Aleph Quintet

Premiado com as “Journées Musicales de Carthage” na Tunísia e com o “Prix de la presse musicale” em França, Aleph Quintet é uma das revelações da cena de Bruxelas. Patrocinado pela Igloo Records, o primeiro álbum de Shapes of Silence destaca a união destes cinco músicos – Akram Ben Romdhane (cordofone), Marvin Burlas (violin), Wajdi Riahi (piano), Théo Zipper (baixo), Maxime Aznar (bateria) drums – testemunha as suas raízes e traça os anos de viagens durante os quais o coletivo se uniu em torno desta música.

Sem impor fronteiras e levados pela sua generosidade, a música do Norte de África mistura-se com a improvisação jazzística, os ritmos Gnawa e a cultura Sufi.

Este primeiro álbum acolhe dois prestigiados convidados da cena jazzística belga: Manuel Hermia e Fabrizio Cassol (Aka Moon).

Maria João

O nome de Maria João está indelevelmente ligado à história do jazz nacional. Há exatamente 40 anos, em 1983, a sua estreia na Orfeu com o homónimo registo do Quinteto Maria João marcava o início de um singular trajeto que a afirmou como uma das figuras de proa da cena musical nacional, estatuto que ainda hoje mantém graças a uma permanente capacidade de reinvenção e a uma incessante procura por novos e estimulantes caminhos artísticos. Pode mesmo dizer-se que a obra de Maria João, artista total, resulta de um estado de permanente revolução, uma manifestação de liberdade que a levou das mais fundas tradições acústicas aos presentes e futuros eletrónicos com a mesma desenvoltura.

Nestas intensas 4 décadas de caminhada, Maria João nunca descansou e desafiou-se em permanência: dirigiu o seu próprio quinteto, militou no coletivo Ogre, estabeleceu longas parcerias com músicos como o pianista Mário Laginha ou o contrabaixista Carlos Bica – com quem, aliás, acaba de lançar novo trabalho -, e gravou ainda abundantemente com artistas internacionais como a pianista japonesa Aki Takase, Joe Zawinul e Trilok Gurtu e nacionais como os já mencionados Carlos Bica e Mário Laginha, ou Laurent Filipe, António Pinho Vargas, Jorge Palma, José Peixoto, Julio Pereira e tantos outros.

O novo capítulo dessa história sempre em aberto é o Maria João Revolution, uma forma agregadora da artista se mostrar plural, encaixando os seus diferentes interesses numa nova visão que pode partir do jazz e chegar à eletrónica numa só canção, reduzir o cenário para a sua voz às notas de um piano ou procurar inovadoras soluções para a sua ultra versátil voz. Em disco, a Maria João Revolution vai tocar nas múltiplas estéticas que a cantora sempre abraçou, com novo reportório que promete surpreender.

 Mas será no palco que a Maria João começará por se mostrar, com uma flexível formação capaz de se adaptar a diferentes espaços e contextos, mas sempre com o mais inventivo espírito de aventura a guiar-lhe a criativa abordagem a alguns dos mais significativos momentos da sua celebrada carreira. Um espectáculo para conquistar novos públicos e agradar aos fãs de sempre.

Com uma longa história feita a pisar palcos de prestígio nos cinco continentes e a receber múltiplas distinções por parte da imprensa e da indústria internacionais sendo-lhe sempre reconhecida a versatilidade, originalidade e inventividade musical, valores que carrega consigo para cada novo capítulo da sua carreira, Maria João continua a olhar em frente. E quatro décadas depois de ter começado a documentar em disco a sua desmedida paixão pela música, Maria João continua em busca de novos desafios que lhe permitam continuar a dar plena voz à imaginação. Um caso absolutamente único.

Makaya McCraven

Makaya McCraven é um dos principais protagonistas do atual movimento de renovação do jazz que tem polos em cidades como Los Angeles, Chicago ou Londres. O produtor e baterista tem lançado aplaudida discografia em nome próprio através da conceituada International Anthem, mas tem igualmente respondido a chamadas de outras importantes editoras de ambos os lados do Atlântico. O músico que em 2018 respondeu à pergunta “Where We Come From” com um álbum com o mesmo título e a designação paralela “Chicago Vs. London Mixtape” trabalhou logo aí com conceituados solistas como Kamaal Williams ou Nubya Garcia. No mesmo ano, “Universal Beings” confirmou-lhe o vigor de toda a sua visão musical, prosseguindo a sua via de cruzamento do jazz com o hip hop e outras linguagens. Em 2020, a londrina XL Recordings desafiou-o a remisturar e reimaginar o derradeiro álbum de Gil Scott Heron com o resultado, We’Re New Again”, a conquistar generalizado aplauso da imprensa. Seguiu-se, na sua já vasta discografia, o desafio da histórica editora de Nova Iorque Blue Note para decifrar a mensagem retrabalhando uma série de clássicos do seu mítico catálogo, de Wayne Shorter a Art Blakey. E para isso convidou novos valores do jazz como Jeff Parker, Matt Gold ou Junius Paul. Participou também em “The Chicago Experiment” ao lado de gigantes modernos como Marquis Hill ou Joel Ross e já em 2022 lançou o seu projecto mais ambicioso e também mais aclamado, “In These Times”, um dos registos do ano em muitas publicações especializadas em jazz. Agora, o visionário músico estreia-se em Portugal, mostrando que o presente e o futuro são mesmo o seu tempo, com o que será, certamente, um dos mais aguardados concertos do ano. 

 

SALOMÃO SOARES

Nascido e criado em Cruz do Espírito Santo, interior da Paraíba, e atualmente morando em São Paulo, Salomão é pianista, arranjador e compositor. Vem se destacando como uma das grandes revelações da nova geração de instrumentistas brasileiros e já dividiu palco com nomes marcantes da música brasileira como Hermeto Pascoal, Toninho Horta, Hamilton de Holanda, Leny Andrade, Filó Machado, Nenê, Vinicius Dorin, Itiberê Zwarg, Arismar do Espírito Santo, Toninho Ferragutti (com quem gravou um disco em duo), entre tantos outros. 

É vencedor do Prêmio MIMO Instrumental 2017, finalista do Piano Competition no Festival de Montreux 2017 – Suíça e vencedor do Prêmio Novos Talentos do Festival Savassi 2018, em Belo Horizonte (MG). Participou de diversos festivais ou turnês pelo mundo, como recentemente na Espanha, ao lado da cantora e compositora Vanessa Moreno e pelo Brasil todo, como no SESC Jazz, um dos mais renomados festivais de jazz da América Latina, também como convidado especial de Hermeto Pascoal. 

Sua discografia inicia com Alegria de Matuto – Salomão Soares Quarteto (2018), depois Toninho Ferragutti & Salomão Soares (2018) e ainda no mesmo ano, Salomão Soares & Nivaldo Candido Duo – Gravado e lançado na Suíça. Em 2019, lança Colorido Urbano – Salomão Soares Trio, Chão de Flutuar – Salomão Soares & Vanessa Moreno e em 2021, Yatra-Tá -Salomão Soares & Vanessa Moreno.  Para 2023, além de Espirais, chegará às plataformas digitais, Interior, seu disco solo. 

Recentemente, integrou o projeto Rosa dos Ventos, um espetáculo que levou ao palco quatro grandes pianistas como André Mehmari, Tiago Costa, Hercules Gomes, além de Salomão, realizado no Theatro Municipal de São Paulo. Em dezembro, se apresentou ao lado de Vanessa Moreno no Montreux Jazz Festival, na edição do Rio de Janeiro. 

 

Matthew Halsall

Há um som que tem vindo a conquistar espaço nas mais relevantes plataformas de media, nos festivais internacionais, na preferência de um público mais informado e conhecedor: o novo jazz britânico! E o trompetista de Manchester Matthew Halsall é, sem a menor sombra de dúvida, uma das suas maiores referências. Salute to the Sun, o seu mais recente álbum, é apontado como um marco contemporâneo do jazz mais espiritual e é também a base para o seu novo e sofisticado espetáculo, com o trompetista e multi-instrumentista a apresentar-se à frente de um sexteto de incríveis músicos da nova escola do jazz inglês.

Halsall é o fundador e diretor da Gondwana Records, uma das mais ativas editoras independentes da cena jazz britânica, e dirige a Gondwana Orchestra com que já gravou dois álbuns. Gravou igualmente com o vocalista americano Dwight Trible, com Nat Birchall, Emanative, Greg Foat, Mr Scruff ou DJ Shadow, firmando o seu elevado nível técnico com uma abordagem emotiva e inventiva ao seu instrumento, reclamando para o seu som as marcas das obras pioneiras de gente como Pharoah Sanders ou Alice Coltrane. A revista britânica Time Out não teve dúvidas e descreveu o seu som como algo que poderia resultar do encontro o Miles Davis de Kind of Blue com a Cinematic Orchestra. Ao vivo, este belíssimo Salute to the Sun traduz uma saudade por tempos de maior bonomia, por aqueles dias que a memória se revela capaz de resguardar por anos, insuflando felicidade na imaginação de qualquer um. Exatamente o que agora todos necessitamos.

 

KYLE EASTWOOD

A música para cinema tem um poder especial: associada a grandes imagens, a históricos desempenhos e a histórias eternas, a música das grandes bandas sonoras tem o poder de convocar profundas emoções que mexem com o nosso âmago. Kyle Eastwood sabe isso melhor do que ninguém: filho do grande ator e realizador Clint Eastwood, Kyle cresceu rodeado de cinema e de música. O seu pai é ele mesmo um grande amante de jazz (e um competente pianista) e por isso não é de espantar que Kyle tenha decidido combinar essas duas grandes artes – a música e o cinema – na sua mais recente criação, o álbum Cinematic, em que arranja para um combo de jazz música de compositores cujas obras brilharam no grande ecrã – de Michel Legrand a Henry Mancini, de Ennio Morricone e Lalo Schifrin a John Williams, entre outros, incluindo uma peça que ele mesmo escreveu para um filme do pai.

Esteve em Portugal, em novembro de 2019, para se apresentar em Coimbra, Espinho, Porto e Estoril, no âmbito do Misty Fest com o seu mais recente disco: Cinematic. Do repertório fez parte música de filmes como Gran Torino, que o seu pai dirigiu, mas também de clássicos como Bullit, Expresso da Meia Noite, Taxi Driver, Pantera Cor de Rosa, La La Land ou Skyfall, percorrendo assim icónicas histórias que o cinema consagrou, evocando heróis, grandes atores e obras que estão na nossa memória coletiva.

AVISHAI COHEN


Avishai Cohen é uma das maiores referências contemporâneas no contrabaixo de jazz. O músico, compositor e vocalista israelita chegou a Nova Iorque – o centro do universo jazz – no arranque dos anos 90 e, enquanto estudava na prestigiada New School for Jazz and Contemporary Music tocou na rua para sobreviver até conseguir entrar no disputado circuito de clubes. A mudança na carreira chegou com um telefonema do grande pianista Chick Corea: em 1996, Cohen foi um dos fundadores do colectivo Origin, liderado por Corea. Foi aliás na etiqueta Stretch, do próprio Chick Corea, que Avishai Cohen lançou os seus primeiros quatro registos como líder. Avishai manteve-se nos projectos de Corea até 2003, quando decidiu começar o seu próprio trio e a sua editora, a Razdaz Recordz, operação que já soma praticamente duas dezenas de lançamentos, incluindo vários do própio Avishai Cohen.

Tour 50:50:50
No ano em que completa 5 décadas de vida, o contrabaixista, vocalista e compositor israelita Avishai Cohen embarca num projeto muito especial a que chamou 50:50:50 — 50 concertos em 50 países à volta do mundo. O músico que é hoje visto como um verdadeiro embaixador do seu país é também um humanista convicto que acredita que a música pode transformar mentes, unir corações e ultrapassar qualquer barreira ou fronteira. É esse também o simbólico significado desta viagem por 50 nações do mundo, como se a sua música fosse um esperanto capaz de ser entendido em qualquer lugar.

 

 

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Laurent Filipe

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 (Photo by Andreas Hoffman)

Laurent Filipe – biografia

Começou a tocar e gravar em Portugal aos quinze anos de idade.

Actuou como líder do seu próprio grupo e como “sideman” em diversos clubes e festivais de jazz nos E.U.A., Europa (nomeadamente, o Festival Internacional “Cascais Jazz ‘79”), África e Ásia.

Licenciou-se em Teoria e Composição Musical e trompete pela Universidade de Kansas (E.U.A.) em 1985, ano em que também recebeu o prémio “Art Farmer Perfomance Award” (E.U.A. 1985).

Estudou com os trompetistas Dr. Roger Stoner, Greg Hopkins e participou em seminários de Wynton Marsalis, Anthony Plog e Allen Vizutti e em 1987 obteve uma pós graduação em Composição Musical para Cinema pela Berklee College of Music (E.U.A.). Laurent Filipe é também doutorando em Ciências Humanas.

Participou em sessões com figuras marcantes do jazz tais como: Jimmy Mosher, Aldo Romano, Tete Montoliu, Carles Benavente, Maceo Parker e o lendário baterista Walter Perkins, entre muitos outros. Apareceu frequentemente como convidado especial de artistas como Mariza e Rui Veloso.

Em 1990 recebeu o prémio de “Melhor Solista 1990” no Festival Internacional de Jazz de Guetxo (Espanha), onde o seu grupo recebeu também o prémio de” Melhor Grupo”.

Colaborou activamente como compositor e instrumentista na “ Olimpíada Cultural Barcelona ‘92”, “Madrid Capital da Cultura” e “Lisboa Capital da Cultura’94”. Em 1996 obteve o prémio de “Melhor Músico de Jazz” pelo programa “Cinco Minutos de Jazz RDP”.

Ainda como compositor e instrumentista participou na “Expo’98” e no “Porto 2001” e em 2008 recebeu o primeiro prémio do concurso CAAM de composição de fados e canções SPA.

É autor de um extenso repertório nos campos da música tradicional, contemporânea (incluindo obras para o “Grupo de Metais do Seixal”, “Remix Ensemble” e “Opus Ensemble”), jazz e Afro-Cubano. Compôs a banda sonora do documentário “City at Night” (E.U.A.), a longa-metragem “Porto Santo”, o espectáculo multimédia “Quadrofonia do Tempo” e música para teatro que inclui obras como “Sebastião o Menino Rei”, encomendada pela Expo’98. “Augaciar, Viagem ao Fim do Milénio”, o musical “Mulheres ao Poder”, etc.

Mantém uma actividade regular como compositor, produtor, orquestrador, trompetista e conferencista em Portugal e no estrangeiro. Entre 2010 e 2013 exerceu as funções de director geral do “Musibéria Centro Internacional de Musicas e Danças do Mundo Ibérico” de Serpa (www.musiberia.com.pt)

Trabalha actualmente com as seguintes formações, das quais é autor: “Duo Iberia”, “Homenagem a Chet Baker”, “The Song Band”, o sexteto “Mingus e Mais”, o quarteto “Flick Music” (musica de flimes), “Swing City Orquestra”, a orquestra que serviu de suporte a Rui Veloso e o mais recente “Ar Trio”.