ANNA Von Hausswolff

Pode argumentar-se que os tons noturnos da música de Anna von Hausswolff são condizentes com um presente que, pelo menos do ponto de vista dos grandes media, não é o mais animador com conflitos em vários pontos do mundo e ameaças globais de vária ordem a imporem ao mundo o peso de uma sombria realidade.

Dead Magic, o mais recente e aclamado trabalho da artista sueca, nascida em Gotemburgo, tem carimbo editorial da prestigiada etiqueta City Slang e conta com produção de Randall Dunn, colaborador habitual dos mais notórios embaixadores do chamado drone metal, os aclamados Sun0))). Apoiando-se sobretudo nas texturas solenes e algo fúnebres do orgão, instrumento cuja sonoridade tanto o tornou em essencial recurso para os compositores que assinaram requiems como para os autores de bandas sonoras que escreveram peças para filmes de terror, Anna von Hausswolff conta ainda com a sua voz de soprano, que já lhe valeu comparações a Kate Bush, como uma das mais distintivas marcas da sua arte.

Com canções longas e profundas, Anna von Hausswolff parece explorar, em disco como em palco, os mais obscuros recantos da alma humana. O britânico The Guardian descreveu o mais recente trabalho de von Hausswolff como o mais negro e profundo da sua carreira e como “um ópus ambicioso”. Escutá-la ao vivo é uma das mais arrebatadoras experiências que a música contemporânea pode proporcionar.

Harlem Gospel Choir : sings Their Best Hits

Pelo décimo ano consecutivo, o Harlem Gospel Choir troca Nova Iorque por Portugal para nos oferecer um Natal diferente, igualmente espiritual, festivo e capaz de unir toda a família em torno de algumas das mais celebradas canções do mundo.

O Harlem Gospel Choir, talvez o mais famoso grupo de gospel do mundo neste momento, já trouxe a Portugal espetáculos de homenagem a gigantes da música como Michael Jackson, Stevie Wonder ou Whitney Houston, Adele ou Beyoncé, compositores e interpretes de méritos mais do que reconhecidos que nas experientes vozes deste grupo se tornam também autores de hinos universais capazes de capturar o espírito de uma época muito especial.

Desta vez, o Harlem Gospel Choir propõe ao seu fiel público e a quem os queira agora descobrir uma viagem pelos maiores êxitos da sua muito celebrada carreira. Este grupo, que já cantou ao lado de ou para gente tão importante como Nelson Mandela, o papa João Paulo II, Paul McCartney, Diana Ross, U2 ou Gorilaaz, entre tantos outros, tem quase três décadas de história, percurso relevante que lhes permitiu colecionar muitos sucessos que agora se traduzem num envolvente espetáculo, capaz de elevar os espíritos e de inundar de paz qualquer plateia.

O convite é para uma celebração muito especial e dirige-se a toda a família. A banda sonora, essa será de luxo e entregue com o inimitável estilo do Harlem Gospel Choir.

EGBERTO GISMONTI

Quando se estreou ao vivo em Nova Iorque, para actuar ao lado de Naná Vasconcelos na primeira parte de um concerto de John Fahey, outro mestre da guitarra desaparecido em 1978, Egberto Gismonti recolheu rasgados e plenamente justificados elogios do New York Times. O prestigiado jornalista Robert Palmer explicava então que a música de Gismonti “desafiava a categorização”. Hoje, 40 anos depois, o músico que então apresentava o extraordinário Dança das Cabeças (edição de 1977 da ECM) continua a ser um inquieto explorador das possibilidades universais da música, recusando-se a reconhecer fronteiras entre linguagens, eras, continentes. Até entre instrumentos, tratando a guitarra e o piano, entre outros, da mesma maneira, com a mesma intensidade e criatividade.

 

Ao vivo e a solo na Casa da Música, no Porto e no Casino Estoril, Egberto Gismonti oferece ao seu fiel público a rara oportunidade de assistir a um recital íntimo que recorre a uma carreira que se estende por cinco décadas e que se manifesta em dezenas de trabalhos originais e de importantes colaborações, uma carreira que foi bastas vezes distinguida com os mais exclusivos prémios e que nunca abandonou o terreno da invenção. Sempre preocupado em expandir as suas possibilidades como músico, Egberto Gismonti desenhou novos e fabulosos instrumentos, porque a única maneira de executar a música que imaginava era, precisamente, traduzindo os objectos desse pensamento para a realidade. Tudo isto ganhará vida em palco neste seu especial regresso a Portugal.

ORQUESTRA JAZZ DO PORTO: BIG BAND CLASSICS

A Orquestra Jazz do Porto convida-vos a realizar uma viagem ao início do século XX. Apresentámos um concerto comentado em que iremos interpretar temas clássicos outrora intepretados pelas mais famosas Big Bands de sempre.

No nosso concerto apresentaremos um reportório em que não faltarão temas de Buddy Rich, Glenn Miller, Benny Goodman, Thad Jones, Count Basie, Duke Ellington e muitos outros.

É caso para dizer que será uma autêntica viagem ao tempo dos anos dourados do swing.

AVISHAI COHEN : MISTY FEST

Avishai Cohen é uma das maiores referências contemporâneas no contrabaixo de jazz. O músico, compositor e vocalista israelita chegou a Nova Iorque – o centro do universo jazz – no arranque dos anos 90 e, enquanto estudava na prestigiada New School for Jazz and Contemporary Music tocou na rua para sobreviver até conseguir entrar no disputado circuito de clubes. A mudança na carreira chegou com um telefonema do grande pianista Chick Corea: em 1996, Cohen foi um dos fundadores do colectivo Origin, liderado por Corea. Foi aliás na etiqueta Stretch, do próprio Chick Corea, que Avishai Cohen lançou os seus primeiros quatro registos como líder. Avishai manteve-se nos projectos de Corea até 2003, quando decidiu começar o seu próprio trio e a sua editora, a Razdaz Recordz, operação que já soma praticamente duas dezenas de lançamentos, incluindo vários do própio Avishai Cohen.

From Darkness é o mais recente título na discografia do trio de Avishai Cohen, trabalho apontado como mais um extraordinário capítulo na sua busca pela pureza. Mas em 2017 o artista lançou em nome próprio 1970, trabalho que mereceu igualmente rasgados elogios por parte da imprensa internacional especializada. Não é de espantar por isso mesmo que o The Jerusalem Post descreva Avishai Cohen como “a mais bem sucedida exportação jazz do país”, o que vai ao encontro do que a revista de referência Down Beat refere em relação ao músico: “um visionário jazz de proporções globais”. Já o seu antigo “patrão”, Chick Corea, aponta-o como “um grande compositor” e “um músico de génio”. Marcas de peso que o cantor e contrabaixista carrega consigo para o palco com um trio que o Guardian sublinha ser “fabulosamente realizado”. Em Portugal, Avishai Cohen vai apresentar-se ao lado de Noam David na bateria e Elchin Shirinov no piano, dois sólidos músicos de classe mundial.

SCOTT MATTHEW : MISTY FEST

Scott Matthew, cantor australiano há duas décadas a viver   em Nova Iorque, descobriu nos últimos anos uma espécie de segunda casa em Portugal, mercê da sua parceria com Rodrigo Leão que além de um par de momentos isolados na discografia do compositor português rendeu ainda o álbum Life is Long, de 2016, e várias e importantes apresentações ao vivo.

 

Ode to Others é o novo álbum com que Scott Matthew pretende não apenas fincar os pés em 2018, mas também perspectivar o futuro a partir de uma outra atitude de vida e de criação artística: “É o primeiro álbum que escrevo que não se prende com o amor romântico. Apesar de haver um certo ar de romance no disco, não está ligado de forma alguma ao meu amor romântico pessoal. É acerca de pessoas e de lugares que não se relacionam com a minha dor romântica mais imediata”, esclarece o cantor.

 

No álbum anterior, This Here Defeat, de 2015, eram as pequenas misérias do amor, as grandes dores pessoais, que alimentavam a escrita de Scott Matthew, mas em Ode to Others algo de importante se altera: “Decidi escrever canções sobre outros assuntos. Odes para pessoas que eu amo ou admiro, pessoas até inventadas – e lugares que trago no coração. Isso foi revigorante para mim!”.

 

Há uma canção para o seu pai, “Where I Come From”, outra para o seu tio, “Cease and Desist”, para o seu parceiro, Michael, “Not Just Another Year”, uma celabração de um aniversário que já não se repetirá já que a relação terminou. E há também os caminhos que foi trilhando, desde a sua Austrália natal – presente na versão de “Flame Trees”, tema original dos australianos Cold Chisel – os passeios de duas décadas pela Grande Maçã em “The Sidewalks of New York” e até há ecos nos poemas das impressões recolhidas ao caminhar pelo lado mais histórico de Santarém, onde Scott se recolheu nalgumas das suas visitas a Portugal.

 

E há muito mais: a sua sentida homenagem às vítimas do massacre de Orlando, em 2016, membros da comunidade LGBT que foram abatidos a tiro num clube e que inspiraram as comoventes palavras de “The Wish” ou a ideia de que perante uma realidade como a que foi imposta por Donald Trump só a resistência importa, como a que ele canta em “The End of Days”. A dor continua, pois claro, a levantar questões, mas há uma leveza na sua versão do clássico “Do You Really Want to Hurt Me”, tema dos Culture Club que é também símbolo de toda uma geração que cresceu na década de 80.

 

Com a ajuda de Jurgen Stark, o guitarrista que normalmente o acompanha ao vivo, Ode to Others não explora apenas novo terreno em termos poéticos, também se atreve a reinventar coordenadas em termos musicais que, explica o próprio Scott, troca o minimalismo de registos anteriores por canções que são mais expansivas em termos melódicos e harmónicos.

 

E, claro, tudo isto tem igualmente tradução em palco, com Scott Matthew e uma banda especial que se divide entre guitarra, teclados, ukelele ou violoncelo a desenharem o espaço perfeito para todas estas histórias, sobre pessoas, lugares e situações carregadas de humanidade, de amor, claro, de sentimentos a que todos se podem ligar. Interprete e compositor de mão cheia, dono de uma voz funda e singular, Scott Matthew entrega-nos esta Ode to Others com o requinte que só os grandes artistas conseguem, mesmo aqueles que se decidem a olhar para fora, em vez de para dentro. Além do novo álbum, o cantor que tem sabido dar voz a clássicos como o já citado “Do You Really Want to Hurt Me” ou “I Wanna Dance With Somebody”, este de Whitney Houston, promete revisitar os principais momentos da sua discografia que se estende já por meia dúzia de álbuns, incluindo Life is Long que assinou em 2016 juntamente com Rodrigo Leão

CLASSIC WAVES : RUI MASSENA | PETER SANDBERG

Ciclo de concertos duplos, focados no universo musical que actualmente é internacionalmente designado como “Post Classical”, “Neo Classical”, “Modern Classical” ou mesmo “Indie Classical”. Neste género, os compositores contemporâneos usam o piano como elemento central, mas a música de influência clássica envolve-se com sonoridades que tocam a electrónica, a new age ou a música progressiva.

Rui Massena

 

Rui Massena é um nome incontornável no panorama cultural presente, dono de uma obra de seriedade inquestionável, facto que justifica que tenha visto uma das suas peças seleccionadas para a antologia Expo 1 da Deutsche Grammophon que incluiu trabalhos de outros importantes estetas da modernidade clássica como Hauschka, Philip Glass ou Ludovico Einaudi. A editora alemã é referência máxima no universo da música erudita e com Expo 1 procurou documentar um facto impossível de ignorar: numa era de transformações tecnológicas, de mudança de paradigmas de pensamento é perfeitamente natural que os próprios conceitos musicais se alterem, que evoluam, acomodando novos pensamentos e perspectivas.

Para a sua apresentação no âmbito do programa Classic Waves, Rui Massena propõe por isso um novo conceito, uma nova direcção que identifica como Post Classical. Partindo de Solo e Ensemble, os seus dois aplaudidos registos em nome próprio que o firmaram como compositor depois de um reputadíssimo percurso como maestro, Rui Massena repensa as próprias noções de erudição e classicismo num trabalho altamente pessoal e evoluído que reflecte toda a sua experiência acumulada mas, sobretudo até, uma corajosa abertura a possibilidades futuras, a novos caminhos, algo só possível num artista que não teme novos desafios e que está sempre em busca do amanhã que também se pode encontrar dentro de um piano.

 

Peter Sandberg

A carreira que Peter Sandberg projectou a partir da Suécia é hoje, pode dizer-se, global. As suas rigorosas composições contemporâneas partem da tradição clássica e colocam o seu piano no centro de uma paisagem musical poderosamente evocativa, talvez inspirada pela particular paisagem nórdica: funda, misteriosa, cativante e exótica para quem a partir do sul imagina um norte mágico e distante.

Criador de inúmeras peças para cinema e televisão, Peter Sandberg é um prolífico compositor, capaz de trabalhar a orquestra – e sobretudo as cordas – com ideias de uma beleza insuperável, o que ajuda a explicar que as suas obras já somem mais de 100 milhões de plays na plataforma Spotify. Em Portugal, num concerto integrado no ciclo Classic Waves, Sandberg apresentar-se-á ao piano, mostrando-nos algumas das suas mais delicadas peças, capazes de sustentar um imaginário narrativo, quase como se as suas composições nos fossem, através de notas e cadências, de silêncios e melodias, contando histórias que nos prendem.

 

CLASSIC WAVES : RODRIGO LEÃO | HAUSCHKA

Ciclo de concertos duplos, focados no universo musical que actualmente é internacionalmente designado como “Post Classical”, “Neo Classical”, “Modern Classical” ou mesmo “Indie Classical”. Neste género, os compositores contemporâneos usam o piano como elemento central, mas a música de influência clássica envolve-se com sonoridades que tocam a electrónica, a new age ou a música progressiva.

Rodrigo Leão: como nunca o ouvimos

Todos achamos que conhecemos Rodrigo Leão. Afinal, são vinte e cinco anos de carreira a solo, assinalados em 2018, para além do passado colectivo com os Sétima Legião e Madredeus. E no entanto se existe alguém que tem conseguido reinventar-se ao longo do tempo é ele. Já andou pela pop, minimalismo, electrónicas, música contemporânea, clássica, bandas-sonoras (Do filme O Mordomo à série documental Portugal – Um Retrato Social) ou colaborações (da Orquestra Gulbenkian a Scott Mathews) e, no fim de contas, nunca deixou de ser ele próprio.

Já correu mundo, mas apetece ter a sua música só para nós. Já gravou com orquestras e coros monumentais, mas também compôs para embalar as primeiras palavras de um dos filhos e dedicou um álbum à mãe. É discreto mas não se assusta em convocar grandes nomes para gravarem com ele (Beth Gibbons, Stuart Staples, Neil Hannon, Adriana Calcanhoto). E acima de tudo, apesar da diversidade e qualidade do seu percurso, continua a inquietar-se e, nesse movimento, desafiando também o público.

Este ano ele vai dar os últimos concertos da digressão conjunta com o cantor-compositor Scott Matthew, ao mesmo tempo que terá uma versão revista do espectáculo Os Portugueses, mas no Classic Waves apresentará um outro conceito de concerto. Trata-se de Instrumental – O Ensaio, com forte componente de projecções vídeo e focado integralmente em composições instrumentais, sendo assistido por um Ensemble de cinco músicos.

Como sempre nele, será um espectáculo com algo de familiar – ou não tivesse uma identidade e sonoridade reconhecível – e de particular, porque haverá novas composições em que tem trabalhado nos últimos tempos e que serão reveladas em versões integralmente instrumentais. Será um concerto em que teremos a oportunidade, em primeira mão, de ouvir uma série de novos temas, em versões irrepetíveis, que farão parte de um novo álbum de originais, que será lançado até ao final do corrente ano.

Vinte e cinco anos depois do lançamento do álbum Ave Mundi Luminar (1993), Rodrigo Leão celebra a sua carreira, ao mesmo tempo que mostra o que virá aí para os anos vindouros e o Tivoli, em Lisboa, vai ter oportunidade de o testemunhar em estreia.

 

Hauschka: o mestre do piano ilusionista

Parem por uns momentos. Detenham-se no silêncio. Agora imaginem alguém a tocar piano. Depois oiçam o alemão Volker Bertelmann, mais conhecido por Hauschka, e nunca mais conseguirão imaginar o som de um piano da mesma maneira.

Ao longo de oito álbuns distribuídos por uma dúzia de anos, o alemão tornou-se no mestre do piano preparado. Para gravar o seu último álbum, What If (2017), combinou velhas e novas tecnologias. O resultado é talvez o seu álbum mais rico e imersivo. Conhecido sobretudo pelos intimistas concertos a solo, é também um dos mais originais orquestradores contemporâneos, nunca de deixando aprisionar pelas fórmulas académicas. A sua música é hipnótica, circunferências de harmonias irresistíveis, que tanto funcionam quando se faz acompanhar de um colectivo de músicos, ou na presente versão, solitariamente. Nas suas mãos o piano parece uma máquina de fazer todas as músicas possíveis, clássica, de câmara, electrónica, minimal ou ambiental.

Como os outros músicos convocados para o ciclo Classic Waves é alguém que se move por entre vários territórios, sendo dos mais sérios representantes da tendência neoclássica ou pós-clássica, conseguindo tocar um público transgeracional, alguns mais próximos da música clássica e outros mais sensíveis às linguagens populares da pop, rock ou electrónica. A feitura de bandas-sonoras para cinema ou TV é outra das suas facetas, tendo composto para inúmeros filmes, com destaque para Lion – A Longa Estrada para Cada, trabalho que lhe valeu uma nomeação (na companhia de Dustin O’ Halloran dos A Winged Victory For The Sullen) para os Óscares do ano passado.

Nos seus espectáculos a música, a iluminação e a concepção lúdica do cenário contribuem para o mesmo efeito, fazendo viajar o ouvinte, enquanto ele se entrega ao piano, por vezes seguindo um guião pré-definido, outras vezes entregando-se ao deleite do improviso. Por vezes toca as notas do piano, outras as cordas do piano, extraindo daí uma sonoridade que consegue ser percussiva ou indefinível, fazendo o ouvinte duvidar do que ouve: guitarras? Cítaras? Não, apenas o piano.

Como se não bastasse é um excelente comunicador, mostrando que a experimentação e a inteligibilidade, a erudição e a capacidade de projectar universalidade, podem caminhar a par.

Nas noites Classic Waves não só é possível, como é desejável.

 

CLASSIC WAVES : PETER BRODERICK | FEDERICO ALBANESE

Ciclo de concertos duplos, focados no universo musical que actualmente é internacionalmente designado como “Post Classical”, “Neo Classical”, “Modern Classical” ou mesmo “Indie Classical”. Neste género, os compositores contemporâneos usam o piano como elemento central, mas a música de influência clássica envolve-se com sonoridades que tocam a electrónica, a new age ou a música progressiva.

Peter Broderick: juntos outra vez com o seu piano

Compositor, pianista e multi-instrumentista, o americano Peter Broderick vai estar outra vez em Portugal. E como sempre será uma apresentação única. Desta vez em torno do álbum do final do ano passado, All Together Again, que integra peças instrumentais que foi coleccionado ao longo da última década e que integraram projectos artísticos muito diferenciados.

Existe por exemplo um tema épico de 17 minutos (A ride on the bosphorus) que foi comissionado para um projecto da artista Fiona Hallinan em torno de uma travessia de barco em Istambul na Turquia, mas também há lugar para uma peça original que foi composta para uma festa de casamento de uma amiga (Emily) ou para um filme (Robbie’s song).

Não surpreende que assim seja. Peter Broderick é um dos músicos contemporâneos mais solicitados para criar música para cinema, dança, instalações de arte ou teatro, seja através de peças de piano emotivas ou de composições onde o envolvimento harmónico é da ordem do celestial.

Ao lado de Hauschka ou Olaf Arnalds, é mais um desses jovens músicos inclassificáveis, que tanto se inspira na música clássica, como na folk ou na pop. Com meia dúzia de álbuns a solo, colaborações e passagens por grupos como os dinamarqueses Efterklang,  é um criador ímpar de música intima, sensitiva e calorosa, com a quantidade certa de originalidade.

Vê-lo em palco é percepcionar alguém que, em simultâneo, é um dotado tecnicamente, mas que mantém uma grande frescura na sua aproximação aos instrumentos, integrando uma certa dose de improviso nas suas apresentações, mas sem que isso dissemine o ambiente global dos seus espectáculos onde prevalece um misto de lirismo, fantasia e de elevação. Desta vez não será certamente diferente e isso são magníficas notícias.

 

Federico Albanese: o pianista contemplativo

A música de Federico Albanese foi sempre contemplativa. Já era assim nos álbuns The Houseboat And The Moon e For The Blue Hour, e volta a sê-lo no novo By The Deep Sea, em destaque na digressão que vai passar por Lisboa. O que também tem estado sempre presente na sua música é a predilecção por captar estados emocionais transitivos, aquele tipo de melancolia reflectiva que parece irromper quando o dia dá lugar à noite, quando tudo parece livre, vago, incerto, flutuando pelo espaço e tempo.

Daí que a sua música seja quase sempre delicada, misto de atmosferas gentis e notas de piano repetitivas que instauram um clima tão elegante quanto melancólico. Mas é uma taciturnidade que não se fecha sobre si própria, emanando felicidade e esperança. O compositor e pianista italiano – a residir em Berlim – é alguém que consegue dotar a sua música de uma tapeçaria de fascinantes texturas – incluindo orquestrações, pianos acústicos e eléctricos ou sintetizadores – expondo uma sonoridade evocativa, fazendo ressonância com as nossas memórias mais profundas.

Quem está familiarizado com a vaga neoclássica (de Nils Frahm a Michael Price) irá encontrar na música do italiano pontos de contacto, com ele a colocar o piano no centro da acção, rodeando-o de arranjos e elementos electrónicos, dotando a sua música de uma qualidade meditativa. Uma vez, numa entrevista, disse que gostava que a sua música conseguisse captar o mesmo tipo de ambientes reflectidos nos quadros do pintor americano Edward Hooper (1882-1967). Na sua pintura existe uma mistura de realismo e estranheza, com ênfase na atmosfera, nos cenários ou na composição minuciosa da luz. Muitos dos seus quadros parecem captar um antes e um depois de uma situação qualquer, sem que se perceba exactamente o quê, como se fossem fragmentos de um contínuo.

A música de Federico Albanese é assim: nem início, nem fim, apenas a captação da transitoriedade dos estados de espirito ou das relações humanas, através de um piano que nos interpela a todo o momento

LUSITÂNIA COMEDY CLUB – O PORQUÊ DA COISA

Da autoria do humorista e argumentista Nuno Markl, Francisco Martiniano Palma, Frederico Pombares (texto) e J.J. Galvão (música e letra) e produção Lemon Live Entertainment, nasce em Portugal a estreia do colectivo LUSITÂNIA COMEDY CLUB – O PORQUÊ DA COISA – Uma Reflexão Perfeitamente Inútil Sobre a Magnifica História de Portugal, uma delirante comédia musical multimédia onde, para além do elenco no palco, há participações-surpresa de várias caras conhecidas. Este espetáculo conta a História de Portugal em apenas 90 minutos.

Ah, a História de Portugal!… Séculos de História, agora comodamente concentrados numa comédia musical que se propõe, finalmente, desvendar… O PORQUÊ DA COISA.

Porque é que Portugal é assim, e não um El Dorado de riqueza e prosperidade? Terá o sentido de humor a ver com tudo isso? Onde é que tudo se estragou? As respostas para (quase) tudo estão no espetáculo de estreia do coletivo LUSITÂNIA COMEDY CLUB. Sob direção de Nuno Markl e J. J. Galvão, com texto de Nuno Markl, Francisco Martiniano Palma e Frederico Pombares, e música original de J. J. Galvão, um bando de jovens acores multiplica-se num imparável desfile de personagens históricas, desde a Fundação até à Revolução… e mais além. E tudo sem sair do local onde, afinal, todos os grandes acontecimentos da epopeia lusitana aconteceram – o bar de comédia mais antigo do país, o Viriatu’s.

É lá que, em 2018, Tomé, um jovem comediante desencantado com a maneira como, na atualidade, toda a gente se parece ofender com qualquer piada, inicia uma viagem no tempo conduzida pelo barman, Sebastião – que, mais do que um banal Sebastião, é, afinal, o maior Sebastião de todos: nada mais, nada menos do que El-Rei D. Sebastião, conservado no nevoeiro – “é ótimo para a pele!” – e capaz de o usar para viajar pelo tempo, graças a um gadget que construiu por alturas de Alcácer-Quibir.

O PORQUÊ DA COISA – Se Regresso ao Futuro e Os Lusíadas tivessem um filho, seria esta peça!

 Ficha Técnica

Uma comédia musical escrita por: Nuno Markl com Francisco Martiniano Palma, Frederico Pombares (texto) e J.J. Galvão (música e letras)

Com: Mafalda Santos (assistente de direção e encenação) / Ana Freitas / Hugo Simões / Luís Sousa / Luís Oliveira / Frederico Amaral // João A. Guimarães (assistente de produção e contra-regra)

Ideia original e Direção: Nuno Markl / J.J. Galvão