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ROSA PASSOS


A carreira profissional de Rosa Passos começou nos anos 60. Natural de Salvador, Rosa nunca escondeu sua afeição e admiração por João Gilberto, o nome internacionalmente sinónimo com bossa nova. Em 1978 ela lançou seu primeiro álbum, Recriação, com composições originais suas e de seu colaborador de longas datas Fernando de Oliveira. A partir daquele trabalho, a sua carreira disparou com grandes lançamentos, tais como Curare (1991), Festa (1993), Pano pra Manga (1996) assim como discos dedicados inteiramente aos repertórios de Ary Barroso, Dorival Caymmi e António Carlos Jobim com produção de Almir Chediak. Mais recentemente, ela trabalhou com Ron Carter e Yo-Yo Ma, podendo assim atingir um público maior fora do Brasil. O seu gosto impecável em gravar o que há de melhor na música brasileira está claro em todos os seus discos até o presente.
Com produção de Jorge Calandrelli, seu novo disco, Amorosa (2004, Sony Classical), traz Helio Alves ao piano, Paulo Paulelli no contrabaixo, Paulo Braga na bateria, Cyro Baptista na percussão e, naturalmente, Rosa Passos na voz e violão. Ela mesma fez os arranjos de todas as faixas excepto "Que Reste-t-il de nos Amours" e "Chega de Saudade", que tiveram arranjos de Calandrelli. Entre as participações especiais, destacam-se Rodrigo Ursaia no sax tenor, Paquito D'Rivera no clarinete e Henri Salvador dividindo os vocais em "Que Reste-t-il de nos Amours" e "Wave" . A faixa bônus "Chega de Saudade" apareceu originalmente no álbum Obrigado Brazil, de Yo-Yo Ma (Sony Classical).

Quatro das doze faixas aqui foram gravadas em 1977 no clássico álbum Amoroso de João Gilberto: "Wave," "Bésame Mucho," "Retrato em Branco e Preto" e "'S Wonderful". Aqui temos também o uso de cordas nesta faixas, mas o intuito de Rosa passos não foi de copiar os belíssimos arranjos de Claus Ogerman. Em vez disso, ela optou pela recriação de novos arranjos, por sinal muito bonitos também. As demais faixas também já foram gravadas pelo João com a exceção da original "Essa É Pr'o João", escrita por Rosa Passos e Arnoldo Medeiros, que é uma dedicatória pessoal para João Gilberto.
Falar sobre as interpretações que Rosa dá nestas canções aqui é uma tarefa quase impossível devido à excelente qualidade do trabalho. Ela abre o coração em cada faixa e canta do fundo de sua alma. O acompanhamento é de primeiríssimo valor em cada nota. O fraseado de Rosa é inigualável. Às vezes ele é capaz de colocar emoção em apenas uma sílaba de uma palavra deixando o ouvinte extasiado e surpreso. Por exemplo, na sua interpretação de "Retrato em Branco e Preto", nos últimos versos ela coloca tanta dor na palavra "coração" que esta mostra toda a força da canção. O mesmo ocorre em outros versos da canção, tais como "lembranças do passado" e outros mais.
É claro que em várias passagens do álbum, Rosa é puro prazer de felicidade. "Pra Que Discutir com Madame," "O Pato" e "Eu Sambo Mesmo" refletem a energia contida na pequena grande voz de Rosa. O mesmo deve ser dito sobre o material de língua estrangeira apresentado aqui. "Bésame Mucho" em toda suavidade é ardentemente passional até o último suspiro. Quanto a "'S Wonderful", o piano majestoso de Helio Alves junto com as cordas dão à canção um tom celestial. E para completar, o dueto com Henri Salvador em "Que Rest-t-il de nos Amours" atinge uma posição que nem mesmo João conseguiu em sua própria gravação. A letra que Ronaldo Bastos escreveu se encaixa perfeitamente com a letra francesa levando o ouvinte até mesmo a não perceber as mudanças lingüísticas. A última vez que o francês e o português se misturaram tão bem foi com "Joana Francesa", de Chico Buarque.
Amorosa é prova indubitável que menos vale muito mais. Voz e letra são o foco nestas canções. A instrumentação e arregimentação enaltecem a beleza das músicas. O mais não importa.


“Desde João Gilberto, nadie ha cantado Bossa Nova como Rosa Passos” (El País – Carlos Galilea).


“João Gilberto de saias ”, como é apelidada carinhosamente no Brasil, possui uma voz, cálida e afinadíssima que faz sonhar“um pouco como a lendária Elis Regina mas com o ritmo de Ella Fitzerald” (Los Angeles Times – Don Heckman).
“ Ela fez aquilo que muitas cantoras tentaram e não conseguiram: Tornou a Bossa Nova Sexy outra vez! Ela agarra nos clássicos e transforma-os em canções novas em folha! (All About Jazz)

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