CLASSIC WAVES : RODRIGO LEÃO | HAUSCHKA

Ciclo de concertos duplos, focados no universo musical que actualmente é internacionalmente designado como “Post Classical”, “Neo Classical”, “Modern Classical” ou mesmo “Indie Classical”. Neste género, os compositores contemporâneos usam o piano como elemento central, mas a música de influência clássica envolve-se com sonoridades que tocam a electrónica, a new age ou a música progressiva.

Rodrigo Leão: como nunca o ouvimos

Todos achamos que conhecemos Rodrigo Leão. Afinal, são vinte e cinco anos de carreira a solo, assinalados em 2018, para além do passado colectivo com os Sétima Legião e Madredeus. E no entanto se existe alguém que tem conseguido reinventar-se ao longo do tempo é ele. Já andou pela pop, minimalismo, electrónicas, música contemporânea, clássica, bandas-sonoras (Do filme O Mordomo à série documental Portugal – Um Retrato Social) ou colaborações (da Orquestra Gulbenkian a Scott Mathews) e, no fim de contas, nunca deixou de ser ele próprio.

Já correu mundo, mas apetece ter a sua música só para nós. Já gravou com orquestras e coros monumentais, mas também compôs para embalar as primeiras palavras de um dos filhos e dedicou um álbum à mãe. É discreto mas não se assusta em convocar grandes nomes para gravarem com ele (Beth Gibbons, Stuart Staples, Neil Hannon, Adriana Calcanhoto). E acima de tudo, apesar da diversidade e qualidade do seu percurso, continua a inquietar-se e, nesse movimento, desafiando também o público.

Este ano ele vai dar os últimos concertos da digressão conjunta com o cantor-compositor Scott Matthew, ao mesmo tempo que terá uma versão revista do espectáculo Os Portugueses, mas no Classic Waves apresentará um outro conceito de concerto. Trata-se de Instrumental – O Ensaio, com forte componente de projecções vídeo e focado integralmente em composições instrumentais, sendo assistido por um Ensemble de cinco músicos.

Como sempre nele, será um espectáculo com algo de familiar – ou não tivesse uma identidade e sonoridade reconhecível – e de particular, porque haverá novas composições em que tem trabalhado nos últimos tempos e que serão reveladas em versões integralmente instrumentais. Será um concerto em que teremos a oportunidade, em primeira mão, de ouvir uma série de novos temas, em versões irrepetíveis, que farão parte de um novo álbum de originais, que será lançado até ao final do corrente ano.

Vinte e cinco anos depois do lançamento do álbum Ave Mundi Luminar (1993), Rodrigo Leão celebra a sua carreira, ao mesmo tempo que mostra o que virá aí para os anos vindouros e o Tivoli, em Lisboa, vai ter oportunidade de o testemunhar em estreia.

 

Hauschka: o mestre do piano ilusionista

Parem por uns momentos. Detenham-se no silêncio. Agora imaginem alguém a tocar piano. Depois oiçam o alemão Volker Bertelmann, mais conhecido por Hauschka, e nunca mais conseguirão imaginar o som de um piano da mesma maneira.

Ao longo de oito álbuns distribuídos por uma dúzia de anos, o alemão tornou-se no mestre do piano preparado. Para gravar o seu último álbum, What If (2017), combinou velhas e novas tecnologias. O resultado é talvez o seu álbum mais rico e imersivo. Conhecido sobretudo pelos intimistas concertos a solo, é também um dos mais originais orquestradores contemporâneos, nunca de deixando aprisionar pelas fórmulas académicas. A sua música é hipnótica, circunferências de harmonias irresistíveis, que tanto funcionam quando se faz acompanhar de um colectivo de músicos, ou na presente versão, solitariamente. Nas suas mãos o piano parece uma máquina de fazer todas as músicas possíveis, clássica, de câmara, electrónica, minimal ou ambiental.

Como os outros músicos convocados para o ciclo Classic Waves é alguém que se move por entre vários territórios, sendo dos mais sérios representantes da tendência neoclássica ou pós-clássica, conseguindo tocar um público transgeracional, alguns mais próximos da música clássica e outros mais sensíveis às linguagens populares da pop, rock ou electrónica. A feitura de bandas-sonoras para cinema ou TV é outra das suas facetas, tendo composto para inúmeros filmes, com destaque para Lion – A Longa Estrada para Cada, trabalho que lhe valeu uma nomeação (na companhia de Dustin O’ Halloran dos A Winged Victory For The Sullen) para os Óscares do ano passado.

Nos seus espectáculos a música, a iluminação e a concepção lúdica do cenário contribuem para o mesmo efeito, fazendo viajar o ouvinte, enquanto ele se entrega ao piano, por vezes seguindo um guião pré-definido, outras vezes entregando-se ao deleite do improviso. Por vezes toca as notas do piano, outras as cordas do piano, extraindo daí uma sonoridade que consegue ser percussiva ou indefinível, fazendo o ouvinte duvidar do que ouve: guitarras? Cítaras? Não, apenas o piano.

Como se não bastasse é um excelente comunicador, mostrando que a experimentação e a inteligibilidade, a erudição e a capacidade de projectar universalidade, podem caminhar a par.

Nas noites Classic Waves não só é possível, como é desejável.

 

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