NAILOR PROVETA

Antes de aprender as letras do nosso alfabeto, PROVETA já lia as notas musicais. Aos 6 anos de idade, tocava clarinete na banda de Leme-SP, sua cidade natal. Também muito cedo  iniciou sua carreira profissional tocando em bailes no conjunto liderado por seu pai o acordeonista e tecladista Geraldo Azevedo. Estudou saxofone e passou a integrar outras formações musicais da região dentre as quais a Banda do Brejo, da cidade de Valinhos-SP.

Mudou-se para São Paulo e, apenas com dezesseis anos de idade, já era integrante da orquestra do Maestro Sylvio Mazzucca, famosa em todo o Brasil. Em seguida, participou da banda do 150 NIGHT CLUB, no Hotel Maksoud Plaza, badalada casa noturna de São Paulo que apresentava regularmente grandes atrações internacionais. PROVETA teve, então, oportunidades de dividir o palco com renomados artistas, entre os quais Anita O’Day,  Joe Williams, Paquito D’Rivera, Benny Carter, Natalie Cole. Fez diversas turnês pelo Brasil tocando na orquestra de Ray Conniff.

Frequentou cursos de aperfeiçoamento musical e formou os grupos – Banda Aquarius, Sambop Brass e, por último, a Banda Mantiqueira – liderando essas formações e escrevendo a maioria dos arranjos. Já no seu primeiro CD “Aldeia”, a Banda Mantiqueira foi nominada ao Prêmio Grammy, em 1998, na categoria Melhor Performance de Jazz Latino.

É um dos músicos mais requisitados para elaboração de arranjos na área da música popular e também erudita. No campo da música erudita, frequentemente, faz arranjos para a Osesp e para a Orquestra Jazz Sinfônica. Como instrumentista e arranjador atua intensamente nos estúdios de gravação e figura na ficha técnica de centenas de álbuns dos mais consagrados artistas da música popular brasileira. É muito solicitado para ministrar workshops nos principais conservatórios musicais no Brasil.

Pode-se dizer, sem medo de errar, que PROVETA ocupa lugar de destaque na galeria dos principais músicos do Brasil de todos os tempos.

HERMETO PASCOAL

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Hermeto Pascoal nasceu em 22 de junho de 1936 em Alagoas, no Nordeste brasileiro. Ele era um prodígio musical infantil: começou com a flauta e aos oito anos já estava tocando sanfona e acordeão. Aos 11 anos ele atuava em danças e forrós na região ao redor de Arapiraca.

Quando tinha 14 anos, mudou-se com a família para o Recife, e Hermeto começou a ganhar dinheiro em programas de rádio locais, tocando com um grupo com seu irmão, José Neto.

No final da década de 50, ele mudou-se mais uma vez, para o sul do país. Seu apetite musical voraz já estava a ganhar frutos, pois Hermeto começou a aprender a tocar quase qualquer instrumento que ele encontrou: piano, baixo, tudo. Como todos os músicos da época, ele formou grupos de bossa nova no início dos anos 60, tocou com artistas que hoje têm carreiras bem respeitadas, entre elas Airto Moreira, Heraldo do Monte e Sivuca (com quem ele teve um trio acordeão chamado ‘O Mundo em Chamas.

Em 1964, formou o Trio Sambrasa com Airto Moreira e o baixista Humberto Clayber.

Em 1970, a Airto, que mais tarde estava noutro projeto, convidou Hermeto para os Estados Unidos para gravar um álbum. A falta de inglês de Hermeto causou problemas. Mas, como ele diz, a única coisa que você tem que saber dizer nos Estados Unidos é: “Where is my money?” (Onde está o meu dinheiro?)
Ele também gravou com o grande Miles Davis, e contribuiu com duas músicas para os trompetistas, o aclamado álbum de 1970 “Live Evil “: Igrejinha e Nem Um Talvez.

Enquanto na América do Norte, o multi-instrumentista atraiu tanto pelas suas extraordinárias habilidades de improvisação em concerto quanto suas composições idiossincráticas e originais. Seu material foi gravado por artistas tão diversos como Gil Evans e a Berlin Symphony.

Ele retornou ao Brasil em 1973, gravou A Musica Livre De Hermeto Pascoal, antes de voltar para o norte para os Estados Unidos em 1976 para gravar a Missa do Escravo. Esse álbum apresentou um dos instrumentos mais incomuns de Hermeto – leitões, cujos pequenos grunhidos ele incorporou na música – juntamente com os talentos humanos de Airto, Flora Purim, Laudir de Oliveira, Raul de Souza, David Amaro, Ron Carter e Alphonso Johnson.
Seus registos são, de fato, desinibidos, e eles geralmente apresentam o apoio de Pernambuco (percussão), Jovino Santos Neto (teclados e flautas), Marcio Bahia (bateria), Carlos Malta (flautas, saxofones) e Itibere Zwarg (baixo), todos os músicos muito talentosos.

De 1983 a 1989, gravou para um pequeno e audiófilo chamado Som Da Gente, especializado em música instrumental. Na década de 1990, ele lançou apenas 2 álbuns de estúdio: “Festa dos Deuses” em 1992 e “Eu e Eles” em 1999. No último, ele tocou todos os instrumentos, e há dezenas deles.

Patrícia Bastos

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Nascida em Macapá, região norte do Brasil, Patrícia Bastos herdou da mãe a paixão pela música. A vocação musical foi descoberta quando ela ainda era criança, ao ganhar diversos festivais infantis.

Com 17 anos, Patrícia já se apresentava ao lado de nomes como Zé Miguel, Osmar Jr. e Vanildo Leal, entre outros. Durante cinco anos, a cantora foi a principal vocalista da banda Brinds e logo depois, deu início à sua carreira a solo. Fez espectáculos com o projeto Patrícia Bastos e Banda, onde mostrou a sua versatilidade em diversos estilos e abordou o lado moderno da Música Brasileira, assim como a música regional. Conquistou prémios em vários festivais como o Festival da Canção Amapaense, o Festival Internacional de Goiás ou o Festival de Tatuí.

Patrícia Bastos destaca-se pelo timbre suave e afinação contundente e já se apresentou ao lado de nomes consagrados no cenário da música brasileira como: Leci Brandão, Vitor Ramil, Nilson Chaves, Lô Borges, Nico Rezende, Boca Livre ou Lula Barbosa.

Em 2013, recebeu o Prémio Amapá em Destaque – Tucuju de Ouro como Artista Destaque do Ano e foi uma das nomeadas para o Edital Amazónia Cultural pelo seu projecto de divulgação/digressão de concertos do CD Zulusa pelos estados do Norte do país.

Em 2014,  nos 25° Prémios da Música Brasileira, foi premiada  nas categorias “Melhor Cantora Regional” e “Melhor Álbum Regional” com o disco Zulusa, além da nomeação do mesmo na categoria “Revelação”.

O seu último trabalho, Batom Bacaba (2016), com direcção de Dante Ozzetti, pretende misturar o acústico e o electrónico com foco nas etnias e sua relação com os ritmos, ao aprofundar a sua pesquisa em versões do batuque e do marabaixo (ritmos da cultura afro, que é característica do estado do Amapá) em direcção ao indígena.

O canto suave de Patrícia Bastos – de “uirapuríssimos trinados”, tal como é caracterizado por Joãozinho Gomes no texto incluído na edição física do disco de Batom Bacaba  – e a sonoridade do álbum valorizam o repertório, ora envolvente ora com moderado poder de sedução.