Beatriz Nunes

Selecionada por um júri ligado ao European Jazz Network, Beatriz Nunes apresentou-se no âmbito da conferência On The Edge, em concerto, realizado em Portugal no passado mês de Setembro, honra que premeia um intenso percurso de entrega à causa da música.

Canto Primeiro é título de álbum, mas não traduz verdade porque Beatriz Nunes, 30 anos, , tem um percurso já vasto, feito de estudo e entrega, de experiências intensas – do Conservatório a digressões internacionais com Madredeus ao lado de Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade -, de exploração de múltiplas vertentes – da música popular e do jazz, à erudição do canto lírico – de devolução dos conhecimentos adquiridos através do ensino – dá aulas na Escola de Jazz do barreiro e na Escola Profissional Ofício das Artes em Montemor-o-Novo. Na verdade, 30 anos é muito pouco para tanta bagagem. E foi isso que os especialistas do European Jazz Network reconheceram quando a premiaram com um primeiro lugar entre as muitas candidaturas para espetáculos a realizados no âmbito da conferência On The Edge que teve lugar em Lisboa no passado mês de Setembro.

Em 2018, Beatriz Nunes assina também a sua própria estreia com um Canto Primeiro que afinal de contas já vem com lastro de talento pronunciado. É um disco ambicioso em que se afirma como compositora e produtora, um disco que mereceu a Rui Eduardo Paes, autêntica referência na crítica jazz nacional, o vaticínio de auspiciosa estreia – “não poderia ter começado melhor o percurso discográfico que se espera daqui por diante”, afirmou, nas páginas da revista jazz.pt.

Na companhia de Luís Barrigas (piano), Mário Franco (contrabaixo) e Jorge Moniz (bateria), Beatriz assina um disco íntimo, que procura o conforto do silêncio no sussurro de uma voz que se conhece muito bem: Beatriz estudou técnica vocal com Kim Nazarian e composição com Lauren Kinhan e Peter Eldridge, da Berklee College of Music; participou em workshops de Circle Singing liderados por Rizumik, professor do Omega Institute, NY (EUA) e Sofia Ribeiro; frequenta o Mestrado em Ensino da Música na Escola Superior de Música de Lisboa. Impressionante, certo?

Isso ajuda a explicar que em 2018 tenha sido escolhida pela European Jazz Network para a conferência On The Edge que teve lugar em Lisboa no passado mês de Setembro. Entre centenas de candidaturas, a proposta de Beatriz Nunes foi eleita em primeiro lugar para figurar no primeiro lugar da conferência: “Beatriz Nunes tem feito um percurso entre a música clássica e o jazz”, escreve-se no programa oficial. Verdade: Beatriz Nunes procura os mais elevados espaços para a sua voz e em Canto Primeiro expõe alma e técnica apurada em reportório próprio e até num equeno tesouro de um grande José Afonso, como quem reclama um lugar numa historia que ainda continua a ser escrita. Por vozes como a sua…

CAROLINA

É em noites como aquelas em que se apresenta no histórico Clube de Fado, em Alfama, Lisboa, que Carolina verdadeiramente se revela. Nesse contexto, de recorte mais solene, mais noturno, com a iluminação mais baixa a acentuar o natural intimismo da ocasião, rodeada de viola e guitarra, sem amplificação, sem qualquer filtro tecnológico, a sua voz e a sua entrega ecoam de forma extraordinária no cenário de pedras centenárias, arrebatando quem lhe dá atenção, arrancando naturais aplausos dos que se deixam enredar nas palavras que a sua garganta solta, límpidas e profundas, como devem ser sempre as palavras que uma fadista sente e vive.

Com dois registos no ativo lançados através da Sony Music – Carolina, produzido por Ricardo Cruz (que tem António Zambujo no seu currículo), foi lançado em 2014, enquanto o mais recente, enCantado, trabalho assinado pelo produtor Diogo Clemente (Carminho), data já de 2017 -, Carolina já deixou muito claro que tem voz, coração, personalidade e cabeça para ir muito longe. Exatamente porque a seriedade que investe na sua arte e a entrega que lhe dá sem quaisquer reservas são, juntamente com o talento, pilares em que se pode e deve sustentar uma longa carreira.

Carolina nasceu na Alemanha, mas cresceu em Trás-os-Montes, onde o fado foi descoberta em que apoiou a sua própria procura de identidade. Mais tarde, no Porto, respondeu ao apelo dos palcos, estudou e fez teatro, cantou ópera e, um dia, deixou que o fado a puxasse para dentro de si mesmo quando, de forma impulsiva, deu voz a três fados que conhecia, recorrendo a todas as lições aprendidas a escutar de forma atenta Amália Rodrigues, facto que chegou para impressionar quem programava a reputada Casa da Mariquinhas, um dos melhores redutos de fado da Invicta, onde passou a apresentar-se regularmente.

O fado, muito logicamente, puxou-a para os palcos, mas também a foi trazendo para mais próximo de Lisboa. Foi Beatriz Costa por mão de Filipe La Féria na sua encenação de A Canção de Lisboa, e, a convite de Mário Pacheco, a alma do Clube de Fado, apresentou-se pela primeira vez fora de Portugal, em Varsóvia, trazendo da viagem a força dos aplausos e a certeza de que este seria o seu futuro. Foi chamada para a programação do Museu do Fado em 2009 e 2010, cantou no grande ecrã no filme O Cônsul de Bordéus de Francisco Manso, em 2012, e estreou-se depois em disco um par de anos mais tarde.

Como artista de atitude personalizada que é, Carolina não gosta de se limitar, e isso significa que tanto maravilha em fados tradicionais, como o clássico “Um Fado Nasce” do grande Alberto Janes que cantou no seu álbum de estreia, como em reportório mais moderno, caso de “Falar de Amor”, com poema escrito por Carolina Deslandes, a que deu voz no trabalho mais recente. Carolina sabe que é este o seu tempo. A sua alma pode carregar memórias e lições antigas, mas a voz traduz as nuances do amor que vive hoje, que sente de forma profunda na vida que agora leva. E é isso que se sente quando ela canta à nossa frente: no Clube de fado ou num palco maior de um Auditório, em Portugal mas também em importantes salas no estrangeiro. Este arrebatamento que a sua voz inspira acontece porque Carolina, enfim, é uma artista verdadeira. Que canta o que sente e que sente como ninguém o que canta. E é isso que a define.

Pedro Jóia

©António Alfarroba_2Pedro Jóia possui uma aplaudida carreira nacional e internacional que se estende por mais de duas décadas. O músico prepara um novo álbum para o segundo semestre do ano e ultima os detalhes para um novo concerto, recheado de novas e aventureiras composições bem como de passagens em novo formato por alguns dos mais apreciados momentos da sua carreira.

Pedro Jóia estreou-se nos discos com Guadiano em 1996 e desde então não deixou de enriquecer uma linguagem que parte da tradição portuguesa e busca inspiração na música do Brasil, de África, no flamenco e no jazz, para o desenho de uma linguagem guitarrística altamente personalizada e original. Na sua discografia, Pedro Jóia homenageou Carlos Paredes, explorou a sofisticação do flamenco e ergueu um som que lhe valeu os mais rasgados elogios e importantes prémios, como o Prémio Carlos Paredes em 2007 pelo álbum À Espera de Armandinho.

A mestria de Pedro Jóia também lhe tem valido os mais diversos convites e por isso tem ao longo dos anos pisado palcos ao lado de grandes vozes como Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Raquel Tavares ou Mariza com quem tem viajado internacionalmente desde 2012. É igualmente presença frequente em concertos do colectivo Resistência, um projecto que integra importantes nomes da música portuguesa como Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha ou Tim e que vive da ideia de cruzamento da guitarra clássica com momentos altos do nosso cancioneiro pop.

Neste momento, Pedro Jóia apresenta-se prioritariamente em trio, criando um discurso intenso de envolvimento com o baixo e acordeão em concertos que percorrem a distância entre o fado, o flamenco, o Brasil e o jazz, sempre com um elevadíssimo nível de execução técnica e artística. A UGURU prepara para já a maior digressão nacional de sempre deste músico e está neste momento a aceitar pedidos para novas datas.

Francisco Sales

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“Quando estás longe, a experimentar novas comidas, a tentar falar uma língua nova, a conhecer pessoas com uma cultura tão diferente da tua, a viajar… quando estás «Miles Away», também fisicamente mas acima de tudo mentalmente.”

É assim que um dos mais prestigiados guitarristas portugueses define o seu novo trabalho. “Miles Away”, o segundo álbum de Francisco Sales, é uma viagem sonora intimista, cativante, envolvente, que convida o ouvinte a um cenário de paz, emoções, descobertas.

Licenciado em jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, Francisco Sales trabalha de modo virtuoso a sonoridade da guitarra, acústica e eléctrica, criando paisagens sonoras de grande beleza inspirada nas suas múltiplas viagens pelo mundo.

Residente em Londres desde 2013, Francisco Sales teve aí a sorte de encontrar um padrinho de peso – Jean-Paul Maunick aliás Bluey, líder dos célebres Incognito. Bluey apadrinhou o seu primeiro álbum, “Valediction”, que apresentou no Blue Note de Tóquio antes de o convidar para fazer parte da formação de palco dos Incognito.

Já em 2016 acompanhou nomes grandes da música como Chaka Khan, Omar ou Natalie Williams. No início de 2017 lançou “Miles Away”, resultado das viagens dos últimos anos, composto por temas escritos “em casa, mas inspirados pelas viagens que fiz a países, cidades, lugares que nunca tinha visitado. E só quando voltas a casa percebes o inspirador que foi. A casa está igual – mas tu voltaste mais rico.”

“Miles Away” é o modo de Francisco Sales partilhar connosco essa riqueza.

Francisco é patrocinado pela Gibson Japão, Elixir Strings e Boss Pedals.

Mísia

Misia - Para Amália (3) Crédito C.B. Aragão _ leve

Mísia, sabe-o  bem , que a pura vida  acontece quando esta  se deixa contaminar pelas emoções, pelas ideias e pelas vivências. A pura vida carrega as marcas – as visíveis e as invisíveis – de quem nela se atravessa. É isso que Mísia canta, com alma de quem bem sabe com quantas mágoas se tece um xaile negro. Esta fadista soube amar Amália e muitas outras vozes, de poetas e marujos, de compositores e músicos, que com ela ergueram um singular percurso e repertório de mais de 25 anos de entrega a palcos e estúdios, apontando tantas vezes caminhos e espaços que o fado não conhecia, mas que ela se atreveu a trilhar porque sentia que tinha que ser. Porque sentia.

Em Pura Vida Mísia volta a cantar o fado, que não é triste, nem alegre, como gosta de dizer. É Destino. Volta a cantar os sentimentos e emoções com a sua grandeza e miséria em igual medida. Com os fados escolhidos para Pura Vida, Mísia pretende cantar o léxico e a gramática das emoções: a  Ausência, o Corpo , o Destino , os Homens e as Ruas, o Tempo e a Saudade, o tudo e o quase nada. A Pura Vida em estado puro. “E outras letras do abecedário”, garante ela. Tudo isto recorrendo a fados clássicos e a alguns inéditos, porque a vida, a pura vida, faz-se de certezas, obviamente, mas também de surpresas.

Formação

Mísia- Voz | Guitarra Portuguesa | Violino | Clarinete baixo | Piano

 

-Em estreia no Festival de Fado de Madrid, a 22 Junho

-Gravação do novo disco em Outubro ou Novembro de 2018

-Edição Abril 2019

 

Sobre Mísia

-Edição Abril 2019Mísia nasceu na cidade do Porto e é a terceira geração de artistas na sua família pelo lado materno. Mãe bailarina de música clássica espanhola, avó artista de music hall e burlesque. Ambas de Barcelona. Vive na sua cidade natal até à adolescência tardia durante a qual por vezes canta como amadora nas casas de fado. Por volta dos 20 anos, por motivos familiares instala-se em Barcelona e depois de vários trabalhos ainda sem vocação definida – canção, dança, music hall, televisão, etc – em 1991 decide regressar a Portugal e a Lisboa para construir um repertório próprio dentro do universo do Fado.

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, escreveu para a sua voz. O realizador francês Patrice Leconte rodou um dos seus videoclips (Duas Luas, 2001), John Turturro escolheu-a para o seu filme “Passione” (2010) e William Christie programou-a para la Cité de la Musique em Paris (2004). Durante anos consolida uma carreira internacional, canta nos palcos de maior prestígio internacional como a Filarmonia de Berlim, Festival de Avignon, Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa), Teatro Chatelet (Paris), Town Hall (New York), Le Carré Amsterdam, Cocoon Theater (Tóquio), etc. O seu trabalho é mencionado na imprensa mundial – Billboard, New York Times, Libération, Die Zeigt, etc. Mísia é a cantora portuguesa actual que desperta maior culto internacional na celebração dos sentimentos intemporais não só em português mas igualmente em vários idiomas.

O seu lugar no Fado começa em 1991, um momento pouco propício no qual fora de Portugal o que se recordava deste género, recentemente declarado Património Imaterial da Humanidade (2011), era a presença da grande Amália Rodrigues. Foi Amália quem abriu as portas no mundo para esta música quando ninguém ainda falava de world music. Sem público latente para o seu estilo pessoal e contemporâneo e durante vários anos em que o Fado, salvo raras excepções, não tinha o prestígio cultural e comercial que agora usufrui a Mísia – pioneira e espírito livre – coube-lhe abrir o seu próprio caminho.

Não tendo nunca esquecido a revelação que para ela supôs o fado tradicional na sua adolescência no Porto, depois de uns anos em Espanha e no seu regresso a Lisboa, sente que não deve começar por se apoiar em êxitos musicais de grandes nomes que admira mas em criar um repertório próprio. Começa então o que segundo Manuel Halpern se virá chamar o Novo Fado: “(…) A delimitação temporal é sempre difícil. Mas, se nos forçássemos a marcar uma data para o início do novo fado, seria Março de 1991, época em que Mísia lança o seu primeiro álbum. Tudo o que está antes é uma espécie de pré-história.” Manuel Halpern in O Futuro da Saudade (D.Quixote, 2004)

Pedro Moutinho

O FADO EM NÓS – Pedro Moutinho

Data de edição: 26 de Fevereiro de 2016

Edição: UGURU | Distribuição: Sony Music Portugal

Sem Título

logos pedro moutinho

Este novo trabalho de Pedro Moutinho chama-nos a um fado que em cada um, a nosso modo se descobre, se desvenda e se cumpre.

Primeiro, nas melodias tradicionais, que trazem o eco de tantos que as cantaram e tocaram, as emoções de quem as ouviu, os espaços diversos onde aconteceram. É NÓS em título e em muitas dimensões. E único, de um modo a que não somos alheios. É Pedro Moutinho. Que magistralmente nos leva a todos nesta viagem, vestida com o tempo da gente que o fado é.

Gravado no coração das memórias fadistas – o Museu do Fado – fora da convencionalidade dos estúdios, tem esse sabor especial do fado ao vivo, com todos nós virtualmente a assistir.

Traz o ritual que se cumpre em simultâneo, onde uma guitarra, uma viola e um baixo de excepção, respiram com a voz, adensam o toque quando a sentem mordaz ou audaz, gingam acentuando a ironia ou o convite ao baile da vida, ou tremem, quando depois de um antecipado silencio, ela se revela desgarradamente só.

Traz um pedido: Leva-me contigo. A todos, mas em especial àqueles para quem o fado não é uma pertença óbvia. Um pedido do fado a lembrar que ele sempre se encantou com outras ambiências musicais, que se alimenta de diferentes experiências de vida, com sentidos despertos para tudo o que acontece em nós e no mundo.

E traz um recado: Vem ao baile, chamando a própria vida a cumprir-se.

O FADO EM NÓS é isto. Vem cá de dentro. É Pedro Moutinho inspirado, maduro, eco de histórias do fado feitas nossas, quando nos sentimos delas. Em NÓS estão evocações de uma Hermínia Silva ou de um Carlos Ramos. Estão poetas de sempre, como Fernando Pessoa ou Alexandre O’Neill e as actualíssimas Manuela de Freitas, Amélia Muge ou Mª do Rosário Pedreira.

Pedro Moutinho faz aos temas tradicionais, aquilo que a família faz, quando nos transmite as suas características: o olhar da avó, o sorriso do tio, as mãos do pai. Reforça nessas semelhanças o que somos e o que temos de único e contemporâneo. Põe o fado ao espelho como nos põe a nós. Remete-nos para quem somos. Renova-se e renova-nos. Moderniza os nossos sentidos ao escutá-lo.

Pedro Moutinho regressou. Ouvi-lo é descobri-lo em nós.

É como sermos mais uma corda tensa de guitarra, vibrando, ficando a soar por dentro. Aqui e sempre. Um clássico.

Ficha técnica

Produção, arranjos e direcção musical de Carlos Manuel Proença

Músicos:

José Manuel Neto – Guitarra portuguesa
Carlos Manuel Proença – Viola
Daniel Pinto – Viola baixo
Desenho de som – António Pinheiro da Silva
Misturado e masterizado por António Pinheiro da Silva e Carlos Manuel Proença
Gravado ao vivo no Auditório do Museu do Fado entre 1 e 5 de Novembro de 2015 por Amândio Bastos

Carmen Souza

IMG_5244_300dpiCARMEN SOUZA

Baptizada pela imprensa internacional como a Ella Fitzgerald de Cabo Verde ou a nova Cesária Évora.

Carmen Souza, já baptizada pela imprensa internacional como a Ella Fitzgerald de Cabo Verde ou a nova Cesária Évora, combina uma virtuosa técnica vocal jazzística com uma série de influências lusófonas, que vão do fado ao samba, da morna à bossa nova, incluindo baladas agridoces ou o ‘blues cabo-verdiano’. Esta sonoridade híbrida, muito pessoal, tem levado a cantora a actuar em dois circuitos paralelos: o do jazz e o da world music.

A par do seu trabalho discográfico, desde 2005 que Carmen Souza percorre o mundo em digressões sucessivas, participando em festivais como North Sea Jazz Festival, San Francisco, Monterrey, Montreal, London African Music Festival ou Laverkusener JazzTage Festival. Vários dos seus concertos foram transmitidos por algumas das mais importantes estações de rádio e televisão. O seu trabalho foi motivo de estudo e investigação por etnomusicólogos.

Inquestionavelmente, Carmen Souza é hoje uma personalidade forte da world music e uma das cantoras de jazz de mais sucesso. Em 2017, ano em que edita ‘Creology’, Carmen Souza volta a afirmar-se como um nome a reter na cena jazzística mundial

 

RUI MASSENA

“III” é novo trabalho de Rui Massena que mereceu selo internacional da prestigiada Deutsche Grammophon, talvez a mais importante marca do universo da música erudita. Massena fala de “um grande avanço” quando explica a natureza do disco que agora lança.

O trabalho de composição de Rui Massena e a fixação em disco que ocorreu entre Berlim e o Porto e que contou com Tobias Lehman e Mário Barreiros como grandes aliados será agora levado para o palco, com o compositor e pianista a voltar a contar com o apoio imprescindível da sua Band. “Desde os primeiros espectáculos com a Band que fui amadurecendo o material que depois gravámos no Porto. Agora está na hora de o acolher de novo no palco”, refere Rui Massena. “Este trabalho contém uma intenção sonora muito diferente pelo que o concerto irá reflectir isso mesmo, essa procura de novos caminhos para a minha música”.

Rui Massena pretende apresentar “III” na íntegra sem esquecer alguns dos mais importantes trabalhos dos seus dois primeiros álbuns e até, vai avisando, “um par de inéditos que podem sempre ser oportunos”. Com o seu piano, electrónica elegante e subtil, novas composições e a já muito rodada Band com que Rui Massena possui uma relação quase telepática, o concerto em torno do material de “III” promete ser o mais ambicioso da carreira do aplaudido compositor.

 

Gaiteiros de Lisboa

GAITEIROS DE LISBOA - FOTOGRAFIAS DE PROMOCAO

RENOVADOS E DE VOLTA À ESTRADA

Os Gaiteiros de Lisboa são um dos mais importantes grupos de renovação e reinvenção da música tradicional portuguesa. Com uma obra ímpar, originalíssima, que conta com cinco álbuns de estúdio e um ao vivo, para além de inúmeros concertos em Portugal e no estrangeiro, os Gaiteiros de Lisboa traçaram e continuam a traçar novos caminhos para a nossa música identitária, de raiz, que neles nunca ficou lá atrás mas esteve, está e estará sempre de olhos postos no futuro. Inventivos, muitas vezes revolucionários, criadores de novas sonoridades, instrumentos e (re)leituras da nossa lírica popular, os Gaiteiros de Lisboa são igualmente – e desde o seu início, em 1991 – os principais responsáveis pelo surgimento de sucessivas gerações de novos músicos e bandas que, seguindo os seus passos, se lançaram igualmente nesta aventura de pegar na herança da música rural portuguesa reinventada no Séc. XXI.

Não é por isso de estranhar que, numa altura de renovação, crescimento e ressurgimento dos Gaiteiros de Lisboa, a juntar aos fundadores Carlos Guerreiro (voz, gaitas-de-foles, sanfona, percussões e outros instrumentos) e Paulo Marinho (gaitas-de-foles, flautas e voz) e a Pedro Calado (percussões e voz), façam agora parte do grupo Sebastião Antunes (voz e percussões), dos Quadrilha, Miguel Quitério (gaitas-de-foles, flautas e voz), dos Torga e Trabucos, Carlos Borges Ferreira (voz e percussões), ex-Ebora Musica e grupos de cante alentejano, para além de Paulo Charneca (percussões e voz), de regresso aos Gaiteiros depois de ter passado pelo famoso grupo internacional de percussões Mayumana.

Se, no seu início, os Gaiteiros de Lisboa eram já um super-grupo que juntava músicos que tinham aberto novos caminhos para a música tradicional (no GAC-Vozes na Luta, Almanaque ou Sétima Legião), essa tendência surge agora ainda mais reforçada. O regresso à estrada está para breve.

Danças Ocultas

Um oceano também é um mar de sons, e o instrumento pode ser a nossa nave. Há fluxos e refluxos, nessa imensidão.
Há marés e bons ventos – que são o alento dos viajantes – e miríades de fulgores entre longínquas margens.
E há vozes, outros tons e inflexões, outras pessoas e cidades, uma azáfama grande. Poemas (e poetas).
Procura-se o caminho: é em diante, onde a surpresa talvez seja constante.
E há danças ocultas dentro desse mar.

Jorge Pereirinha Pires

Os Danças Ocultas de Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel são – e é lícito escrevê-lo tendo em conta que levam já praticamente três décadas de carreira – um dos grandes tesouros da música portuguesa contemporânea.
O invulgar quarteto de concertinas é caso sem paralelo na história moderna da música portuguesa: mesmo tendo adoptado instrumentos populares, o grupo conseguiu levar a sua música às mais respeitadas salas nacionais e internacionais, dividir palcos com orquestras clássicas e colaborar com importantes nomes da música, de Rodrigo Leão a Carminho entre outros.

Agora, os Danças Ocultas apresentam o mais ambicioso projecto artístico da sua carreira: Dentro desse mar foi gravado entre Dezembro de 2017 e Junho de 2018 nos estúdios Casa do Mato, no Rio de Janeiro, com o conceituado Jaques Morelenbaum aos comandos da produção. O violoncelista, compositor, arranjador e produtor tem um currículo de luxo que cruza o seu percurso com o de artistas tão importantes quanto Tom Jobim, Caetano Veloso, Marisa Monte, Madredeus, Ryuichi Sakamoto ou David Byrne, para citar só alguns.

Com participações de Marcos Suzano, Paulo Braga, Marcelo Costa e Robertinho Silva (percussões), David Feldman (piano), Lula Galvão (violão e guitarra eléctrica), Rogério Caetano (violão), Luis Barcelos (cavaquinho e bandolim) e Tiago Abrantes (clarinete), o álbum conta com composições e arranjos dos próprios Danças Ocultas e ainda participações de Carminho, Zélia Duncan e Dora Morelenbaum nas vozes e do próprio Jaques no violoncelo.

Por outro lado, os temas com voz contam com letras de Arnaldo Antunes (“Dessa Ilha”), Carlos Rennó (“As Viajantes”) e Tiago Torres da Silva (“O Teu Olhar”). Três mestres na arte de criar imagens com as palavras de que se faz a nossa língua que é, ela mesma, um mar dentro do qual todos vivemos.

No novo álbum, os Danças Ocultas reinventam-se sem perderem a vincada identidade que lhes valeu tanta atenção nacional e internacional, conseguindo manter a ligação à sua própria história e passado e abrindo ao mesmo tempo um novo oceano de possibilidades para o futuro. O trabalho de Jaques Morelenbaum foi a esse nível um triunfo: o produtor soube entender o que torna os Danças Ocultas tão singulares e também adivinhar na sua arte novas nuances que rendem um maravilhoso registo, amplo na sua abertura ao mundo, cheio de ideias, de sons, de palavras e melodias. É Dentro Desse Mar que os Danças Ocultas querem agora viajar. E todos estamos convidados a embarcar com eles, rumo a novas aventuras.

Os concertos de apresentação deste novo trabalho conntaram com a participação especial de Jaques Morelenbaum no violoncelo, da sua filha Dora, na voz e ainda Marco Figueiredo (piano) e Quiné Teles (percussão).