Beatriz Nunes

Selecionada por um júri ligado ao European Jazz Network, Beatriz Nunes apresentou-se no âmbito da conferência On The Edge, em concerto, realizado em Portugal no passado mês de Setembro, honra que premeia um intenso percurso de entrega à causa da música.

Canto Primeiro é título de álbum, mas não traduz verdade porque Beatriz Nunes, 30 anos, , tem um percurso já vasto, feito de estudo e entrega, de experiências intensas – do Conservatório a digressões internacionais com Madredeus ao lado de Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade -, de exploração de múltiplas vertentes – da música popular e do jazz, à erudição do canto lírico – de devolução dos conhecimentos adquiridos através do ensino – dá aulas na Escola de Jazz do barreiro e na Escola Profissional Ofício das Artes em Montemor-o-Novo. Na verdade, 30 anos é muito pouco para tanta bagagem. E foi isso que os especialistas do European Jazz Network reconheceram quando a premiaram com um primeiro lugar entre as muitas candidaturas para espetáculos a realizados no âmbito da conferência On The Edge que teve lugar em Lisboa no passado mês de Setembro.

Em 2018, Beatriz Nunes assina também a sua própria estreia com um Canto Primeiro que afinal de contas já vem com lastro de talento pronunciado. É um disco ambicioso em que se afirma como compositora e produtora, um disco que mereceu a Rui Eduardo Paes, autêntica referência na crítica jazz nacional, o vaticínio de auspiciosa estreia – “não poderia ter começado melhor o percurso discográfico que se espera daqui por diante”, afirmou, nas páginas da revista jazz.pt.

Na companhia de Luís Barrigas (piano), Mário Franco (contrabaixo) e Jorge Moniz (bateria), Beatriz assina um disco íntimo, que procura o conforto do silêncio no sussurro de uma voz que se conhece muito bem: Beatriz estudou técnica vocal com Kim Nazarian e composição com Lauren Kinhan e Peter Eldridge, da Berklee College of Music; participou em workshops de Circle Singing liderados por Rizumik, professor do Omega Institute, NY (EUA) e Sofia Ribeiro; frequenta o Mestrado em Ensino da Música na Escola Superior de Música de Lisboa. Impressionante, certo?

Isso ajuda a explicar que em 2018 tenha sido escolhida pela European Jazz Network para a conferência On The Edge que teve lugar em Lisboa no passado mês de Setembro. Entre centenas de candidaturas, a proposta de Beatriz Nunes foi eleita em primeiro lugar para figurar no primeiro lugar da conferência: “Beatriz Nunes tem feito um percurso entre a música clássica e o jazz”, escreve-se no programa oficial. Verdade: Beatriz Nunes procura os mais elevados espaços para a sua voz e em Canto Primeiro expõe alma e técnica apurada em reportório próprio e até num equeno tesouro de um grande José Afonso, como quem reclama um lugar numa historia que ainda continua a ser escrita. Por vozes como a sua…

Orquestra Jazz do Porto

IMG_0112_1 LEVEEm meados de 2017 um grupo de jovens músicos de Jazz da Cidade do Porto reuniu-se com o intuito de criar uma Orquestra que pudesse trazer à cidade do Porto o “glamour” das grandes Orquestras de Jazz do inicio do Século XX.

Tendo em conta a forte ligação de todos os elementos à Cidade do Porto não fazia sentido que o projeto não ficasse sediado na Cidade Invicta.

Assim nasceu a “Orquestra Jazz do Porto”. Sob a direção artística do trompetista Gileno Santana, apresentou-se na Sala 2 da Casa da Música no dia 9 de Novembro com um concerto memorável em que os presentes foram convidados a fazer uma viagem aos anos 30/40 do Século XX.

A “Orquestra Jazz do Porto” estabeleceu a sua residência na Casa das Artes (Porto) onde ensaia com regularidade, e pretende apresentar alguns dos seus projetos. Os elementos que compõem a orquestra depressa sentiram a necessidade de proximidade com o público apreciador do estilo do Porto. Estabelecemos um protocolo com o “Hot Five Jazz & Blues Club”, onde nos temos vindo a apresentar com regularidade podendo mesmo dizer-se que somos Orquestra residente do clube.

Encontram-se neste momento em fase de preparação projetos com nomes do panorama musical nacional e internacional que serão apresentados em 2018 nas salas mais carismáticas do nosso país.

Ficha Artistica

Saxofones: Hugo Gama, Daniel Sousa. Fábio Almeida, Diego Alvarez, Rui Reis

Trompetes: Javier Pereiro, Luis Macedo, João Dias, Eduardo Santos

Trombones: Xavier Sousa, Hugo Caldeira, Gil Silva, Rui Bandeira

Piano: Miguel Meirinhos

Contrabaixo: Hugo Ribeiro

Bateria: Filipe Monteiro

Direcção Artística: Filipe Monteiro / Hugo Gama

Direcção Técnica: João Sousa

Direcção: Jorge Santos

ANDREA MOTIS

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Andrea Motis, com apenas 21 anos de idade, exibe uma musicalidade madura. Isso porque começou a tocar a trompete aos sete anos; Três anos depois, ela começou a estudar jazz, na Escola Municipal de Música de Sant Andreu sob Chamorro, que logo depois a recrutou para a banda, enquanto ela ainda era adolescente. Durante a escola, ela também foi membro do Sant Andreu Jazz Band por nove anos, com a qual gravou oito discos e tocou com músicos tão aclamados como o trombonista Wycliffe Gordon, o saxofonista Jesse Davis, o clarinetista Bobby Gordon e o saxofonista Dick Oatts, entre outros. Além da trompete, Motis toca saxofone alto, mas foi com a banda de Chamorro que começou a cantar. “A trompete sempre será o meu primeiro instrumento”, diz Motis quando perguntado se ela prefere ser cantora ou instrumentista. “Tocar trompete é como meditar; É uma parte da minha vida. Mas não quero ter de escolher apenas um dos meus lados artísticos…”.

Depois de gravar seis álbuns com o baixista Joan Chamorro, a trompetista, cantora e compositora Andrea Motis, ​​faz a sua estreia a solo na editora Impulse! Records com Emotional Dance. Chamorro coproduziu este album com Brian Bacchus e Jay Newland, através da sugestão do sábio diretor de A & R, Jean-Philippe Allard. Sugeriu ainda que Motis aumentasse o pessoal com um punhado de músicos oriundos dos Estados Unidos da América – o vibrafonista Warren Wolf, o acordeonista Gil Goldstein, o saxofonista de barítono Scott Robinson e o percussionista Café Da Silva. Em três músicas apresentam também o famoso saxofonista tenor americano Joel Frahm, que já havia trabalhado com Motis e Chamorro. “Nós convidamos [Joel] para tocar connosco em Barcelona em 2016. Ele foi incrível, que sabíamos logo que o queríamos para este álbum”, diz Motis.

Kamasi Washington

The Epic Cover-high resKamasi Washington é um fenómeno. É uma raridade. The Epic, o álbum que lançou o ano passado, recolheu elogios de toda a imprensa – da Pitchfork ao New York Times – e posicionou-se destacado nas listas de melhores registos do ano em todo o lado. Foi o melhor disco de jazz de 2015 para o The Guardian, Rolling Stone ou Blitz, por exemplo.

Mas nada em Kamasi Washington parece seguir as regras: conduz um grupo de tamanho considerável numa era que já não se compadece muito com a generosidade das visões, edita numa label de hip hop, pertença de Flying Lotus, sobrinho neto de Alice Coltrane e um dos mais respeitados produtores do presente, toca em álbuns de rap – como o enorme To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar, grande vencedor dos Grammys deste ano – em festivais jazz de referência como em eventos de música pop alternativa. Não há outro saxofonista assim e já é, muito justamente, apontado como herdeiro dos grandes.

Sobre ele, Rui Miguel Abreu escreveu na Blitz palavras compreensivelmente elogiosas. “The Epic” é um objecto inesperado: não capitaliza nas suas credenciais hip hop e parece muito mais interessado em elevar-se aos céus e, por meio de uma ambiciosa paleta orquestral, praticamente pegar no jazz onde John Coltrane o deixou. The Epic é um dos factos do ano jazz, sem a menor sombra de dúvida, um disco que vai precisar de tempo para ser digerido (são mais de três horas de música) porque é, coisa rara nos dias que correm, um disco ambicioso – na sua forma dilatada, na generosa lista de músicos que emprega – orquestra de 32 músicos, coro de 20 elementos! – e na paleta estética que pretende cobrir. Como se o saxofonista Kamasi Washington tivesse uma missão: mostrar o jazz, livre, cósmico, espiritual, a uma nova geração habituada a ouvi-lo como suporte de palavras ou tempero de grooves”.

Macy Gray

 MacyGray_promo1_(credit Giuliano Bekor)Vozes como as de Macy Gray surgem muito raramente e normalmente marcam gerações, pelo poder que carregam, pelo carácter distinto que apresentam. A de Macy, que já inspirou cinco nomeações para Grammys e atraiu efusivos aplausos de público, imprensa e pares, já foi comparada a Billie Holiday, mas na verdade é um património singular, precioso e raro que já se espraiou por seis álbuns que são do melhor que a soul e o R&B deste tempo ofereceram ao mundo.

Macy trará não só uma longa tradição de música negra, como a sua bagagem pessoal que arrancou em 1999 com o álbum On How Life Is e se estende até ao novíssimo Stripped, um disco que mereceu os mais rasgados elogios do site de referência All About Jazz por numa época de alta tecnologia regressar à essência: um palco, uma voz cheia de alma, canções perfeitas. O paraíso pode estar mais perto do que por vezes se pensa…

Maria Mendes

Tem ADN português mas é nos palcos internacionais que tem construído a sua carreira. Do Porto para Holanda, da Holanda para o mundo, o timbre doce e a flexibilidade vocal ímpares de Maria Mendes não deixam ninguém indiferente, sejam eles a crítica especializada – que a considera uma das vozes mais promissoras do Jazz Europeu – sejam “connaisseurs” como Quincy Jones que, sem hesitações, afirmou: “vejo um futuro brilhante e promissor para esta jovem cantora”.

No final de 2015, Maria Mendes regressou com o segundo álbum Innocentia. Este é um disco recheado de escolhas sofisticadas nas adaptações de clássicos do Jazz – um exemplo é a conhecida lullabye de Charlie Chaplin “Smile” (que dá o mote de abertura ao Innocentia) aqui revisitada com uma emoção sublime num diálogo cristalino entre a voz e o piano – bem como nas inconvencionais adaptações de obras de música clássica – uma das escolhas é a requintada ária de ópera “Cantilena” do brasileiro Heitor Vila Lobos que surpreendentemente ganha um balanço exótico e hipnotizante ao som do clarinete e da voz. A surpresa no Innocentia surge com um par de composições originais da cantora/autora, nas quais expressa o que inocência, nostalgia e fragilidade significam na sua vida e na forma como percepciona o mundo actual. Maria partilha: “sinto que há uma vulnerabilidade impressa na inocência humana que é muito mais adulta do que ‘criança’. Quis aprofundar essa realidade no sentimento e emoção musical neste disco, apropriando-me de escolhas que pudessem expressar essa mesma vulnerabilidade de forma pura e bela, sem tristeza e drama, mas sim profunda! Bebi muito da poesia da Florbela Espanca e do escritor/músico Chico Buarque e retive muita informação musical do Vlla Lobos, Michael Legrand, Wayne Shorter, Pat Metheny e também nas músicas orquestradas da Disney dos anos 40s e 50s.”

O resultado é uma escolha incomum por canções que não se esperam num disco de jazz! O ciclo da viagem musical do Innocentia encerra com o famoso “Fragile” do Sting numa adaptação deliciosamente surpreendente e comovente.

Tanto neste Innocentia, como no seu antecessor, o Along the Road (2012, Dot Time Records USA) – que foi aclamado pela crítica internacional e por ilustres músicos, entre eles Quincy Jones – a cantora Portuguesa fez-se reunir por uma equipa de músicos excepcionais da Holanda (a equipa da lenda viva do jazz mundial Toots Thielemans). A esta equipa junta-se uma convidada muito especial: a conceituada clarinetista norte americana/isrealita Anat Cohen.
Com a colaboração do compositor/orquestrador Holandês Martin Fondse (detentor de inúmeros prémios e nomeações para o famoso Óscar norte americano e Grammy Holandês) bem como da sólida equipa que agencia e distribui o trabalho discográfico de Maria Mendes – Sony Music Portugal, Harmonia Mundi e a UGURU – este último disco representa mais um passo sólido na internacionalização da carreira musical desta talentosa cantora Portuguesa.

MARIA DE MEDEIROS

Maria_medeiros

Maria de Medeiros é uma mulher de muitos rostos, como o são todas as atrizes, mas de uma só voz, inconfundível, misto de inocência e sensualidade. É esta a voz que a tem permitido afirmar-se também como cantora, afinal de contas uma outra forma de agarrar os palcos e contar histórias às pessoas. Como cantora, Maria de Medeiros editou já três álbuns – A Little More Blue, Penínsulas e Continentes e ainda Pássaros Eternos – numa discografia iniciada em 2007 e que conta ainda com colaborações em trabalhos de outros autores, como o celebrado Femina de Legendary Tigerman.

Foi no teatro que Maria de Medeiros começou a cantar e nesta sua actividade artística “paralela” não tem parado de viajar por todo o mundo, recolhendo aplausos em muitos países, do Brasil a Angola, dos Estados Unidos a Espanha, Itália e, claro, França, país onde estudou e primeiramente se afirmou como actriz.

Depois de chegar a França para estudar aos 18 anos, Maria de Medeiros construiu um invejável currículo académico, tendo estudado nas melhores escolas com os melhores tutores. Começou por se afirmar no teatro, mas fez muito cinema, em França, em Portugal e até em Hollywood, onde foi estrela em filmes como Pulp Fiction de Quentin Tarantino ou Henry & June de Philip Kaufman. Mas além de brilhar em frente das câmaras, Maria de Medeiros afirmou também a sua visão pessoal em filmes de que assinou a realização, como o importante Capitães de Abril. Em todas estas condições – actriz no teatro e cinema, realizadora, cantora – Maria conseguiu obter os favores do público e da crítica e coleccionar importantes distinções, entre Globos de Ouro ou a Coppa Volpi do Festival de Veneza.