HAUSCHKA

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Volker Bertelmann responde pelo nome de Hauschka, uma identidade com que se tem afirmado como um dos mais entusiasmantes pianistas contemporâneos através da sua abordagem a um tempo profundamente emocional e também intransigentemente experimental ao instrumento. Hauschka virá a Portugal apresentar What If, novo e aclamado álbum lançado pela prestigiada City Slang.

A inspiração para sua arte, afirma o próprio Hauschka, vem de uma longa linhagem de criadores singulares, de John Cage a Aphex Twin. E isso resulta não só em trabalhos que recolhem os mais sentidos elogios e aplausos, mas também, e talvez sobretudo, em concertos intensos em que Hauschka leva ao limite as possibilidades tímbricas e texturais do seu instrumento. Os elogios chegam depois de todo o lado: a Rolling Stone comparou-o a Satie, a Mojo usou palavras como “espantoso” e “triunfal” para tentar medir o seu som e a Uncut juntou-se ao coro descrevendo o seu trabalho como “uma experiência avassaladora”. Trata-se, obviamente, de um concerto absolutamente imperdível que parte de novas peças que são descritas como “assombrosas”, “misteriosas” e “complexas” e que resultam num disco diferente, em que o pianista mantém a sua ultra-criativa abordagem ao piano, usando a tecnologia para desconstruir as possibilidades oferecidas pelo centenário instrumento. Imperdível, mesmo.

FEDERICO ALBANESE

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Federico Albanese é um compositor italiano, nascido em 1982. A sua versatilidade musical é uma dádiva que o leva a explorar a música em todas as suas facetas. As composições de Albanese são arejadas e cinematográficas, misturando clássico, pop e psicadélica. Estudou piano e clarinete em criança, antes de se tornar um fascinado pela música rock. Tendo mesmo atuado em várias bandas. As suas habilidades como compositor tiveram ainda a influência da musica eletrónica, folk e clássico contemporâneo.

JAMES RHODES

355Z1861_JR@RichardAnsettPhoto: Richard Ansett

O britânico James Rhodes é um dos mais singulares casos de sucesso no exclusivo universo da música erudita e isto porque nada nele se encaixa na ideia tradicional de um pianista clássico. Rhodes não teve uma educação formal até aos 14 anos, apesar de se ter apaixonado pelo Emperor’s Concerto de Bethoven logo aos 7 anos e de se ter então aproximado do instrumento. Aos 18, Rhodes abandonou os estudos e durante mais de uma década não tocou piano.

O músico, que sofreu abusos sexuais de um professor quando ainda era criança, teve que lutar com severos problemas mentais e emocionais durante muito tempo. Mas depois de se reencontrar com o piano, James Rhodes fez o seu primeiro recital público em 2008 e logo a seguir assinou contrato com a Warner Bros. Os cinco álbuns que editou entretanto tornaram-se casos sérios de sucesso, impondo o seu nome na primeira linha da cena internacional de música erudita.

Rhodes, no entanto, é muito mais do que um mero pianista: é um verdadeiro activista cultural em Inglaterra, com vários programas televisivos de sucesso na BBC ou na Sky e Channel 4, incluindo Don’t Stop The Music, a base de uma campanha de angariação de instrumentos para as as escolas primárias públicas. A voz de Rhodes faz ainda ouvir-se na rádio e nos principais jornais britânicos, como o Guardian.

A reveladora biografia do pianista, Instrumental, só foi publicada depois de um tribunal o ter autorizado, já que a ex-mulher de Rhodes acreditava que a sua turbulenta história pudesse prejudicar os filhos. Esta biografia foi editada em Portugal no dia 4 de Outubro deste ano pela Alfaguara.

James Rhodes colecciona milhões de views e plays nas plataformas de streaming, enche as principais salas de concertos do mundo e merece os títulos de fenómeno e sobrevivente. Não há outro artista assim.

Chassol

IMG_7465_1(C)Flavien Prioreau

Pianista, compositor, arranjador e director musical de nomes como Phoenix ou Sebastien Tellier, o carismático e talentoso Christophe Chassol assinou uma peça artística que desafia as classificações. As suas composições articulam vozes, música, sons e imagens em novos objectos audiovisuais.

O resultado tem um nome: “ultrascore”.

Quem é Chassol?

Nascido em 1976, Chassol descobriu a música aos quatro anos. Filho de um saxofonista amador, este miúdo negro ingressou no Conservatório como outros vão para a tropa. Passou lá 16 anos, começando por aprender harmonia, escalas e melodia como base essencial para o que se seguiria.

Traumatizado ainda jovem pela banda sonora do file A Torre do Inferno, o pequeno Chassol percebeu rapidamente que não editaria o seu primeiro álbum aos 20 anos. De facto, não aconteceu. A sua ambição inicial era escrever para o cinema, unindo som e imagem para produzir música para filmes de grande elegância na tradição de Jerry Goldsmith, Michel Magne ou Quincy Jones, entre outros. Em meados dos anos 90, Chassol praticamente desapareceu. Mergulhou no pouco iluminado mundo as produtoras de cinema e durante 15 anos compôs para o grande ecrã, para televisão e para publicidade.

Entre a produção de jingles para publicidade, Chassol encontrou tempo para se tornar maestro entre 1994 e 2002 e depois descobriu o mundo da música pop quando acompanhou Sebastien Tellier e os Phoenix em Politics (2004), trabalho para o qual o jovem sósia de Jean-Michel Basquiat criou a maior parte dos arranjos.

Uma das consequências destas trocas musicais, é a dualidade que criam entre a vanguarda e a ambição pessoal. Discípul, este parisiense gosta de se afastar distanciar dos caminhos mais expectáveis como se pode ver em:

Nola Chérie

Nola Chérie, o seu primeiro filme, foi uma encomenda do Museu de Arte Contemporânea de Nova Orleans que pretendia fazer um filme sobre a capital da música ao vivo. Foi aí que filmou e gravou sons e músicas: escolas em parada, músicos amadores e profissionais, poetas… Uma ode à cidade que se transformou, como ele diz, numa «fanfharmonização» …

Indiamore

Os primeiros encontros de Chassol com a música indiana datam da sua adolescência quando, graças a John McLaughlin e à sua banda Shakti, ele pode ouvir ragas, estruturas rítmicas e instrumentos indianos misturados com jazz. Depois vieram Ravi Shankar, Hariprasad Chaurasia e a música de devoção.

Mais recentemente, os documentários de Louis Malle (Phantom India) e de Johan van der Keuken (The Eye Above The Well) impressionaram-no profundamente e, depois de ter harmonizado Nova Orleães em Nola Chérie, a tentativa de harmonizar a vida, os sons, motivos, ruídos e o tráfego do norte da Índia cresceu naturalmente dentro dele.

Em Calcutá e Varanasi, a cidade mais antiga da Índia, ele filmou tocadores de sitar, percussionistas, cantores, os miúdos,o Ganges, a cidade e o aparente caos do tráfego.

Indiamore estende-se por quatro movimentos, uma suite harmónica do mesmo tom de acordes pop reais e quentes que casam a música modal indiana, habitualmente sobre  uma linha de baixo continua tocada pela tampura. Ao repetir estas imagens, ao tratar o seu som como material musical e ao harmonizar as vozes dos actores com as suas próprias obsessões harmónicas, ele consegue transformar uma abordagem documental num puro trabalho musical.

Big Sun

«Depois da índia e do Criolo de Nova Orleães, a minha antiviagem musical terminará nas Índias Ocidentais que estão no âmago do que eu quero expressar, o mais íntimo que é também o mais universal. Tal como nas minhas peças prévias Nola Chérie ou Indiamore, eu filmei e gravei ruídos, sons e música para criar o que eu descrevo como um Ultrascore. Fui à Martinica capturar elementos da identidade musical da ilha, filmei carnavais, paradas, bandas, procissões e desfiles militares, linguagem, Criolo, sotaques, ambientes nocturnos, o som da chuva, pássaros a cantarem, os sistemas de som, as comunidades rastafari, músicos e cantores, percussão, missas e contadores de histórias, concertos de mar e de ondas”.

Peter Broderick

Peter Broderick - press photo by Joshua Rain_01_landscape_PRINTMembro dos aplaudidos Efterklang e dono de uma carreira a solo de referência no universo da mais avançada música contemporânea, Peter Broderick, músico, compositor, cantor, é um dos mais reverenciados artistas da actualidade no seu campo.

“Partners”, o seu mais recente álbum editado em 2017 pela Erased Tapes,  uma colecção de canções que nasceu de uma paixão de Peter Broderick pela obra de um dos mais importantes e celebrados compositores do século XX., John Cage, e a peça “In A Landscape” foram os catalisadores para uma reaproximação de Broderick ao piano e essa influência marcou a abordagem a “Partners”, um conjunto de canções moldadas pelo acaso dos dados.

Peter, como John Cage, foi insuflando acaso e imprevisibilidade nas suas canções deixando decisões de direcção artística à responsabilidade de um rodar de dados. O resultado é uma apaixonante obra para piano e voz.

LUDOVICO EINAUDI

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Os últimos anos foram triunfais para Ludovico Einaudi, com uma carreira cada vez mais solidificada em todo o mundo onde a sua música esgota salas, angaria aplausos e elogios da imprensa.

Em 2010 gravou no Royal Albert Hall, tendo o concerto sido editado num CD duplo + DVD documentando assim o seu impressionante triunfo em terras de Sua Majestade.

Em 2012, recolheu justos aplausos pela utilização da sua música no filme The Untouchables (Amigos Improváveis), sucesso de bilheteira e de crítica que confirma a vocação extrema que a música do compositor italiano revela para os ecrãs.

Ainda em 2012 e enquanto crescia em Londres o fervor pelos Jogos Olímpicos, Einaudi viu outra das suas composições ser usada numa feliz campanha da Procter & Gamble que mostra as mães que existem por trás de todos os grandes atletas.

O tema Nuvole Bianche fez parte da banda sonora da série de televisão Derek (2012), realizada e protagonizada por Ricky Gervais. Clint Eastwood também escolheu um dos seus temas para o filme J. Edgar.

Paralelamente, a música  que lançou em Nightbook, o seu álbum anterior,  foi usada num documentário do prestigiado Channel 4 e Casey Affleck escolheu as suas composições para a banda sonora de I’m Still Here.

Incansável, Ludovico tem embarcado em digressões diversificadas, o que é um atestado claro à amplitude da sua obra: já tocou com o mestre da kora do Mali Ballaké Sissoko, por exemplo, ou, mais recentemente, com os aclamados post-rockers To Rococo Rot. Todos lhe reconhecem um poder extremamente emotivo, um tocar que traduz em notas a calma e a contemplação. Talvez seja essa, avançam alguns críticos musicais internacionais, a  explicação para o facto da sua música dizer tanto a tanta gente nos agitados dias que correm.

Os seus espectáculos – que têm passado por algumas das mais exigentes salas de todo o mundo – são arrebatadores na forma como as melodias se ligam a estados de alma muito profundos.

Depois das últimas e triunfantes apresentações em que esgotou algumas das mais importantes salas de espectáculos do país como a Casa da Música, o CCB e os Coliseus de Lisboa e Porto, Ludovico Einaudi regressa agora em para apresentar o novo trabalho  Elements, que tem, justificadamente, merecido os mais rasgados elogios da imprensa internacional.

Elements, de acordo com o próprio Ludovico Einaudi, resulta “de um desejo de recomeço, de seguir um diferente percurso de consciência”. Ou seja, em palco, estará um renovado artista cuja música há muito que conquista um mais do que merecido reconhecimento internacional: Einaudi é o artista do universo da clássica que contabiliza mais streams no Reino Unido, o que diz muito do seu estatuto, e aquele que tem encabeçado as tabelas de vendas de música erudita tanto em Inglaterra como em Itália, com vendas que já se aproximam dos dois milhões de cópias.

Gravado no campo, em Langhe, em Itália, o novo disco de Ludovico Einaudi é, de acordo com o próprio artista, “uma experiência única, acompanhada pelos ritmos pulsantes de uma primavera explosiva”.

Michael Nyman

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Michael Nyman é uma das mais incontornáveis referências da música contemporânea, compositor de excepção com uma obra vasta e reconhecida. A íntima relação que possui com o piano manifestou-se várias vezes ao longo da sua discografia e também na sua celebrada banda sonora para o filme de Jane Campion “O Piano”. Nyman assinou também bandas sonoras para filmes de Peter Greenaway e é autor de várias óperas, incluíndo “Facing Goya”  ou “Sparkie: Cage and Beyond”. Cidadão britânico, Michael Nyman já foi distinguido com uma condecoração pela Casa Real, possui no seu currículo prémios notórios como o Ivor Novello e o Golden Globe e, entre variadíssimos outros momentos altos de uma irrepreensível carreira, foi escolhido para tocar em Kyoto em 2007 como parte do evento Live Earth.

WIM MERTENS

Wim Mertens ┬® Usura Leve

A música de Wim Mertens alimenta os mais fervorosos e por vezes até imprevisíveis cultos: Raymond Benson, um dos escritores responsáveis pelas continuadas sagas de James Bond, inclui uma referência à música do compositor belga na aventura do agente secreto britânico que levou o título de High Time To Kill, em 1999. O que faz pleno sentido, afinal de contas, mistério é o que não falta nas composições deste prolífico artista que já lançou mais de 60 títulos desde que se estreou em disco em 1980.

Mertens já compôs para cinema, teatro e até para passagens de moda da prestigiada casa Dior. E tem uma carreira recheada de prémios e distinções, tendo inclusivamente sido nomeado para Embaixador Cultural da Flandres.

Ólafur Arnalds

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Ólafur Arnalds é, muito mais do que uma promessa, uma certeza absoluta da cena internacional que cruza uma abordagem moderna à música clássica, electrónica e pop num todo absolutamente harmonioso que entusiasma audiências internacionais. Entende-se assim a aplaudida colaboração ao vivo com Rodrigo Leão cuja carreira apresenta muitos pontos de contacto com a de Ólafur. Tal como o celebrado compositor português, Ólafur também tem um passado ligado ao rock. No seu caso particular ao Heavy Metal. Foi baterista nalguns projectos do género, mas o seu expressivo talento na área da electrónica levou-o a explorar outras paisagens sonoras. Fez digressões com os compatriotas Sigur Rós e foi trabalhando nos seus próprios discos construindo a pulso uma audiência internacional nos últimos anos. Esses crescentes aplausos valeram-lhe não só contrato com a multinacional Universal, que editou um dos seus últimos trabalhos, o premiado For Now I Am Winter, como alguns convites para trabalhar em Hollywood no domínio das bandas sonoras: assinou o score de Another Happy Day e tem composições incluídas no mega sucesso Hunger Games, o que diz muito do alcance da sua particularíssima visão musical. Ólafur Arnalds assinou igualmente a banda sonora da primeira temporada da série televisiva Broadchurch produzida pela sempre excelente BBC. Esse trabalho valeu-lhe um cobiçado BAFTA e o convite para repetir a dose na segunda temporada da série. É por tudo isso que a sua prestação ao vivo – mágica, intensa, misteriosa, mística – é totalmente imperdível.

RUI MASSENA

_DSC8418_FOTO_OFICIAL bilheteira uguruÉ certamente esse o caso de Rui Massena, conhecida figura do panorama cultural nacional que ajudou a transformar Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura num estrondoso caso de sucesso. Ligado como programador a Guimarães 2012, Rui Massena deixou sementes para o futuro com a Fundação Orquestra Estúdio, uma instituição singular, que conseguiu um tremendo êxito de bilheteira e onde se combinam talentos de mais de duas dezenas de nacionalidades. E aí é possível ver marcas do génio único de Rui Massena: um maestro não se limita a dirigir as diferentes secções da orquestra, mas tem que saber harmonizar diferentes posturas, culturas, linguagens.

Essa visão tem distinguido o trabalho do maestro Rui Massena. Fora de portas, foi maestro convidado principal da Orquestra Sinfónica de Roma, durante as temporadas 2009/2011. Pode atribuir-se-lhe também a proeza de te sido o primeiro Maestro Português a dirigir no Carnegie Hall em Nova Iorque (2007). Dois exemplos da sua capacidade de extravasar as nossas fronteiras. Por cá, embarcou de corpo e alma na aventura Expensive Soul Symphonic Experience, um espectáculo onde uma orquestra clássica encontrou espaço ao lado do moderno hip hop dos nortenhos Expensive Soul e que rendeu um DVD de sucesso (o mais vendido em Portugal em 2012). Não faltam troféus a Rui Massena, aliás: a Academia de Artes e Ciências Brasil atribui-lhe em 2013 a Medalha de Mérito Cultural, tal como a sua cidade natal, Vila Nova de Gaia, que lhe entregou a Medalha de Ouro de Mérito Cultural e Científico. Já o festival Rose d’Or, em Berlim, em 2014, fez da sua série televisiva, “Música Maestro”, finalista na categoria de Artes, reconhecendo assim o seu enorme valor cultural.

Estes prémios e distinções reconhecem, afinal de contas, um percurso rico, de total entrega à causa da música, um percurso que o viu a abraçar grandes causas e desafios – foi Director Artístico e Maestro Titular da Orquestra Clássica da Madeira entre 2000 e 2012 – e que lhe permitiu trabalhar com nomes tão sonantes como os de Guy Braustein, José Carreras, Ute Lemper, Wim Mertens, Ivan Lins, José Cura ou Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Depois de Solo, trabalho discográfico que Rui Massena transportou para o palco com assinalável sucesso e conquistando o aplauso de milhares de pessoas, eis que o maestro lança o seu segundo álbum. Ensemble foi editado a 15 de Abril e leva o seu piano para outros mundos através de uma colaboração com a Czech National Symphonic Orchestra. Este álbum teve entrada directa para #1 no top de vendas nacional, um feito raro para este género musical.

Neste Ensemble, Rui Massena mantém a “tranquilidade” que já caracterizava o seu primeiro disco de originais mas agora dá-lhe toda uma envolvência orquestral, que traz também uma nova luz às composições do pianista e maestro.

“Abraço, Estrada, Alento, Liberdade, Dúvida, Borboleta, Amanhecer, Meditação, e o Renascer, são algumas das emoções traduzidas em sons”, descreve o músico. As novas composições assinadas por Massena são muito inspiradas pelo espírito que se vive em Sintra, local onde estas foram compostas e maioritariamente gravadas.