Kazy Lambist

Kazy Lambist navega persistentemente no reino dos seus sons sem fricção e sem conflitos com uma música ao mesmo tempo acolhedora e panorâmica, sofisticada e hedonista, volátil e elegante, descontraída, mas cheia de carácter. Enquanto outros podem recorrer ao seu arsenal electrónico para meios mais agressivos, Kazy Lambist, inspirado pela sensualidade e pelas emoções, recusa-se a limitar-se a certos nichos musicais mais restritos. Nada surpreendente para um artista que se tem esforçado por ultrapassar limites desde os primeiros dias, procurando oferecer ao seu público uma visão ampla, convidando os ouvintes a sonhar acordados na sua rede sonora, a dançar num lounge aconchegante ou numa hipnótica pista de dança ensolarada. O seu primeiro sucesso viral, “Doing Yoga”, conquistou o prémio de novo talento do público do Inrocks Lab em 2015, valeu-lhe ainda o entusiástico apoio do realizador Guillermo Del Toro e a colaboração com o estilista Jean-Charles de Castelbajac. Posteriormente, lançou o álbum de exceção e inovador “33 000 Ft”, que inegavelmente posicionou o seu nome na cena eletro-pop.

Kazy Lambist está agora pronto para lançar o segundo capítulo, um LP com quase seis anos de produção, facto que não deverá ser confundido com inércia artística. O jovem de trinta anos ainda nos encantou com sua produção intercalar, incluindo o alegre EP “Sky Kiss” com uma colaboração convincente de Jean-Benoît Dunckel (Air), dando uma vida nova e mais clássica a alguns de seus primeiros sucessos (“Decrescendo” EP), e mais algumas deambulações exploratórias (“Nasty” junto com o rapper italiano Tutti Fenomeni). Também fez o mundo dançar com seus espetáculos ao vivo e DJ sets, confirmando a sua atratividade global com o single certificado de platina (“Love Song”), cinco singles certificados de ouro (“Doing Yoga”, “Headson”, “On You”, “Annecy” e “Work”) e uma digressão mundial marcada por 20 espetáculos nos Estados Unidos ao lado do grupo francês, Kid Francescoli. É na Turquia que tem granjeado maior aclamação internacional, país onde o seu sucesso foi firmemente solidificado após uma recente série de espetáculos e uma residência de um mês e meio no bairro artístico de moda, localizado no lado asiático do estreito de Bósforo. Este retiro oriental inspirou o título do seu novo álbum, “Moda”, no qual Kazy Lambist – nome verdadeiro Arthur Dubreucq – gravou “Dünya”, um esforço seráfico com os vocais suaves de Sedef Sebüktekin sobre violinos turcos e o saxofone de Jowee Omicil. Da mesma forma, “Moda Disko”, uma jubilante colaboração italo-disco com o cantor Den Ze, que teria encaixado perfeitamente na banda sonora do filme italiano, “La Grande Bellezza”.

parra for cuva

Roberto-Brundo

A identidade sónica de Parra for Cuva pode ser resumida numa única palavra: Wanderlust. Reconhecido por um distinto sentido de mundanismo, a sua música forma um reino mágico onde a ressonância dos tambores de aço das Caraíbas se entrelaça com instrumentos antigos do Zimbabué, em contraste com paisagens sonoras eletrónicas melódicas que transportam o ouvinte para terras distantes.

Esta abertura tem sido uma caraterística marcante desde o início da carreira do produtor eletrónico e multi-instrumentista alemão. Ao mudar-se para Berlim, continuou a sua exploração, incorporando elementos que vão desde sinos a flautas e kalimbas.

Apesar do refinamento das suas habilidades e do amadurecimento do seu som, a sua música mantém uma qualidade estelar que incorpora o espírito de aventura. Com singles no topo das tabelas e dois álbuns aclamados, Majouré (2014) e Darwîś (2016), a revelação de Parra for Cuva veio com o lançamento de Paspatou (2018). Sem medo de misturar experiências de pista de dança com paisagens sonoras acústicas e étnicas, o seu quarto álbum de estúdio, Juno (2021), envolveu colaborações com músicos de todo o mundo. Comparado a contemporâneos como Christian Löffler e Max Cooper, conhecidos por misturar produções eletrónicas com sons analógicos quentes e muitas vezes melancólicos, Parra for Cuva participou em festivais de prestígio e palcos esgotados em todo o mundo, incluindo Burning Man e Sziget.

Thylacine

THYLACINE é o projeto do produtor e músico francês William Rezé. A palavra é a designação científica do lobo da tasmânia, uma espécie que se extinguiu há cerca de 70 anos. E tal facto oferece um vislumbre do maravilhoso mundo imaginado musicalmente por Rezé onde se identificam ecos de música
clássica do período romântico, de experimentações minimais dos grandes compositores do século XX e diferentes variantes do vasto universo da música eletrónica – do trip hop ao techno e daí à música ambiental.

Somando mais de meio milhão de ouvintes mensais no Spotify e acumulando quase 200 milhões de plays na mesma plataforma, THYLACINE não é, no entanto, um fenómeno obscuro, antes um criador de amplo alcance e ressonância que conquistou o mundo graças a uma música que tem tanto de imaginativo como de apelativo. 9 Pieces é o seu projeto mais recente, um
álbum composto por oito evocativas peças inspiradas em viagens, da paisagens geladas da Noruega às margens do Bósforo, música onde a eletrónica ou o som orgânico do saxofone e do piano que também toca se combinam de forma arrebatadora.

Bandua

Os Bandua, duo formado por Tempura the Purple Boy e Edgar Valente, seguem para a estrada com um novo espetáculo. O alinhamento contará com vários temas inéditos, “Bandeiras” – tema que levaram ao Festival da Canção – e canções que integram o primeiro disco da dupla, um dos mais aclamados pela crítica em 2022. O êxito desse ano refletiu-se em mais de 30 concertos e na presença do seu álbum de estreia em inúmeras listas de melhores álbuns do ano.

Nesse disco, o homónimo Bandua, a dupla agarrava no cancioneiro popular da região da Beira Baixa e reinterpretava-o em jeito de folk eletrónica, à moda do downtempo berlinense. Por sua vez, “Bandeiras” amplia esse imaginário da música de raiz popular portuguesa, para lhe acrescentar os ritmos da música electrónica global, com novas influências que vão desde o breakbeat ao dubstep, convergindo num estilo que a dupla apelida de tugastep.

kerala dust

São britânicos, mas residem entre Berlim e Zurique: o nome é Kerala
Dust.
O trio britânico – Edmund Kenny na voz e electrónica, o teclista Harvey Grant e o guitarrista Lawrence Howarth – juntou-se em Londres em 2016. O primeiro single dos Kerala Dust, “Late Sun”, saiu num ano após a formação e o álbum de estreia,
Light West, foi lançado em 2020. A música dos Kerala Dust nasce de uma curiosa junção: por um lado, Edmund explica como a experiência de frequentar espaços londrinos como o clube Fabric ou os Corsica Studios serviu como educação profunda nos domínios da electrónica passando a repetição associada a esse tipo de música a ser parte do seu ADN. Por outro lado, um passado ligado a bandas indie e uma paixão pelas vastas paisagens da música americana de raiz também lhes serviu de orientação e inspiração.

Em 2020, uma mudança para Berlim e um mergulho na sua particular arquitetura e história acabou igualmente por servir como ponto de partida para mais música, desta vez com o legado de bandas alemãs como os Can a servir de inspiração.
Violet Drive,o novíssimo álbum lançado através da histórica Play It Again Sam, é fruto dessas novas coordenadas. Com a percussão e o ritmo a desempenharem um papel fundamental na nova arquitetura sonora,Violet Drive foi gravado nos Alpes, perto de Zurique, É por essa bem recheada e aplaudida carreira que os Kerala Dust vão viajar para Portugal com um concerto que lhes tem valido os mais rasgados elogios da crítica. O importante San Francisco Weekly escreveu: “Acompanhada por visuais psicadélicos nas paredes que rodeiam o palco, a banda levou o público numa viagem que fez a ponte entre o house e o downtempo, com uma mistura de funk e jazz. Tentar reduzir os Kerala Dust” a um ou mesmo dois géneros não só é difícil, como não descreve a sua natureza experimental”.

Grandbrothers

Photo By: DanMedhurst

Se ouvirmos com atenção podemos escutar uma batida de hip-hop da velha guarda enredada em piano melódico, ou sentir a frieza do techno a passar à velocidade de um relâmpago. “Queríamos deixar para trás a adorável música romântica do piano”, explica Sarp, cuja afinidade com a música de dança sempre foi uma influência no seu processo de escrita. Na música dos Grandfather está presente um certo humor e um renovado espírito de aventura conduzido por batidas eletrónicas e sons que encorajam o movimento. “Embora a música seja ansiosa e por vezes muito enérgica, e as batidas duras o estejam a empurrar para a frente, ainda queremos que cada canção mantenha um pouco de esperança no final. Algo com um final positivo”, diz Sarp. “Apesar de toda a ansiedade e medo que sentimos durante todo o dia, vivendo num mundo muito incerto e para ser honesto, ainda há o desejo de progredir e superar todas as coisas que o fazem tremer”, oferece a banda.
Sarp e Vogel conheceram-se há quase uma década enquanto estudavam engenharia de áudio e vídeo em Düsseldorf. Concebendo um projeto que se basearia nas capacidades pianísticas de Sarp e que ao mesmo tempo forneceria uma peça de piano para Vogel através de programação e aparelhos mecânicos feitos à medida. Foi assim a génese dos Grandfather. Um dos mais originais e aplaudidos projetos musicais do presente.

Suso Saiz

Suso Saiz é um dos maiores tesouros da modernidade espanhola, um discreto gigante com uma discografia que se estende por quase quatro décadas e que nos últimos anos reencontrou lugar no presente graças à aliança com a editora de referência holandesa Music from Memory que em 2016 reuniu algumas pérolas da sua discografia na antologia Odisea, inspirando depois um regresso ao ativo que já lhe valeu rasgados elogios na imprensa especializada internacional.

A carreira de Saiz remonta a 1980, quando formou La Orquestra de las Nubes, grupo em que cruzou eletrónica, música popular e jazz com uma veia experimental que lhe garantiu desde logo um lugar de destaque na modernidade do país vizinho. Esse estatuto levou-o a tornar-se um requisitado produtor que trabalhou com os mais destacados nomes da pop espanhola dos anos 80 e 90, incluindo Jorge Reyes, Pablo Guerrero ou Dhuncan Du e Celtas Cortos.

Em anos mais recentes lançou, na Music From Memory, trabalhos de referência na vanguarda eletrónica atual como Rainworks, Nothing is Objective ou, já o ano passado, Between No Things, uma bem recebida colaboração com Suzanne Kraft, alter-ego do DJ e produtor Diego Herrera. Essa intensa atividade levou Sáiz a ser convidado por reputados festivais de música eletrónica e experimental, com a sua música de recorte ambiental e new age e com pormenores tropicais e baleáricos a ser muito bem recebida por audiências mais jovens e exigentes.