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ULISSES
NOVO ALBUM DE CRISTINA BRANCO
Cada álbum de Cristina Branco contém de maneira mais ou menos consciente o embrião do que será o seguinte: Sensus, o disco precedente da cantora portuguesa, foi a exploração da veia erótica que tinha aflorado num tema do opus anterior, Corpo Iluminado.
Ulisses faz justiça ao seu nome: evoca a viagem, a aventura, a divagação, o amor, a partida, o regresso. O mito de Ulisses podia ter nascido da Saudade portuguesa, essa nostalgia fatalista, marca da espera, tão ligada ao mar e às incertezas que ele gera.
Ao escolher o nome desta mítica figura como titulo para o seu mais recente opus, Cristina Branco refere-se naturalmente às viagens que continuamente empreende pelo mundo. Simultaneamente, responde a uma questão frequentemente colocada por jornalistas: “Como definir a música interpretada por Cristina ?”
Ulissess é um álbum muito maduro e reverente. Basta ouvir atentamente, e talvez então se possa discutir se um tema de Joni Mitchel pode ou não ser fado.
O que é o Fado senão uma canção urbana?!
Nas palavras de um crítico internacional:
“…é fado,
não é fado,
será isso importante,
quando é Cristina Branco ?”
“Fado é música, e “Ulisses” é o meu Fado. O que eu faço não pode ser rotulado. É a minha música, por agora é assim que lhe chamo. Seria obviamente mais simples, capitalizar no sucesso de temas interpretados antes por outras vozes, eu prefiro criar um nova vida para esta velha canção.
No dia em que comecei a cantar, compreendi que devia sempre seguir a minha própria estrada, só assim posso ser franca, autêntica. Não tenho temor de me aventurar. Sou fiel ao meu instinto, às minhas escolhas.
Acredito firmemente nos meus propósitos, e se piso terrenos mais difíceis não é para agradar a terceiros… a minha música é um espelho da minha vida, de tudo o que me rodeia, tem pouco a ver com o que tradicionalmente se associa ao Fado; nostalgia, mágoa, desamores.
Para além de Joni Mitchel, outros poetas, outros músicos são perpetuados pela voz de Cristina: Paul Eluard (França), Mercedes Sosa (Argentina), mas também Luís Vaz de Camões, Mourão-Ferreira, Vasco Graça Moura, José Afonso, Fausto, Vitorino, Julio Pomar...
Em ULISSES os parceiros habituais de Cristina estão todos presentes: Custódio Castelo na guitarra portuguesa, Alexandre Silva na viola, Fernando Maia na viola baixo, sem esquecer Miguel Carvalhinho na guitarra clássica, convidado para um tema: “Choro”. Pela primeira vez num álbum de Cristina surge o pianista Ricardo Dias que nos brinda com uma das mais belas obras originais do álbum a composição Navio Triste.
No interior do CD deparamos com um texto tão simples como meigo da artista que elimina a necessidade de qualquer outro comunicado de imprensa sobre ULISSES:
“ Este bravo navegante foi pensado para ir mais longe (perdoem-me a ousadia mas é a consequência dos tempos que correm), passou pelo continente americano por África por forma a seguir os passos e a urgência do meu canto e da música dos meus meninos. Perdi-me tantas vezes neste caminho, foi tão difícil retomar o rumo, acreditar outra vez…erguer-me de novo depois de desistir…até chegar a ULISSES.
Ulisses foi um desafio, cheio de chegadas e partidas, estórias de vidas, viagens longínquas, às vezes por dentro de nós, viagens no amor (ilhas perdidas…), caminhos retomados. Foi o desaguar num mar novo cheio de novas correntes para descobrir.
E é por tudo isto que tem a medida perfeita do meu filho…é para ti Martim, esta minha chegada a Ítaca!”
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