HINDI ZAHRA

CatMulti-instrumentista, cantora, actriz e auto didacta, tal é a sua originalidade que quando chega a hora de a situar, apontam-lhe referências tão díspares como Portishead, Manu Chao, Billie Holiday, Patti Smith ou Norah Jones.

Aos quinze anos abandonou a escola em Marrocos, e mudou-se para Paris para viver com o pai. Aos 18 trabalhava no Louvre e escrevia as primeiras canções. “Beautiful Tango” foi o tema que a apresentou ao mundo. Um sucesso tal que deixou claro que esta artista põe uma visão diferente em tudo aquilo que faz.

Handmade, editado em 2010, foi a sua surpreendente estreia que lhe valeu o cobiçado Prix Constantin. No ano seguinte, arrecadou ainda a distinção de Melhor Álbum de World Music nos prémios Victoires de la Musique.

Hindi Zahra, em breve carreira, soube depois coleccionar experiências em palcos por todo o mundo, assinando mais de 400 concertos e vendendo mais de 150 mil discos até ter editado, em 2015, o álbum Homeland, que marca o seu regresso à cultura de Marrocos. O seu Homeland fica situado algures entre Marrakech, montanhas, grutas e o Oceano Atlântico. Um regresso às origens, como um ritual de passagem ao seu próprio interior. Hindi Zahra procurou um som hipnótico acima de qualquer género ou limite.

Em 2016, Hindi Zahra voltou a vencer os prémios Victoires de la Musica para melhor álbum de World Music.

SOPHIE HUNGER

14469715_10154511611997836_3594423890347824453_nSophie Hunger é uma artista suíça com apelo global que não se tem cansado de recolher aplausos e prémios da crítica internacional desde que se estreou em 2006 com “Sketches of the Sea”, um disco de produção caseira, gravado na sua própria sala, mas de vistas suficientemente largas para imediatamente ter atraído a atenção de produtores estabelecidos como Erik Truffaz ou os Young Gods.

Em 2013, Sophie Hunger trouxe  a Portugal, em estreia absoluta, o seu novo trabalho,  o resultado da sua associação criativa a Adam Samuels, produtor que conta no seu currículo com trabalho para as Warpaint, Daniel Lanois ou John Frusciante.

“The Guardian” descreveu-a como “Laura Marling, Beth Orton e Bjork numa só embalagem” e já conquistou adjectivos como “excelente” ou “arrebatadora” nas páginas do “Le Monde” ou do “Deutsche Musikexpress”. Tanto a sua estreia como “1983”, o seu segundo álbum, conquistaram o topo das tabelas de vendas suíças.

Com todo este embalo, Sophie Hunger foi a primeira artista suíça a conquistar espaço no cartaz de Glastonbury, foi distinguida em 2011 com prémios das indústrias discográficas do se país natal e de França e ainda andou em digressão pelos Estados Unidos com Madeleine Peyroux e os Tinariwen. Já em 2012, homenageou uma das suas maiores influências ao criar o seu concerto solo, Bob Dylan – “Be Part of My Dream”, espectáculo que já este ano levou ao prestigiado festival de Montreux.

Com a ajuda de músicos como Josh Klinghoffer (Red Hot Chilli Peppers, PJ Harvey), Nathaniel Walcott (Bright Eyes), Steven Nistor (Daniel Lanois, Danger Mouse) e ainda de membros da sua própria banda, Sophie gravou um novo e ambicioso trabalho The Danger of Light e mais recentemente lançou Supermoon.

NNEKA

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Nneka Egbuna nasceu na cidade petrolífera de Warri, Nigéria, que vivia o pico da sua nova riqueza durante meados dos anos 70. Desde cedo que Nneka gostava e cantar, como forma de fugir aos pesadelos de infância. Tal como muitas pessoas durante os anos 90, a cantora adoptou o hip-hop (como fizeram Def, Talib Kwali, The Fugees) como a voz da sua geração.

Bem-vindos ao mundo de Nneka. Trata-se de um álbum onde esta rapariga invulgar segue os seus instintos criativos, aplicando-os na música e explorando um vasto e farto leque de sonoridades inovadoras; uma verdadeira odisseia Afrobeat. Esta atitude é, por si só, prova de que a música e filosofia de Fela Kuti influenciam bastante Nneka, tal como muitas outras gerações de artistas nigerianos. A cantora também aprecia artistas como Nina Simone, que demonstram uma certa vulnerabilidade e que se apresentam de forma honesta.

Nneka não podia ser um segredo dos europeus muito tempo. Esta cantora nigeriana começou por se fazer notar na Alemanha, onde se estabeleceu em 2003 e a partir de onde editou os álbuns Victim of Truth e No Longer at Ease. Foi este último registo que incluiu o incrível tema «Heartbeat» que a tornou conhecida dos ouvintes portugueses graças a um enorme impacto na rádio e nas bandas sonoras de séries dirigidas aos mais jovens. A sua passagem por palcos importantes, como o Sudoeste, o Lux, ou Sumol Sumer Fest veio depois confirmar o que já se pressentia – o seu enorme talento e carisma.

Com os álbuns seguintes – Concrete Jungle e Soul Is Heavy vieram as tournées pelos Estados Unidos e Canadá e as actuações em clubes míticos como o „Troubadour“ em Hollywood que a mostraram ao mundo aceleraram o caminho da internacionalização.

A personalidade musical de Nneka tem-lhe valido elogios rasgados. A Rolling Stone descreve a sua música como «inventiva e convidativa” e afirma que a cantora tanto está à vontade a «gritar hinos de guitarra ou a atirar-se a temas rasgados de neosoul». Essa versatilidade sente-se em palco, onde o enorme carisma de Nneka é amplificado, dando outra dimensão a uma música onde África é ponto de partida, mas onde o reggae, o hip hop, a soul e o rock também estão presentes. Ao lado de uma voz forte e de uma consciência realmente elevada.

O verdadeiro talento prevalece sempre e, com o passar do tempo, esta “simples rapariga de Warri” – tal como a própria se auto-define – irá brilhar. Mas o mais importante de tudo, tal como a cantora afirma, “deixem que seja a música a decidir’. A estética não é importante.