Mariana Aydar & Dani Black

Retrato Mariana Aydar e Dani Black. Foto: Bruno PolettiDani Black e Mariana Aydar são duas faces de uma mesma moeda: uma nova sensibilidade na música popular brasileira a emanar de São Paulo. Os dois foram, aliás, participantes no espectáculo colectivo Avenida Paulista que procurou mapear novas sonoridades com origem na mega cidade Brasileira. Agora, juntos, exploram cumplicidades num espectáculo que promete ser arrebatador. Para o palco, Dani e Mariana levam as suas canções, de amor e gente, de sentidos modernos e de dívidas à tradição que sempre estudaram. Canções de Dilúvio ou Pedaços de uma asa, os mais recentes trabalhos de Dani Black e Mariana Aydar, respectivamente, canções que pretendem repartir e dividir e partilhar e transformar ali perante os nossos ouvidos, num jogo de trocas e cumplicidades de que querem fazer nascer algo de novo. Dani é um compositor respeitado, o homem que deu voz a anseios de uma geração em “Trono de Estudar”, canção que depois virou um hino nas vozes de Chico Buarque ou Arnaldo Antunes. Essa veia poética particular valeu muitos aplausos a Dani Black e os mais rasgados elogios às suas canções. Mariana tem-se igualmente revelado intérprete de excepção: em Pedaço de Uma Asa cantou a arte de Nuno Ramos, e em cada arrebatamento da sua voz singular agarrou as canções como se fossem suas, transformando-as em algo da sua pele.

Vai ser assim neste espectáculo: dois jovens brilhantes valores da moderna canção brasileira, a trocarem ideias e notas e melodias e palavras como se tudo o que pertence a um fosse também do outro.  Tudo se encaixa. Imperdível, pois claro.

Maria Gadú

MG_guelã_ao vivo_div. horizontal_por Luiz Tripolli “Guelã” foi nomeado para os Grammys Latinos (2015), na categoria de melhor álbum da Música Popular Brasileira

Maria Gadú, compositora, cantora e autora de temas que correm o mundo como Shimbalaiê ou “Altar Particular”, é um dos maiores nomes de referência da Música Brasileira da actualidade.

Ao terceiro álbum, Maria Gadú pode orgulhar-se de ter deixado o plano das promessas e ser hoje uma absoluta certeza no plano dos talentos firmados no Brasil. Guelã (2015), é a prova desse talento maior: letras cuidadas, melodias ricas de imaginação, canções que têm garras para se manterem firmes nos nossos ouvidos por muito tempo.

Guelã é um trabalho ambicioso que traduz também as vistas largas do mundo que a cantora foi obtendo depois da estreia em 2009 e do crescimento, dois anos depois, com a edição do seu anterior trabalho, Mais Uma Página. Poder tocar em diferentes países fora do Brasil abriu-a a novas sonoridades e experiências e Guelã é a prova disso mesmo: James Brian, artista canadiano conhecido em Londres, ou Mayra Andrade, são alguns dos cúmplices nesta íntima viagem apresentada em Guelã. Apesar do tom solitário, talvez estas canções revelem que artisticamente Maria Gadú abriu as suas asas. Afinal de contas, Guelã significa Gaivota.

Canções como “Vaga” ou “Trovoa” são fundas e mostram como Gadú domina a arte das emoções feitas palavras e melodias. Quando canta, não há quem não acredite que é para si em especial que Maria Gadú está a cantar, talvez por as suas canções conterem tanta vida.

MARIANA AYDAR

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Nome maior de uma nova geração de talentos da música brasileira, a Paulistana Mariana Aydar move-se no mundo da música desde cedo. Com um pé no batuque e outro na modernidade, Mariana reverencia os velhos mestres e a nova geração de compositores brasileiros.

Mariana, filha de Mario Manga, sempre gostou de cantar e teve aulas de violocelo e viola, mas só aos 20 anos é que assumiu de vez o canto. Cantou forró na banda Caruá, foi vocalista do grupo de Miltinho Edilberto e do trio elétrico de Daniela Mercury, apresentou-se ao lado de Chico César, Dominguinhos, Elba Ramalho e Virgina Rosa,abriu tournées do Seu Jorge e conta já com uma vasta discografia muito bem recebida pela crítica e nomes sonantes como Caetano Veloso, Nelson Mota, João Donato ou Leci Brandão não se cansam de elogiar a sua obra.

O seu último disco “Pedaço de Uma Asa” é uma parceria com o artista plástico Nuno Ramos onde Mariana Aydar ilustra com a sua voz o trabalho do artista. Um disco de rara densidade poética, daqueles que surgem apenas de tempo em tempo.

Paralelamente à sua carreira musical, Mariana também realizou e produziu o documentário “Dominguinhos”, uma homenagem à vida e obra de um dos maiores mestres da música brasileira.

Dani Black

fotodivulgacao_6O jovem e prolífero compositor e cantor sensação de São Paulo! Autor do hino dos estudantes brasileiros “Trono de Estudar”, gravado por Chico Buarque, Zelia Duncan, Arnaldo Antunes e Felipe Catto, entre outros.

O Brasil é esse universo imenso preenchido de muitas galáxias e corpos celestes que brilham com uma intensidade tal que não há como não reparar neles, mesmo a olho nu.

Dani Black é um desses astros que agora entra na órbita de Portugal com uma digressão que o levou no final de Janeiro a 6 salas deste país.

Na bagagem, Dani Black trouxe o celebrado Dilúvio, segundo registo de uma carreira que parece curta, mas já é imensa. Na sua história pessoal, Dani regista cumplicidades com Zélia Duncan e Chico César, que foi um dos seus primeiros apoiantes, e regista escrita de canções para outros corpos celestes cintilantes como Elba Ramalho, Maria Gadú e Ney Matogrosso.

Dani estreou-se em nome próprio em 2011 com o singelamente titulado Dani Black, álbum em que cantava criações próprias e em que dava voz a “Comer na Mão” de Chico César. Antes de Dilúvio, lançado já no Verão de 2015, Dani ainda lançou um EP com gravações ao vivo, exactamente porque o palco é uma das suas principais plataformas de afirmação: guitarrista de excepção, Dani Black é um performer tão intenso como as suas canções, entregando-se de corpo e alma sem rede, facto que lhe tem valido os mais rasgados elogios no Brasil e não só.

Depois veio Dilúvio, álbum em que conta com Milton Nascimento como convidado (no extraordinário “Maior”), onde se ouve Renato Neto, teclista que tocou com Prince durante mais de uma década, e que conta com a produção de Conrado Goys. Entre baladas de uma beleza imensa, embaladas em cordas e melodias refinadas, e temas que buscam no rock, no funk e no reggae as suas coordenadas maiores, Dilúvio revela Dani Black como intérprete e compositor de excepção, um artista de corpo inteiro que escreve de forma divina: “E quando acender a minha chama / Todos os sins vendo os nãos em apuros / Eu quero é morrer num beijo puro / De línguas e sais”, canta ele no tema que dá título ao novo álbum.

Segundo o próprio, este disco é “um dilúvio de ideias, de mensagens, de sensualidade muitas vezes. É um disco espontâneo. Por mais que tenha sido feito minuciosamente, a parte orgânica, que sou eu, é muito espontânea.” Um disco de verdades, portanto. O que condiz com o autor: honesto, brilhante.

Marcia Castro

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A cantora baiana Marcia Castro iniciou a sua carreira musical aos 16 anos. Em 2006, conquistou o Braskem de Cultura e Arte, o maior prémio do cenário independente da música baiana, e deu assim início à gravação do seu 1º CD, “Pecadinho”, com produção musical de Luciano Salvador Bahia.

Em 2008, lançou o disco em São Paulo, onde se radicou, e iniciou uma nova jornada na sua carreira que a permitiu desenvolver o seu trabalho musical perto de grandes músicos e artistas da música brasileira, como Tom Zé, Zeca Baleiro, Otto, entre outros.

Com três discos editados, Marcia desenvolve confecções musicais pop tropicais a partir de uma variedade de estilos que incluem ska, samba, bossa nova, frevo e MPB (Música Popular Brasileira). No seu disco mais recente, “Das Coisas Que Surgem”, a artista estreia-se como compositora e neste momento está a preparar o lançamento de um novo álbum onde influências de swing da sua terra natal irão interligar-se a matrizes africanas a partir de tessituras electrónicas misturadas com sons orgânicos.

Em paralelo à sua carreira de compositora, Marcia promove o projeto “Pipoca Moderna”, que reúne no mesmo palco diversos artistas da música brasileira como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Otto, Baby do Brasil, Luiz Melodia, Elza Soares, Daniela Mercury, entre outros.