ESCALANDRUM

Em 1999, Daniel “Pipi” Piazzolla cria o grupo de jazz, Escalandrum. O nome do grupo surge na mistura de “Escalandrún” (uma espécie de tubarão que “Pipi” pescou com o seu pai – uma atividade familiar iniciada pelo seu avô, Astor Piazolla), e “drum” (de bateria). A banda conta com 20 anos de carreira, tendo editado onze albuns de originais, assim como espetaculos em mais de 40 países.

Em 2007, o grupo partilha o palco com Enrico Rava, Dave Holland e John Scotfield, depois de terem sido destacados, pela Fundación Konex, entre as 100 figuras mais influentes da musica popular Argentina.

Piazzolla Play’s Piazzolla, é editado em 2011, disco único que une o Jazz ao Tango de uma forma muito fluída. Este trabalho foi oficialmente apresentado no Teatro Gran Rex, em Buenos Aires, para 3000 pessoas. Tendo a participação especial de Paquito D’Rivera.
Em 2012, para além de uma nomeação aos Latin Grammy Awards (Melhor Album Instrumental), nos Prémios Gardel (os galardões mais importantes de música, na Argentina), ganharam 3 prémios, para “Melhor álbum de Jazz”, “Melhor álbum do Ano” e o aclamado “Gardel de Ouro”. Mais tarde, em 2015, venceram mais duas nomeações, nos Prémios Gardel. Desta vez com o mais recente album “Las Quatro Estaciones Portefias (Proyeto Elétrico), de 2014”.

O seu ultimo trabalho de 2018, “STUDIO 2”, tido sido gravado num dos mais miticos estudios de sempre, o ABBEY ROAD, em Londres, garantiu os prémios “Gravação do Ano”, “Engenharia de Gravação do Ano” e ainda “Melhor Álbum do Ano”, nos P´remios Gardel.
Este foi um dos melhores momentos da banda e, o resultado de muito trabalho, que os levou a tocar pela primeira vez em dois dos festivais mais importantes na América Latina, o Lollapalooza Argentina 2019 e a Virada Cultural São Paulo 2019, o maior evento cultural da cidade.

MELINGO

Ao vivo, Melingo, voz marcada pela vida, é um portento de alma e emoção, que consegue incorporar o lado maldito do rock de Nick Cave e da chanson de Serge Gainsbourg na criação elevada por Gardel até à condição de banda sonora por excelência das vielas de Buenos Aires. Em Paris, Melingo ainda aprendeu algo do cabaret que faz com que a sua música soe melhor com luzes baixas e um copo na mesa em frente a nós. As suas canções pegam no tango e retorcem-no, sem nunca o descaracterizar. Melingo soa perfeito por cima de bandoneon e baixo, por cima de trombone ou guitarra. Ao vivo, é um actor possuído que vive as histórias negras de que falam as canções. No britânico Guardian afirmou-se que «a extravagante teatralidade dos seus concertos irá conduzir Melingo ao sucesso internacional.» Sem dúvida.

A editora Mañana foi criada por Eduardo Makaroff dos Gotan Project para explorar a nova vitalidade do tango e a sua primeira aposta recaiu, precisamente, sobre Daniel Melingo. Melingo, como já se escreveu, é o seu próprio mito: foi estrela dos palcos rock alternativos da Argentina na década de 80, ajudou a inventar a movida de Madrid, e estudou todos os mestres, de Gainsbourg a Nick Cave, de Tom Waits à lenda do tango El Polaco. Em 2005 Melingo editou o aplaudido «Santa Milonga» e imediatamente estabeleceu uma imagem reinventada, já longe do rock, embora ainda perfeitamente rebelde. Com o segundo álbum, «Maldito Tango», a transformação completou-se e Melingo surgiu como uma alma danada, fugida das imagens clássicas do tango para pegar no legado de Gardel e reinventá-lo, com teatro, com alma, com estilo. A propósito de uma passagem sua pelo Royal Festival Hall, em Londres, escreveu-se no Guardian que Melingo tem em «Maldito Tango» um excelente álbum, mas que ainda assim não nos prepara para a pura electricidade da sua performance.

Melingo já passou por Portugal algumas vezes, quer para concertos em nome próprio, quer para colaborar em concertos de Rodrigo Leão com quem colabora no álbum “A Mãe” com o tema “No Sè Nada”.

Regressou há pouco com o álbum “Anda”, apresentado como um delírio saído de uma novela de Borges, em que Melingo surge como uma espécie de ilusionista. Este trabalho é também descrito como um filme de Fellini que se vê de olhos fechados e ouvidos bem abertos. Referências mais do que certeiras que posicionam o novo trabalho de Melingo entre o realismo e a fantasia, feito de palavras e imagens fortes e de uma música absolutamente singular onde ao tango se juntam referências de Serge Gainsbourg a Erik Satie. Sinal claro dse que o universo deste incrível criador argentino continua em expansão e cada vez mais refinado.