o seu futuro. Foi chamada para a programação do Museu do Fado em 2009 e 2010, cantou no grande ecrã no filme O Cônsul de Bordéus de Francisco Manso, em 2012, e estreou-se depois em disco um par de anos mais tarde.

Como artista de atitude personalizada que é, Carolina não gosta de se limitar, e isso significa que tanto maravilha em fados tradicionais, como o clássico “Um Fado Nasce” do grande Alberto Janes que cantou no seu álbum de estreia, como em reportório mais moderno, caso de “Falar de Amor”, com poema escrito por Carolina Deslandes, a que deu voz no trabalho mais recente. Carolina sabe que é este o seu tempo. A sua alma pode carregar memórias e lições antigas, mas a voz traduz as nuances do amor que vive hoje, que sente de forma profunda na vida que agora leva. E é isso que se sente quando ela canta à nossa frente: no Clube de fado ou num palco maior de um Auditório, em Portugal mas também em importantes salas no estrangeiro. Este arrebatamento que a sua voz inspira acontece porque Carolina, enfim, é uma artista verdadeira. Que canta o que sente e que sente como ninguém o que canta. E é isso que a define.

Pedro Jóia

©António Alfarroba_2Pedro Jóia possui uma aplaudida carreira nacional e internacional que se estende por mais de duas décadas. O músico prepara um novo álbum para o segundo semestre do ano e ultima os detalhes para um novo concerto, recheado de novas e aventureiras composições bem como de passagens em novo formato por alguns dos mais apreciados momentos da sua carreira.

Pedro Jóia estreou-se nos discos com Guadiano em 1996 e desde então não deixou de enriquecer uma linguagem que parte da tradição portuguesa e busca inspiração na música do Brasil, de África, no flamenco e no jazz, para o desenho de uma linguagem guitarrística altamente personalizada e original. Na sua discografia, Pedro Jóia homenageou Carlos Paredes, explorou a sofisticação do flamenco e ergueu um som que lhe valeu os mais rasgados elogios e importantes prémios, como o Prémio Carlos Paredes em 2007 pelo álbum À Espera de Armandinho.

A mestria de Pedro Jóia também lhe tem valido os mais diversos convites e por isso tem ao longo dos anos pisado palcos ao lado de grandes vozes como Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Raquel Tavares ou Mariza com quem tem viajado internacionalmente desde 2012. É igualmente presença frequente em concertos do colectivo Resistência, um projecto que integra importantes nomes da música portuguesa como Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha ou Tim e que vive da ideia de cruzamento da guitarra clássica com momentos altos do nosso cancioneiro pop.

Neste momento, Pedro Jóia apresenta-se prioritariamente em trio, criando um discurso intenso de envolvimento com o baixo e acordeão em concertos que percorrem a distância entre o fado, o flamenco, o Brasil e o jazz, sempre com um elevadíssimo nível de execução técnica e artística. A UGURU prepara para já a maior digressão nacional de sempre deste músico e está neste momento a aceitar pedidos para novas datas.

Francisco Sales

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“Quando estás longe, a experimentar novas comidas, a tentar falar uma língua nova, a conhecer pessoas com uma cultura tão diferente da tua, a viajar… quando estás «Miles Away», também fisicamente mas acima de tudo mentalmente.”

É assim que um dos mais prestigiados guitarristas portugueses define o seu novo trabalho. “Miles Away”, o segundo álbum de Francisco Sales, é uma viagem sonora intimista, cativante, envolvente, que convida o ouvinte a um cenário de paz, emoções, descobertas.

Licenciado em jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, Francisco Sales trabalha de modo virtuoso a sonoridade da guitarra, acústica e eléctrica, criando paisagens sonoras de grande beleza inspirada nas suas múltiplas viagens pelo mundo.

Residente em Londres desde 2013, Francisco Sales teve aí a sorte de encontrar um padrinho de peso – Jean-Paul Maunick aliás Bluey, líder dos célebres Incognito. Bluey apadrinhou o seu primeiro álbum, “Valediction”, que apresentou no Blue Note de Tóquio antes de o convidar para fazer parte da formação de palco dos Incognito.

Já em 2016 acompanhou nomes grandes da música como Chaka Khan, Omar ou Natalie Williams. No início de 2017 lançou “Miles Away”, resultado das viagens dos últimos anos, composto por temas escritos “em casa, mas inspirados pelas viagens que fiz a países, cidades, lugares que nunca tinha visitado. E só quando voltas a casa percebes o inspirador que foi. A casa está igual – mas tu voltaste mais rico.”

“Miles Away” é o modo de Francisco Sales partilhar connosco essa riqueza.

Francisco é patrocinado pela Gibson Japão, Elixir Strings e Boss Pedals.

Mísia

PURA VIDA (Banda sonora)
Em Portugal é uma edição da Liberdades Poéticas com apoio do Museu do Fado e estará à venda a 12 de abril.
Edição internacional a 14 de junho pela Galileo Music
Disco com Apoio Antena 1

Mísia, sabe-o  bem , que a pura vida  acontece quando esta  se deixa contaminar pelas emoções, pelas ideias e pelas vivências. A pura vida carrega as marcas – as visíveis e as invisíveis – de quem nela se atravessa. É isso que Mísia canta, com alma de quem bem sabe com quantas mágoas se tece um xaile negro. Esta fadista soube amar Amália e muitas outras vozes, de poetas e marujos, de compositores e músicos, que com ela ergueram um singular percurso e repertório de mais de 25 anos de entrega a palcos e estúdios, apontando tantas vezes caminhos e espaços que o fado não conhecia, mas que ela se atreveu a trilhar porque sentia que tinha que ser. Porque sentia.

Em Pura Vida Mísia volta a cantar o fado, que não é triste, nem alegre, como gosta de dizer. É Destino. Volta a cantar os sentimentos e emoções com a sua grandeza e miséria em igual medida. Com os fados escolhidos para Pura Vida, Mísia pretende cantar o léxico e a gramática das emoções: a  Ausência, o Corpo , o Destino , os Homens a Pele e a Saudade, o tudo e o quase nada. A Pura Vida em estado puro. “E outras letras do abecedário”, garante ela. Tudo isto recorrendo a fados clássicos e a alguns inéditos.

A palavras de Miguel Torga , Vasco Graça Moura, Tiago Torres da Silva e outros. A algumas músicas em castelhano que fazem parte da sua vida, do seu ADN. Companheiro  essencial neste trabalho, o músico napolitano  Fabrizio Romano.que co-produz o trabalho com Mísia e que é ainda o director musical e responsável por todos os arranjos  Convidados  nesta aventura vital são o artista argentino  Melingo, o fadista Ricardo Ribeiro, o jovem guitarrista Gaspar Varela  e  o músico catalão Raul Refree

. Porque a vida, a pura vida, faz-se de certezas, obviamente, mas também de surpresas.

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Formação

Mísia- Voz | Guitarra Portuguesa | Violino | Clarinete baixo | Piano | Guitarra eletrica

 

Sobre Mísia

Mísia nasceu na cidade do Porto e é a terceira geração de artistas na sua família pelo lado materno. Mãe bailarina de música clássica espanhola, avó artista de music hall e burlesque. Ambas de Barcelona. Vive na sua cidade natal até à adolescência tardia durante a qual por vezes canta como amadora nas casas de fado. Por volta dos 20 anos, por motivos familiares instala-se em Barcelona e depois de vários trabalhos ainda sem vocação definida – canção, dança, music hall, televisão, etc – em 1991 decide regressar a Portugal e a Lisboa para construir um repertório próprio dentro do universo do Fado.

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, escreveu para a sua voz. O realizador francês Patrice Leconte rodou um dos seus videoclips (Duas Luas, 2001), John Turturro escolheu-a para o seu filme “Passione” (2010) e William Christie programou-a para la Cité de la Musique em Paris (2004). Durante anos consolida uma carreira internacional, canta nos palcos de maior prestígio internacional como a Filarmonia de Berlim, Festival de Avignon, Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa), Teatro Chatelet (Paris), Town Hall (New York), Le Carré Amsterdam, Cocoon Theater (Tóquio), etc. O seu trabalho é mencionado na imprensa mundial – Billboard, New York Times, Libération, Die Zeigt, etc. Mísia é a cantora portuguesa actual que desperta maior culto internacional na celebração dos sentimentos intemporais não só em português mas igualmente em vários idiomas.

O seu lugar no Fado começa em 1991, um momento pouco propício no qual fora de Portugal o que se recordava deste género, recentemente declarado Património Imaterial da Humanidade (2011), era a presença da grande Amália Rodrigues. Foi Amália quem abriu as portas no mundo para esta música quando ninguém ainda falava de world music. Sem público latente para o seu estilo pessoal e contemporâneo e durante vários anos em que o Fado, salvo raras excepções, não tinha o prestígio cultural e comercial que agora usufrui a Mísia – pioneira e espírito livre – coube-lhe abrir o seu próprio caminho.

Não tendo nunca esquecido a revelação que para ela supôs o fado tradicional na sua adolescência no Porto, depois de uns anos em Espanha e no seu regresso a Lisboa, sente que não deve começar por se apoiar em êxitos musicais de grandes nomes que admira mas em criar um repertório próprio. Começa então o que segundo Manuel Halpern se virá chamar o Novo Fado: “(…) A delimitação temporal é sempre difícil. Mas, se nos forçássemos a marcar uma data para o início do novo fado, seria Março de 1991, época em que Mísia lança o seu primeiro álbum. Tudo o que está antes é uma espécie de pré-história.” Manuel Halpern in O Futuro da Saudade (D.Quixote, 2004)

Carmen Souza

IMG_5244_300dpiCARMEN SOUZA

Baptizada pela imprensa internacional como a Ella Fitzgerald de Cabo Verde ou a nova Cesária Évora.

Carmen Souza, já baptizada pela imprensa internacional como a Ella Fitzgerald de Cabo Verde ou a nova Cesária Évora, combina uma virtuosa técnica vocal jazzística com uma série de influências lusófonas, que vão do fado ao samba, da morna à bossa nova, incluindo baladas agridoces ou o ‘blues cabo-verdiano’. Esta sonoridade híbrida, muito pessoal, tem levado a cantora a actuar em dois circuitos paralelos: o do jazz e o da world music.

A par do seu trabalho discográfico, desde 2005 que Carmen Souza percorre o mundo em digressões sucessivas, participando em festivais como North Sea Jazz Festival, San Francisco, Monterrey, Montreal, London African Music Festival ou Laverkusener JazzTage Festival. Vários dos seus concertos foram transmitidos por algumas das mais importantes estações de rádio e televisão. O seu trabalho foi motivo de estudo e investigação por etnomusicólogos.

Inquestionavelmente, Carmen Souza é hoje uma personalidade forte da world music e uma das cantoras de jazz de mais sucesso. Em 2017, ano em que edita ‘Creology’, Carmen Souza volta a afirmar-se como um nome a reter na cena jazzística mundial

 

RUI MASSENA

“III” é novo trabalho de Rui Massena que mereceu selo internacional da prestigiada Deutsche Grammophon, talvez a mais importante marca do universo da música erudita. Massena fala de “um grande avanço” quando explica a natureza do disco que agora lança.

O trabalho de composição de Rui Massena e a fixação em disco que ocorreu entre Berlim e o Porto e que contou com Tobias Lehman e Mário Barreiros como grandes aliados será agora levado para o palco, com o compositor e pianista a voltar a contar com o apoio imprescindível da sua Band. “Desde os primeiros espectáculos com a Band que fui amadurecendo o material que depois gravámos no Porto. Agora está na hora de o acolher de novo no palco”, refere Rui Massena. “Este trabalho contém uma intenção sonora muito diferente pelo que o concerto irá reflectir isso mesmo, essa procura de novos caminhos para a minha música”.

Rui Massena pretende apresentar “III” na íntegra sem esquecer alguns dos mais importantes trabalhos dos seus dois primeiros álbuns e até, vai avisando, “um par de inéditos que podem sempre ser oportunos”. Com o seu piano, electrónica elegante e subtil, novas composições e a já muito rodada Band com que Rui Massena possui uma relação quase telepática, o concerto em torno do material de “III” promete ser o mais ambicioso da carreira do aplaudido compositor.

Gaiteiros de Lisboa

“BESTIÁRIO” É O SEXTO DISCO DE ORIGINAIS E ASSINALA OS 30 ANOS DE CARREIRA DA BANDA

Quando primeiro surgiram, em 1991, os Gaiteiros de Lisboa eram “outra coisa”. Mesmo pelo meio de uma cena musical fervilhante de novos olhares para a música tradicional portuguesa, os Gaiteiros promoviam o embate directo entre tradição e inovação, respeito pelo passado e vontade de abrir caminhos para o futuro.

De um lado, músicos veteranos que tinham aprendido com as recolhas de Giacometti e tocado com nomes como José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco (que viria a produzir o primeiro disco do grupo) ou Fausto. Do outro, músicos oriundos da cena pop ou rock ou jazz que olhavam para a tradição de modos totalmente novos.

A conjugação projectava os Gaiteiros de Lisboa para outro patamar, com a gaita de foles trazida por Paulo Marinho (Sétima Legião) e as polifonias vocais lideradas por Carlos Guerreiro e José Manuel David no centro de um furacão criativo que estava permanentemente em ebulição. Como diz a frase: “a tradição já não é o que era nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era”.

E o que saiu dessa abordagem era “outra coisa”. Nas palavras do crítico do Expresso, João Lisboa, “os Gaiteiros de Lisboa habitam um universo inteiramente privado […] (onde) muito pouco ou nada funciona de acordo com as normas com que habitualmente a música é lançada à pauta”.

Trinta anos depois, o mundo mudou, a formação do grupo também. Em “Bestiário”, sexto álbum de material original e primeiro em sete anos, apenas Carlos Guerreiro e Paulo Tato Marinho restam dos Gaiteiros que entraram em estúdio pela primeira vez em 1995. A nova formação completa-se com Miguel Veríssimo, Miguel Quitério, Paulo Charneca  (que já fez anteriormente parte do grupo) e Sebastião Antunes (dos Quadrilha).

Mas os Gaiteiros de Lisboa, tendo mudado, não mudaram: continuam a ser “outra coisa”. Como a aldeia gaulesa do Astérix, os Gaiteiros resistem, ainda e sempre, a serem metidos numa gaveta. A gaita de foles e as polifonias vocais continuam no centro, a música ao seu redor continua a ser surpreendentemente moderna, inventiva, viva, contemporânea e ao mesmo tempo intemporal. Nunca se ouviu o clássico açoriano “Chamateia” desta maneira; um tema novo como “Brites de Almeida” parece um clássico tradicional só agora reencontrado.

E os muitos convidados de “Bestiário” insistem nessa fuga a categorias e gavetas. A companheiros de percurso como o açoriano Zeca Medeiros ou a veterana Filipa Pais juntam-se o jovem colectivo vocal feminino Segue-me à Capela e João Afonso Lima, sobrinho de Zeca. Pedro Oliveira, dos Sétima Legião, dá voz a “Besta Quadrada” e Rui Veloso empresta a sua guitarra eléctrica e a sua voz a “Comprei uma Capa Chilrada”.

“Bestiário” é inteiramente composto por material inédito em disco – as excepções são “Roncos do Diabo”, publicado na compilação de 2018 “A História”, e “Comprei uma Capa Chilrada”, gravado pela primeira vez em “Sátiro” mas aqui numa versão regravada.

“Bestiário” confirma como os Gaiteiros de Lisboa, trinta anos depois do início e com uma formação nova, continuam a ser “outra coisa”, a habitar o mesmo universo privado alheio a modas passageiras e aberto a tudo o que nele caiba. Ou seja, os mesmos Gaiteiros de sempre: imprevisíveis, inconfundíveis, imprescindíveis.

GAITEIROS DE LISBOA

CARLOS GUERREIRO | MIGUEL QUITÉRIO | MIGUEL VERÍSSIMO |PAULO CHARNECA | PAULO TATO MARINHO | SEBASTIÃO ANTUNES

BESTIÁRIO

Produção e direcção musical de CARLOS GUERREIRO

excepto “BESTA QUADRADA” (PAULO MARINHO)

e “CANTO DO CORAÇÃO” (MIGUEL QUITÉRIO)

Co-produção, gravação e mistura de CARLOS JORGE VALES

 “BALEEIROS DE NEW BEDFORD”

(com ZECA MEDEIROS)

“RONCOS DO DIABO”

“CANTO DO CORAÇÃO”

“BRITES DE ALMEIDA”

“BESTA QUADRADA”

(com PEDRO OLIVEIRA)

“CHAMATEIA”

(com FILIPA PAIS e JOÃO AFONSO)

“FLECHA “

(com SEGUE-ME À CAPELA)

“PARA SANTALICES”

“NATIVIDADE”

“COMPREI UMA CAPA CHILRADA “

(com RUI VELOSO)

“LOLITA FIREWINGS”

 

DISCOGRAFIA

 

1995 – INVASÕES BÁRBARAS (Farol)

1997 – BOCAS DO INFERNO (Farol)

2000 – DANÇACHAMAS (ao vivo) (Farol)

2002 – MACARÉU (Aduf)

2006 – SÁTIRO (Aduf/Sony Music)

2012 – AVIS RARA (D’Euridice)

2018 – A HISTÓRIA (compilação) (Uguru)

2019 – BESTIÁRIO (Uguru)

 

 

Danças Ocultas

Um oceano também é um mar de sons, e o instrumento pode ser a nossa nave. Há fluxos e refluxos, nessa imensidão.
Há marés e bons ventos – que são o alento dos viajantes – e miríades de fulgores entre longínquas margens.
E há vozes, outros tons e inflexões, outras pessoas e cidades, uma azáfama grande. Poemas (e poetas).
Procura-se o caminho: é em diante, onde a surpresa talvez seja constante.
E há danças ocultas dentro desse mar.

Jorge Pereirinha Pires

Os Danças Ocultas de Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel são – e é lícito escrevê-lo tendo em conta que levam já praticamente três décadas de carreira – um dos grandes tesouros da música portuguesa contemporânea.
O invulgar quarteto de concertinas é caso sem paralelo na história moderna da música portuguesa: mesmo tendo adoptado instrumentos populares, o grupo conseguiu levar a sua música às mais respeitadas salas nacionais e internacionais, dividir palcos com orquestras clássicas e colaborar com importantes nomes da música, de Rodrigo Leão a Carminho entre outros.

Agora, os Danças Ocultas apresentam o mais ambicioso projecto artístico da sua carreira: Dentro desse mar foi gravado entre Dezembro de 2017 e Junho de 2018 nos estúdios Casa do Mato, no Rio de Janeiro, com o conceituado Jaques Morelenbaum aos comandos da produção. O violoncelista, compositor, arranjador e produtor tem um currículo de luxo que cruza o seu percurso com o de artistas tão importantes quanto Tom Jobim, Caetano Veloso, Marisa Monte, Madredeus, Ryuichi Sakamoto ou David Byrne, para citar só alguns.

Com participações de Marcos Suzano, Paulo Braga, Marcelo Costa e Robertinho Silva (percussões), David Feldman (piano), Lula Galvão (violão e guitarra eléctrica), Rogério Caetano (violão), Luis Barcelos (cavaquinho e bandolim) e Tiago Abrantes (clarinete), o álbum conta com composições e arranjos dos próprios Danças Ocultas e ainda participações de Carminho, Zélia Duncan e Dora Morelenbaum nas vozes e do próprio Jaques no violoncelo.

Por outro lado, os temas com voz contam com letras de Arnaldo Antunes (“Dessa Ilha”), Carlos Rennó (“As Viajantes”) e Tiago Torres da Silva (“O Teu Olhar”). Três mestres na arte de criar imagens com as palavras de que se faz a nossa língua que é, ela mesma, um mar dentro do qual todos vivemos.

No novo álbum, os Danças Ocultas reinventam-se sem perderem a vincada identidade que lhes valeu tanta atenção nacional e internacional, conseguindo manter a ligação à sua própria história e passado e abrindo ao mesmo tempo um novo oceano de possibilidades para o futuro. O trabalho de Jaques Morelenbaum foi a esse nível um triunfo: o produtor soube entender o que torna os Danças Ocultas tão singulares e também adivinhar na sua arte novas nuances que rendem um maravilhoso registo, amplo na sua abertura ao mundo, cheio de ideias, de sons, de palavras e melodias. É Dentro Desse Mar que os Danças Ocultas querem agora viajar. E todos estamos convidados a embarcar com eles, rumo a novas aventuras.

Os concertos de apresentação deste novo trabalho conntaram com a participação especial de Jaques Morelenbaum no violoncelo, da sua filha Dora, na voz e ainda Marco Figueiredo (piano) e Quiné Teles (percussão).

 

Rodrigo Leão

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O percurso iniciado em nome próprio em 1993 com a edição de Ave Mundi Luminar começará por ser celebrado com uma exposição que traça o percurso do compositor português através de um importante e inédito conjunto de documentos. Através de fotografias, muitas delas nunca antes vistas, cartazes, capas de discos, mas também de videoclips, imagens de concertos ou excertos da série Portugal, Um Retrato Social – para a qual assinou a banda sonora -, Rodrigo Leão, com a inestimável colaboração do realizador Leonardo António, abrirá ao público as portas do seu arquivo pessoal para uma mostra que será reveladora da sua personalidade, da sua atitude perante a arte, do seu percurso artístico.

A grande comemoração dos 25 anos de carreira, sob o genérico O Aniversário, inicia-se com um duplo CD retrospectivo a ser editado em Março, reunindo as principais colaborações de Rodrigo com grandes artistas e nomes estrangeiros e os seus instrumentais mais queridos.

O Aniversário será também espectáculo, com uma produção de palco dirigida ao grande público, contando com uma formação alargada a dez músicos e duas cantoras. O trabalho técnico deste espectáculo será extremamente cuidado, de forma a que a amplificação sonora funcione tanto nos grandes espaços como nas salas mais exigentes, garantindo que cada recanto possa escutar cada pormenor da instrumentação.

O ano de 2018 trará também os últimos concertos da digressão conjunta com o cantor-compositor Scott Matthew. A digressão do álbum resultante da sua parceria, Life Is Long, terminará com actuações em Lisboa e no Porto.

A comemoração dos 25 anos continua com a versão revista e actualizada do concerto Os Portugueses, acompanhando o relançamento de uma das suas bandas-sonoras mais interessantes: Portugal, um Retrato Social, a seminal série televisiva realizada em 2007 por Joana Pontes e António Barreto. A música que Rodrigo compôs para essa série, onde cristalizou a indefinível portugalidade da sua inspiração melódica, vai ser relançada numa edição restaurada com material adicional, sob o título Os Portugueses, e servirá de base a uma produção de palco refeita e retrabalhada.

Rodrigo Leão propõe ainda um novo concerto: Instrumental – O Ensaio, com uma forte componente de projecções video e focado em composições instrumentais ao estilo que nos habituámos a reconhecer como a sua marca pessoal.

A par de material instrumental já conhecido, Rodrigo apresentará em primeira mão algumas das novas composições em que tem trabalhado, ainda em versões integralmente instrumentais. Este concerto será em simultâneo uma apresentação, uma rodagem e um ensaio de peças que farão parte de um novo disco de originais. Este novo trabalho, um dos projectos mais esperados da nova temporada, será lançado até ao final de 2018, e poderá verdadeiramente representar o novo álbum de carreira de Rodrigo, após uma série de trabalhos que nasceram a convite de outros músicos ou foram incursões em terrenos mais alternativos.

Mais notícias serão a seu tempo reveladas. Estas são apenas as primeiras novidades do 25º aniversário de carreira de Rodrigo Leão, um ano em cheio para um dos mais queridos artistas portugueses!

Amélia Muge

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Amélia Muge é, sem dúvida, a mais respeitada e prolífica compositora e cantautora portuguesa da actualidade.

Camané, Ana Moura, Mísia, Pedro Moutinho ou os Gaiteiros de Lisboa são apenas alguns dos artistas para quem tem composto.

Diversas distinções foram já atribuídas ao seu trabalho discográfico e poético e a vertente intercultural do seu trabalho tem originado uma série de colaborações com músicos de diversos países sendo o mais recente a Grécia com o maravilhoso projecto de CD e concertos Periplus,considerado pelo Jornal Expresso – Álbum do Ano (2012),um dos Álbuns do Ano para a conceituada revista Inglesa Folk Roots Magazine, etc.

Em 2015 editou e estreou uma homenagem a Amália Rodrigues com arranjos e produção de José Mário Branco. Um trabalho muito original, que não é feito a partir dos conhecidos fados de Amália, mas antes dos seus poemas, desconhecidos do grande público e, na grande maioria, nunca musicados.

Em 2017 regressa ao trabalho com o grego Michales Loukovikas, co-autor de Periplus para criar Archipelagos – Passagens. O disco tem lançanmento previsto para ferevreiro de 2018, mas a estreia ao vivo   aconteceu em Novembro de 2017 no São Luiz Teatro Municipal. Uma sonoridade única e uma abordagem cultural multi-situacional, onde Amélia Muge (voz, braguesa, percussão) e Michales Loukovikas (voz, percussão, acordeão) estiveram acompanhados por excelentes músicos gregos e portugueses: António Quintino (contrabaixo), Dimitris Mystakidis (viola, bouzouki, tzourás, voz), Filipe Raposo (piano, teclados), Harris Lambrakis (ney, flauta) , José Salgueiro, (percussão), Manos Achalinotópoulos (clarino,voz), “Maria Monda”, grupo vocal (Sofia Adriana Portugal, Susana Quaresma e Tânia Cardoso), Kyriakos Gouventas (violino de cinco cordas), Ricardo Parreira (guitarra portuguesa).

Veja aqui a crítica do jornal Público sobre a estreia do espetáculo