Fernando Cunha : Misty Fest

A apresentação das suas novas canções e a revisitação de clássicos dos Delfins

O título do novo trabalho em nome próprio de Fernando Cunha reflete aquela que tem sido, afinal de contas, a maior constante da sua vida: a sua guitarra tem, de facto, tocado e muito nos últimos trinta anos, tendo marcado de forma indelével a moderna história da música portuguesa, primeiro com os Delfins, grupo de que foi membro fundador e com que se estreou em álbum em 1987, depois com os Resistência, histórico colectivo de que foi igualmente instigador de primeira hora.

Fernando Cunha não foi apenas um músico dos Delfins: como co-compositor de boa parte dos clássicos do grupo e produtor de parte significativa da sua discografia, Cunha foi efectivamente responsável importante, ainda que não único, por uma sonoridade que alcançou amplo sucesso no nosso país, gerando alguns dos maiores clássicos do nosso cancioneiro colectivo, temas que se mantêm vivos nas memórias das pessoas e nas playlists das rádios.

Fernando Cunha entende A Guitarra A Tocar como um trabalho de reflexão, de olhar para trás para a sua vida, mas também como uma oportunidade para cumprir sonhos – como sejam musicar poemas de Fernando Pessoa, poeta que tanto o inspirou e guiou, ou reunir músicos de que é admirador confesso. Porque é quando a guitarra toca que Fernando Cunha melhor nos diz o que lhe vai na alma e no pensamento. 30 anos depois do arranque dos Delfins, 20 anos depois da sua estreia a solo, é com A Guitarra A Tocar que Fernando Cunha prepara o seu futuro.

NOA

Conhecida fora de Israel como Noa, Achinoam Nini é uma das mais celebradas artistas de um país cuja música é ainda largamente secreta no ocidente. Uma década após ter representado o seu país no Festival Eurovisão da Canção ao lado da cantora árabe Mira Awad, Noa goza hoje de um vasto reconhecimento internacional expresso não apenas nos aplausos da crítica à sua já considerável discografia – conta já uma dezena de álbuns de estúdio e mais um punhado de gravações ao vivo -, mas sobretudo às suas arrebatadoras apresentações de palco.

Love Medicine é o título do mais recente álbum de uma artista que acredita que a música pode ajudar a curar as maleitas do mundo. Talvez por isso, Noa já subiu a palcos para cantar para presidentes, até para o Papa, num evento em Cracóvia, na Polónia, visto por mais de dois milhões de pessoas. Para uma cantora que já fez scat ao lado de George Benson, que já dividiu atenções com Sting e Stevie Wonder parece mesmo não haver impossíveis. Neste seu ansiado regresso ao nosso país, Noa promete revisitar os mais altos momentos de uma carreira sem mácula que ainda promete muito futuro apesar de todas as incríveis conquistas já realizadas

RUI MASSENA BAND: III

Rui Massena acabou de editar “III”, novo trabalho que mereceu selo internacional da prestigiada Deutsche Grammophon, talvez a mais importante marca do universo da música erudita. Massena fala de “um grande avanço” quando explica a natureza do disco que agora vai lançar.

O trabalho de composição de Rui Massena e a fixação em disco que ocorreu entre Berlim e o Porto e que contou com Tobias Lehman e Mário Barreiros como grandes aliados será agora levado para o palco, com o compositor e pianista a voltar a contar com o apoio imprescindível da sua Band. “Desde os primeiros espectáculos com a Band que fui amadurecendo o material que depois gravámos no Porto. Agora está na hora de o acolher de novo no palco”, refere Rui Massena. “Este trabalho contém uma intenção sonora muito diferente pelo que o concerto irá reflectir isso mesmo, essa procura de novos caminhos para a minha música”.

Rui Massena pretende apresentar “III” na íntegra sem esquecer alguns dos mais importantes trabalhos dos seus dois primeiros álbuns e até, vai avisando, “um par de inéditos que podem sempre ser oportunos”. Com o seu piano, electrónica elegante e subtil, novas composições e a já muito rodada Band com que Rui Massena possui uma relação quase telepática, o concerto em torno do material de “III” promete ser o mais ambicioso da carreira do aplaudido compositor

Ólafur Arnalds

Ólafur Arnalds, artista, compositor, músico e produtor já distinguido com um BAFTA, expandiu a sua digressão mundial actual, a primeira que faz em mais de três anos.

Depois de uma secção europeia da digressão completamente esgotada, incluindo uma apresentação no prestigiado Royal Albert Hall, em Londres, Ólafur anunciou um novo álbum, re:member, que deverá ser editado a 24 de Agosto com selo da Mercury KX. Os primeiros dois singles do álbum, a faixa título “re:member” e o tema “unfold” apaixonaram fãs por todo o globo. E agora, Ólafur e a sua equipa de artesãos e músicos estão de regresso à estrada com um novo espectáculo.

A digressão inclui um quarteto de cordas muito singular, um baterista/percussionista e Ólafur numa panóplia de pianos e sintetizadores.

No centro do espectáculo estão dois pianos semi-generativos que se tocam a si mesmos que Ólafur e a sua equipa demoraram dois anos a desenvolver. Eles são simultaneamente uma ferramenta de composição e uma parte integral da performance graças à sua natureza generativa. De cada vez que são tocados soam um pouco diferentes conferindo a cada espectáculo um carácter único.

Ludovico Einaudi

São já três décadas de celebrada carreira discográfica que Ludovico Einaudi conta, facto relevante na hora de subir ao palco já que o seu reportório inclui muitas peças, entre elas vários trabalhos premiados para o grande ecrã. Einaudi está agora de volta a Portugal para a sua sétima apresentação em nome próprio num raro registo intimista. E isto depois de no ano passado, num contexto mais expansivo, ter esgotado o Campo Pequeno para uma noite que muitos classificaram como mágica.

Essa magia tem sido uma constante na sua carreira que conheceu um importante ponto alto com a banda sonora de Amigos Improváveis e que tem recolhido os mais veementes aplausos do público e da crítica em tão importantes salas e eventos internacionais como o La Scala, em Milão, o Roundhouse de Londres onde tocou a convite do iTunes Festival ou a Liverpool Philharmonic Orchestra com que estreou um dos seus mais reconhecidos concertos para piano. Elements, o seu mais recente álbum, foi o primeiro trabalho do universo da música clássica a chegar aos Tops de Vendas Pop em mais de duas décadas.

Wilko Johnson . Blow Your Mind

“Blow Your Mind”: o título do mais recente trabalho de Wilko Johnson, datado já de 2018, é também uma promessa. É que o antigo líder dos míticos Dr. Feelgood, banda gigante na Inglaterra dos anos 70 e que chegou a tocar em Portugal no arranque dos anos 80 aquando da explosão rock que assolou o nosso país, pode mesmo espantar-nos.

A vitalidade de que goza agora, depois de editar um álbum com Roger Daltrey dos The Who em 2014 cujo título, “Going Back Home”, soava a despedida, é compreensível. Por volta dessa altura foi diagnosticado com um cancro terminal e inoperável, mas depois, como escreveu Alex Petridis no Guardian em 2015, “aconteceu a coisa mais estranha: Wilko não morreu”.

Depois de ser diagnosticado, o antigo líder dos Dr. Feelgood (banda precursora do punk, praticante de um feroz rhythm n’ blues que influenciou gente como Paul Weller dos The Jam ou Joe Strummer dos The Clash) marcou uma digressão de despedida e nas muitas entrevistas que concedeu comoveu um país com a sua tranquila aceitação da mortalidade.

Johnson gravou então com Daltrey, convencido de que não chegaria a ver o disco editado, cruzou-se com um fã médico que o recomendou a um colega, acabou mesmo por ser operado e, depois de uma série de complexos procedimentos, acabou por ser declarado como curado do cancro. O disco “Going Back Home” chegou aos tops, feito que Wilko Johnson não conseguia desde 1976, e agora, cá está no presente, com um justo estatuto de lenda.

Depois de ter tido uma participação em “Game of Thrones”, como o enigmático carrasco mudo Ser Llyn Payne, Wilko gravou o novíssimo “Blow Your Mind” com uma banda que inclui músicos como Mick Talbot, dos Style Council, ou Norman Watt-Roy dos Blockheads de Ian Dury. O disco tem arrancado fortes elogios da crítica e sustentado uma nova vida em palco em que Wilko Johnson continua a fazer o que sempre fez: a tocar guitarra desalmadamente como se não houvesse amanhã e a assinar o que muitos garantem ser um dos melhores concertos da atualidade.

Para conferir, no Centro Cultural de Belém e na Casa da Música.

Barclays James Harvest ft. Les Holroyd

BARCLAY JAMES HARVEST

FEAT. LES HOLROYD

RETROSPECTIVE – 50TH ANNIVERSARY TOUR 2017-2019

Para a digressão do 50º aniversário liderada por Les Holroyd, os míticos Barclay James Harvest prepararam uma viagem retrospetiva que irá percorrer meio século de uma carreira carregada de sucessos. A banda nasceu em Oldham, Manchester, em finais dos anos 60, fruto do encontro de Les Holroyd (baixista e vocalista), com John Lees (vocalista e guitarrista), “Wooly” Wolstenholme (teclista e vocalista) e Mel Pritchard (baterista). O primeiro single surgiu ainda em 1968, mas o álbum que marcaria a estreia em grande, registo homónimo, só seria lançado em 1970, alinhando os Barclay James Harvest com a popular corrente de rock progressivo que então marcava a cena musical britânica.

O percurso que o quarteto então encetou, integrando uma escola em que militavam também bandas como os Genesis, Yes ou Procol Harum, entre muitas outras, é agora relembrado na digressão que Les Holroyd preparou para o biénio de 2019-2020 e a que chamou “Retrospective – 50th anniversary Tour” e que passará por Portugal para duas datas, em Lisboa e no Porto.

É Holroyd que explica que os primeiros anos da banda foram “preenchidos com inovação musical”. “Os Barclay James Harvest pegaram na sua visão de canções de rock melódicas misturadas com tendências clássicas e fizeram uma digressão com uma orquestra que”, revela ainda, “foi financeiramente desastrosa”. Mas o percurso do grupo seria depois pautado por triunfos e por um declarado pioneirismo: foram o primeiro grupo a tocar num festival ao ar livre na Europa, estabeleceram uma alta fasquia para o número de bilhetes vendidos durante uma digressão continua e, em 1980, tocaram em frente de uma audiência estimada em 275 mil pessoas nas escadarias do Reichstag em Berlim Ocidental, com um número similar a escutar o concerto do lado de lá do muro que então dividia a cidade.

Ao longo destes 50 anos, o grupo acumulou também muitas distinções, colecionando discos de Ouro e de Platina para os álbuns que lançaram ao longo de três décadas. Turn The Tide, trabalho que lançaram em 1981, chegou ao primeiro lugar do Top de vários países europeus tendo igualmente registado assinaláveis vendas em Portugal. São deste período singles clássicos como “Life is For Living” ou “Victims of Circumstance”, êxitos em rádios de toda a Europa e que o público português ainda recorda. as canções que Les Holroyd escreveu neste período ajudaram os 8 álbuns que a banda editou neste período a serem dos mais populares na Europa.

No final dos anos 90, o line up clássico dos Barclay James Harvest sofreu alterações. O baterista Mel Pritchard faleceria em 2004, o que ainda levou a mais mudanças. Os Barclay James Harvest voltaram aos palcos com um concerto com orquestra em 2006 e 2009. Agora, 10 anos depois, o grupo está de volta à estrada com um alinhamento carregado de clássicos e êxitos, muitos deles, como explica o membro fundador Les Holroyd há décadas afastados dos alinhamentos dos concertos. Será, por isso mesmo, uma ocasião muito especial em que poderão ouvir-se temas eternos como “Hymn”, “Life is for Living”, “Mockingbird”, “Poor mans Moody Blues” ou “Love on the Line”.

Will Samson : Misty Fest

O último álbum de Will Samson, Welcome Oxygen (talitres Records), inclui um tema com o título “O Medo”, algo que se compreende quando se descobre que esse trabalho foi maioritariamente composto e gravado em Portugal numa intensa semana de criação. Já este ano, a editora de cassetes belga Dauw lançou a preciosidade A Baleia, uma colecção de quatro peças ambientais e electrónicas com títulos como “Faroleiro” ou “Vozes Encontradas”.

Além de reforçarem ligações ao nosso país, estes dois trabalhos demonstram bem o espectro estético em que Will Samson gosta de navegar: algures entre uma delicada folk que se traduz em canções profundas e apaixonantes – que a revista Exclaim garantiu serem o resultado de “uma escrita que tem vindo a ganhar força” – e derivas electrónicas ambientais que nascem da sua paixão pelas tecnologias analógicas de síntese e gravação: o “grão” das velhas gravaçõs em fita magnética é algo que apaixona Samson.

Nascido no Reino Unido em Dezembro de 1988, Will Samson reside actualmente em Bruxelas, na Bélgica. Em 2012 lançou o aclamado álbum Balance (Karaoke Kalk), trabalho que foi masterizado por Nils Frahm, uma das suas referências. Foi logo em Balance que Will formulou a folk e a electrónica como molduras da sua arte.

Seguiram-se as edições de Light Shadows, um EP, e de Ground Luminosity (Talitres), álbum de 2015. Nestes dois trabalhos, Will aprofundou a sua escrita e acrescentou novas texturas ao seu trabalho, como o uso subtil de violinos, resultado do seu encontro com Beatrijs De Klerck, talentosa violinista que já tocou com artistas como A Winged Victory for the Sullen. Beatrijs continua a colaborar com Will em palco e no estúdio até aos dias de hoje.

Animal Hands (Karaoke Kalk), trabalho lançado também em 2015, foi o resultado da colaboração com o produtor berlinense Heimer, um parceiro natural dada a paixão que ambos nutrem pela electrónica mais orgânica.

Ao longo destes anos de escrita e gravação, recheados de belíssimos lançamentos, Will Samson também se fez à estrada e tem-se apresentado ao vivo com frequência no Reino Unido e na Europa ao lado de artistas como The Album Leaf, Shearwater, Pinback, Marissa Nadler ou Kurt Vile. Assinou também primeiras partes para Ólafur Arnalds, Timber Timbre e vários outros artistas, estabelecendo afinidades e cumplicidades que atestam bem a natureza da sua fascinante música.

aline frazão : misty fest

 

ALINE FRAZÃO | “Dentro da Chuva”

Aline Frazão estreia “Dentro da Chuva”, espectáculo de apresentação do seu novo e quarto disco de originais, gravado no Rio de Janeiro no inicio deste ano. Um disco gravado ao sul do mundo, numa cidade de significativa influência e cumplicidades musicais.

A cantora e compositora angolana regressa aos palcos com um novo espectáculo a solo – tal como no álbum – num quase “voz e violão”, minimalista e poético.

Aline Frazão: voz, guitarra acústica, guitarra eléctrica, kissanje, percussão

carmen sousa : misty fest

Baptizada pela imprensa internacional como a Ella Fitzgerald de Cabo Verde ou a nova Cesária Évora.

Carmen Souza, já baptizada pela imprensa internacional como a Ella Fitzgerald de Cabo Verde ou a nova Cesária Évora, combina uma virtuosa técnica vocal jazzística com uma série de influências lusófonas, que vão do fado ao samba, da morna à bossa nova, incluindo baladas agridoces ou o ‘blues cabo-verdiano’. Esta sonoridade híbrida, muito pessoal, tem levado a cantora a actuar em dois circuitos paralelos: o do jazz e o da world music.

A par do seu trabalho discográfico, desde 2005 que Carmen Souza percorre o mundo em digressões sucessivas, participando em festivais como North Sea Jazz Festival, San Francisco, Monterrey, Montreal, London African Music Festival ou Laverkusener JazzTage Festival. Vários dos seus concertos foram transmitidos por algumas das mais importantes estações de rádio e televisão. O seu trabalho foi motivo de estudo e investigação por etnomusicólogos.

Inquestionavelmente, Carmen Souza é hoje uma personalidade forte da world music e uma das cantoras de jazz de mais sucesso. Em 2017, ano em que edita ‘Creology’, Carmen Souza volta a afirmar-se como um nome a reter na cena jazzística mundial.