NOPO ORCHESTRA

O termo World Music parece ter sido criado exatamente para descrever encontros como este. Mais do que um cruzamento entre a Noruega e Portugal, este concerto apresentará um misto de ideias criativas que se apoiam nas tradições portuguesa e nórdica. Os mestres Seglem e Kyao trabalharam juntos há cerca de 10 anos. Agora é tempo de uma re-união acompanhar o sucesso da fusão de “paisagens” musicais e humanas, criar novas viagens e também juntar-se a músicos mais jovens de ambos os países. Esta colaboração musical já cresceu há anos – e sons emocionantes da música são realizados e serão agora desenvolvidos.

A MÚSICA
Podemos esperar um intenso grau de comunicação, entre Karl, Rão e Francisco – e também entre esta nova banda. É evidente que procuram uma nova inspiração e desenvolvem tradições. É também uma colaboração musical entre gerações que fazem novos sons juntos. E a música é uma forma de contar histórias e descrever o mundo, meditar e viajar. O facto de as críticas de concertos tanto de Karl Seglem como de Rão Kyao mencionarem sempre um elemento místico permite-nos prever que nesta música haverá muitos momentos mágicos. Karl promete um concerto repleto de “espaços e surpresas, melodias fortes, improvisações imaginativas e com algo que pensa que a Noruega e Portugal também têm em comum: A melancolia/Saudade”.

A banda tocará música de Karl Seglem, Rão Kyao e Francisco Sales e adicionará algum reportório tradicionais de ambos os países. Depois da estreia e da digressão, gravarão música no início de 2022.

KARL SEGLEM
Karl Seglem é um dos mais conceituados músicos, compositores e poetas da Noruega. É um talentoso tenor saxofonista, e há mais de 20 anos que toca diferentes chifres de cabra. Um instrumento de uma tradição milenar, um som do passado. A sua música tem um amplo espectro estético que vai da mais séria tradição popular aos sons de forma livre mais empenhados. E como Rão, Seglem é um grande “viajante”, sinal de que também está a olhar para além das tradições especiais norueguesas de violino com que tem trabalhado, para expandir a sua música. Seglem é obviamente um músico que procura novas experiências e que acredita no poder universal da comunicação que a música proporciona: “pode pensar nisto como um cliché, mas também é verdade”.

RÃO KYAO
Rão Kyao é uma lenda, um ícone, e ainda um dos músicos mais respeitados em Portugal. Trouxe a flauta de madeira para fado e tradições folclóricas e é um dos maiores flautistas do mundo. A sua ideia de Portugal baseia-se numa sensibilidade mediterrânica que lhe permite olhar para a identidade luso como resultado de um longo processo de intercâmbios culturais e históricos. A sua música reivindica a influência das planícies do Alentejo e das praias do oriente. E isto acontece em mais de 3 décadas, de intenso trabalho com música. Tudo isto é colorido espelhado nos muitos lançamentos de Rão desde o seu enorme sucesso no início dos anos 1980

FRANCISCO SALES
Francisco Sales gosta de aventura – Autor de dois álbuns amplamente aclamados por conhecedores: Valediction e Miles Away, o guitarrista está neste momento a preparar o seu terceiro disco a solo – um projeto que diz estar a ajudá-lo a revendir a sua arte. “Sinto que estou a tentar encontrar-me outra vez, mas de uma forma diferente… O que criamos sai das nossas experiências, e é isso que me atrai na arte.” O jazz é a sua língua – que encontrou nas jam sessions que descobriu no ESMAE do Porto, e depois foi mais longe na Faculdade de Música de Lisboa, onde se formou. E depois decidiu pôr em prática o que leu em todos os livros e aprendeu com os seus professores, foi para Londres. Francisco tem tocado com uma elite de músicos sofisticados que manifestaram a sua criatividade nas áreas do jazz, soul, eletrónica e funk. “Regressei a Portugal em 2017 e vivo aqui desde então”, diz Francisco. “É o país onde a inspiração vem mais naturalmente, onde eu gosto de desfrutar da vida, onde sempre fui o mais seguro e o mais feliz. Ainda jogo com incógnitos por todo o mundo, mas vivo em Portugal. A guitarra de Francisco Sales é um instrumento que o leva onde quer que a sua imaginação conduza.

Delfina Cheb

Aos 18 anos de idade, Delfina Cheb ganhou uma bolsa para concluir o seu duplo diploma em Composição de jazz e performance vocal no prestigiado Berklee College Of Music. Lá, explorou a música folclórica de diferentes partes do mundo, bem como o jazz. Delfina estudou e participou em várias masterclasses com grandes músicos como Kenny Werner, Francisco Mela, Luciana Souza, Kurt Elling, Dominique Eade e Toninho Horta. Neste momento está a terminar o mestrado em Improvisação Contemporânea liderada no prestigiado New England Conservatory e acaba de lançar o seu primeiro álbum com o produtor, bastante aclamado, Javier Limón, com o selo da Casa Limón.

“Doce milongas de amor y un tango desesperado”, já está disponível em todas as plataformas digitais.

MARIA DE MEDEIROS & THE LEGENDARY TIGERMAN -TOUR 24 MILA BACI

 

MARIA DE MEDEIROS & THE LEGENDARY TIGERMAN
24 Mila Baci

Cinema é música, não achas?
E música é cinema. Quando eu era criança, o meu pai contava histórias sobre sinfonias.
Enquanto a música majestosa se expandia, vinham imagens e mais imagens. O arrepio e a emoção na garganta.
Como vês a música, tu?
Ouço o silêncio. Sim, há música no silêncio.
A música das esferas diz William Shakespeare. O estrondo do universo, diz a Nasa.
The universe rocks and rolls.
E o que vês agora? Vejo a imagem gráfica, a preto e branco, o fumo do cigarro na boquilha da Marlene Dietrich. Ich bin von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt.
Canta, da cabeça aos pés, e desliza o seu olhar pelo mundo.
É isso, olhar para o mundo. Um mundo triste e bonito.
Uma mulher sozinha na noite, It’s a sad and beautiful world.
E iluminando tudo, a noite e o tempo, surge uma voz italiana, cheia de alegria.
24 Mila Baci! Sempre adorei essa canção. Agora, são como 24 mil beijos mandados da distância. Um adeus longínquo.
Como Fernando Pessoa quando se despede da infância. E lembra o tempo em que se festejava o seu aniversário.
E há outra melodia. Tenho uma história curiosa com ela. Detestava-a. Era a melodia dos pátios. Em todo o pátio, havia uma voz arrastada que cantarolava essa música. Sempre a mesma, insidiosa. Mas depois fui crescendo, e sabes aqueles alimentos que odiamos quando somos crianças e depois se transformam em iguarias? É isso: a trilha do Padrinho.
Nino Rota, claro, mais que persistente, imortal.
E as tuas trilhas. Fizeste tantas trilhas para o cinema. Fizeste tantos filmes. É inseparável.

É uma espécie de fado. Sim, diz que é fado.

Gaiteiros de Lisboa

Quando primeiro surgiram, em 1991, os Gaiteiros de Lisboa eram “outra coisa”. Mesmo pelo meio de uma cena musical fervilhante de novos olhares para a música tradicional portuguesa, os Gaiteiros promoviam o embate directo entre tradição e inovação, respeito pelo passado e vontade de abrir caminhos para o futuro.

De um lado, músicos veteranos que tinham aprendido com as recolhas de Giacometti e tocado com nomes como José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco (que viria a produzir o primeiro disco do grupo) ou Fausto. Do outro, músicos oriundos da cena pop ou rock ou jazz que olhavam para a tradição de modos totalmente novos.

A conjugação projectava os Gaiteiros de Lisboa para outro patamar, com a gaita de foles trazida por Paulo Marinho (Sétima Legião) e as polifonias vocais lideradas por Carlos Guerreiro e José Manuel David no centro de um furacão criativo que estava permanentemente em ebulição. Como diz a frase: “a tradição já não é o que era nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era”.

E o que saiu dessa abordagem era “outra coisa”. Nas palavras do crítico do Expresso, João Lisboa, “os Gaiteiros de Lisboa habitam um universo inteiramente privado […] (onde) muito pouco ou nada funciona de acordo com as normas com que habitualmente a música é lançada à pauta”.

Trinta anos depois, o mundo mudou, a formação do grupo também. Em “Bestiário”, sexto álbum de material original e primeiro em sete anos, apenas Carlos Guerreiro e Paulo Tato Marinho restam dos Gaiteiros que entraram em estúdio pela primeira vez em 1995. A nova formação completa-se com Miguel Veríssimo, Miguel Quitério, Paulo Charneca  (que já fez anteriormente parte do grupo) e Sebastião Antunes (dos Quadrilha).

Mas os Gaiteiros de Lisboa, tendo mudado, não mudaram: continuam a ser “outra coisa”. Como a aldeia gaulesa do Astérix, os Gaiteiros resistem, ainda e sempre, a serem metidos numa gaveta. A gaita de foles e as polifonias vocais continuam no centro, a música ao seu redor continua a ser surpreendentemente moderna, inventiva, viva, contemporânea e ao mesmo tempo intemporal. Nunca se ouviu o clássico açoriano “Chamateia” desta maneira; um tema novo como “Brites de Almeida” parece um clássico tradicional só agora reencontrado.

E os muitos convidados de “Bestiário” insistem nessa fuga a categorias e gavetas. A companheiros de percurso como o açoriano Zeca Medeiros ou a veterana Filipa Pais juntam-se o jovem colectivo vocal feminino Segue-me à Capela e João Afonso Lima, sobrinho de Zeca. Pedro Oliveira, dos Sétima Legião, dá voz a “Besta Quadrada” e Rui Veloso empresta a sua guitarra eléctrica e a sua voz a “Comprei uma Capa Chilrada”.

“Bestiário” é inteiramente composto por material inédito em disco – as excepções são “Roncos do Diabo”, publicado na compilação de 2018 “A História”, e “Comprei uma Capa Chilrada”, gravado pela primeira vez em “Sátiro” mas aqui numa versão regravada.

“Bestiário” confirma como os Gaiteiros de Lisboa, trinta anos depois do início e com uma formação nova, continuam a ser “outra coisa”, a habitar o mesmo universo privado alheio a modas passageiras e aberto a tudo o que nele caiba. Ou seja, os mesmos Gaiteiros de sempre: imprevisíveis, inconfundíveis, imprescindíveis.

GAITEIROS DE LISBOA

CARLOS GUERREIRO | MIGUEL QUITÉRIO | MIGUEL VERÍSSIMO |PAULO CHARNECA | PAULO TATO MARINHO | SEBASTIÃO ANTUNES

BESTIÁRIO

Produção e direcção musical de CARLOS GUERREIRO

excepto “BESTA QUADRADA” (PAULO MARINHO)

e “CANTO DO CORAÇÃO” (MIGUEL QUITÉRIO)

Co-produção, gravação e mistura de CARLOS JORGE VALES

 “BALEEIROS DE NEW BEDFORD”

(com ZECA MEDEIROS)

“RONCOS DO DIABO”

“CANTO DO CORAÇÃO”

“BRITES DE ALMEIDA”

“BESTA QUADRADA”

(com PEDRO OLIVEIRA)

“CHAMATEIA”

(com FILIPA PAIS e JOÃO AFONSO)

“FLECHA “

(com SEGUE-ME À CAPELA)

“PARA SANTALICES”

“NATIVIDADE”

“COMPREI UMA CAPA CHILRADA “

(com RUI VELOSO)

“LOLITA FIREWINGS”

DISCOGRAFIA

1995 – INVASÕES BÁRBARAS (Farol)

1997 – BOCAS DO INFERNO (Farol)

2000 – DANÇACHAMAS (ao vivo) (Farol)

2002 – MACARÉU (Aduf)

2006 – SÁTIRO (Aduf/Sony Music)

2012 – AVIS RARA (D’Euridice)

2018 – A HISTÓRIA (compilação) (Uguru)

2019 – BESTIÁRIO (Uguru)

Danças Ocultas

Um oceano também é um mar de sons, e o instrumento pode ser a nossa nave. Há fluxos e refluxos, nessa imensidão.
Há marés e bons ventos – que são o alento dos viajantes – e miríades de fulgores entre longínquas margens.
E há vozes, outros tons e inflexões, outras pessoas e cidades, uma azáfama grande. Poemas (e poetas).
Procura-se o caminho: é em diante, onde a surpresa talvez seja constante.
E há danças ocultas dentro desse mar.

Jorge Pereirinha Pires

Os Danças Ocultas de Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel são – e é lícito escrevê-lo tendo em conta que levam já praticamente três décadas de carreira – um dos grandes tesouros da música portuguesa contemporânea.
O invulgar quarteto de concertinas é caso sem paralelo na história moderna da música portuguesa: mesmo tendo adoptado instrumentos populares, o grupo conseguiu levar a sua música às mais respeitadas salas nacionais e internacionais, dividir palcos com orquestras clássicas e colaborar com importantes nomes da música, de Rodrigo Leão a Carminho entre outros.

Agora, os Danças Ocultas apresentam o mais ambicioso projecto artístico da sua carreira: Dentro desse mar foi gravado entre Dezembro de 2017 e Junho de 2018 nos estúdios Casa do Mato, no Rio de Janeiro, com o conceituado Jaques Morelenbaum aos comandos da produção. O violoncelista, compositor, arranjador e produtor tem um currículo de luxo que cruza o seu percurso com o de artistas tão importantes quanto Tom Jobim, Caetano Veloso, Marisa Monte, Madredeus, Ryuichi Sakamoto ou David Byrne, para citar só alguns.

Com participações de Marcos Suzano, Paulo Braga, Marcelo Costa e Robertinho Silva (percussões), David Feldman (piano), Lula Galvão (violão e guitarra eléctrica), Rogério Caetano (violão), Luis Barcelos (cavaquinho e bandolim) e Tiago Abrantes (clarinete), o álbum conta com composições e arranjos dos próprios Danças Ocultas e ainda participações de Carminho, Zélia Duncan e Dora Morelenbaum nas vozes e do próprio Jaques no violoncelo.

Por outro lado, os temas com voz contam com letras de Arnaldo Antunes (“Dessa Ilha”), Carlos Rennó (“As Viajantes”) e Tiago Torres da Silva (“O Teu Olhar”). Três mestres na arte de criar imagens com as palavras de que se faz a nossa língua que é, ela mesma, um mar dentro do qual todos vivemos.

No mais recente álbum, os Danças Ocultas reinventam-se sem perderem a vincada identidade que lhes valeu tanta atenção nacional e internacional, conseguindo manter a ligação à sua própria história e passado e abrindo ao mesmo tempo um novo oceano de possibilidades para o futuro. O trabalho de Jaques Morelenbaum foi a esse nível um triunfo: o produtor soube entender o que torna os Danças Ocultas tão singulares e também adivinhar na sua arte novas nuances que rendem um maravilhoso registo, amplo na sua abertura ao mundo, cheio de ideias, de sons, de palavras e melodias. É Dentro Desse Mar que os Danças Ocultas querem agora viajar. E todos estamos convidados a embarcar com eles, rumo a novas aventuras.

 

Amélia Muge

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Amélia Muge é, sem dúvida, a mais respeitada e prolífica compositora e cantautora portuguesa da actualidade.

Camané, Ana Moura, Mísia, Pedro Moutinho ou os Gaiteiros de Lisboa são apenas alguns dos artistas para quem tem composto.

Diversas distinções foram já atribuídas ao seu trabalho discográfico e poético e a vertente intercultural do seu trabalho tem originado uma série de colaborações com músicos de diversos países sendo o mais recente a Grécia com o maravilhoso projecto de CD e concertos Periplus,considerado pelo Jornal Expresso – Álbum do Ano (2012),um dos Álbuns do Ano para a conceituada revista Inglesa Folk Roots Magazine, etc.

Em 2015 editou e estreou uma homenagem a Amália Rodrigues com arranjos e produção de José Mário Branco. Um trabalho muito original, que não é feito a partir dos conhecidos fados de Amália, mas antes dos seus poemas, desconhecidos do grande público e, na grande maioria, nunca musicados.

Em 2017 regressa ao trabalho com o grego Michales Loukovikas, co-autor de Periplus para criar Archipelagos – Passagens. O disco foi lançado em fevereiro de 2018, mas a estreia ao vivo aconteceu em Novembro de 2017 no São Luiz Teatro Municipal. Uma sonoridade única e uma abordagem cultural multi-situacional, onde Amélia Muge (voz, braguesa, percussão) e Michales Loukovikas (voz, percussão, acordeão) estiveram acompanhados por excelentes músicos gregos e portugueses: António Quintino (contrabaixo), Dimitris Mystakidis (viola, bouzouki, tzourás, voz), Filipe Raposo (piano, teclados), Harris Lambrakis (ney, flauta) , José Salgueiro, (percussão), Manos Achalinotópoulos (clarino,voz), “Maria Monda”, grupo vocal (Sofia Adriana Portugal, Susana Quaresma e Tânia Cardoso), Kyriakos Gouventas (violino de cinco cordas), Ricardo Parreira (guitarra portuguesa).

Veja aqui a crítica do jornal Público sobre a estreia do espetáculo