De Viva Voz

Canto profundo à capela

“A tradição já não era o que é, nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era” ( Domingos Morais ).

Se soubéssemos que temos um passado comum, só pelo que os livros ou os registos sonoros nos contam, seria pouco. É porque esse passado continua – sabiamente – a produzir futuros, que estes cantos nos enchem de emoção, alegria e  nos dão uma dimensão maior ao escutá-los.
Em primeiro lugar, são cantos que trazem a sabedoria dos tempos, que encontram sempre um modo de repor continuamente o que de essencial permanece, como característica do humano.
Depois, são cantos despojados – contam apenas com a voz e o corpo de quem os canta. Mas vão buscar a sua riqueza a esse despojamento – prolongam os sons das vozes de origem, das vozes rituais, encomendam cantos  aos deuses e aos santos, celebram colheitas, espantam medos nos embalos, apoiam gestos de trabalho, dão mote aos tempos de luto ou de folia, celebrando os amores, a casa e o mundo.
São cantos despojados, sim, mas cheios de tudo isto, o que traz uma sonoridade espantosa que misteriosamente se renova, com cada geração que a eles se entrega e os prolonga, com novos arranjos e novas composições.
Na evocação do canto à capela, vão estar neste concerto quatro dos grupos de mulheres que, em Portugal, lhe dão a grandeza maior de uma tradição que se repete, se interroga e continuamente se transforma: Cramol, Maria Monda, Segue-me à Capela e Sopa de Pedra.
Com direção artística de Amélia Muge, estão pela primeira vez todas juntas, partilhando a sua voz pelos quatro cantos da sala maior do Cinema Tivoli em Lisboa.  É um apelo aos sentidos e à sua indispensável presença.
De Viva Voz, canto profundo à capela, está no  centro dos propósitos do Misty Fest, em tudo aquilo que este Festival transporta de alternativo, único e imperdível.

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