PIANORQUESTRA

10 mãos e um piano preparado. Quem diria que um conceito que teve, por exemplo, em John Cage um dos seus grandes criativos – o de intervir sobre a mecânica sonora do piano através da adição de objetos a ele estranhos – poderia ter uma vida tão diferente? É essa a proposta dos brasileiros da PianOrquestra, grupo singular que toma o piano como um quase infinito universo de possibilidades.
O Globo nomeou o seu espetáculo como um dos melhores do ano e o histórico João Bosco, que fez uma digressão dedicada a Pixinguinha com a PianOrquestra, descreveu-os como “uma surpresa” e classificou o espetáculo conjunto como “maravilhoso”. O grupo, que garante produzir, “música instrumental brasileira como nunca ninguém viu ou ouviu” inclui o consagrado pianista Claudio Dauelsberg que se apresenta ao lado das também pianistas Mariana Spoladore, Priscila Azevedo e Anne Amberget além da percussionista Masako Tanaka. Neste formato, a PianOrchestra tem pisado os mais conceituados palcos mundiais arrancando sempre os mais efusivos aplausos e elogios.

HERMETO PASCOAL

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Hermeto Pascoal nasceu em 22 de junho de 1936 em Alagoas, no Nordeste brasileiro. Ele era um prodígio musical infantil: começou com a flauta e aos oito anos já estava tocando sanfona e acordeão. Aos 11 anos ele atuava em danças e forrós na região ao redor de Arapiraca.

Quando tinha 14 anos, mudou-se com a família para o Recife, e Hermeto começou a ganhar dinheiro em programas de rádio locais, tocando com um grupo com seu irmão, José Neto.

No final da década de 50, ele mudou-se mais uma vez, para o sul do país. Seu apetite musical voraz já estava a ganhar frutos, pois Hermeto começou a aprender a tocar quase qualquer instrumento que ele encontrou: piano, baixo, tudo. Como todos os músicos da época, ele formou grupos de bossa nova no início dos anos 60, tocou com artistas que hoje têm carreiras bem respeitadas, entre elas Airto Moreira, Heraldo do Monte e Sivuca (com quem ele teve um trio acordeão chamado ‘O Mundo em Chamas.

Em 1964, formou o Trio Sambrasa com Airto Moreira e o baixista Humberto Clayber.

Em 1970, a Airto, que mais tarde estava noutro projeto, convidou Hermeto para os Estados Unidos para gravar um álbum. A falta de inglês de Hermeto causou problemas. Mas, como ele diz, a única coisa que você tem que saber dizer nos Estados Unidos é: “Where is my money?” (Onde está o meu dinheiro?)
Ele também gravou com o grande Miles Davis, e contribuiu com duas músicas para os trompetistas, o aclamado álbum de 1970 “Live Evil “: Igrejinha e Nem Um Talvez.

Enquanto na América do Norte, o multi-instrumentista atraiu tanto pelas suas extraordinárias habilidades de improvisação em concerto quanto suas composições idiossincráticas e originais. Seu material foi gravado por artistas tão diversos como Gil Evans e a Berlin Symphony.

Ele retornou ao Brasil em 1973, gravou A Musica Livre De Hermeto Pascoal, antes de voltar para o norte para os Estados Unidos em 1976 para gravar a Missa do Escravo. Esse álbum apresentou um dos instrumentos mais incomuns de Hermeto – leitões, cujos pequenos grunhidos ele incorporou na música – juntamente com os talentos humanos de Airto, Flora Purim, Laudir de Oliveira, Raul de Souza, David Amaro, Ron Carter e Alphonso Johnson.
Seus registos são, de fato, desinibidos, e eles geralmente apresentam o apoio de Pernambuco (percussão), Jovino Santos Neto (teclados e flautas), Marcio Bahia (bateria), Carlos Malta (flautas, saxofones) e Itibere Zwarg (baixo), todos os músicos muito talentosos.

De 1983 a 1989, gravou para um pequeno e audiófilo chamado Som Da Gente, especializado em música instrumental. Na década de 1990, ele lançou apenas 2 álbuns de estúdio: “Festa dos Deuses” em 1992 e “Eu e Eles” em 1999. No último, ele tocou todos os instrumentos, e há dezenas deles.