Amélia Muge – um gato

Este concerto vem na continuidade do último trabalho de Amélia Muge que consta de um livro de poemas e de um CD a lançar no fim do corrente ano, princípio do próximo e ainda em fase de gravações.

Se o ponto de partida são os gatos e o que os mesmos representam nas nossas vidas, num momento em que parece que a comunicação entre os homens está tão difícil, quer o CD quer o concerto vão também incluir poemas de poetas (e são muitos) que falaram e falam da sua relação com estes animais.

Assim, não só teremos canções com letra e música desta cantora/compositora, como composições suas para a poesia de Fernando Pessoa, Manuel António Pina, José Jorge Letria, Eugénio Lisboa ou W.B.Yeats. Ary dos Santos foi musicado por António José Martins e Baudelaire por Michales Loukovikas. Hélia Correia fez uma composição original também musicada por Amélia Muge que também faz uma parceria com sua irmã, Teresa Muge.  O Dueto de Gatos de Rossini, abordado de uma forma muito original é também um dos compositores deste trabalho.

Outra característica importante é que, à semelhança do livro de poemas, o CD e o concerto são um espaço de convívio entre vários géneros literários e musicais e destina-se a um público que engloba crianças e adultos, pois alguns dos temas são dedicados aos mais pequenos.

Um quarteto de cordas e uma guitarra clássica são o grupo perfeito para esta   sonoridade evocativa destes felinos, seus glissandos e ron-rons, com alguns elementos eletrónicos que ajudam a desconstruir a sonoridade do género clássico acentuando paisagens sonoras, destaques repentinos ou situações de comicidade.

As ilustrações, feitas por Amélia Muge, como é costume noutros trabalhos, também serão utilizadas no concerto para uma animação específica que vai, por si só, ser o elemento visual determinante.

A leitura de alguns dos poemas do livro trará alguns momentos de passagem entre os vários temas o que dará à palavra poética uma oralidade influente na forma como ajuda ao relacionamento emocional que muitos de nós têm, inclusive, de uma forma profunda, com estes seres magníficos e misteriosos.

Num momento tão conturbado como este a nível planetário com influência sobre todos nós, há que não ceder à tristeza, ao naufrágio dos sentidos, das convicções e dos valores.

Um gato, pode ajudar-nos a chegar até uma ilha, qualquer coisa que nos permite sobreviver, fazendo dele, em nós, um símbolo de resistência e sobrevivência. Um ponto fixo, de onde intuímos, nem que seja por momentos, um novo mundo, uma ilha-ninho, palco desta nova proposta de Amélia Muge em concerto.

Danças Ocultas – Inspirar

Danças Ocultas estão entre os representantes mais inovadores e emocionantes da música contemporânea Portuguesa. Desde maio de 1989 que Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel se organizaram em torno de um sonho: o de desenvolverem as suas aptidões como executantes enquanto investigavam as possibilidades de afastar o instrumento do conservadorismo do folclore, respeitando o que então entendiam como a “vontade da concertina”, mas fazendo para ela uma música nova. Esses tempos conduziram a um nome para o quarteto que surge da criação de música para a qual a dança ainda não foi inventada. A inspiração vem da música de câmara, do Nuevo Tango e de outras músicas tradicionais urbanas. “Folk impressionista” é talvez o melhor rótulo para essa música de arte intemporal: minimalismo, pinturas sonoras profundas cheias de reviravoltas inesperadas e nobre melancolia. Música muito especial – é impossível escapar ao seu magnetismo. 

Agora, o quarteto apresenta INSPIRAR, a décima obra da discografia, editada no dia 23 de maio  de 2025 pela UGURU (território nacional) e pela Galileo Music Germany (território internacional).

“Em INSPIRAR, Danças Ocultas assumem abertamente o conceito de criar tempo, luz e respiração, com a intenção de moldar uma música crua, mas expressiva.”

INSPIRAR, respirar para dentro, no sentido de criar, marcando uma viragem estratégica na carreira artística do grupo, após três álbuns (Arco, Amplitude e Dentro Desse Mar) que podemos definir como “respirar para fora”.  

INSPIRAR para partilhar, assumindo a generosidade no sentido da partilha da música e do que ela possa inspirar a quem a ouve. 

Neste novo trabalho, gravado na Biblioteca Manuel Alegre, em Águeda, assistimos a um recentramento na cumplicidade que tem caracterizado desde sempre o quarteto, num regresso à sua formação base, após diversas parcerias musicais levadas a cabo em álbuns anteriores. 

Em INSPIRAR, álbum que conta com os singles “Pulsar” e “Pedra do Sol”, o grupo assume abertamente o conceito de criar tempo, luz e respiração, com a intenção de moldar uma música crua, mas expressiva. Houve algo de muito orgânico neste processo – como se cada peça fosse burilada e esculpida até restar apenas o essencial. 

Delfins U Outro Lado

Caso raro de longevidade e reinvenção, os Delfins preparam-se para uma nova viagem com U Outro Lado, a digressão que promete dar brilho às canções menos óbvias, mas igualmente marcantes, do seu repertório.

Na atmosfera intimista dos teatros e auditórios, os Delfins convidam o público a embarcar numa viagem por canções menos conhecidas, mas que carregam a mesma força e identidade que definiu a sua trajectória.
Em 1988, os Delfins editavam U Outro Lado Existe, um manifesto pop que não só cravou no cancioneiro nacional temas como 1 Lugar ao Sol, Aquele Inverno e Bandeira, mas também serviu como declaração de princípios: há sempre um outro lado, um lado B menos óbvio, mais íntimo, onde reside a verdadeira essência de uma banda.

Se na altura o Delfim chamava a atenção para a existência e preservação de um caminho pop-rock alternativo à música ligeira, hoje essa premissa nunca foi tão evidente.
Em 2025, os Delfins voltam a esse ponto de fuga, onde os acordes esquecidos ganham nova vida e as entrelinhas da sua discografia se tornam protagonistas.

Depois da grande celebração dos 40 anos de canções – com concerto no Meo Arena, Super Bock Arena, Multiusos de Guimarães, Rock in Rio, Vilar de Mouros e um extenso percurso por festivais e festas de norte a sul do país – os Delfins, como monges do seu próprio destino, recolhem à intimidade dos teatros e auditórios para uma digressão singular, onde muitos dos temas que normalmente ficam de fora das playlists ganham um novo fôlego.
“U Outro Lado” será, assim, um espaço único de reencontros e proximidade por excelência, convidando o público a imergir nas memórias futuristas da dinâmica inconfundível que sempre caracterizou o percurso da banda. Acontece por tempo limitado, num espaço onde a proximidade não é apenas física, mas emocional. Como tudo o que é raro. E indispensável.

Delfins

 

Celebração – 40 anos Tour – O projeto

Em 2024 os Delfins celebram 40 anos de canções e vão premiar os seus fãs com uma tour que reune todos os seus maiores êxitos.

Saber Amar, Nasce Selvagem, Um Lugar ao SolSou Como Um RioA Cor Azul, Ao Passar Um Navio, A Baia de Cascais… e tantos outros sucessos, num espetáculo para cantar do principio ao fim e que junta em palco a formação original dos anos 90, década de ouro da banda: Miguel Ângelo, Fernando Cunha, Luís Sampaio, Rui Fadigas, Jorge Quadros e Dora Fidalgo

A UGURU, que tem estado a assegurar o management dos Delfins, junta-se a aFirma a partir de agora por acordo com a Gigs On Mars (agente oficial da banda), na venda de espetáculos.

Os Delfins bateram todos os records de venda de discos e espetáculos nos anos 90 e hoje em dia continuam a banda portuguesa com mais singles a tocar na rádio.

 

 

 

Fernando Cunha

Fernando Cunha é uma daquelas figuras sem as quais é impossível contar a rica história do pop-rock em Portugal: a sua particular história nasce nos Delfins, passa pela Resistência e pelo colectivo Ar de Rock e desagua em 25 anos de percurso a solo que em 2023 teve tradução e celebração no álbum A Linha do Tempo – Ao Vivo em Lisboa. Também em 2023, Fernando Cunha teve a oportunidade de, rodeado de amigos e colaboradores, esse importante marco de carreira em nome próprio com dois grandes concertos que mereceram os mais veementes aplausos do público no festival O Sol da Caparica e também nas sempre muito concorridas Festas do Mar, em Cascais.

Para 2024, o músico veterano imaginou uma digressão especial a que chamou Do Mar ao Cais. Ocupando-se em palco da guitarra e da voz, Fernando Cunha faz-se acompanhar por João Campos em voz e guitarra acústica, João Gomes nos teclados e coros, João Alves na guitarra elétrica e coros, Philippe Keil no baixo e Francisco Cunha na bateria – os Invisíveis, banda rodada e com muita experiência que tem acompanhado o músico em muitos quilómetros de estrada. Juntos, interpretam novas e bem originais versões de clássicos como “Ao Passar Um Navio” e muitos dos temas que Fernando Cunha foi criando nesse quarto de século muito preenchido de música, de “Vou Sorrir” a “Se Eu Pudesse Um Dia”.

Em concertos mais especiais, como aconteceu nas supra-citadas passagens pel’O Sol da Caparica ou pelas Festas do Mar de Cascais, Fernando Cunha poderá chamar convidados especiais como Olavo Bilac (Resistência/Santos e Pecadores), Rui Pregal da Cunha (Heróis do Mar/LX 90), Paulo Costa (Ritual Tejo) ou Maria Leon (Ravel/ Ar de Rock/Chameleon Collective), argumentos adicionais para um espetáculo cuidado e enérgico que se desenrola como uma celebração da vida, do rock e da amizade e capaz, por isso mesmo, de tocar os públicos mais diversos.

Francisco Sassetti

FRANCISCO SASSETTI – FOTO: Rita Carmo

Três Décadas de Excelência Artística 

Com mais de 30 anos de carreira, Francisco Sassetti é um nome incontornável da cena clássica portuguesa. Ao longo do seu percurso, o compositor e pianista atuou em países como França, Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, Espanha e Uruguai, colaborando com alguns dos melhores músicos nacionais e internacionais. Gravou uma dezena de discos, incluindo projetos ao lado de Maria João e Ute Lemper, entre outros.

Agora, Francisco Sassetti apresenta HOME – Reworked for Felt Piano. Este novo álbum, editado a 7 de março pela UGURU, representa uma revisitação ao universo sonoro de Home, agora reinterpretado no felt piano, trazendo uma nova dimensão de profundidade e intimismo às suas composições.

Temas como “Dawn”, “Home” ou “Goodbye” deixam transparecer o peso emocional que se enreda nas melodias que nos tocam no lado mais fundo. Triste (mas nunca sombria), introspectiva e nostálgica, esta música também vibra com vida e paixão, afirmando o nome de Francisco Sassetti no entusiasmante panorama da cena neo-clássica. 

As peças do compositor e pianista são contemplativas, cinemáticas, muito líricas e desenvolvem-se numa trama que soa quase mágica e que é indubitavelmente plena de emoção. 

 

Uma História Contada ao Piano 

Francisco Sassetti distingue-se pela sua capacidade única de transformar experiências pessoais e quotidianas em narrativas musicais envolventes. Inspirado pelas viagens entre estilos musicais, cria verdadeiros contos ao piano, num registo de storytelling que toca o coração do público. 

A sua música insere-se no movimento neoclássico, uma vertente minimalista que dialoga com nomes como Arvo Pärt, Wim Mertens, Michael Nyman e Ludovico Einaudi. Este estilo une influências da música clássica, jazz e bandas sonoras, criando uma experiência única e emocional. 

Além de pianista, Francisco Sassetti é professor na Escola Superior de Música de Lisboa e na Orquestra Metropolitana de Lisboa, compositor, diretor de coro e criador de peças de teatro musical. A sua versatilidade levou-o a participar em espetáculos de cabaret e até numa banda de rock sinfónico, mostrando uma paixão pela música em todas as suas formas. 

 

 

José Peixoto & Nuno Cintrão – carlos paredes

No ano em que se assinala o centenário do nascimento do compositor português Carlos Paredes, os guitarristas e compositores José Peixoto e Nuno Cintrão prestam homenagem ao legado imortal da sua música. Partindo das referências, inspirações e cumplicidades do seu trabalho que desenvolveram no duo Combinatorium, com o qual lançaram o álbum Fragmentos Imaginários (2023), os músicos propõem-se agora a explorar e reinventar o universo sonoro do mestre da guitarra portuguesa num álbum composto por 10 temas (cinco da autoria de Carlos Paredes e os restantes da autoria do duo), que terá edição a 10 de outubro. 

VISITA é um encontro com Carlos Paredes, naquilo que o próprio ato de visitar contém: conhecer e estar com alguém e o efeito que esse encontro tem em nós como saudação e lembrança. Nesta VISITA sai assim reforçado o desejo de uma homenagem em diálogo com a criação de novas leituras musicais, a partir da fusão de linguagens trazidas pela guitarra clássica e pela guitarra elétrica, prolongando o desafio contido nos temas de Paredes que já eram, profundamente inovadores.  

Sobre José Peixoto 

José Peixoto é um guitarrista, compositor e produtor de renome de Portugal, celebrado pela sua habilidade excecional e abordagem inovadora à música. Com um passado mergulhado na guitarra clássica, Peixoto criou um nicho para si próprio na cena musical contemporânea, misturando estilos tradicionais portugueses com influências modernas. Com uma vasta discografia, as suas composições reflectem frequentemente uma profunda ressonância emocional, mostrando a sua capacidade de transmitir sentimentos complexos através da melodia e do ritmo. A sua dedicação ao ofício e o seu som distinto continuam a inspirar tanto o público como os aspirantes a músicos. Para além do seu recente e premiado grupo – LST Lisboa String Trio, José Peixoto tem colaborado com uma variedade de artistas notáveis, com destaque para o famoso grupo português Madredeus. O seu trabalho com o grupo foi fundamental na fusão da música tradicional portuguesa com elementos contemporâneos, realçando o som único do grupo. Para além disso, Peixoto fez parceria com a cantora de Jazz de renome internacional Maria João e com José Mário Branco, Janita Salomé, Carlos Zingaro, João Monge, para citar apenas alguns exemplos. Estas colaborações permitiram-lhe explorar diferentes estilos musicais e expandir os seus horizontes artísticos.  

A capacidade de Peixoto de trabalhar com diversos músicos demonstra a sua versatilidade e o seu empenho em enriquecer o panorama musical português, tornando-o uma figura importante na música contemporânea. 

Sobre Nuno Cintrão 

Guitarrista, compositor e artista multidisciplinar, Nuno Cintrão é um músico multifacetado que se dedica à experimentação e construção de objetos sonoros, bem como à criação de espetáculos multidisciplinares. Compõe regularmente para dança e teatro, contando com mais de 50 bandas sonoras originais. 

Cintrão é conhecido pelas suas atuações dinâmicas e pela sua abordagem inovadora à música, que integra uma fusão única de géneros, incorporando elementos de rock, jazz e sons tradicionais portugueses. Como guitarrista, acompanhou Teresa Salgueiro (ex-Madredeus) na digressão do álbum Horizonte e formou o duo Combinatorium com o guitarrista José Peixoto, com quem lançou o álbum Fragmentos Imaginários (2023). Tem marcado presença assídua na programação cultural de teatros, auditórios e serviços educativos por todo o país (Fundação Calouste Gulbenkian, CCB, entre outros), tanto no continente quanto nas ilhas, além de ter tido frequentes oportunidades de apresentar os seus projetos em palcos e festivais internacionais de renome, em países como Bélgica, Hungria, Alemanha, Itália, Espanha, Brasil, Macau e Cabo Verde. 

Lina_Camões

Chancela de Manifesto Interesse Cultural atribuída pelo Ministério da Cultura.

A multipremiada fadista LINA_ está de regresso com um novo e extraordinário trabalho editado mundialmente pela editora alemã Galileo Music em janeiro 2024. O título deste trabalho é LINA_ Fado Camões e tem sido aclamado pela crítica nacional e internacional, tendo atingido o nr #1 dos prestigiados tops europeus de World Music – World Music Charts Europe (Março), Transglobal World Music Charts Worldwide (Abril) e ainda “top of the world tracks” da revista britânica Songlines Magazine

Uma voz expressiva inconfundível. Uma música espaçosa assente no fado. Um trabalho de composição singular à volta da poesia de Camões. Eis “Fado Camões”, o novo álbum de LINA_ editado mundialmente a 19 de janeiro, pela editora alemã Galileo Music, depois de há três anos ter surpreendido o mundo ao lado do produtor e músico espanhol Raül Refree, num álbum com vista para Amália, celebrado nos palcos do globo. 

LINA_ regressa agora na companhia do produtor e músico britânico Justin Adams, naquele que acaba por ser um álbum mais pessoal, tendo como base a lírica de Camões, a composição de fados tradicionais e também da autoria da própria cantora. Segundo ela a ideia começou a tomar forma depois de se debruçar sobre a vida de Amália e de ter percebido que o poeta de que mais gostava era Camões. “Fiquei curiosa, quis conhecer mais, para além dos ‘Lusíadas’ ou dos ‘Sonetos’, e fui descobrindo que as temáticas de Camões – a mudança, a infância, o amor, o desamor ou a descrição da natureza – se podiam adaptar ao fado e às suas métricas.”   

Um encontro entre cantora e poeta que, um outro poeta e ensaísta, Nuno Júdice, descreve assim: “ 

Para cantar um poema perfeito, só uma voz perfeita. A forma como se conciliam fazem-nos ouvir, para lá dos tempos, dos instrumentos e das palavras o canto da própria poesia. É esse milagre que temos na voz de LINA_ e na recriação musical que encontramos nestas canções. Mais do que o fado, mais do que uma identidade portuguesa, é o regresso a esse espírito ibérico que caracterizou Portugal até ao século XVII que agora vemos renascer, com a pureza sem preconceitos de uma interpretação em que o português e o galego se unem em total harmonia, como na origem galaico-portuguesa das duas línguas, hoje autónomas.” 

Existem justificadas expectativas sobre este novo trabalho, depois dos reconhecimentos do anterior registo – álbum do ano para a World Music Chart de 2020 ou Prémio Carlos do Carmo 2021, entre muitos outros – abrindo-se agora um novo capítulo ao lado de Justin Adams, músico, compositor e produtor, conhecido por produções para Robert Plant, Rachid Taha, Tinariwen, Jah Wooble ou Souad Massi, ou pelas colaborações com nomes distintos como Brian Eno ou Sinead O’ Connor. Numa frase: alguém que sempre esteve comprometido com essa ideia de misturar o tradicional com elementos contemporâneos. Tendo crescido no Egipto, promoveu o encontro dos blues com as dinâmicas tradicionais da música do Magrebe, sendo agora essas influências transportadas para o trabalho com LINA_ 

Não surpreende que a voz e os acordes da guitarra portuguesa, que nos remetem para o fado, coabitem com um certo balanço e clima africanizado, como em “Quando vos veria”, ou “In labirinto”, com a presença subtil da percussão por entre a voz, ou no lado solto de “Desencontro”, enquanto em “O que temo e o que desejo”, um dueto com o Asturiano agitador folklórico Rodrigo Cuevas, é um insinuante ritmo latino que se encontra com os acordes do fado. 

É, ao mesmo tempo, uma nova e uma familiar LINA_ que entrevemos no novo trabalho. A elegância despojada do passado recente, ainda está lá, mas agora existe uma nova espacialidade, onde a voz sobressai por entre piano, guitarra e quase silêncio, criando outros cenários, com a dor, justeza e dignidade, a par, como em “Desamor” ou “Senhora minha”. Em “Amor é um fogo que se arde sem se ver”, a voz de LINA_ suspende-se, numa atmosfera quase próxima do silêncio, apenas alguns acordes de guitarra e uma névoa digital como suporte, enquanto em “Pois meus olhos não cansam de chorar”, são integrados ruídos concretos por entre notas de piano, com a poesia de Camões a revelar-se em cenários de melancolia, mas também de celebração. 

Em estúdio estiveram Pedro Viana,na guitarra portuguesa ,o inglês John Bagott, que já operou com os Massive Attack, Portishead ou Robert Plant, em piano e teclas, e Ianina Khmelik, em dois temas, no violino. 

“O Raul e o Justin têm essa curiosidade em descobrir ligações entre o tradicional e o contemporâneo, mas desta vez o processo foi diferente”, reflete Lina. “Neste caso fui eu que fiz em casa as ‘demos’ e idealizei os ambientes de cada música, surgindo depois os arranjos e os processos de produção. Foi árduo. Daí ser um disco assinado apenas por mim. Em relação ao anterior, este é mais debruçado na língua, na escrita, na poesia e na estrutura dos poemas do Camões que se podem unir ao fado. O outro tinha mais a ver com a música, o som, as texturas.” 

Uma obra mais pessoalizada, o que não significa, obviamente, um leque de colaborações menos importantes, como aconteceu com Amélia Muge, que para além de ser autora da música e letra da canção “Senhora minha”, constituiu uma voz importante na adaptação das letras. “Nada se faz sozinha”, diz LINA_. “A Amélia foi muito especial. O meu ombro neste caminho. As suas opiniões foram fundamentais. Aprendi imenso com ela.” 

Na digressão que terá início em janeiro, LINA_estará em voz, sintetizadores e percussão, Pedro Viana, em guitarra portuguesa, Ianina Khmelik, em violino, piano acústico e sintetizadores, prevendo-se que John Baggott também venha a estar presente em algumas datas. O que não invalida que LINA_ continue a actuar assiduamente no Clube de Fado, em Lisboa, onde é residente: “É um treino vocal e emocional”, como ela diz, para se alcançar resultados como os de “Fado Camões”, onde a sua expressão vocal, e a música, renovam o fado, e a alma de quem a ouve.  

 

 

LINA_ & JULES MAXWELL

LINA_ & JULES MAXWELL ABRAÇAM A MELANCOLIA DA POESIA PORTUGUESA E DA CANÇÃO TRADICIONAL IRLANDESA NO ÁLBUM “TERRA MÃE” 

Depois do lançamento do aclamado Fado Camões e do mais recente EP, O Fado – este último em colaboração com o compositor e pianista espanhol Marco Mezquida – a multipremiada LINA_ anuncia mais uma parceria, desta vez com Jules Maxwell, compositor e teclista dos Dead Can Dance.

O génio musical do duo celebra as ligações poéticas entre Portugal e a Irlanda em Terra Mãe, álbum de 9 faixas, a ser editado no dia 27 de junho pela Atlantic Curve | Schubert Music Europe. A proposta criativa de LINA_ e do compositor irlandês visa suceder Burn, álbum de Lisa Gerrard e Jules Maxwell, editado em 2021.

Este trabalho conta com canções originais de Jules Maxwell, LINA_ e da escritora/compositora portuguesa Amélia Muge. Tal como o disco Burn, esta nova colaboração reúne exatamente a mesma equipa artística, que inclui o conceituado produtor britânico James Chapman (aka Maps). Utilizando uma eletrónica repleta de variadas camadas, Maps, nomeado para o aclamado Mercury Prize com o álbum We Can Create, criou remisturas oficiais utilizadas por nomes como The Killers, Depeche Mode, Moby, 83 e Bombay Bicycle Club, entre outras. Além do produtor, a equipa artística desta obra conta ainda com o designer Giovanni Rodriguez e o artista plástico/videógrafo David Daniels.

Portugal e a Irlanda estão unidos pelo coração da escrita de baladas e canções tristes, poesia essa que está patente em algumas das canções de fado. Curiosamente, “fado” também se encontra no dicionário gaélico irlandês, traduzindo-se como “há muito tempo” ou “era uma vez”.

Estes dois países estão ambos no limite da Europa, olhando para oeste, para o Oceano Atlântico e para tudo o que está para além dele. As canções destes dois países são caracterizadas por um sentimento de amor, saudade e partida que, por sua vez, uniu LINA_ e Jules Maxwell nesta colaboração, resultando em novas narrativas, melodias e composições.

‘Terra Mãe’ apresenta adaptações da compositora, poeta e cantora portuguesa Amélia Muge em “Arde Sem Se Ver”, “A Flor Da Romã” e “Entre O Ser E O Estar”. A lírica poética de Amélia Muge são o complemento perfeito para a voz emotiva de LINA_.

O melisma emotivo da poesia portuguesa e da música folclórica tradicional irlandesa são um ponto natural de conectividade entre as duas culturas, como explorado em Terra Mãe.  O álbum apresenta canções que surgiram através dos espaços criativos da improvisação, como na faixa-título “Terra Mãe” e “Requiem”, enquanto a faixa de encerramento “When Are You Coming” foi escrita por ambos os artistas.

“Tem sido uma alegria criar Terra Mãe. As canções são composições originais nascidas na Irlanda, lindamente adaptadas para português pela LINA_ e pela Amélia Muge, com um som “forjado” no fogo do produtor inglês James Chapman, com quem trabalhei anteriormente no álbum ‘Burn’ com Lisa Gerrard”.”, explica Jules Maxwell.

Parte do processo criativo de Terra Mãe teve início durante uma residência artística entre LINA_ e James Maxwell no cenário inspirador de Malmesbury Abbey, em Wiltshire. Malmesbury Abbey não é apenas um local histórico de batalha e sepultamento, mas também um centro de educação, criatividade, oração e cura. LINA_ descreve o processo de colaboração com Jules Maxwell,

Terra Mãe une dois géneros musicais distintos que, apesar das suas diferenças, partilham um profundo sentido de identidade e emoção. Adaptar letras e compor melodias com base nos fundamentos estabelecidos pelo Jules Maxwell foi uma experiência desafiante, mas simultaneamente gratificante que aumentou significativamente a minha confiança como compositora. Para mim, o álbum incorpora uma profunda ligação espiritual e etérea, entrelaçando temas do imaterial, da natureza e da religião.”

Cruzamentos e encontros resultam em novas descobertas e caminhos inusitados, especialmente quando se trata de artistas que estão recetivos à colaboração e ao estímulo criativo de outros. E este é certamente o caso de LINA_ e Jules Maxwell em Terra Mãe.

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2024 foi um ano repleto de sucesso para LINA_. O lançamento do notável Fado Camões conquistou inúmeras distinções da crítica nacional e internacional, entre os quais o nr #1 dos prestigiados Tops europeus da World Music, o “Top of the World Tracks” da revista britânica Songlines Magazine e Melhor Álbum na categoria Música do Mundo pela Associação Alemã de Críticos de Música. Além disso, este trabalho possui a Chancela de Manifesto Interesse Cultural, atribuída pelo Ministério da Cultura, e, mais recentemente, foi nomeado para os PLAY (Prémios da Música Portuguesa).

Entre concertos de uma extensa tour europeia com mais de 50 datas, a artista lançou, em março deste ano, o EP O Fado, em parceria com o pianista e compositor espanhol Marco Mezquida.

Jules Maxwell, de Belfast, Irlanda, é um compositor e escritor de canções, mais conhecido pelo seu trabalho com Dead Can Dance, Foy Vance, Lisa Gerrard e como compositor de muitas produções de teatro e dança em Londres, particularmente no Shakespeare’s Globe Theatre.

Lançou também seis álbuns a solo e escreveu a ópera “The Lost Thing”, estreada na Royal Opera House, em Londres, em 2019. Compôs a banda sonora da curta-metragem “Dance Lexie Dance”, que foi nomeada para um “Óscar” em 1998.

LINA_ & Marco Mezquida – O fado

“O piano do Marco faz-me flutuar.” LINA_
“A LINA_ tem uma voz que me canta por dentro.” Marco Mezquida

Assim nasce este álbum: de um encontro improvável e inevitável entre duas linguagens artísticas, dois mundos e duas sensibilidades que, juntas, desenham uma nova forma de dizer fado. Depois do EP homónimo, lançado em março, que assinalou o início desta colaboração singular, a mulitpremiada LINA_ e o pianista e compositor Marco Mezquida apresentam agora o álbum completo O Fado – editado a 26 de setembro pela Galileo Music -, um percurso mais profundo por essa geografia emocional onde tradição e invenção se abraçam de forma íntima. São 12 temas – entre originais, revisitações e descobertas – onde o fado se escuta em novas formas, ritmos e silêncios profundos.
Uma voz que vibra entre a tradição e a vanguarda, complementada por um piano que não acompanha, mas dialoga. O resultado é um espetáculo memorável.
A origem de uma colaboração magnífica
O encontro entre LINA_ e o pianista espanhol Marco Mezquida foi natural, resultado de uma profunda admiração mútua. Ambos os artistas entendem que estes encontros dão origem a algo que supera a soma das partes, algo que, em modo solitário, nenhum seria capaz de alcançar.
“O Marco trouxe uma grande leveza à minha música. O piano é um instrumento que sempre me acompanhou, mas nele há algo de diferente — é como se fosse uma extensão do seu corpo. E a forma como ele o aborda faz-me flutuar. Sinto-me livre e profundamente escutada.”, refere LINA_.
“Sempre quis ser cantor”, afirma Marco. “Canto com o piano. A LINA_ tem uma voz que me toca profundamente, uma voz que vem do chão, que carrega verdade. Trabalhar com ela é como estar em palco com uma artista que é também um instrumento poético — generosa, vibrante e intensa. Cantar com ela, mesmo que sem palavras, é um privilégio raro.”
A voz de LINA_, que tem sido alvo de muitos elogios na imprensa nacional e internacional, é de facto um instrumento rico por si só, que ganha com estes diálogos próximos com outros instrumentos de personalidades vincadas. E que, como bem sabe quem já a viu e ouviu em palco, gosta de voar.
A paixão que Mezquida admite sentir pela voz de LINA_ é retribuída pela fadista, que não poupa elogios ao lirismo que o seu companheiro expõe de forma tão clara nesta nova aventura.

Sobre o LP O Fado
O Fado reúne composições de LINA_, que assim afirma mais um lado da sua versátil personalidade artística, poemas de Florbela Espanca e Miguel Torga, mas também de Álvaro Duarte Simões, Vitorino Salomé, Sueli Costa ou Luís de Andrade. Entre os temas que traduzem este presente e um novo sentir encontra-se, por exemplo, “Não é Fácil o Amor”, um sentido poema de Luís de Andrade com música de João Vieira (um pseudónimo de Janita Salomé) que encontra na voz de LINA_ uma ressonância emocional profunda e arrebatadora. Há, como não podia deixar de ser, clássicos revisitados como “Fado da Defesa”, um verdadeiro clássico que ganhou imortalidade numa histórica interpretação de Maria Teresa de Noronha e em que LINA_ descobre agora, no surpreendente arranjo de Marco Mezquida, uma nova luz. Há mais clássicos sem tempo neste registo, como “Senhora do Almortão” e até “Lisboa dos Manjericos”, uma marcha na versão original a que Amália Rodrigues deu voz. No alinhamento há ainda espaço para incursões pela canção em castelhano, como “No volveré” ou “El Rosario de mi Madre”, mostrando que o fado é, afinal, uma emoção universal que ultrapassa a língua de Camões e vai tão longe quanto a vontade dos artistas ditar.
Neste álbum, o piano e a voz não competem — escutam-se mutuamente, desenham cumplicidades. Procuram-se e complementam-se. E, no final, criam um lugar onde o fado respira com outras cores, outras palavras, outras pausas. Um lugar que só podia existir a partir deste encontro tão singular como singulares são os seus protagonistas.
Este projeto ganhará nova vida em palco, numa digressão internacional muito aguardada.

Sobre LINA_
Poucas vozes ressoam mais fundas e autênticas do que a de LINA_. Depois de ter começado a cantar aos 10 anos no Círculo Portuense de Ópera e ter estudado no Conservatório, apaixonou-se pelas casas de fado, que nunca abandonou. Ainda sob o nome artístico de Carolina, gravou os álbuns “Carolina” e “EnCantado”, editados pela Sony Music.
Apaixonada desde sempre pela obra de Amália, LINA_ provou mais uma vez o porquê de ser uma das melhores interpretes da atualidade no projeto Lina_Raül Refree (mereceu inúmeras distinções e nomeações para prémios por parte da imprensa e de instituições internacionais, além de uma extensa digressão) em que a sua voz se cruzou com a arte do premiado produtor catalão. Essa arte tem vindo a ser refinada ao longo dos últimos anos na sua residência no Clube de Fado, apurando, no seu “habitat” natural, o drama que o fado exige, mas com a inventividade que só os verdadeiros artistas conseguem.
Vieram depois os tempos de crescimento musical e de expansão de horizontes. Camões surgiu no seu caminho, e nasceu Fado Camões, um álbum com uma sonoridade renovada, onde o centro é ainda e sempre a sua expressividade vocal, sensorial, latejante, cheia de vida para nos tocar. Editado a 19 de janeiro de 2024 pela Galileo Music, o álbum foi aclamado pela crítica nacional e internacional, tendo atingido o nr #1 dos prestigiados Tops europeus de World Music – World Music Charts Europe (março de 2024), Transglobal World Music Charts Worldwide (abril de 2024), “Top of the World Tracks” da revista britânica Songlines Magazine, e ainda a distinção de Melhor Álbum na categoria Música do Mundo pela Associação Alemã de Críticos de Música. Além disso, este trabalho possui a Chancela de Manifesto Interesse Cultural, atribuída pelo Ministério da Cultura.
Já este ano, a multipremiada artista colaborou com Jules Maxwell (compositor e teclista dos Dead Can Dance) e o resultado foi o álbum Terra Mãe, editado a 27 de junho pela Atlantic Curve | Schubert Music Europe, que celebra as ligações poéticas entre Portugal e a Irlanda. A proposta criativa de LINA_ e do compositor irlandês visa suceder Burn, álbum de Lisa Gerrard e Jules Maxwell, editado em 2021.

Sobre Marco Mezquida
Nascido em Menorca, em 1987, é reconhecido como um dos talentos mais promissores da cena musical ibérica das últimas décadas. Graduado pela ESMUC em Barcelona, o compositor e pianista acumulou prémios como Músico do Ano pela Associação de Músicos de Jazz e Modernos da Catalunha, e o Prémio Cidade de Barcelona por No Hay Dos Sin Tres. Atuou em grandes auditórios e emblemáticos clubes de jazz de todo o mundo, apresentando os seus projetos em mais de 30 países da Europa, América do Norte e do Sul, Ásia e Norte de África.
O seu trabalho inclui a gravação de 20 álbuns, como líder, e 40 como colaborador, destacando-se pela sua versatilidade e capacidade de improvisação. Destaque para os projetos Chicuelo & Marco Mezquida, Marco Mezquida & Los sueños de Ravel, MAP (Mezquida-Aurignac-Prats), o trio Pieris (Mezquida-Bodilsen-Andersen) e os duetos com Silvia Pérez Cruz, Celeste Alías, D. Alfonso Vilallonga, Sol Picó, Pablo Selnik, Manel Fortià, Albert Bover e, atualmente, com a portuguesa LINA_.
Mezquida recebeu inúmeros prémios ao longo de sua carreira, incluindo o Prémio do Júri e do Público no BMW Welt Jazz Awards em Munique, pelo projeto “Letter to Milos”.