NITIN SAWHNEY

Photographed in Brixton, London 7th June 2017

Nitin Sawhney que regressará a Portugal, mais de 10 anos depois da sua última apresentação, para revisitar um dos maiores clássicos da modernidade britânica, Beyond Skin, obra prima de que em 2019 se assinala o vigésimo aniversário. Aplaudido como um dos mais notáveis compositores britânicos, condecorado pela coroa e distinguido com regularidade pela crítica, Sawhney tem composto muito para o ecrã – é dele, por exemplo, a banda sonora de Mowgli, produção recente com marca Netflix. Neste concerto revisitará um dos mais amados encontros entre a música indiana e a eletrónica, um álbum que marcou uma época e que se prendeu ao futuro, continuando a ser referência até aos dias de hoje.

CHASSOL

IMG_7465_1(C)Flavien Prioreau

Pianista, compositor, arranjador e director musical de nomes como Phoenix ou Sebastien Tellier, o carismático e talentoso Christophe Chassol assinou uma peça artística que desafia as classificações. As suas composições articulam vozes, música, sons e imagens em novos objectos audiovisuais.

O resultado tem um nome: “ultrascore”.

Quem é Chassol?

Nascido em 1976, Chassol descobriu a música aos quatro anos. Filho de um saxofonista amador, este miúdo negro ingressou no Conservatório como outros vão para a tropa. Passou lá 16 anos, começando por aprender harmonia, escalas e melodia como base essencial para o que se seguiria.

Traumatizado ainda jovem pela banda sonora do file A Torre do Inferno, o pequeno Chassol percebeu rapidamente que não editaria o seu primeiro álbum aos 20 anos. De facto, não aconteceu. A sua ambição inicial era escrever para o cinema, unindo som e imagem para produzir música para filmes de grande elegância na tradição de Jerry Goldsmith, Michel Magne ou Quincy Jones, entre outros. Em meados dos anos 90, Chassol praticamente desapareceu. Mergulhou no pouco iluminado mundo as produtoras de cinema e durante 15 anos compôs para o grande ecrã, para televisão e para publicidade.

Entre a produção de jingles para publicidade, Chassol encontrou tempo para se tornar maestro entre 1994 e 2002 e depois descobriu o mundo da música pop quando acompanhou Sebastien Tellier e os Phoenix em Politics (2004), trabalho para o qual o jovem sósia de Jean-Michel Basquiat criou a maior parte dos arranjos.

Uma das consequências destas trocas musicais, é a dualidade que criam entre a vanguarda e a ambição pessoal. Discípul, este parisiense gosta de se afastar distanciar dos caminhos mais expectáveis como se pode ver em:

Nola Chérie

Nola Chérie, o seu primeiro filme, foi uma encomenda do Museu de Arte Contemporânea de Nova Orleans que pretendia fazer um filme sobre a capital da música ao vivo. Foi aí que filmou e gravou sons e músicas: escolas em parada, músicos amadores e profissionais, poetas… Uma ode à cidade que se transformou, como ele diz, numa «fanfharmonização» …

Indiamore

Os primeiros encontros de Chassol com a música indiana datam da sua adolescência quando, graças a John McLaughlin e à sua banda Shakti, ele pode ouvir ragas, estruturas rítmicas e instrumentos indianos misturados com jazz. Depois vieram Ravi Shankar, Hariprasad Chaurasia e a música de devoção.

Mais recentemente, os documentários de Louis Malle (Phantom India) e de Johan van der Keuken (The Eye Above The Well) impressionaram-no profundamente e, depois de ter harmonizado Nova Orleães em Nola Chérie, a tentativa de harmonizar a vida, os sons, motivos, ruídos e o tráfego do norte da Índia cresceu naturalmente dentro dele.

Em Calcutá e Varanasi, a cidade mais antiga da Índia, ele filmou tocadores de sitar, percussionistas, cantores, os miúdos,o Ganges, a cidade e o aparente caos do tráfego.

Indiamore estende-se por quatro movimentos, uma suite harmónica do mesmo tom de acordes pop reais e quentes que casam a música modal indiana, habitualmente sobre  uma linha de baixo continua tocada pela tampura. Ao repetir estas imagens, ao tratar o seu som como material musical e ao harmonizar as vozes dos actores com as suas próprias obsessões harmónicas, ele consegue transformar uma abordagem documental num puro trabalho musical.

Big Sun

«Depois da índia e do Criolo de Nova Orleães, a minha antiviagem musical terminará nas Índias Ocidentais que estão no âmago do que eu quero expressar, o mais íntimo que é também o mais universal. Tal como nas minhas peças prévias Nola Chérie ou Indiamore, eu filmei e gravei ruídos, sons e música para criar o que eu descrevo como um Ultrascore. Fui à Martinica capturar elementos da identidade musical da ilha, filmei carnavais, paradas, bandas, procissões e desfiles militares, linguagem, Criolo, sotaques, ambientes nocturnos, o som da chuva, pássaros a cantarem, os sistemas de som, as comunidades rastafari, músicos e cantores, percussão, missas e contadores de histórias, concertos de mar e de ondas”.