Wallners


O fantástico grupo dream pop de quatro irmãos vienenses chama-se Wallners
Se não tivessem crescido debaixo do mesmo teto, os quatro Wallners, Nino, Max e as gémeas Anna e Laurenz, nunca teriam acabado numa banda, dizem-nos com uma gargalhada. A única coisa em que concordam é que os Daft Punk são a sua banda favorita e já estão a trabalhar em faixas que fariam dançar as duas lendas francesas da eletrónica. De momento, porém, a música dos recém-chegados Wallners lembra muito mais a banda sonora de um sonho acordado, que nos leva a mundos paralelos místicos e que deixa os sentimentos marcarem o ritmo, especialmente o sentimento de saudade. Os Wallners evocam os sons suaves e sedutores de Rhye, o desgosto de um James Blake e de uma Lana Del Rey na forma como trabalham e fazem-nos lembrar dois outros irmãos que estão na boca de toda a gente: Billie Eilish e o seu irmão Finneas. Devido à sua proximidade e familiaridade, os Wallner também não têm de discutir muito uns com os outros; entendem-se cegamente e produzem em casa.

Mas os quatro irmãos Wallner têm algo em comum: são todos grandes consertadores e mentes criativas que trabalham em canções individuais durante um ano no máximo – não tanto adicionando camada sobre camada, mas muito pelo contrário, expondo o núcleo das canções. É uma música de redução, de minimalismo condensado e substancial. Levados pela voz hipnótica de Anna Wallner, os Wallners provam que a ternura e a força não têm de ser mutuamente exclusivas. As canções envolvem os ouvintes, que se deixam imediatamente levar pelos arranjos, tal como acontece com uma canção de embalar. Os Wallners estão entusiasmados por apresentar ao mundo a sua música espantosamente onírica. O seu primeiro EP chama-se “Prolog 1” e já foi lançado pela Universal Music Austria.

Manuel Fúria

Manuel Fúria está em 2024 como sempre esteve na música: inquieto e
apaixonado, disposto ao risco e à novidade, intransigente no que toca à sua
arte que vem, como sempre veio, já agora, de um sítio fundo dentro de si
mesmo. O homem que ajudou a música portuguesa a experimentar novos
rumos com a editora Amor Fúria, que liderou os Golpes e salvou Os Náufragos
reinventou-se em 2022 com o pessoalíssimo e introspectivamente dançante
“Os Perdedores”, um dos registos mais transparentes, desarmantes e honestos
que a pop portuguesa gerou em muito tempo. “Um disco que não presta contas
a nada nem a ninguém”, garante o próprio Manuel Fúria.
Esse trabalho, que mereceu intimistas e muito aplaudidas apresentações em
Lisboa e Porto, foi decisivo para Fúria se reencontrar. “Fechei as minhas contas
nas redes sociais, desapareci e depois fiz esse espectáculo, mais pessoal e
arriscado, e as pessoas parecem ter recebido bem essa música”. Manuel Fúria
refere estar agora comprometido em dizer o que realmente considera ser
importante e em usar a música de dança como uma fonte de soluções para dar
brilho a essas ideias e palavras que sente como urgentes. James Murphy e os
LCD Soundsystem são modelos que ele mesmo aponta, inspirações que
servem de estímulo ao que está a fazer e que quer apresentar nu novo registo
ainda em 2024. Em palco será ladeado por João Eleutério, uma novidade para
quem sempre sonhou com bandas e com dinâmicas mais colectivas. Máquinas,
ritmos, melodias e palavras que tanto fazem dançar, como pensar, é o que aí
vem, portanto.
“Agora estou a fazer música de maneira diferente”, explica. “A mudança
aconteceu n’Os Perdedores e agora não há volta a dar”. Ou seja, como sempre
aconteceu, Manuel Fúria continua a ser um artista do “ou tudo ou tudo”. O
“nada” nunca interessou. E continua a não interessar.

Lambchop

An Intimate Piano Performance from

LAMBCHOP

Esta será uma noite de concerto duplo, ou seja, para além do espetáculo dos Lambchop, existirá outro concerto com um artista a anunciar em breve. O mesmo bilhete dá direito aos dois espetáculos.

Kurt Wagner, dos Lambchop, vai embarcar numa digressão europeia de espetáculos intimistas de piano, acompanhado pelo músico e produtor Andrew Broder, de Minneapolis. Broder trabalhou com Wagner nos aclamados álbuns do Lambchop, The Bible e Showtunes. Esta colaboração rara e especial promete ser uma montra dos seus talentos, reduzindo as canções clássicas dos Lambchop à sua essência e realçando o seu poder emocional.

A digressão incluirá uma série de espetáculos de piano intimistas por toda a Europa, dando ao público uma rara oportunidade de ver estes dois músicos incríveis de perto e pessoalmente, assim como a beleza e a complexidade da sua música. Esta será uma oportunidade de experimentar as canções clássicas dos Lambchop sob uma nova luz, despojadas até à sua essência e apresentadas de uma forma que realça o seu poder emocional e profundidade.

Os Lambchop formaram-se em Nashville em 1986 e, desde então, lançaram mais de uma dúzia de álbuns aclamados pela crítica nas editoras City Slang e Merge Records. Ao longo dos anos incorporaram elementos de soul, jazz e country na sua música ao mesmo tempo que a voz de Kurt Wagner permaneceu o coração e a alma da banda, um instrumento poderoso e emotivo que pode transmitir um mundo de emoções com apenas algumas palavras bem escolhidas.

Andrew Broder, por sua vez, conquistou o seu próprio nicho no mundo da música como produtor, músico e vocalista do grupo experimental Fog. Com o seu profundo conhecimento de teoria musical e o seu amor pela experimentação, Broder tornou-se conhecido por ultrapassar os limites do que é possível na música, misturando géneros e sons de formas novas e excitantes.

Juntos, Wagner e Broder trabalharam em alguns dos álbuns dos lambchop mais aclamados pela crítica, incluindo The Bible e Showtunes. Nesses discos, as contribuições de Broder foram fundamentais para criar o som exuberante e em camadas pelo qual o projeto é conhecido. Ao combinar a composição sincera de Wagner com a experimentação sónica de Broder, surgoi algo verdadeiramente único e memorável.

Esta tour promete ser uma continuação desta colaboração frutífera, com Wagner e Broder a desafiarem-se um ao outro para novos patamares de criatividade e expressão. Quer seja um fã de longa data dos Lambchop ou os esteja a descobrir agora, esta é uma digressão que não vai querer perder.

john grant

John Grant é, justamente, um dos mais celebrados e consagrados cantautores do nosso tempo, um artista que o histórico NME afiança ter no seu último trabalho criado uma obra “de assombrosa beleza”. De facto, “Boy From Michigan”, um disco produzido por Cate Le Bon e criado “logo no início do pesadelo da pandemia e durante toda a campanha presidencial”, diz, é um registo extraordinário de um artista que cuida de se reinventar a cada novo passo. E será esse o trabalho que agora trará a Portugal para um muito aguardado concerto. Para Grant, o confinamento foi em grande parte académico. É um homem de natureza insular e retirou-se da sua América natal em 2011, indo viver para a Islândia.  

 Grant conheceu Le Bon quando atuaram no Park Stage em Glastonbury em 2013 e rapidamente se tornaram amigos e fãs do trabalho um do outro. Posteriormente, ela fez um dueto com Grant no Royal Albert Hall em 2016 e John retribuiu o favor no Green Man em 2018. Falaram muitas vezes sobre a possibilidade de Cate produzir um álbum para ele. “A Cate e eu somos ambos pessoas com muita força de vontade, o que é excelente”, diz Grant.  ”Fazer um disco é difícil num dia bom. O stress crescente das eleições e da pandemia começou realmente a afetar-nos no final de Julho e Agosto. Por vezes, foi um processo muito stressante, dadas as circunstâncias, mas também cheio de muitos momentos incríveis e alegres.” 

 Na última década, John Grant afirmou-se como um dos grandes cronistas musicais do Sonho Americano. “Estas canções são viscerais para mim. Acabamos por ficar a marinar no espírito do sítio onde crescemos. Há pessoas que se sentem bem com isso”. E a recompensa é nossa que podemos dessa forma, através das suas canções, entender um pouco melhor a vida e a cultura contemporânea. E não apenas através de uma perspetiva americana já que o amor, a esperança, a perda são preocupações universais para que qualquer pessoa procura respostas. Boy From Michigan é já o quinto álbum na bem recheada carreira a solo do ex-The Czars, mas desde 2020 o cantautor não tem estado parado. Lançou novos singles, o mais recente dos quais o belo “Bungalow”, o Ep “Bolero” e, claro, a fantástica versão do clássico folk “God’s Gonna Cut You Down” usado como tema do genérico da série da BBC “Inside Man”. Tudo boas razões para não o perder ao vivo em 2023. 

 

nadine khouri

A artista anglo-libanesa Nadine Khouri conheceu John Parish (PJ Harvey, Eels, Sparklehorse…) há cerca de 10 anos, altura em que o produtor britânico a desafiou a cantar em “Baby’s Coming” (faixa de “Screenplay”, de 2013) antes de gravar e produzir o seu primeiro álbum “The Salted Air “* (2017), trabalho que, entretanto, granjeou justo culto. 

A gravação do seu segundo longa-duração, “Another Life”, igualmente produzido por John Parish), aconteceu durante a pandemia de Covid-19 e foi naturalmente marcada pelas descargas emocionais provocadas pelas duas poderosas explosões no porto de Beirute no início de Agosto de 2020. “A pandemia instalou-se precisamente quando os ensaios estavam prestes a começar, quando queríamos uma gravação rápida destas novas canções. De repente, o mundo congelou, nada podia continuar como planeado”, recorda Nadine.  

No interior da capa do álbum, uma fotografia tirada por Steve Gullick revela, por detrás de Nadine Khouri, a extensão de uma cidade mediterrânica branqueada pelo sol, Marselha, onde a artista atualmente reside. Uma cidade de milhares de vidas, milhares de memórias e milhares de histórias, um teatro onde ressoa o percurso de Nadine, a alegria, a tristeza, o arrependimento, o exílio, o desafio ou o desejo – marcas que alimentam a sua música. “As canções surgem-me muitas vezes como imagens de filmes que tento exteriorizar”, explica. “Presa entre quatro paredes, este período de isolamento levou-me a olhar para o meu passado, a recordar pessoas próximas que desapareceram, momentos passados que estão agora longe de mim. Escrevi para não esquecer, para não deixar desaparecer”. 

 

Com as restrições levantadas, Nadine Khouri e John Parish encontraram-se em estúdio para finalmente gravar o álbum como planeado originalmente, com a ajuda de vários músicos de renome. Deste período de incerteza emergem composições de uma beleza cativante. A produção de John Parish dá um fôlego majestoso a estas canções impressionistas, e à voz de Nadine Khouri. Ao vivo, essa presença singular e qualidade artística distinta tornam-se ainda mais evidentes, tal como tem vindo a ser destacado em críticas elogiosas de publicações de referência como a Mojo ou a Uncut. 

  “Meditative, spectral dreamscapes … extraordinary voice: a fragile, sensuous instrument” – MOJO ★★★★ 

“Perfumed traces of Galaxie 500, Mazzy Star and Cocteau Twins… a wonderfully spectral incantation” — UNCUT 

TRAVIS BIRDS

Travis Birds. Fixem este nome. A cantora madrilena poderá bem revelar-se a nova obsessão coletiva dos que buscam música sem fronteiras, sem classificativos fáceis, visceral, autêntica e apaixonante. A cantora, nascida em 1990, tem tudo isso. E são essas qualidades que justificam que os produtores do êxito televisivo La Casa de Papel tenham escolhido “Coyotes“, um tema que lançou já em 2019, para o genérico de El Embarcadero, nova série televisiva que promete também dar que falar.

Para lá de “Coyotes”, este ano Travis Birds já lançou “Madre Conciencia”, reforçando assim a sua aura: música que mistura uma dimensão cinemática (e se pensarem em Almodóvar isso é mais do que natural) com flamenco, pop moderna e uma rugosidade que tem tanto de Tom Waits como de PJ Harvey.

Travis Birds estreou-se em 2016 com Año X, estreou-se ao vivo no Café Berlin, recolheu espanto e aplausos, despertou paixões e fez correr tinta e agora, já em 2019, vai levantando o véu do seu novo álbum, La Costa de Los Mosquitos, com música tremenda, feroz, que fala de obsessões que soa tão familiar quanto original. Ouçam-na e certamente não vão esquecer o nome: Travis Birds.

SCOTT MATTHEW

A relação de Scott Matthew com o nosso país iniciou-se da melhor forma: é dele a voz que se ouve no belíssimo «Terrible Dawn», um dos momentos centrais d’ A Montanha Mágica, e também em «Incomplete», tema inédito de Songs, um trabalho de Rodrigo Leão.

Este cantor, nascido na Austrália mas presentemente a residir em Nova Iorque, tem uma voz muito característica: frágil e misteriosa, forte e funda, de um tempo que não parece este, mas que no entanto está mesmo de pés fincados no presente. Gallantry’s Favorite Son, lançado em 2011, songwriting luminoso tingido de folk, pintado de cores acústicas e embalado em melodias de uma beleza tocante.

Mas Gallantry’s Favorite Son é apenas a ponta do iceberg – ou talvez seja a boca do vulcão – uma vez que a discografia de Scott Matthew se estende por outros registos: There Is an Ocean That Divides and With My Longing I Can Charge It With a Voltage That’s So Violent to Cross It Coul Mean Death, álbum de 2009 com um título tão longo como a sua própria beleza; o homónimo Scott Matthew de 2008; e há o resultado de um encontro com Eric D. Clark que foi lançado em 2008 tal como aliás um single de Natal com uma belíssima versão de «Silent Night». Scott tem, como se perceberá, muitas canções. Tem igualmente muitas palavras arrebatadas a ele dedicadas: a Rolling Stone comparou-o a Anthony Hegarty e nas revistas por onde a sua música vai passando os adjetivos não param de se amontoar: «espantoso», «incrível», «hipnótico» são apenas algumas das palavras usadas para o tentar descrever.

Scott já fez muito: esteve numa banda de nome Elva Snow com Spencer Cobrin, um músico que trabalhou com Morrissey, foi punk e é um nome de culto para os mais devotos fãs de anime uma vez que a sua voz adorna algumas das passagens das bandas sonoras de obras como Ghost in The Shell ou Cowboy Bebop. A música e a voz de Matthew têm aliás revelado um incrível potencial cinemático: há seis das suas canções na banda sonora de um outro filme de culto, Shortbus, o que poderá ter ajudado a que se mudasse para os Estados Unidos. Mas agora, de barba crescida, prefere expor a sua alma em canções tocantes, singulares e de uma beleza absolutamente tocante que dispensam todas as imagens menos as que se formam na nossa cabeça. O seu último álbum This Here Defeat, lançado em 2015, apresenta 10 canções de novas profundezas emocionais, canções que ao vivo se transformam em quadros vívidos de melodias e palavras fundas que tocam sempre o público de uma forma inequívoca.