Suso Saiz

Suso Saiz é um dos maiores tesouros da modernidade espanhola, um discreto gigante com uma discografia que se estende por quase quatro décadas e que nos últimos anos reencontrou lugar no presente graças à aliança com a editora de referência holandesa Music from Memory que em 2016 reuniu algumas pérolas da sua discografia na antologia Odisea, inspirando depois um regresso ao ativo que já lhe valeu rasgados elogios na imprensa especializada internacional.

A carreira de Saiz remonta a 1980, quando formou La Orquestra de las Nubes, grupo em que cruzou eletrónica, música popular e jazz com uma veia experimental que lhe garantiu desde logo um lugar de destaque na modernidade do país vizinho. Esse estatuto levou-o a tornar-se um requisitado produtor que trabalhou com os mais destacados nomes da pop espanhola dos anos 80 e 90, incluindo Jorge Reyes, Pablo Guerrero ou Dhuncan Du e Celtas Cortos.

Em anos mais recentes lançou, na Music From Memory, trabalhos de referência na vanguarda eletrónica atual como Rainworks, Nothing is Objective ou, já o ano passado, Between No Things, uma bem recebida colaboração com Suzanne Kraft, alter-ego do DJ e produtor Diego Herrera. Essa intensa atividade levou Sáiz a ser convidado por reputados festivais de música eletrónica e experimental, com a sua música de recorte ambiental e new age e com pormenores tropicais e baleáricos a ser muito bem recebida por audiências mais jovens e exigentes.

 

 

Travis Birds

Travis Birds é uma cantora madrilena que poderá muito bem revelar-se a nova obsessão coletiva dos que buscam música sem fronteiras, sem classificativos fáceis, visceral, autêntica e apaixonante. Com um novo álbum na sua bagagem de 2021, La Costa de los Mosquitos, uma janela aberta sobre o seu mundo interior, como a própria o descreve, um disco que promete plantá-la firmemente no futuro. É a própria artista que explica que quando se olhar para a sua carreira, no futuro, haverá um antes e um depois de La Costa de los Mosquitos.

A cantora, que nasceu em 1990, tem de facto muitas qualidades que lhe garantiram de imediato os efusivos elogios da imprensa espanhola. Foram essas qualidades que justificaram que os produtores do êxito televisivo La Casa de Papel tenham escolhido “Coyotes”, um tema que lançou já em 2019, para o genérico de El Embarcadero, outra série televisiva de enorme sucesso.

Para lá de “Coyotes”, Travis Birds lançou “Madre Conciencia”, reforçando assim a sua aura: música que mistura uma dimensão cinemática (e se pensarem em Almodóvar isso é mais do que natural) com flamenco, pop moderna e uma rugosidade que tem tanto de Tom Waits como de PJ Harvey. Houve igualmente “19 Dias y 500 Noches”, uma versão de Joaquin Sabina que assinou ao lado de Benjamin Prado e que lhe valeu mais uns quantos merecidos aplausos. Travis Birds começou por se revelar em 2016 com Año X, estreou-se ao vivo no Café Berlin, recolheu espanto e aplausos, despertou paixões e fez correr tinta e agora, com o seu novo álbum, La Costa de Los Mosquitos, revela mais música tremenda, feroz, que fala de obsessões que soa tão familiar quanto original. E tudo isto é acompanhado por uma vincada personalidade de palco, que sabe bem o valor de uma performance, que entende que a presença física é fundamental para impor uma visão artística. Um portento.

 

Matthew Halsall

Há um som que tem vindo a conquistar espaço nas mais relevantes plataformas de media, nos festivais internacionais, na preferência de um público mais informado e conhecedor: o novo jazz britânico! E o trompetista de Manchester Matthew Halsall é, sem a menor sombra de dúvida, uma das suas maiores referências. Salute to the Sun, o seu mais recente álbum, é apontado como um marco contemporâneo do jazz mais espiritual e é também a base para o seu novo e sofisticado espetáculo, com o trompetista e multi-instrumentista a apresentar-se à frente de um sexteto de incríveis músicos da nova escola do jazz inglês.

Halsall é o fundador e diretor da Gondwana Records, uma das mais ativas editoras independentes da cena jazz britânica, e dirige a Gondwana Orchestra com que já gravou dois álbuns. Gravou igualmente com o vocalista americano Dwight Trible, com Nat Birchall, Emanative, Greg Foat, Mr Scruff ou DJ Shadow, firmando o seu elevado nível técnico com uma abordagem emotiva e inventiva ao seu instrumento, reclamando para o seu som as marcas das obras pioneiras de gente como Pharoah Sanders ou Alice Coltrane. A revista britânica Time Out não teve dúvidas e descreveu o seu som como algo que poderia resultar do encontro o Miles Davis de Kind of Blue com a Cinematic Orchestra. Ao vivo, este belíssimo Salute to the Sun traduz uma saudade por tempos de maior bonomia, por aqueles dias que a memória se revela capaz de resguardar por anos, insuflando felicidade na imaginação de qualquer um. Exatamente o que agora todos necessitamos.

 

Nancy Vieira & Fred Martins

O balanço das águas, que viaja nas ondas, facilmente atravessa o oceano e vai do Brasil até Cabo Verde e vice-versa. Nancy Vieira e Fred Martins sabem bem disso. A primeira é um autêntico tesouro vivo das ilhas que nos deram a morna e o funaná, a coladera e tanto mais, voz de um crioulo tão universal quanto doce, tão sensual quanto moderno, que gravou nos últimos anos alguns dos mais importantes discos da cultura que a Unesco agora reconhece como Património Imaterial da Humanidade, casos de Manhã Florida ou No Amá. E Fred Martins é outro tesouro, este do lado de lá do oceano, compositor, violonista premiado, aplaudido por público e crítica, respeitado pelos seus pares.

Juntos, Nancy e Fred começaram por gravar, nesta Lisboa que a tantos une, “O Samba Me Diz”, unidos pelo produtor Paulo Borges. Foi essa a canção que também interpretaram juntos num especial televisivo, A Música é Meu País, que a RTP 1 exibiu recentemente. E nesse balanço doce do samba em que Nancy e Fred se encontraram nasceu uma cumplicidade que agora se prepara para se traduzir em concerto, um dueto íntimo de dois talentos gigantes que pegam na bossa e em ritmos de cabo Verde e dão-lhe novas nuances, novos sotaques, novas doçuras. Música de qualidade extrema, de sinceridade total, capaz de agarrar corpos e corações, executada por dois artistas que são tão genuínos quanto universais. Não podia ser melhor.

THE SIMON AND GARFUNKEL STORY

Paul Simon interpretado por Sam O’Hanlon
Art Garfunkel interpretado por  Charles Blyth 

O cancioneiro da mítica dupla Simon & Garfunkel é um dos mais celebrados do mundo. Quando assinaram o mítico Concert In Central Park em Nova Iorque em 1981, Paul Simon e Art Garfunkel arrebataram não apenas o meio milhão de pessoas que os aplaudiu nessa noite, mas toda uma geração que entoou a uma voz temas eternos como “Mrs Robinson”, “Cecília” ou “The Boxer. 

The Simon & Garfunkel Story já foi visto por mais de 250 mil pessoas, o que o torna no musical itinerante mais visto no mundo. Inclui as vozes de exceção de Sam O’Hanlon, no papel de Paul Simon e Charles Blyth, que encarna Art Garfunkeluma banda de músicos de elevadíssima qualidade e novas tecnologias de projecção de vídeo de alta definição tornam esta uma experiência única, perfeita para públicos de todas idades que continuam a querer aplaudir as grandes canções que unem gerações. 

 

Harlem Gospel Choir

Novo espectáculo de Natal para toda a família pelo mais famoso grupo de gospel do mundo! 

O Harlem Gospel Choir já actuou ao lado ou em frente de alguns dos maiores nomes do planeta: de Nelson Mandela ao Papa João Paulo II, de Paul McCartney a Jimmy Cliff e Diana Ross, de Bono e dos U2 aos Simple Minds e aos Gorillaz. O talento deste colectivo é reconhecido por gigantes de diferentes quadrantes da música, exactamente porque representam o que de melhor esta cultura do gospel tem para oferecer.  

Harlem Gospel Choir é o mais famoso grupo de gospel da América, facto comprovado pelo impressionante currículo que acumulou desde que foi fundado por Allen Bailey em 1986, depois de um momento de inspiração obtido ao assistir a uma cerimónia de homenagem a Martin Luther King.  

O gospel tem a condição singular de ser ao mesmo tempo uma música de devoção e de celebração e por isso as actuações do Harlem Gospel Choir são sempre exuberantes e profundamente sentidas. Foram exactamente essas características que o presidente Obama teve em conta quando convidou o Harlem Gospel Choir para cantar na abertura da sua campanha. A benção parece ter resultado. 

 E agora, preparam um novo espectáculo para Portugal, um país que tem sabido recebê-los de braços abertos e sempre com lotações esgotadas.  

 

 

Rão Kyao

Rão nasceu em Lisboa, começou a estudar saxofone e flauta ainda na adolescência e em 1965 começou a pisar palcos, sendo várias vezes aplaudido no Hot Clube, tendo a oportunidade de pisar as tábuas do mítico espaço lisboeta ao lado de figuras tão importantes quanto os americanos Don Byas e Dexter Gordon ou o britânico Ian Carr. A experiência recolhida permitiu-lhe estrear-se no Festival Internacional de Jazz de Cascais em 1971, já lá vão 50 anos, como parte dos The Bridge. Voltou a participar no mesmo evento em 1972 com os Status e nesse mesmo ano juntou-se a vários nomes conceituados na música portuguesa, como Paulo Gil, José Niza ou José Calvário, para secundar Mário Viegas no álbum de poesia declamada Palavra Ditas editado pela Orfeu. Respondia ainda ao nome Ramos Jorge.

A sede de mundo que Rão Kyao nunca escondeu sentir cedo o levou para fora das nossas fronteiras: fez temporadas em clubes de jazz de Madrid e depois rumou a França, onde não apenas começou a estudar música indiana, sempre em busca de uma raiz distante que ele sentia existir na música portuguesa, como também começou a participar em sessões de estúdio, nomeadamente ao lado de conceituados músicos africanos: em 1974 gravou em Paris com o trompetista nigeriano Ray Stephen Oche o álbum Interpretation of the Original Rhythm.

De volta a Portugal, já depois do 25 de Abril, participou em 1976 nas gravações daquele que é apontado como um dos mais importantes discos de rock da década, Homo Sapiens, criação dos Saga de José Luís Tinoco em que participavam igualmente outros grandes músicos como Zé da Ponte, Fernando Girão ou Fernando Fallé. Esse foi igualmente o ano em que se estreou em nome próprio nos discos, lançando na Valentim de Carvalho a hoje cobiçada peça de coleção Malpertuis, disco que contava com produção de Paulo Gil, grande agitador do jazz nacional, e que contava com participações de Fernando Girão ou de António Pinho Vargas. No ano seguinte, o seu álbum Bambu, que reunia a nata dos músicos portugueses contando com Celso Carvalho da Banda do casaco, Victor Mamede do Quarteto 1111 ou, uma vez mais, António Pinho Vargas, conquistou a distinção de álbum do ano pela crítica especializada. Antes da década de 70 terminar lançou ainda o experimental álbum Goa que cimentou ainda mais a sua reputação como músico com espírito pleno de aventura, espírito esse que não muito tempo antes o tinha levado até Bombaim, na Índia, para participar num festival local como parte da banda de Clark Terry. A viagem foi, claro, aproveitada para uma estadia de vários meses que foi devotada ao estudo.

A década de 80 arrancou com o lançamento de um álbum gravado ao vivo no Festival de jazz de Cascais com três músicos britânicos, incluindo o pianista Mike Carr, irmão de Ian Carr, uma das grandes referências do instrumento em Inglaterra. Ritual foi o álbum lançado em 1982, resultado de uma colaboração com uma secção rítmica de músicos indianos, e depois, voltando-se de novo para as suas raízes e para uma das suas grandes paixões, o fado, Rão haveria de lançar em 1983 aquele que é ainda um dos maiores sucessos da sua carreira, o clássico Fado Bailado, um dos primeiros trabalhos em que o fado foi abordado por um músico com uma perspetiva exterior, fresca e inventiva. Foi o primeiro álbum português a ver as suas significativas vendas traduzirem-se no galardão de platina! Estrada da Luz, o seu álbum seguinte, popularizou-o como flautista e chegou ao topo das tabelas de vendas, fazendo de Rão Kyao um nome de referência na música portuguesa mais popular.

As suas aventuras musicais levaram-no depois a Macau, onde gravou o álbum Macau o Amanhecer, editado em 1984, com o resto da década a revelar ainda as edições de Danças de Rua, outro enorme sucesso e uma produção ambiciosa que decorreu entre o Rio de Janeiro e Lisboa e que contou com a participação de músicos como o grande acordeonista Sivuca, e ainda Viagens na Minha Terra.

Nos anos 90, Rão provou ser um dos músicos portugueses mais em sintonia com a ideia de world music, gravando logo em 1991 o clássico Delírios Ibéricos com os espanhóis Ketama, talvez o primeiro grande encontro entre a música portuguesa e o flamenco. O fado e o Oriente inspiraram o resto da década, incluindo o trabalho Junção Macau gravado em 1999 com a Orquestra Chinesa de Macau, mais um marco na história da música portuguesa e da sua relação com o mundo.

Os últimos 20 anos foram igualmente recheados de conquistas: dilatou a sua discografia com trabalhos que voltaram a recolher elogios da crítica e favores do público – tais como Fado Virado a Nascente (2001), Porto Alto (2004), Em’Cantado (2009) ou, entre outros, Coisas Que a Gente Sente (2012) – viajou pelo mundo, arrebatou audiências e conquistou prémios e honrarias de topo, como a Ordem do Infante D. Henrique, a ele atribuída em 2007 pelo Presidente da República, ou a comenda da Academia das artes e Ciências de Paris, em 2011, atribuída pelo estado francês.

Todos estes marcos fazem da carreira de Rão Kyao uma das mais ricas e extensas da música portuguesa: Rão viu o mundo como poucos, dialogou com muitas culturas, de África ao Brasil, da China à Índia, da América a Espanha, procurando sempre usar a alma portuguesa que tão bem traduziu com o seu sopro singular como ponte para a aproximação com outros povos, outras línguas e outras experiências. Nenhum outro músico português o fez desta forma, com esta intensidade e com tamanho reconhecimento.

 

NOPO ORCHESTRA

O termo World Music parece ter sido criado exatamente para descrever encontros como este. Mais do que um cruzamento entre a Noruega e Portugal, este concerto apresentará um misto de ideias criativas que se apoiam nas tradições portuguesa e nórdica. Os mestres Seglem e Kyao trabalharam juntos há cerca de 10 anos. Agora é tempo de uma re-união acompanhar o sucesso da fusão de “paisagens” musicais e humanas, criar novas viagens e também juntar-se a músicos mais jovens de ambos os países. Esta colaboração musical já cresceu há anos – e sons emocionantes da música são realizados e serão agora desenvolvidos.

A MÚSICA
Podemos esperar um intenso grau de comunicação, entre Karl, Rão e Francisco – e também entre esta nova banda. É evidente que procuram uma nova inspiração e desenvolvem tradições. É também uma colaboração musical entre gerações que fazem novos sons juntos. E a música é uma forma de contar histórias e descrever o mundo, meditar e viajar. O facto de as críticas de concertos tanto de Karl Seglem como de Rão Kyao mencionarem sempre um elemento místico permite-nos prever que nesta música haverá muitos momentos mágicos. Karl promete um concerto repleto de “espaços e surpresas, melodias fortes, improvisações imaginativas e com algo que pensa que a Noruega e Portugal também têm em comum: A melancolia/Saudade”.

A banda tocará música de Karl Seglem, Rão Kyao e Francisco Sales e adicionará algum reportório tradicionais de ambos os países. Depois da estreia e da digressão, gravarão música no início de 2022.

KARL SEGLEM
Karl Seglem é um dos mais conceituados músicos, compositores e poetas da Noruega. É um talentoso tenor saxofonista, e há mais de 20 anos que toca diferentes chifres de cabra. Um instrumento de uma tradição milenar, um som do passado. A sua música tem um amplo espectro estético que vai da mais séria tradição popular aos sons de forma livre mais empenhados. E como Rão, Seglem é um grande “viajante”, sinal de que também está a olhar para além das tradições especiais norueguesas de violino com que tem trabalhado, para expandir a sua música. Seglem é obviamente um músico que procura novas experiências e que acredita no poder universal da comunicação que a música proporciona: “pode pensar nisto como um cliché, mas também é verdade”.

RÃO KYAO
Rão Kyao é uma lenda, um ícone, e ainda um dos músicos mais respeitados em Portugal. Trouxe a flauta de madeira para fado e tradições folclóricas e é um dos maiores flautistas do mundo. A sua ideia de Portugal baseia-se numa sensibilidade mediterrânica que lhe permite olhar para a identidade luso como resultado de um longo processo de intercâmbios culturais e históricos. A sua música reivindica a influência das planícies do Alentejo e das praias do oriente. E isto acontece em mais de 3 décadas, de intenso trabalho com música. Tudo isto é colorido espelhado nos muitos lançamentos de Rão desde o seu enorme sucesso no início dos anos 1980

FRANCISCO SALES
Francisco Sales gosta de aventura – Autor de dois álbuns amplamente aclamados por conhecedores: Valediction e Miles Away, o guitarrista está neste momento a preparar o seu terceiro disco a solo – um projeto que diz estar a ajudá-lo a revendir a sua arte. “Sinto que estou a tentar encontrar-me outra vez, mas de uma forma diferente… O que criamos sai das nossas experiências, e é isso que me atrai na arte.” O jazz é a sua língua – que encontrou nas jam sessions que descobriu no ESMAE do Porto, e depois foi mais longe na Faculdade de Música de Lisboa, onde se formou. E depois decidiu pôr em prática o que leu em todos os livros e aprendeu com os seus professores, foi para Londres. Francisco tem tocado com uma elite de músicos sofisticados que manifestaram a sua criatividade nas áreas do jazz, soul, eletrónica e funk. “Regressei a Portugal em 2017 e vivo aqui desde então”, diz Francisco. “É o país onde a inspiração vem mais naturalmente, onde eu gosto de desfrutar da vida, onde sempre fui o mais seguro e o mais feliz. Ainda jogo com incógnitos por todo o mundo, mas vivo em Portugal. A guitarra de Francisco Sales é um instrumento que o leva onde quer que a sua imaginação conduza.

PENGUIN CAFE

Em boa hora Arthur Jeffes decidiu pegar no legado do seu pai, Simon Jeffes, e reinventar a mítica Penguin Cafe Orchestra, que nos anos 80 foi responsável por algumas pequenas obras primas como Signs of Life ou When In Rome…, discos lançados por Brian Eno. O resultado é a moderna aventura Penguin Cafeprojeto apostado em prosseguir na mesma senda, entre um estilo nelo-clássico e de câmara e uma leveza pop muito etérea. 

O mais recente álbum dos Penguin Cafe de Arthur JeffesHandfuls of Night, resulta de uma encomenda da Greenpeace que lhe pediu quatro peças que funcionassem como um hino ou homenagem a quatro espécies de pinguins, gesto que pretende chamar a atenção para o perigo de extinção que estes animais enfrentam devido à crise climática em que vivemos. A música é de uma beleza tão arrebatadora como a da própria natureza em que esses seres habitam, entre cordas e piano, melodias expostas em sublimes arranjos que nos carregam para outra dimensão. 

 

Rodrigo Cuevas

A apresentação de Rodrigo Cuevas é clara: “Agitação folclórica e eletrónica, estrela do campo, humor, erotismo elegante, hedonismo e celebração dos direitos inegociáveis”. Cuevas faz parte de uma nova geração de artistas espanhóis que procura na tradição os argumentos para apresentar ao futuro. Com a ajuda do conceituado e ultra-requisitado produtor Raül Refree (Lina, Rosalía ou Lee Ranaldo são alguns dos artistas com que trabalhou recentemente), Rodrigo Cuevas afirmou uma visão musical singular e moderna, que casa elementos do flamenco e de outros folclores espanhóis com toques de eletrónica e outros elementos contemporâneos.

Trópico de Covadonga é o nome da digressão que tem arrecadado aplausos efusivos por toda a Espanha (e não só…), cruzando, além da música, coreografias e projeções vídeo num envolvimento multimédia de perfeito arrojo. A base é o álbum produzido e cocomposto por Refree, Manual de Cortejo, que saiu no final de 2019 e se encontra nomeado para os mais importantes prémios da crítica e da indústria do país vizinho. Artista singular com música exótica, sensual e avançada.