SOFIA HOFFMANN

“One Soul”, o album de estreia de Sofia é um passo em frente no seu caminho musical, que conta com atuações nacionais e pontualmente no estrangeiro. Ao vivo faz-se acompanhar por alguns dos melhores músicos de Jazz portugueses, que estiveram presentes na gravação do seu disco. Incorpora o seu corpo e alma, na sua música e nos poemas cantados, numa homenagem amorosa às suas experiências de vida, que delinearam a inspiração para as suas maravilhosas faixas que compõem “One Soul”.

MARIA DE MEDEIROS & THE LEGENDARY TIGERMAN

 

MARIA DE MEDEIROS & THE LEGENDARY TIGERMAN
24 Mila Baci

Cinema é música, não achas?
E música é cinema. Quando eu era criança, o meu pai contava histórias sobre sinfonias.
Enquanto a música majestosa se expandia, vinham imagens e mais imagens. O arrepio e a emoção na garganta.
Como vês a música, tu?
Ouço o silêncio. Sim, há música no silêncio.
A música das esferas diz William Shakespeare. O estrondo do universo, diz a Nasa.
The universe rocks and rolls.
E o que vês agora? Vejo a imagem gráfica, a preto e branco, o fumo do cigarro na boquilha da Marlene Dietrich. Ich bin von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt.
Canta, da cabeça aos pés, e desliza o seu olhar pelo mundo.
É isso, olhar para o mundo. Um mundo triste e bonito.
Uma mulher sozinha na noite, It’s a sad and beautiful world.
E iluminando tudo, a noite e o tempo, surge uma voz italiana, cheia de alegria.
24 Mila Baci! Sempre adorei essa canção. Agora, são como 24 mil beijos mandados da distância. Um adeus longínquo.
Como Fernando Pessoa quando se despede da infância. E lembra o tempo em que se festejava o seu aniversário.
E há outra melodia. Tenho uma história curiosa com ela. Detestava-a. Era a melodia dos pátios. Em todo o pátio, havia uma voz arrastada que cantarolava essa música. Sempre a mesma, insidiosa. Mas depois fui crescendo, e sabes aqueles alimentos que odiamos quando somos crianças e depois se transformam em iguarias? É isso: a trilha do Padrinho.
Nino Rota, claro, mais que persistente, imortal.
E as tuas trilhas. Fizeste tantas trilhas para o cinema. Fizeste tantos filmes. É inseparável.

É uma espécie de fado. Sim, diz que é fado.

Lina_Raül Refree

A edição internacional do álbum de estreia foi a 17 de janeiro de 2020 pela Glitterbeat Records

Numa noite de fados as vozes mostram-se autênticas: sem amplificação, sem adornos e sem filtros, apenas nervo e talento, alma e paixão. Raul Refree entende bem o que é isso da paixão e como marca as vozes, tendo assinado a produção de Los Angeles, o álbum que colocou o fenómeno internacional Rosalía no mapa. Por isso mesmo, o músico e produtor não teve dúvidas quando ouviu Lina cantar no Clube de Fado, que é uma das mais reputadas casas desta cultura na capital, pouso certo de grandes vozes e viveiro de muitos talentos resguardados por Mário Pacheco, guitarrista que acompanhou os maiores artistas, incluindo a eterna Amália. E foi aí, à meia luz, num momento solene e autêntico, que Raul Refree se apaixonou pela voz de Lina.

A ideia de se juntarem num estúdio foi imediata e pouco depois cruzaram-se ambos numa sala especial, nos arredores da capital. Rodeado de sintetizadores vintage, de Moogs e Arps, de Oberheims e Rolands, mas também com o piano muito perto, Raul emoldurou a voz de Lina em névoa analógica, deixando as guitarras do fado na nossa imaginação, mas retendo toda a força de uma garganta carregada de verdade.

Lina mostrou-se à altura do desafio. Estudante atenta da obra de Amália, escolheu uma série de pérolas do reportório da Diva com o intuito de as usar como base de comunocação. Como se este projecto nascesse de uma busca do assombro, da essência. Já com um percurso dentro do fado muito sólido, mas também com estudos de canto lírico que lhe moldaram a entrega séria que possui, Lina partiu para esta aventura com uma bagagem muito funda, com plena noção do que a sua voz consegue transmitir.

Os arranjos resultaram extraordinários. Refree, que tem uma longa carreira na pop mais desafiante e que como produtor já assinou dezenas de trabalhos, de Sílvia Perez Cruz a El Niño de Elche ou Lee Ranaldo, além da já mencionada Rosalía, é um artista de extraordinária intuição. A curiosidade sobre o fado também o tinha acercado da obra de Amália Rodrigues em que identificou uma força universal tão intensa quanto a que marcava os clássicos de flamenco que bem conhecia. Concordaram ambos imediatamente que deveriam explorar o reportório da eterna fadista, despindo-o dos dogmas instrumentais do fado, mas retendo a sua mais funda alma.

Lina, com voz maturada pelas noites nas casas de fado, pela sua própria devoção por Amália e por todas as grandes vozes que ouviu, sentiu e estudou, é uma artista verdadeiramente especial: soa como se tivesse nascido no meio da história, a ouvir as divas a ecoarem nas vielas da sua imaginação. Soa autêntica e comovente. E por isso conquistou Refree.

Em temas como “Barco Negro” ou “Foi Deus”, “Ave Maria Fadista”, “Medo” ou “Gaivota”, qualquer um deles um monumento maior da memória do fado, Lina mostra-se artista completa, verdadeira e de um talento capaz de nos assombrar a todos. As suas interpretações são sobretudo humanas, emocionantes, preferindo arrancar as palavras ao coração do que moldá-las com a técnica que também estudou. Essa entrega oferece uma outra luz ao fado nos arranjos que Raul Refree lhe preparou. Sem truques ou filtros, mas com arte e com uma abordagem nunca antes tentada vestindo o fado com uma inédita roupagem electrónica que ao invés do o desvirtuar só lhe reforça a condição universal.

O fado é património imaterial da humanidade, uma cultura que ajuda a identificar um país que anda nas bocas do mundo e que tem atraído muitos artistas a Lisboa. Vindos de fora, esses artistas buscam no fado um terreno ainda imaculado, um rasgo de autenticidade num universo musical tantas vezes rendido ao artifício. Foi exactamente isso que trouxe Raul Refree a Lisboa. Essa busca do que é novo e sem tempo do que estremece e que o mundo precisa de ouvir. Mesmo que para tanto seja necessário desafiar as regras. É assim, afinal de contas, que se faz história.

A dupla estreou-se ao vivo em Cartagena no festival La Mar de Músicas perante arrebatados aplausos do público e da crítica com um espetáculo pensado ao pormenor, encenado por António Pires, com luz desenhada para sublinhar todo o drama nele contido. Depois de várias outras apresentações no estrangeiro, o espetáculo foi finalmente apresentado em Portugal em novembro passado no Misty Fest em quatro cidades.

 

LINA

É em noites como aquelas em que se apresenta no histórico Clube de Fado, em Alfama, Lisboa, que Lina verdadeiramente se revela. Nesse contexto, de recorte mais solene, mais noturno, com a iluminação mais baixa a acentuar o natural intimismo da ocasião, rodeada de viola e guitarra, sem amplificação, sem qualquer filtro tecnológico, a sua voz e a sua entrega ecoam de forma extraordinária no cenário de pedras centenárias, arrebatando quem lhe dá atenção, arrancando naturais aplausos dos que se deixam enredar nas palavras que a sua garganta solta, límpidas e profundas, como devem ser sempre as palavras que uma fadista sente e vive.

Com dois registos no ativo lançados através da Sony Music – Carolina, produzido por Ricardo Cruz (que tem António Zambujo no seu currículo), foi lançado em 2014, enquanto o mais recente, enCantado, trabalho assinado pelo produtor Diogo Clemente (Carminho), data já de 2017 -, Lina já deixou muito claro que tem voz, coração, personalidade e cabeça para ir muito longe. Exatamente porque a seriedade que investe na sua arte e a entrega que lhe dá sem quaisquer reservas são, juntamente com o talento, pilares em que se pode e deve sustentar uma longa carreira.

Lina nasceu na Alemanha, mas cresceu em Trás-os-Montes, onde o fado foi descoberta em que apoiou a sua própria procura de identidade. Mais tarde, no Porto, respondeu ao apelo dos palcos, estudou e fez teatro, cantou ópera e, um dia, deixou que o fado a puxasse para dentro de si mesmo quando, de forma impulsiva, deu voz a três fados que conhecia, recorrendo a todas as lições aprendidas a escutar de forma atenta Amália Rodrigues, facto que chegou para impressionar quem programava a reputada Casa da Mariquinhas, um dos melhores redutos de fado da Invicta, onde passou a apresentar-se regularmente.

O fado, muito logicamente, puxou-a para os palcos, mas também a foi trazendo para mais próximo de Lisboa. Foi Beatriz Costa por mão de Filipe La Féria na sua encenação de A Canção de Lisboa, e, a convite de Mário Pacheco, a alma do Clube de Fado, apresentou-se pela primeira vez fora de Portugal, em Varsóvia, trazendo da viagem a força dos aplausos e a certeza de que este seria o seu futuro. Foi chamada para a programação do Museu do Fado em 2009 e 2010, cantou no grande ecrã no filme O Cônsul de Bordéus de Francisco Manso, em 2012, e estreou-se depois em disco um par de anos mais tarde.

Como artista de atitude personalizada que é, Lina não gosta de se limitar, e isso significa que tanto maravilha em fados tradicionais, como o clássico “Um Fado Nasce” do grande Alberto Janes que cantou no seu álbum de estreia, como em reportório mais moderno, caso de “Falar de Amor”, com poema escrito por Carolina Deslandes, a que deu voz no trabalho mais recente. Lina sabe que é este o seu tempo. A sua alma pode carregar memórias e lições antigas, mas a voz traduz as nuances do amor que vive hoje, que sente de forma profunda na vida que agora leva. E é isso que se sente quando ela canta à nossa frente: no Clube de fado ou num palco maior de um Auditório, em Portugal mas também em importantes salas no estrangeiro. Este arrebatamento que a sua voz inspira acontece porque Lina, enfim, é uma artista verdadeira. Que canta o que sente e que sente como ninguém o que canta. E é isso que a define.

Pedro Jóia

Pedro Jóia possui uma aplaudida carreira nacional e internacional que se estende por mais de duas décadas. O músico prepara um novo álbum para o segundo semestre do ano e ultima os detalhes para um novo concerto, recheado de novas e aventureiras composições bem como de passagens em novo formato por alguns dos mais apreciados momentos da sua carreira.

Pedro Jóia estreou-se nos discos com Guadiano em 1996 e desde então não deixou de enriquecer uma linguagem que parte da tradição portuguesa e busca inspiração na música do Brasil, de África, no flamenco e no jazz, para o desenho de uma linguagem guitarrística altamente personalizada e original. Na sua discografia, Pedro Jóia homenageou Carlos Paredes, explorou a sofisticação do flamenco e ergueu um som que lhe valeu os mais rasgados elogios e importantes prémios, como o Prémio Carlos Paredes em 2007 pelo álbum À Espera de Armandinho.

A mestria de Pedro Jóia também lhe tem valido os mais diversos convites e por isso tem ao longo dos anos pisado palcos ao lado de grandes vozes como Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Raquel Tavares ou Mariza com quem tem viajado internacionalmente desde 2012. É igualmente presença frequente em concertos do colectivo Resistência, um projecto que integra importantes nomes da música portuguesa como Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha ou Tim e que vive da ideia de cruzamento da guitarra clássica com momentos altos do nosso cancioneiro pop.

Neste momento, Pedro Jóia apresenta-se prioritariamente em trio, criando um discurso intenso de envolvimento com o baixo e acordeão em concertos que percorrem a distância entre o fado, o flamenco, o Brasil e o jazz, sempre com um elevadíssimo nível de execução técnica e artística. A UGURU prepara para já a maior digressão nacional de sempre deste músico e está neste momento a aceitar pedidos para novas datas.

Francisco Sales

Francisco Sales é um músico que gosto de aventura, o que não é uma característica assim tão comum nos músicos. Autor de dois álbuns aclamados pelos mais fervorosos conhecedores de música, Valediction e Miles Away, Francisco Sales prepara actualmente o seu terceiro registo a solo, projecto que, confessa-nos está a servir para se reencontrar como artista: “Sinto a tentar-me encontrar de novo como artista, mas de uma forma diferente. De certa forma como qualquer grande artista sempre fez. É fácil perceber porque a Joni Mitchell ou o Miles Davis entre tantos outros foram sempre tendo momentos diferentes nas suas carreiras. Simplesmente porque as nossas criações são fruto das nossas vivências. É isso que me atrai na arte”. O espírito de aventura de Francisco Sales levou-o a criar um som próprio, bastante cinemático, com o seu guitarrismo a reter muitas das nuances e lições que aprendeu a estudar jazz, mas a espraiar-se em peças atmosféricas capazes de carregar a imaginação para longe, tal como mestres da estirpe de Ry Cooder ou John Scofield pontualmente fizeram.

O caminho de Francisco Sales levou-o a licenciar-se em jazz, linguagem que descobriu nas jam sessions promovidas pela ESMAE no Porto, levando até ao fim os seus estudos na escola Superior de Música Para Lisboa. E depois de aprender, foi preciso colocar em prática o que os livros e mestres lhe ensinaram:  mal sabendo inglês e com muito pouco dinheiro no bolso abalou para Londres. “Via tantas vezes o canal Mezzo e só sonhava em um dia poder tocar naqueles festivais todos de jazz!”, diz-nos. As suas demandas colocaram-no no caminho de Bluey, líder dos míticos Incognito. Tudo começou quando conheceu João Caetano, percussionista que tocava com a veterana banda de acid jazz, tendo-o ajudado a fazer o seu primeiro disco a solo como cantor. Foi esse trabalho que lhe abriu as portas do estúdio de “Bluey” Maunick. E de repente, tocar com Incognito em vários locais do mundo trouxe-lhe um outro universo de possibilidades. “Com os Incognito não só tocamos muito pelo mundo inteiro como também fazemos de banda de suporte para outros artistas. Já fizemos uma tour com a diva do soul Chaka Khan, outra com o famoso DJ Carl Cox, com gente como Amp Fiddler, Omar…” No fundo, e mesmo que a modéstia não lhe permita dizer mais, Francisco Sales tem tocado com uma certa elite de música sofisticada, gente que tem feito do jazz e da soul, da electrónica e do funk terrenos de inventividade máxima. E, claro, Francisco tem coleccionado todas essas experiências com a avidez de quem quer deixar a sua própria marca.

Voltei para Portugal em 2017 onde vivo desde então. É o país onde me sinto mais inspirado para compor, onde gosto de apreciar a vida e onde me sinto mais seguro e feliz. Hoje em dia continuo a tocar com os Incognito pelo mundo inteiro, mas estou a viver em Portugal”, diz-nos o Francisco, que se mostra centrado e focado em desenhar agora o seu próprio futuro.  “Quando regresso a casa destes concertos todos, tenho sempre trabalhado muito na minha carreira a solo e tenho tentado crescer com ela”. Esse trabalho passa pelo desenvolver da sua visão artística e pelo aprofundar da sua relação com um instrumento que pode soar surpreendente nas mãos certas. Essa surpresa tem sido uma constante quando Francisco Sales se apresenta a solo, mostrando a sua forma particular, aventureira e altamente hipnótica de tocar guitarra. Essa originalidade já lhe valeu, aliás, convites para abrir concertos para gente como Rodrigo leão, Avishai Cohen ou Diana Krall.

Agora é o seu momento, com um terceiro capítulo de um livro longo quase pronto para ser revelado, levando a guitarra e o seu som particular até novos planos com um conjunto de ambiciosas novas composições.

Laurent Filipe

CF079723 copy LEVE

 (Photo by Andreas Hoffman)

Laurent Filipe & The Song Band:

Trompetista, compositor e produtor, Laurent Filipe, possui uma sólida,longa e muito aclamada carreira internacional.

Uma colecção das suas melhores canções que vai incluir reportório original inspirado na sua discografia completa ,canções (im)prováveis em inglês, português, francês, italiano e espanhol, executados por uma formação de luxo:

The Song Band:

Laurent Filipe – voz e trompete

Mário Delgado – guitarras

Bruno Santos – guitarra electrica

Massimo Cavalli – contrabaixo e baixo electrico

Alexandre Frazão – bateria e percussão

LAURENT FILIPE (notas biográficas)

Começou a tocar e gravar em Portugal aos quinze anos de idade.

Actuou como líder do seu próprio grupo e como “sideman” em diversos clubes e festivais de jazz nos E.U.A., Europa (nomeadamente, o Festival Internacional “Cascais Jazz ‘79”), África e Ásia.

Licenciou-se em Teoria e Composição Musical e trompete pela Universidade de Kansas (E.U.A.) em 1985, ano em que também recebeu o prémio “Art Farmer Perfomance Award” (E.U.A. 1985).

Estudou com os trompetistas Dr. Roger Stoner, Greg Hopkins e participou em seminários de Wynton Marsalis, Anthony Plog e Allen Vizutti e em 1987 obteve uma pós graduação em Composição Musical para Cinema pela Berklee College of Music (E.U.A.). Laurent Filipe é também doutorando em Ciências Humanas.

Participou em sessões com figuras marcantes do jazz tais como: Jimmy Mosher, Aldo Romano, Tete Montoliu, Carles Benavente, Maceo Parker e o lendário baterista Walter Perkins, entre muitos outros. Apareceu frequentemente como convidado especial de artistas como Mariza e Rui Veloso.

Em 1990 recebeu o prémio de “Melhor Solista 1990” no Festival Internacional de Jazz de Guetxo (Espanha), onde o seu grupo recebeu também o prémio de” Melhor Grupo”.

Colaborou activamente como compositor e instrumentista na “ Olimpíada Cultural Barcelona ‘92”, “Madrid Capital da Cultura” e “Lisboa Capital da Cultura’94”. Em 1996 obteve o prémio de “Melhor Músico de Jazz” pelo programa “Cinco Minutos de Jazz RDP”.

Ainda como compositor e instrumentista participou na “Expo’98” e no “Porto 2001” e em 2008 recebeu o primeiro prémio do concurso CAAM de composição de fados e canções SPA.

É autor de um extenso repertório nos campos da música tradicional, contemporânea (incluindo obras para o “Grupo de Metais do Seixal”, “Remix Ensemble” e “Opus Ensemble”), jazz e Afro-Cubano. Compôs a banda sonora do documentário “City at Night” (E.U.A.), a longa-metragem “Porto Santo”, o espectáculo multimédia “Quadrofonia do Tempo” e música para teatro que inclui obras como “Sebastião o Menino Rei”, encomendada pela Expo’98. “Augaciar, Viagem ao Fim do Milénio”, o musical “Mulheres ao Poder”, etc.

Mantém uma actividade regular como compositor, produtor, orquestrador, trompetista e conferencista em Portugal e no estrangeiro. Entre 2010 e 2013 exerceu as funções de director geral do “Musibéria Centro Internacional de Musicas e Danças do Mundo Ibérico” de Serpa (www.musiberia.com.pt)

Trabalha actualmente com as seguintes formações, das quais é autor: “Duo Iberia”, “Homenagem a Chet Baker”, “The Song Band”, o sexteto “Mingus e Mais”, o quarteto “Flick Music” (musica de flimes), “Swing City Orquestra”, a orquestra que serviu de suporte a Rui Veloso e o mais recente “Ar Trio”.

Mísia

Sobre Mísia

Mísia nasceu na cidade do Porto e é a terceira geração de artistas na sua família pelo lado materno. Mãe bailarina de música clássica espanhola, avó artista de music hall e burlesque. Ambas de Barcelona. Vive na sua cidade natal até à adolescência tardia durante a qual por vezes canta como amadora nas casas de fado. Por volta dos 20 anos, por motivos familiares instala-se em Barcelona e depois de vários trabalhos ainda sem vocação definida – canção, dança, music hall, televisão, etc – em 1991 decide regressar a Portugal e a Lisboa para construir um repertório próprio dentro do universo do Fado.

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, escreveu para a sua voz. O realizador francês Patrice Leconte rodou um dos seus videoclips (Duas Luas, 2001), John Turturro escolheu-a para o seu filme “Passione” (2010) e William Christie programou-a para la Cité de la Musique em Paris (2004). Durante anos consolida uma carreira internacional, canta nos palcos de maior prestígio internacional como a Filarmonia de Berlim, Festival de Avignon, Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa), Teatro Chatelet (Paris), Town Hall (New York), Le Carré Amsterdam, Cocoon Theater (Tóquio), etc. O seu trabalho é mencionado na imprensa mundial – Billboard, New York Times, Libération, Die Zeigt, etc. Mísia é a cantora portuguesa actual que desperta maior culto internacional na celebração dos sentimentos intemporais não só em português mas igualmente em vários idiomas.

O seu lugar no Fado começa em 1991, um momento pouco propício no qual fora de Portugal o que se recordava deste género, recentemente declarado Património Imaterial da Humanidade (2011), era a presença da grande Amália Rodrigues. Foi Amália quem abriu as portas no mundo para esta música quando ninguém ainda falava de world music. Sem público latente para o seu estilo pessoal e contemporâneo e durante vários anos em que o Fado, salvo raras excepções, não tinha o prestígio cultural e comercial que agora usufrui a Mísia – pioneira e espírito livre – coube-lhe abrir o seu próprio caminho.

Não tendo nunca esquecido a revelação que para ela supôs o fado tradicional na sua adolescência no Porto, depois de uns anos em Espanha e no seu regresso a Lisboa, sente que não deve começar por se apoiar em êxitos musicais de grandes nomes que admira mas em criar um repertório próprio. Começa então o que segundo Manuel Halpern se virá chamar o Novo Fado: “(…) A delimitação temporal é sempre difícil. Mas, se nos forçássemos a marcar uma data para o início do novo fado, seria Março de 1991, época em que Mísia lança o seu primeiro álbum. Tudo o que está antes é uma espécie de pré-história.” Manuel Halpern in O Futuro da Saudade (D.Quixote, 2004)

 

Sobre o último álbum – PURA VIDA (banda sonora)

Depois de viver dois anos que foram – pelos piores motivos – uma aprendizagem vital de decisiva importância, sou a mesma, mas sou diferente.
De facto, tudo mudou.
Também e sobretudo o meu trabalho, que sou eu – não há fronteiras.
Eis aqui a banda sonora deste período, onde há céu e inferno, dureza e paixão. Fados de amarga saudade, músicas de coração e osso, rosas negras, ausência, lágrimas e renascimento.
As músicas de Pura Vida (banda sonora) são pura música, puras notas musicais totalmente livres de regras, porque já não preciso pertencer a nenhum género ou tribo depois do que vivi.
Não consigo nem quero banalizar isto.
Penso que o Fado não é alegre nem triste, é a Vida, o Destino.
Só uma música com esta nobreza permite usar as suas melodias mais simbólicas como um pintor usa as cores primárias para dizer com elas tudo o que a sua alma precisa.
Por isso digo que neste álbum há músicas de fados, mas não é um disco de Fado.
Pura Vida (banda sonora), está cheio de brechas, de rugosidades, e às vezes um pouco de “seda, veludo e lã”.
A guitarra portuguesa é o Céu e a guitarra eléctrica o Inferno.
O sentimento trágico, é transmitido neste trabalho, através da guitarra eléctrica.
Não se trata, pois, de ser “pop ou moderno”, pelo contrário.
Ouso dizer que há uma beleza cinematográfica nos arranjos de Fabrizio Romano.
Não é este um disco para anestesiar o público. É um disco que procura o “outro”, o eco na fragilidade e incapacidade que todos nós já alguma vez sentimos.
O místico Rumi disse que a ferida é o lugar por onde a luz entra.
Neste caso trata-se de pedir que ouçam a diferença. A beleza, a força e a humildade que a passagem por um calvário nos pode trazer. A ânsia de um caminho possível através das palavras de Miguel Torga, Tiago Torres da Silva e Vasco Graça Moura , entre outros.
E por fim, a vontade de viver e de cantar sem medo de mostrar as cicatrizes.

Mísia ,

Fevereiro 2019

 

 

RUI MASSENA

“III” é novo trabalho de Rui Massena que mereceu selo internacional da prestigiada Deutsche Grammophon, talvez a mais importante marca do universo da música erudita. Massena fala de “um grande avanço” quando explica a natureza do disco que agora lança.

O trabalho de composição de Rui Massena e a fixação em disco que ocorreu entre Berlim e o Porto e que contou com Tobias Lehman e Mário Barreiros como grandes aliados será agora levado para o palco, com o compositor e pianista a voltar a contar com o apoio imprescindível da sua Band. “Desde os primeiros espectáculos com a Band que fui amadurecendo o material que depois gravámos no Porto. Agora está na hora de o acolher de novo no palco”, refere Rui Massena. “Este trabalho contém uma intenção sonora muito diferente pelo que o concerto irá reflectir isso mesmo, essa procura de novos caminhos para a minha música”.

Rui Massena pretende apresentar “III” na íntegra sem esquecer alguns dos mais importantes trabalhos dos seus dois primeiros álbuns e até, vai avisando, “um par de inéditos que podem sempre ser oportunos”. Com o seu piano, electrónica elegante e subtil, novas composições e a já muito rodada Band com que Rui Massena possui uma relação quase telepática, o concerto em torno do material de “III” promete ser o mais ambicioso da carreira do aplaudido compositor.

Gaiteiros de Lisboa

“BESTIÁRIO” É O SEXTO DISCO DE ORIGINAIS E ASSINALA OS 30 ANOS DE CARREIRA DA BANDA

Quando primeiro surgiram, em 1991, os Gaiteiros de Lisboa eram “outra coisa”. Mesmo pelo meio de uma cena musical fervilhante de novos olhares para a música tradicional portuguesa, os Gaiteiros promoviam o embate directo entre tradição e inovação, respeito pelo passado e vontade de abrir caminhos para o futuro.

De um lado, músicos veteranos que tinham aprendido com as recolhas de Giacometti e tocado com nomes como José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco (que viria a produzir o primeiro disco do grupo) ou Fausto. Do outro, músicos oriundos da cena pop ou rock ou jazz que olhavam para a tradição de modos totalmente novos.

A conjugação projectava os Gaiteiros de Lisboa para outro patamar, com a gaita de foles trazida por Paulo Marinho (Sétima Legião) e as polifonias vocais lideradas por Carlos Guerreiro e José Manuel David no centro de um furacão criativo que estava permanentemente em ebulição. Como diz a frase: “a tradição já não é o que era nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era”.

E o que saiu dessa abordagem era “outra coisa”. Nas palavras do crítico do Expresso, João Lisboa, “os Gaiteiros de Lisboa habitam um universo inteiramente privado […] (onde) muito pouco ou nada funciona de acordo com as normas com que habitualmente a música é lançada à pauta”.

Trinta anos depois, o mundo mudou, a formação do grupo também. Em “Bestiário”, sexto álbum de material original e primeiro em sete anos, apenas Carlos Guerreiro e Paulo Tato Marinho restam dos Gaiteiros que entraram em estúdio pela primeira vez em 1995. A nova formação completa-se com Miguel Veríssimo, Miguel Quitério, Paulo Charneca  (que já fez anteriormente parte do grupo) e Sebastião Antunes (dos Quadrilha).

Mas os Gaiteiros de Lisboa, tendo mudado, não mudaram: continuam a ser “outra coisa”. Como a aldeia gaulesa do Astérix, os Gaiteiros resistem, ainda e sempre, a serem metidos numa gaveta. A gaita de foles e as polifonias vocais continuam no centro, a música ao seu redor continua a ser surpreendentemente moderna, inventiva, viva, contemporânea e ao mesmo tempo intemporal. Nunca se ouviu o clássico açoriano “Chamateia” desta maneira; um tema novo como “Brites de Almeida” parece um clássico tradicional só agora reencontrado.

E os muitos convidados de “Bestiário” insistem nessa fuga a categorias e gavetas. A companheiros de percurso como o açoriano Zeca Medeiros ou a veterana Filipa Pais juntam-se o jovem colectivo vocal feminino Segue-me à Capela e João Afonso Lima, sobrinho de Zeca. Pedro Oliveira, dos Sétima Legião, dá voz a “Besta Quadrada” e Rui Veloso empresta a sua guitarra eléctrica e a sua voz a “Comprei uma Capa Chilrada”.

“Bestiário” é inteiramente composto por material inédito em disco – as excepções são “Roncos do Diabo”, publicado na compilação de 2018 “A História”, e “Comprei uma Capa Chilrada”, gravado pela primeira vez em “Sátiro” mas aqui numa versão regravada.

“Bestiário” confirma como os Gaiteiros de Lisboa, trinta anos depois do início e com uma formação nova, continuam a ser “outra coisa”, a habitar o mesmo universo privado alheio a modas passageiras e aberto a tudo o que nele caiba. Ou seja, os mesmos Gaiteiros de sempre: imprevisíveis, inconfundíveis, imprescindíveis.

GAITEIROS DE LISBOA

CARLOS GUERREIRO | MIGUEL QUITÉRIO | MIGUEL VERÍSSIMO |PAULO CHARNECA | PAULO TATO MARINHO | SEBASTIÃO ANTUNES

BESTIÁRIO

Produção e direcção musical de CARLOS GUERREIRO

excepto “BESTA QUADRADA” (PAULO MARINHO)

e “CANTO DO CORAÇÃO” (MIGUEL QUITÉRIO)

Co-produção, gravação e mistura de CARLOS JORGE VALES

 “BALEEIROS DE NEW BEDFORD”

(com ZECA MEDEIROS)

“RONCOS DO DIABO”

“CANTO DO CORAÇÃO”

“BRITES DE ALMEIDA”

“BESTA QUADRADA”

(com PEDRO OLIVEIRA)

“CHAMATEIA”

(com FILIPA PAIS e JOÃO AFONSO)

“FLECHA “

(com SEGUE-ME À CAPELA)

“PARA SANTALICES”

“NATIVIDADE”

“COMPREI UMA CAPA CHILRADA “

(com RUI VELOSO)

“LOLITA FIREWINGS”

 

DISCOGRAFIA

 

1995 – INVASÕES BÁRBARAS (Farol)

1997 – BOCAS DO INFERNO (Farol)

2000 – DANÇACHAMAS (ao vivo) (Farol)

2002 – MACARÉU (Aduf)

2006 – SÁTIRO (Aduf/Sony Music)

2012 – AVIS RARA (D’Euridice)

2018 – A HISTÓRIA (compilação) (Uguru)

2019 – BESTIÁRIO (Uguru)