Beatriz Nunes

 

Selecionada por um júri ligado ao European Jazz Network, Beatriz Nunes apresentar-se-á em concerto no âmbito da conferência On The Edge a realizar em Portugal no próximo mês de Setembro, honra que premeia um intenso percurso de entrega à causa da música.

Canto Primeiro é título de álbum, mas não traduz verdade porque Beatriz Nunes, 30 anos, , tem um percurso já vasto, feito de estudo e entrega, de experiências intensas – do Conservatório a digressões internacionais com Madredeus ao lado de Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade -, de exploração de múltiplas vertentes – da música popular e do jazz, à erudição do canto lírico – de devolução dos conhecimentos adquiridos através do ensino – dá aulas na Escola de Jazz do barreiro e na Escola Profissional Ofício das Artes em Montemor-o-Novo. Na verdade, 30 anos é muito pouco para tanta bagagem. E foi isso que os especialistas do European Jazz Network reconheceram quando a premiaram com um primeiro lugar entre as muitas candidaturas para espetáculos a realizar no âmbito da conferência On The Edge que terá lugar em Lisboa no próximo mês de Setembro.

Em 2018, Beatriz Nunes assina também a sua própria estreia com um Canto Primeiro que afinal de contas já vem com lastro de talento pronunciado. É um disco ambicioso em que se afirma como compositora e produtora, um disco que mereceu a Rui Eduardo Paes, autêntica referência na crítica jazz nacional, o vaticínio de auspiciosa estreia – “não poderia ter começado melhor o percurso discográfico que se espera daqui por diante”, afirmou, nas páginas da revista jazz.pt.

Na companhia de Luís Barrigas (piano), Mário Franco (contrabaixo) e Jorge Moniz (bateria), Beatriz assina um disco íntimo, que procura o conforto do silêncio no sussurro de uma voz que se conhece muito bem: Beatriz estudou técnica vocal com Kim Nazarian e composição com Lauren Kinhan e Peter Eldridge, da Berklee College of Music; participou em workshops de Circle Singing liderados por Rizumik, professor do Omega Institute, NY (EUA) e Sofia Ribeiro; frequenta o Mestrado em Ensino da Música na Escola Superior de Música de Lisboa. Impressionante, certo?

Isso ajuda a explicar que em 2018 tenha sido escolhida pela European Jazz Network para a conferência On The Edge que terá lugar em Lisboa no próximo mês de Setembro. Entre centenas de candidaturas, a proposta de Beatriz Nunes foi eleita em primeiro lugar para figurar no primeiro lugar da conferência: “Beatriz Nunes tem feito um percurso entre a música clássica e o jazz”, escreve-se no programa oficial. Verdade: Beatriz Nunes procura os mais elevados espaços para a sua voz e em Canto Primeiro expõe alma e técnica apurada em reportório próprio e até num equeno tesouro de um grande José Afonso, como quem reclama um lugar numa historia que ainda continua a ser escrita. Por vozes como a sua…

CAROLINA

É em noites como aquelas em que se apresenta no histórico Clube de Fado, em Alfama, Lisboa, que Carolina verdadeiramente se revela. Nesse contexto, de recorte mais solene, mais noturno, com a iluminação mais baixa a acentuar o natural intimismo da ocasião, rodeada de viola e guitarra, sem amplificação, sem qualquer filtro tecnológico, a sua voz e a sua entrega ecoam de forma extraordinária no cenário de pedras centenárias, arrebatando quem lhe dá atenção, arrancando naturais aplausos dos que se deixam enredar nas palavras que a sua garganta solta, límpidas e profundas, como devem ser sempre as palavras que uma fadista sente e vive.

Com dois registos no ativo lançados através da Sony Music – Carolina, produzido por Ricardo Cruz (que tem António Zambujo no seu currículo), foi lançado em 2014, enquanto o mais recente, enCantado, trabalho assinado pelo produtor Diogo Clemente (Carminho), data já de 2017 -, Carolina já deixou muito claro que tem voz, coração, personalidade e cabeça para ir muito longe. Exatamente porque a seriedade que investe na sua arte e a entrega que lhe dá sem quaisquer reservas são, juntamente com o talento, pilares em que se pode e deve sustentar uma longa carreira.

Carolina nasceu na Alemanha, mas cresceu em Trás-os-Montes, onde o fado foi descoberta em que apoiou a sua própria procura de identidade. Mais tarde, no Porto, respondeu ao apelo dos palcos, estudou e fez teatro, cantou ópera e, um dia, deixou que o fado a puxasse para dentro de si mesmo quando, de forma impulsiva, deu voz a três fados que conhecia, recorrendo a todas as lições aprendidas a escutar de forma atenta Amália Rodrigues, facto que chegou para impressionar quem programava a reputada Casa da Mariquinhas, um dos melhores redutos de fado da Invicta, onde passou a apresentar-se regularmente.

O fado, muito logicamente, puxou-a para os palcos, mas também a foi trazendo para mais próximo de Lisboa. Foi Beatriz Costa por mão de Filipe La Féria na sua encenação de A Canção de Lisboa, e, a convite de Mário Pacheco, a alma do Clube de Fado, apresentou-se pela primeira vez fora de Portugal, em Varsóvia, trazendo da viagem a força dos aplausos e a certeza de que este seria o seu futuro. Foi chamada para a programação do Museu do Fado em 2009 e 2010, cantou no grande ecrã no filme O Cônsul de Bordéus de Francisco Manso, em 2012, e estreou-se depois em disco um par de anos mais tarde.

Como artista de atitude personalizada que é, Carolina não gosta de se limitar, e isso significa que tanto maravilha em fados tradicionais, como o clássico “Um Fado Nasce” do grande Alberto Janes que cantou no seu álbum de estreia, como em reportório mais moderno, caso de “Falar de Amor”, com poema escrito por Carolina Deslandes, a que deu voz no trabalho mais recente. Carolina sabe que é este o seu tempo. A sua alma pode carregar memórias e lições antigas, mas a voz traduz as nuances do amor que vive hoje, que sente de forma profunda na vida que agora leva. E é isso que se sente quando ela canta à nossa frente: no Clube de fado ou num palco maior de um Auditório, em Portugal mas também em importantes salas no estrangeiro. Este arrebatamento que a sua voz inspira acontece porque Carolina, enfim, é uma artista verdadeira. Que canta o que sente e que sente como ninguém o que canta. E é isso que a define.

Pedro Jóia

©António Alfarroba_2Pedro Jóia possui uma aplaudida carreira nacional e internacional que se estende por mais de duas décadas. O músico prepara um novo álbum para o segundo semestre do ano e ultima os detalhes para um novo concerto, recheado de novas e aventureiras composições bem como de passagens em novo formato por alguns dos mais apreciados momentos da sua carreira.

Pedro Jóia estreou-se nos discos com Guadiano em 1996 e desde então não deixou de enriquecer uma linguagem que parte da tradição portuguesa e busca inspiração na música do Brasil, de África, no flamenco e no jazz, para o desenho de uma linguagem guitarrística altamente personalizada e original. Na sua discografia, Pedro Jóia homenageou Carlos Paredes, explorou a sofisticação do flamenco e ergueu um som que lhe valeu os mais rasgados elogios e importantes prémios, como o Prémio Carlos Paredes em 2007 pelo álbum À Espera de Armandinho.

A mestria de Pedro Jóia também lhe tem valido os mais diversos convites e por isso tem ao longo dos anos pisado palcos ao lado de grandes vozes como Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Raquel Tavares ou Mariza com quem tem viajado internacionalmente desde 2012. É igualmente presença frequente em concertos do colectivo Resistência, um projecto que integra importantes nomes da música portuguesa como Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha ou Tim e que vive da ideia de cruzamento da guitarra clássica com momentos altos do nosso cancioneiro pop.

Neste momento, Pedro Jóia apresenta-se prioritariamente em trio, criando um discurso intenso de envolvimento com o baixo e acordeão em concertos que percorrem a distância entre o fado, o flamenco, o Brasil e o jazz, sempre com um elevadíssimo nível de execução técnica e artística. A UGURU prepara para já a maior digressão nacional de sempre deste músico e está neste momento a aceitar pedidos para novas datas.

Francisco Sales

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“Quando estás longe, a experimentar novas comidas, a tentar falar uma língua nova, a conhecer pessoas com uma cultura tão diferente da tua, a viajar… quando estás «Miles Away», também fisicamente mas acima de tudo mentalmente.”

É assim que um dos mais prestigiados guitarristas portugueses define o seu novo trabalho. “Miles Away”, o segundo álbum de Francisco Sales, é uma viagem sonora intimista, cativante, envolvente, que convida o ouvinte a um cenário de paz, emoções, descobertas.

Licenciado em jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, Francisco Sales trabalha de modo virtuoso a sonoridade da guitarra, acústica e eléctrica, criando paisagens sonoras de grande beleza inspirada nas suas múltiplas viagens pelo mundo.

Residente em Londres desde 2013, Francisco Sales teve aí a sorte de encontrar um padrinho de peso – Jean-Paul Maunick aliás Bluey, líder dos célebres Incognito. Bluey apadrinhou o seu primeiro álbum, “Valediction”, que apresentou no Blue Note de Tóquio antes de o convidar para fazer parte da formação de palco dos Incognito.

Já em 2016 acompanhou nomes grandes da música como Chaka Khan, Omar ou Natalie Williams. No início de 2017 lançou “Miles Away”, resultado das viagens dos últimos anos, composto por temas escritos “em casa, mas inspirados pelas viagens que fiz a países, cidades, lugares que nunca tinha visitado. E só quando voltas a casa percebes o inspirador que foi. A casa está igual – mas tu voltaste mais rico.”

“Miles Away” é o modo de Francisco Sales partilhar connosco essa riqueza.

Francisco é patrocinado pela Gibson Japão, Elixir Strings e Boss Pedals.

De Viva Voz

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Canto Profundo à Capela

– Direcção artística de Amélia Muge

Se soubéssemos que temos um passado comum, só pelo que os livros ou os registos sonoros nos contam, seria pouco. É porque esse passado continua – sabiamente – a produzir futuros, que estes cantos nos enchem de emoção, alegria e nos dão uma dimensão maior ao escutá-los.

Em primeiro lugar, são cantos que trazem a sabedoria dos tempos, que encontram sempre um modo de repor continuamente o que de essencial permanece, como característica do humano.

Depois, são cantos despojados – contam apenas com a voz e o corpo de quem os canta. Mas vão buscar a sua riqueza a esse despojamento – prolongam os sons das vozes de origem, das vozes rituais, encomendam cantos aos deuses e aos santos, celebram colheitas, espantam medos nos embalos, apoiam gestos de trabalho, dão mote aos tempos de luto ou de folia, celebrando os amores, a casa e o mundo.

São cantos despojados, sim, mas cheios de tudo isto, o que traz uma sonoridade espantosa que misteriosamente se renova, com cada geração que a eles se entrega e os prolonga, com novos arranjos e novas composições.

Na evocação do canto à capela, vão estar quatro dos grupos de mulheres que, em Portugal, lhe dão a grandeza maior de uma tradição que se repete, se interroga e continuamente se transforma: Cramol, Maria Monda, Segue-me à Capela e Sopa de Pedra.

CRAMOL: entre-cruzando em canto o sagrado e o profano, o ciclo da vida, o ciclo da natureza e o ciclo religioso. Um projeto que procura dar a conhecer a quinta-essência do canto da mulher rural no seu quotidiano.

MARIA MONDA: três mulheres que exploram a força do canto polifónico, tecendo as vozes ora em sedas suaves, ora em mantas rudes e cantando em homenagem à Terra-Mãe, de nome Maria.

SEGUE-ME À CAPELA: sete mulheres que cantam sons antigos e sons novos dessa arte fugidia com que se embalam os meninos, se encomenda a alma, se evoca o divino e o terreno, se espanta a fadiga, se anima o corpo, se alimenta o coração.

SOPA DE PEDRA: grupo vocal feminino dedicado ao canto de canções de raiz tradicional. Une-as o gosto de cantar canções que falam sobre a vida das gentes, de muitos lugares e costumes, pondo a arte ao serviço da vida.

Mísia

Misia - Para Amália (3) Crédito C.B. Aragão _ leve

“Mísia diz os poemas ao mesmo tempo que os canta, e nesse duplo registro nós redescobrimos no fado o que muitos fados acabaram por banalizar : as feridas nocturnas do amor, o estremecimento da pele.” Eduardo Prado Coelho

O novo disco de Mísia foi editado em Novembro e para além de marcar o regresso de uma das melhores intérpretes de Fado, “Do Primeiro Fado Ao Último Tango” reúne pela primeira vez num só álbum as canções de eleição de Mísia, escolhidas de entre o imenso rol de notáveis composições desta artista.

Com a edição do álbum “Mísia”, em 1991, começa aquilo a que, segundo o jornalista e escritor Manuel Halpern, virá a chamar-se o Novo Fado, escrevendo ele no seu livro “O Futuro da Saudade”, sobre o renascimento do fado: “… A delimitação temporal é sempre difícil. Mas, se nos forçássemos a marcar uma data para o início do Novo Fado, seria Março de 1991, época em que Mísia lança o seu primeiro álbum. Tudo o que está antes é uma espécie de pré-história”.

Através de uma selecção feita pela própria Mísia, “Do Primeiro Fado Ao Último Tango” leva-nos numa viagem extraordinária pela sua já longa mas sempre brilhante carreira. Esta viagem permite-nos revisitar “Mísia” – 1º disco de Mísia e que comemora este ano o 25º aniversário da sua edição – “Fado”, “Tanto Menos Tanto Mais”, “Garras dos Sentidos”, “Paixões Diagonais”, “Ritual”, “Canto”, “Drama Box”, “Ruas, Lisbonarium & Tourists” e “Senhora da Noite” sem esquecer os recentes “Delikatessen Café Concerto” e “Para Amália”.

Estes 25 anos de carreira musical celebram-se ainda com uma série de iniciativas, que olham tanto para o seu amplo percurso como para o futuro que se ergue à sua frente.

O Museu do Fado e a fadista programaram uma residência artística no Museu que tomou conta da segunda quinzena de Março. Estas sessões intimistas foram uma oportunidade singular e imperdível para a cantora se encontrar com o seu público – o de sempre e o que agora a descobre – em momentos de partilha sobre a sua personalidade e forma de pensar, a música, a arte e a vida.

Em paralelo a estes encontros, esteve patente no Museu do Fado uma mostra fotográfica com curadoria do Museu do Fado e do fotógrafo que mais vezes olhou para Mísia e que a retratou como um moderno ícone do fado, Francisco Aragão. A exposição inaugurou a 14 de Março e esteve aberta ao público durante um mês.

A 19 de Maio, Mísia assinou ainda outro importante momento deste ano de celebração. Um concerto dedicado aos “seus” poetas. A fadista apresentou um novo e requintado espectáculo, agarrando no rico reportório de fado tradicional e adornando-o com poemas escritos para a sua voz por alguns dos mais importantes poetas e escritores contemporâneos, como Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça Moura, Lídia Jorge, Hélia Correia, Mário Cláudio, José Luís Peixoto, Paulo José Miranda ou José Saramago.

Desde aí tem andado em digressão um pouco por todo o mundo, com destaque para a tour na Alemanha e na Áustria. Além disso tem prosseguido com as apresentações de Giosefine, monólogo teatral escrito por Guillermo Heras  inspirado numa obra de Antonio Tabucchi, em Bogotá e Buenos Aires, entre outras cidades.

Neste momento prepara o seu novo projeto – Pura Vida – que irá ser apresentado no próximo mês de junho no Festival Internacional de Fado em Madrid.

SOBRE MÍSIA

Mísia nasceu na cidade do Porto e é a terceira geração de artistas na sua família pelo lado materno. Mãe bailarina de música clássica espanhola, avó artista de music hall e burlesque. Ambas de Barcelona. Vive na sua cidade natal até à adolescência tardia durante a qual por vezes canta como amadora nas casas de fado. Por volta dos 20 anos, por motivos familiares instala-se em Barcelona e depois de vários trabalhos ainda sem vocação definida – canção, dança, music hall, televisão, etc – em 1991 decide regressar a Portugal e a Lisboa para construir um repertório próprio dentro do universo do Fado.

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, escreveu para a sua voz. O realizador francês Patrice Leconte rodou um dos seus videoclips (Duas Luas, 2001), John Turturro escolheu-a para o seu filme “Passione” (2010) e William Christie programou-a para la Cité de la Musique em Paris (2004). Durante anos consolida uma carreira internacional, canta nos palcos de maior prestígio internacional como a Filarmonia de Berlim, Festival de Avignon, Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa), Teatro Chatelet (Paris), Town Hall (New York), Le Carré Amsterdam, Cocoon Theater (Tóquio), etc. O seu trabalho é mencionado na imprensa mundial – Billboard, New York Times, Libération, Die Zeigt, etc. Mísia é a cantora portuguesa actual que desperta maior culto internacional na celebração dos sentimentos intemporais não só em português mas igualmente em vários idiomas.

O seu lugar no Fado começa em 1991, um momento pouco propício no qual fora de Portugal o que se recordava deste género, recentemente declarado Património Imaterial da Humanidade (2011), era a presença da grande Amália Rodrigues. Foi Amália quem abriu as portas no mundo para esta música quando ninguém ainda falava de world music. Sem público latente para o seu estilo pessoal e contemporâneo e durante vários anos em que o Fado, salvo raras excepções, não tinha o prestígio cultural e comercial que agora usufrui a Mísia – pioneira e espírito livre – coube-lhe abrir o seu próprio caminho.

Não tendo nunca esquecido a revelação que para ela supôs o fado tradicional na sua adolescência no Porto, depois de uns anos em Espanha e no seu regresso a Lisboa, sente que não deve começar por se apoiar em êxitos musicais de grandes nomes que admira mas em criar um repertório próprio. Começa então o que segundo Manuel Halpern se virá chamar o Novo Fado: “(…) A delimitação temporal é sempre difícil. Mas, se nos forçássemos a marcar uma data para o início do novo fado, seria Março de 1991, época em que Mísia lança o seu primeiro álbum. Tudo o que está antes é uma espécie de pré-história.” Manuel Halpern in O Futuro da Saudade (D.Quixote, 2004)

MARIANA AYDAR

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Nome maior de uma nova geração de talentos da música brasileira, a Paulistana Mariana Aydar move-se no mundo da música desde cedo. Com um pé no batuque e outro na modernidade, Mariana reverencia os velhos mestres e a nova geração de compositores brasileiros.

Mariana, filha de Mario Manga, sempre gostou de cantar e teve aulas de violocelo e viola, mas só aos 20 anos é que assumiu de vez o canto. Cantou forró na banda Caruá, foi vocalista do grupo de Miltinho Edilberto e do trio elétrico de Daniela Mercury, apresentou-se ao lado de Chico César, Dominguinhos, Elba Ramalho e Virgina Rosa,abriu tournées do Seu Jorge e conta já com uma vasta discografia muito bem recebida pela crítica e nomes sonantes como Caetano Veloso, Nelson Mota, João Donato ou Leci Brandão não se cansam de elogiar a sua obra.

O seu último disco “Pedaço de Uma Asa” é uma parceria com o artista plástico Nuno Ramos onde Mariana Aydar ilustra com a sua voz o trabalho do artista. Um disco de rara densidade poética, daqueles que surgem apenas de tempo em tempo.

Paralelamente à sua carreira musical, Mariana também realizou e produziu o documentário “Dominguinhos”, uma homenagem à vida e obra de um dos maiores mestres da música brasileira.

Pedro Moutinho

O FADO EM NÓS – Pedro Moutinho

Data de edição: 26 de Fevereiro de 2016

Edição: UGURU | Distribuição: Sony Music Portugal

Sem Título

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Este novo trabalho de Pedro Moutinho chama-nos a um fado que em cada um, a nosso modo se descobre, se desvenda e se cumpre.

Primeiro, nas melodias tradicionais, que trazem o eco de tantos que as cantaram e tocaram, as emoções de quem as ouviu, os espaços diversos onde aconteceram. É NÓS em título e em muitas dimensões. E único, de um modo a que não somos alheios. É Pedro Moutinho. Que magistralmente nos leva a todos nesta viagem, vestida com o tempo da gente que o fado é.

Gravado no coração das memórias fadistas – o Museu do Fado – fora da convencionalidade dos estúdios, tem esse sabor especial do fado ao vivo, com todos nós virtualmente a assistir.

Traz o ritual que se cumpre em simultâneo, onde uma guitarra, uma viola e um baixo de excepção, respiram com a voz, adensam o toque quando a sentem mordaz ou audaz, gingam acentuando a ironia ou o convite ao baile da vida, ou tremem, quando depois de um antecipado silencio, ela se revela desgarradamente só.

Traz um pedido: Leva-me contigo. A todos, mas em especial àqueles para quem o fado não é uma pertença óbvia. Um pedido do fado a lembrar que ele sempre se encantou com outras ambiências musicais, que se alimenta de diferentes experiências de vida, com sentidos despertos para tudo o que acontece em nós e no mundo.

E traz um recado: Vem ao baile, chamando a própria vida a cumprir-se.

O FADO EM NÓS é isto. Vem cá de dentro. É Pedro Moutinho inspirado, maduro, eco de histórias do fado feitas nossas, quando nos sentimos delas. Em NÓS estão evocações de uma Hermínia Silva ou de um Carlos Ramos. Estão poetas de sempre, como Fernando Pessoa ou Alexandre O’Neill e as actualíssimas Manuela de Freitas, Amélia Muge ou Mª do Rosário Pedreira.

Pedro Moutinho faz aos temas tradicionais, aquilo que a família faz, quando nos transmite as suas características: o olhar da avó, o sorriso do tio, as mãos do pai. Reforça nessas semelhanças o que somos e o que temos de único e contemporâneo. Põe o fado ao espelho como nos põe a nós. Remete-nos para quem somos. Renova-se e renova-nos. Moderniza os nossos sentidos ao escutá-lo.

Pedro Moutinho regressou. Ouvi-lo é descobri-lo em nós.

É como sermos mais uma corda tensa de guitarra, vibrando, ficando a soar por dentro. Aqui e sempre. Um clássico.

Ficha técnica

Produção, arranjos e direcção musical de Carlos Manuel Proença

Músicos:

José Manuel Neto – Guitarra portuguesa
Carlos Manuel Proença – Viola
Daniel Pinto – Viola baixo
Desenho de som – António Pinheiro da Silva
Misturado e masterizado por António Pinheiro da Silva e Carlos Manuel Proença
Gravado ao vivo no Auditório do Museu do Fado entre 1 e 5 de Novembro de 2015 por Amândio Bastos

Patrícia Bastos

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Nascida em Macapá, região norte do Brasil, Patrícia Bastos herdou da mãe a paixão pela música. A vocação musical foi descoberta quando ela ainda era criança, ao ganhar diversos festivais infantis.

Com 17 anos, Patrícia já se apresentava ao lado de nomes como Zé Miguel, Osmar Jr. e Vanildo Leal, entre outros. Durante cinco anos, a cantora foi a principal vocalista da banda Brinds e logo depois, deu início à sua carreira a solo. Fez espectáculos com o projeto Patrícia Bastos e Banda, onde mostrou a sua versatilidade em diversos estilos e abordou o lado moderno da Música Brasileira, assim como a música regional. Conquistou prémios em vários festivais como o Festival da Canção Amapaense, o Festival Internacional de Goiás ou o Festival de Tatuí.

Patrícia Bastos destaca-se pelo timbre suave e afinação contundente e já se apresentou ao lado de nomes consagrados no cenário da música brasileira como: Leci Brandão, Vitor Ramil, Nilson Chaves, Lô Borges, Nico Rezende, Boca Livre ou Lula Barbosa.

Em 2013, recebeu o Prémio Amapá em Destaque – Tucuju de Ouro como Artista Destaque do Ano e foi uma das nomeadas para o Edital Amazónia Cultural pelo seu projecto de divulgação/digressão de concertos do CD Zulusa pelos estados do Norte do país.

Em 2014,  nos 25° Prémios da Música Brasileira, foi premiada  nas categorias “Melhor Cantora Regional” e “Melhor Álbum Regional” com o disco Zulusa, além da nomeação do mesmo na categoria “Revelação”.

O seu último trabalho, Batom Bacaba (2016), com direcção de Dante Ozzetti, pretende misturar o acústico e o electrónico com foco nas etnias e sua relação com os ritmos, ao aprofundar a sua pesquisa em versões do batuque e do marabaixo (ritmos da cultura afro, que é característica do estado do Amapá) em direcção ao indígena.

O canto suave de Patrícia Bastos – de “uirapuríssimos trinados”, tal como é caracterizado por Joãozinho Gomes no texto incluído na edição física do disco de Batom Bacaba  – e a sonoridade do álbum valorizam o repertório, ora envolvente ora com moderado poder de sedução.

Teresa Salgueiro

A UGURU EM PARCERIA COM A LEMON ENTERTAINMENT APRESENTA:

TERESA SALGUEIRO – DIGRESSÃO MUNDIAL 2017| 2018

Nova-_Crédito-Susana-Pereira_site uguruParece que foi ontem que descobrimos a voz mágica de Teresa Salgueiro…. E contudo, já foi em 1986 que uma adolescente de Lisboa apanhou de surpresa Rodrigo Leão e Pedro Ayres Magalhães, que procuravam uma voz nova para o seu novo projecto acústico.

O encanto e a surpresa que os dois músicos sentiram ao descobrir esta voz cristalina, mágica, foi partilhado por um público reverente. Primeiro, em Portugal, com a revelação em disco dos Madredeus em 1987, e com a explosão de popularidade do segundo álbum, “Existir”, em 1990. Depois, a partir desse disco, pelas audiências de todo o mundo, extasiadas com a perfeita combinação entre a pureza da voz de Teresa Salgueiro e a simplicidade clássica das composições dos Madredeus.

Entre 1987 e 2007, vinte anos de viagem e mais de cinco milhões de álbuns vendidos em todo o mundo tornaram os Madredeus nos primeiros embaixadores internacionais da música feita em Portugal depois de Amália. E Teresa Salgueiro, com a sua presença discreta e delicada e a sua voz extraordinária, foi o “castelo de proa” dessa nau musical. Ouvimos a sua voz crescer e tornar-se num instrumento de uma beleza única, elegante e envolvente, o seu talento de intérprete a desabrochar com cada nova gravação e cada nova viagem; vimos a sua presença em palco construir-se como a de uma mulher de corpo inteiro que simbolizava, mais do que um país, uma alma.

Convites de nomes tão distintos como José Carreras, Caetano Veloso, Carlos Núnez, Angelo Branduardi ou Zbigniew Preisner reconheceram Teresa como uma das grandes cantoras contemporâneas, independentemente da nacionalidade. E, enquanto a viagem com os Madredeus chegava ao fim, Teresa começava a esboçar os passos seguintes do seu percurso, aventurando-se a solo com gravações com o Septeto brasileiro de João Cristal e com o Lusitânia Ensemble, formado por músicos da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Depois de levar Portugal ao mundo através dos Madredeus, os novos trabalhos trouxeram o mundo para Portugal, tornando a voz de Teresa, mais do que apenas nossa, global. Você e Eu, com o Septeto de João Cristal, percorria a riqueza da canção brasileira; com o Lusitânia Ensemble, gravou La Serena, recolha de material clássico dos muitos territórios onde actuara com os Madredeus, e Matriz, colecção de temas das múltiplas histórias da música portuguesa, dos tradicionais e cantigas d’amigo até aos dias de hoje.

No disco seguinte, O Mistério, Teresa experimentou pela primeira vez na sua carreira escrever e compor ela própria, libertando um outro e fascinante lado da sua criatividade, artista de corpo inteiro mais do que simples voz ou intérprete.

Todas essas facetas se reúnem agora numa autêntica celebração de uma carreira única. Primeiro com a edição, exclusiva para o México, de La Golondrina y El Horizonte, um álbum de canções clássicas latinas criadas por nomes como Violeta Parra, Agustin Lara ou Astor Piazzolla. Em seguida com um novo álbum de material original, Horizonte, que foi editado em 2016. Finalmente, com a digressão comemorativa que a levará por todo o mundo entre 2016 e 2017, com um novo espectáculo que recorda e reavalia o caminho de uma das vozes mais magnéticas de sempre da música portuguesa, dos êxitos dos Madredeus aos clássicos que fez seus ao longo dos anos, passando pelas suas próprias composições.