JOEP BEVING

O facto de ser um dos pianistas vivos mais escutados no mundo atualmente diz muito do alcance da particular visão do holandês Joep Beving. Com quase dois metros de altura, barba e cabelo abundante, a sua imagem não corresponde, provavelmente, ao que se imagina se nos depararmos com uma peça como “Sleeping Lotus” numa plataforma de streaming (só no Spotify soma mais de 40 milhões de plays…): a sua vertente melancólica traduz-se em melodias de profunda capacidade de envolvimento o que já levou a que as suas composições sejam descritas como “música para os sonhos”.

Henosis, o mais recente e triunfal álbum de Joep Bevingvencedor de um prémio Edisoné já o seu terceiro trabalho para a mundialmente famosa Deutsche Grammophon, a mais conceituada editora no mundo da música clássica e erudita. Com envolvimento orquestral e eletrónico, o seu piano ascende aí a novos patamares de maravilhamento. Será esse o álbum que servirá de base a esta apresentação, com passagem por momentos chave da sua obra anterior igualmente assegurados. 

PETER SANDBERG

Na música do sueco Peter Sandberg todas as categorias se confundem – clássica, de câmara, cinemática ou ambiental – mas não faz mal, porque no fim o que daí resulta é um som celestial. Criador de inúmeras peças para cinema e televisão é um prolífico compositor capaz de trabalhar as cordas com enorme sensibilidade. Em Portugal apresentar-se-á, sentado, ao piano, revelando algumas das suas peças mais delicadas, feitas de notas e cadências, silêncios e melodias, histórias sonoras.

Música doce, ondulando em câmara lenta, povoada pelas notas de piano, insinuando-se como filigranas em crescendo, numa subtil tapeçaria sonora feita de maneira aparentemente simples, evocando formas, espaços, paisagens e personagens tocadas pela humanidade. É música instrumental tão rigorosa quanto emotiva aquela que propõe.

Cada tema cria as suas próprias imagens, mas em conexão com um sentido geral. Por vezes aproximamo-nos do sossego, outras vezes de uma espécie de sinfonia sumptuosa com as notas elevando-se em espiral. Como tantos outros jovens músicos que se movem pelos terrenos da música neoclássica ou pós-clássica, mais do que fazer ligações entre géneros ou preocupar-se com classificações, interessa-lhe o tipo de sensações que difunde. Perdermos a noção de tempo e espaço. Induzir o ouvinte a uma experiência diferente. Transcendermo-nos.

Na música de Peter Sandberg criam-se pontes invisíveis entre escolas e geografias, tanto fazendo ressoar o minimalismo como a música cinemática ou as palpitações da música clássica contemporânea. A forma como acaricia o piano resulta em qualquer coisa intensa sendo capaz de iluminar a melancolia, com delicadeza e sabedoria. Às vezes, na maior parte das vezes, não é preciso absolutamente mais nada.

HAUSCHKA

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Volker Bertelmann responde pelo nome de Hauschka, uma identidade com que se tem afirmado como um dos mais entusiasmantes pianistas contemporâneos através da sua abordagem a um tempo profundamente emocional e também intransigentemente experimental ao instrumento. Hauschka virá a Portugal apresentar What If, novo e aclamado álbum lançado pela prestigiada City Slang.

A inspiração para sua arte, afirma o próprio Hauschka, vem de uma longa linhagem de criadores singulares, de John Cage a Aphex Twin. E isso resulta não só em trabalhos que recolhem os mais sentidos elogios e aplausos, mas também, e talvez sobretudo, em concertos intensos em que Hauschka leva ao limite as possibilidades tímbricas e texturais do seu instrumento. Os elogios chegam depois de todo o lado: a Rolling Stone comparou-o a Satie, a Mojo usou palavras como “espantoso” e “triunfal” para tentar medir o seu som e a Uncut juntou-se ao coro descrevendo o seu trabalho como “uma experiência avassaladora”. Trata-se, obviamente, de um concerto absolutamente imperdível que parte de novas peças que são descritas como “assombrosas”, “misteriosas” e “complexas” e que resultam num disco diferente, em que o pianista mantém a sua ultra-criativa abordagem ao piano, usando a tecnologia para desconstruir as possibilidades oferecidas pelo centenário instrumento. Imperdível, mesmo.

FEDERICO ALBANESE

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Federico Albanese é um compositor italiano, nascido em 1982. A sua versatilidade musical é uma dádiva que o leva a explorar a música em todas as suas facetas. As composições de Albanese são arejadas e cinematográficas, misturando clássico, pop e psicadélica. Estudou piano e clarinete em criança, antes de se tornar um fascinado pela música rock. Tendo mesmo atuado em várias bandas. As suas habilidades como compositor tiveram ainda a influência da musica eletrónica, folk e clássico contemporâneo.

LUDOVICO EINAUDI

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Os últimos anos foram triunfais para Ludovico Einaudi, com uma carreira cada vez mais solidificada em todo o mundo onde a sua música esgota salas, angaria aplausos e elogios da imprensa.

Em 2010 gravou no Royal Albert Hall, tendo o concerto sido editado num CD duplo + DVD documentando assim o seu impressionante triunfo em terras de Sua Majestade.

Em 2012, recolheu justos aplausos pela utilização da sua música no filme The Untouchables (Amigos Improváveis), sucesso de bilheteira e de crítica que confirma a vocação extrema que a música do compositor italiano revela para os ecrãs.

Ainda em 2012 e enquanto crescia em Londres o fervor pelos Jogos Olímpicos, Einaudi viu outra das suas composições ser usada numa feliz campanha da Procter & Gamble que mostra as mães que existem por trás de todos os grandes atletas.

O tema Nuvole Bianche fez parte da banda sonora da série de televisão Derek (2012), realizada e protagonizada por Ricky Gervais. Clint Eastwood também escolheu um dos seus temas para o filme J. Edgar.

Paralelamente, a música  que lançou em Nightbook, o seu álbum anterior,  foi usada num documentário do prestigiado Channel 4 e Casey Affleck escolheu as suas composições para a banda sonora de I’m Still Here.

Incansável, Ludovico tem embarcado em digressões diversificadas, o que é um atestado claro à amplitude da sua obra: já tocou com o mestre da kora do Mali Ballaké Sissoko, por exemplo, ou, mais recentemente, com os aclamados post-rockers To Rococo Rot. Todos lhe reconhecem um poder extremamente emotivo, um tocar que traduz em notas a calma e a contemplação. Talvez seja essa, avançam alguns críticos musicais internacionais, a  explicação para o facto da sua música dizer tanto a tanta gente nos agitados dias que correm.

Os seus espectáculos – que têm passado por algumas das mais exigentes salas de todo o mundo – são arrebatadores na forma como as melodias se ligam a estados de alma muito profundos.

Depois das últimas e triunfantes apresentações em que esgotou algumas das mais importantes salas de espectáculos do país como a Casa da Música, o CCB e os Coliseus de Lisboa e Porto, Ludovico Einaudi regressa agora em para apresentar o novo trabalho  Elements, que tem, justificadamente, merecido os mais rasgados elogios da imprensa internacional.

Elements, de acordo com o próprio Ludovico Einaudi, resulta “de um desejo de recomeço, de seguir um diferente percurso de consciência”. Ou seja, em palco, estará um renovado artista cuja música há muito que conquista um mais do que merecido reconhecimento internacional: Einaudi é o artista do universo da clássica que contabiliza mais streams no Reino Unido, o que diz muito do seu estatuto, e aquele que tem encabeçado as tabelas de vendas de música erudita tanto em Inglaterra como em Itália, com vendas que já se aproximam dos dois milhões de cópias.

Gravado no campo, em Langhe, em Itália, o novo disco de Ludovico Einaudi é, de acordo com o próprio artista, “uma experiência única, acompanhada pelos ritmos pulsantes de uma primavera explosiva”.

Michael Nyman

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Michael Nyman é uma das mais incontornáveis referências da música contemporânea, compositor de excepção com uma obra vasta e reconhecida. A íntima relação que possui com o piano manifestou-se várias vezes ao longo da sua discografia e também na sua celebrada banda sonora para o filme de Jane Campion “O Piano”. Nyman assinou também bandas sonoras para filmes de Peter Greenaway e é autor de várias óperas, incluíndo “Facing Goya”  ou “Sparkie: Cage and Beyond”. Cidadão britânico, Michael Nyman já foi distinguido com uma condecoração pela Casa Real, possui no seu currículo prémios notórios como o Ivor Novello e o Golden Globe e, entre variadíssimos outros momentos altos de uma irrepreensível carreira, foi escolhido para tocar em Kyoto em 2007 como parte do evento Live Earth.

WIM MERTENS

Wim Mertens ┬® Usura Leve

A música de Wim Mertens alimenta os mais fervorosos e por vezes até imprevisíveis cultos: Raymond Benson, um dos escritores responsáveis pelas continuadas sagas de James Bond, inclui uma referência à música do compositor belga na aventura do agente secreto britânico que levou o título de High Time To Kill, em 1999. O que faz pleno sentido, afinal de contas, mistério é o que não falta nas composições deste prolífico artista que já lançou mais de 60 títulos desde que se estreou em disco em 1980.

Mertens já compôs para cinema, teatro e até para passagens de moda da prestigiada casa Dior. E tem uma carreira recheada de prémios e distinções, tendo inclusivamente sido nomeado para Embaixador Cultural da Flandres.

Ólafur Arnalds

Ólafur Arnalds é, muito mais do que uma promessa, uma certeza absoluta da cena internacional que cruza uma abordagem moderna à música clássica, electrónica e pop num todo absolutamente harmonioso que entusiasma audiências internacionais. Entende-se assim a aplaudida colaboração ao vivo com Rodrigo Leão cuja carreira apresenta muitos pontos de contacto com a de Ólafur. Tal como o celebrado compositor português, Ólafur também tem um passado ligado ao rock. No seu caso particular ao Heavy Metal. Foi baterista nalguns projectos do género, mas o seu expressivo talento na área da electrónica levou-o a explorar outras paisagens sonoras. Fez digressões com os compatriotas Sigur Rós e foi trabalhando nos seus próprios discos construindo a pulso uma audiência internacional nos últimos anos. Esses crescentes aplausos valeram-lhe não só contrato com a multinacional Universal, que editou um dos seus últimos trabalhos, o premiado For Now I Am Winter, como alguns convites para trabalhar em Hollywood no domínio das bandas sonoras: assinou o score de Another Happy Day e tem composições incluídas no mega sucesso Hunger Games, o que diz muito do alcance da sua particularíssima visão musical. Ólafur Arnalds assinou igualmente a banda sonora da primeira temporada da série televisiva Broadchurch produzida pela sempre excelente BBC. Esse trabalho valeu-lhe um cobiçado BAFTA e o convite para repetir a dose na segunda temporada da série. É por tudo isso que a sua prestação ao vivo – mágica, intensa, misteriosa, mística – é totalmente imperdível.