AVISHAI COHEN


Avishai Cohen é uma das maiores referências contemporâneas no contrabaixo de jazz. O músico, compositor e vocalista israelita chegou a Nova Iorque – o centro do universo jazz – no arranque dos anos 90 e, enquanto estudava na prestigiada New School for Jazz and Contemporary Music tocou na rua para sobreviver até conseguir entrar no disputado circuito de clubes. A mudança na carreira chegou com um telefonema do grande pianista Chick Corea: em 1996, Cohen foi um dos fundadores do colectivo Origin, liderado por Corea. Foi aliás na etiqueta Stretch, do próprio Chick Corea, que Avishai Cohen lançou os seus primeiros quatro registos como líder. Avishai manteve-se nos projectos de Corea até 2003, quando decidiu começar o seu próprio trio e a sua editora, a Razdaz Recordz, operação que já soma praticamente duas dezenas de lançamentos, incluindo vários do própio Avishai Cohen.

From Darkness é o mais recente título na discografia do trio de Avishai Cohen, trabalho apontado como mais um extraordinário capítulo na sua busca pela pureza. Mas em 2017 o artista lançou em nome próprio 1970, trabalho que mereceu igualmente rasgados elogios por parte da imprensa internacional especializada. Não é de espantar por isso mesmo que o The Jerusalem Post descreva Avishai Cohen como “a mais bem sucedida exportação jazz do país”, o que vai ao encontro do que a revista de referência Down Beat refere em relação ao músico: “um visionário jazz de proporções globais”. Já o seu antigo “patrão”, Chick Corea, aponta-o como “um grande compositor” e “um músico de génio”. Marcas de peso que o cantor e contrabaixista carrega consigo para o palco com um trio que o Guardian sublinha ser “fabulosamente realizado”.

Kamasi Washington

The Epic Cover-high resKamasi Washington é um fenómeno. É uma raridade. The Epic, o álbum que lançou o ano passado, recolheu elogios de toda a imprensa – da Pitchfork ao New York Times – e posicionou-se destacado nas listas de melhores registos do ano em todo o lado. Foi o melhor disco de jazz de 2015 para o The Guardian, Rolling Stone ou Blitz, por exemplo.

Mas nada em Kamasi Washington parece seguir as regras: conduz um grupo de tamanho considerável numa era que já não se compadece muito com a generosidade das visões, edita numa label de hip hop, pertença de Flying Lotus, sobrinho neto de Alice Coltrane e um dos mais respeitados produtores do presente, toca em álbuns de rap – como o enorme To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar, grande vencedor dos Grammys deste ano – em festivais jazz de referência como em eventos de música pop alternativa. Não há outro saxofonista assim e já é, muito justamente, apontado como herdeiro dos grandes.

Sobre ele, Rui Miguel Abreu escreveu na Blitz palavras compreensivelmente elogiosas. “The Epic” é um objecto inesperado: não capitaliza nas suas credenciais hip hop e parece muito mais interessado em elevar-se aos céus e, por meio de uma ambiciosa paleta orquestral, praticamente pegar no jazz onde John Coltrane o deixou. The Epic é um dos factos do ano jazz, sem a menor sombra de dúvida, um disco que vai precisar de tempo para ser digerido (são mais de três horas de música) porque é, coisa rara nos dias que correm, um disco ambicioso – na sua forma dilatada, na generosa lista de músicos que emprega – orquestra de 32 músicos, coro de 20 elementos! – e na paleta estética que pretende cobrir. Como se o saxofonista Kamasi Washington tivesse uma missão: mostrar o jazz, livre, cósmico, espiritual, a uma nova geração habituada a ouvi-lo como suporte de palavras ou tempero de grooves”.

Macy Gray

 MacyGray_promo1_(credit Giuliano Bekor)Vozes como as de Macy Gray surgem muito raramente e normalmente marcam gerações, pelo poder que carregam, pelo carácter distinto que apresentam. A de Macy, que já inspirou cinco nomeações para Grammys e atraiu efusivos aplausos de público, imprensa e pares, já foi comparada a Billie Holiday, mas na verdade é um património singular, precioso e raro que já se espraiou por seis álbuns que são do melhor que a soul e o R&B deste tempo ofereceram ao mundo.

Macy trará não só uma longa tradição de música negra, como a sua bagagem pessoal que arrancou em 1999 com o álbum On How Life Is e se estende até ao novíssimo Stripped, um disco que mereceu os mais rasgados elogios do site de referência All About Jazz por numa época de alta tecnologia regressar à essência: um palco, uma voz cheia de alma, canções perfeitas. O paraíso pode estar mais perto do que por vezes se pensa…