CLASSIC WAVES : PETER BRODERICK | FEDERICO ALBANESE

Ciclo de concertos duplos, focados no universo musical que actualmente é internacionalmente designado como “Post Classical”, “Neo Classical”, “Modern Classical” ou mesmo “Indie Classical”. Neste género, os compositores contemporâneos usam o piano como elemento central, mas a música de influência clássica envolve-se com sonoridades que tocam a electrónica, a new age ou a música progressiva.

Peter Broderick: juntos outra vez com o seu piano

Compositor, pianista e multi-instrumentista, o americano Peter Broderick vai estar outra vez em Portugal. E como sempre será uma apresentação única. Desta vez em torno do álbum do final do ano passado, All Together Again, que integra peças instrumentais que foi coleccionado ao longo da última década e que integraram projectos artísticos muito diferenciados.

Existe por exemplo um tema épico de 17 minutos (A ride on the bosphorus) que foi comissionado para um projecto da artista Fiona Hallinan em torno de uma travessia de barco em Istambul na Turquia, mas também há lugar para uma peça original que foi composta para uma festa de casamento de uma amiga (Emily) ou para um filme (Robbie’s song).

Não surpreende que assim seja. Peter Broderick é um dos músicos contemporâneos mais solicitados para criar música para cinema, dança, instalações de arte ou teatro, seja através de peças de piano emotivas ou de composições onde o envolvimento harmónico é da ordem do celestial.

Ao lado de Hauschka ou Olaf Arnalds, é mais um desses jovens músicos inclassificáveis, que tanto se inspira na música clássica, como na folk ou na pop. Com meia dúzia de álbuns a solo, colaborações e passagens por grupos como os dinamarqueses Efterklang,  é um criador ímpar de música intima, sensitiva e calorosa, com a quantidade certa de originalidade.

Vê-lo em palco é percepcionar alguém que, em simultâneo, é um dotado tecnicamente, mas que mantém uma grande frescura na sua aproximação aos instrumentos, integrando uma certa dose de improviso nas suas apresentações, mas sem que isso dissemine o ambiente global dos seus espectáculos onde prevalece um misto de lirismo, fantasia e de elevação. Desta vez não será certamente diferente e isso são magníficas notícias.

 

Federico Albanese: o pianista contemplativo

A música de Federico Albanese foi sempre contemplativa. Já era assim nos álbuns The Houseboat And The Moon e For The Blue Hour, e volta a sê-lo no novo By The Deep Sea, em destaque na digressão que vai passar por Lisboa. O que também tem estado sempre presente na sua música é a predilecção por captar estados emocionais transitivos, aquele tipo de melancolia reflectiva que parece irromper quando o dia dá lugar à noite, quando tudo parece livre, vago, incerto, flutuando pelo espaço e tempo.

Daí que a sua música seja quase sempre delicada, misto de atmosferas gentis e notas de piano repetitivas que instauram um clima tão elegante quanto melancólico. Mas é uma taciturnidade que não se fecha sobre si própria, emanando felicidade e esperança. O compositor e pianista italiano – a residir em Berlim – é alguém que consegue dotar a sua música de uma tapeçaria de fascinantes texturas – incluindo orquestrações, pianos acústicos e eléctricos ou sintetizadores – expondo uma sonoridade evocativa, fazendo ressonância com as nossas memórias mais profundas.

Quem está familiarizado com a vaga neoclássica (de Nils Frahm a Michael Price) irá encontrar na música do italiano pontos de contacto, com ele a colocar o piano no centro da acção, rodeando-o de arranjos e elementos electrónicos, dotando a sua música de uma qualidade meditativa. Uma vez, numa entrevista, disse que gostava que a sua música conseguisse captar o mesmo tipo de ambientes reflectidos nos quadros do pintor americano Edward Hooper (1882-1967). Na sua pintura existe uma mistura de realismo e estranheza, com ênfase na atmosfera, nos cenários ou na composição minuciosa da luz. Muitos dos seus quadros parecem captar um antes e um depois de uma situação qualquer, sem que se perceba exactamente o quê, como se fossem fragmentos de um contínuo.

A música de Federico Albanese é assim: nem início, nem fim, apenas a captação da transitoriedade dos estados de espirito ou das relações humanas, através de um piano que nos interpela a todo o momento

Onde Comprar

Voltar ao Topo ↑