Amelia Muge e Filipe Raposo – 2021 Tour Portugal

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“Pelo Fio dos versos” – O projeto


Este concerto é o ponto de partida, para, tendo como referência o nosso amor à poesia, partilharmos uma viagem pelo fio dos versos convocando, através das palavras e da música, poetas, histórias, formas de ver, sentir, ouvir, tocar e cantar o mundo. Não é uma vacina, mas faz bem à saúde.

 Ondula como um canto o poema. Cria mapas, pinturas sonoras, ecoa em nós no fundo de uma palavra, de uma pausa, de um silêncio, de um grito mudo que fica ali, à espera de nós, para nos sair pela boca fora, como quem respira.

São as palavras dos poetas, que quando nos tocam se libertam, qual pássaro preso numa gaiola de sons , circunscrito ao espaço fechado da página, no momento em que um olhar, uma garganta, uma mão no piano, abre a gaiola e as sentimos na boca, no “palavrar”, no “hálito da terra”.

 Amélia Muge e Filipe Raposo vão trazer alguns dos poetas que gostam de ouvir e ver.  Sentem-se com eles. À escuta.

 É uma mesa cheia de apetites. Sirvam-se e repitam do que quiserem. É uma mesa farta onde todos têm lugar.

 Ela canta. Ela canta. É uma voz da terra, é uma voz das veias 

Seria talvez um músculo sombrio, um ombro preso a um muro 

Agora canta lentamente e é um monte sublevando-se 

Uma coluna ondula e o seu volume cresce com o hálito da terra 

É uma voz que canta com as secretas fontes do corpo 

Com as pálpebras, com as pupilas, com os braços côncavos 

E é como se reunisse em voluptuosas braçadas 

as grandes flores do vento, as lentas anémonas do mar 

Essa voz tem a nudez sombria de um afectuoso felino 

e nasceu talvez da respiração quando dilatou o ventre 

para libertar os tumultuosos arcos 

que ela modela ao ritmo das sombras 

e das lâmpadas vegetais entre os seus flancos azuis 

 

António Ramos Rosa, sobre o canto de Amélia Muge 

Danças Ocultas – 2021 Tour Portugal

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Tour 2021/22 – O Projeto

Os Danças Ocultas de Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel são – e é lícito escrevê-lo tendo em conta que levam já três décadas de carreira – um dos grandes tesouros da música portuguesa contemporânea.
O invulgar quarteto de concertinas é caso sem paralelo na história moderna da música portuguesa: mesmo tendo adoptado instrumentos populares, o grupo conseguiu levar a sua música às mais respeitadas salas nacionais e internacionais, dividir palcos com orquestras clássicas e colaborar com importantes nomes da música, de Rodrigo Leão a Carminho entre outros.

No mais recente álbum, Dentro Desse Mar, os Danças Ocultas reinventam-se sem perderem a vincada identidade que lhes valeu tanta atenção nacional e internacional, conseguindo manter a ligação à sua própria história e passado e abrindo ao mesmo tempo um novo oceano de possibilidades para o futuro. O trabalho de Jaques Morelenbaum foi a esse nível um triunfo: o produtor soube entender o que torna os Danças Ocultas tão singulares e também adivinhar na sua arte novas nuances que rendem um maravilhoso registo, amplo na sua abertura ao mundo, cheio de ideias, de sons, de palavras e melodias.

 

Francisco Sales Miles Away – 2021 Tour Portugal

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Miles Away – o projeto

O virtuoso guitarrista português, que integra a famosa banda internacional Incógnito, apresenta “Miles Away”, o seu mais recente disco inspirado nas suas viagens em que o músico mistura em doses bem equilibradas o jazz e música ambiental.
Voltei para Portugal em 2017, onde vivo desde então. É o país onde me sinto mais inspirado para compor, onde gosto de apreciar a vida e onde me sinto mais seguro e feliz. Hoje em dia continuo a tocar com os Incognito pelo mundo inteiro, mas estou a viver em Portugal”, diz-nos o Francisco, que se mostra centrado e focado em desenhar agora o seu próprio futuro.  “Quando regresso a casa destes concertos todos, tenho sempre trabalhado muito na minha carreira a solo e tenho tentado crescer com ela. Esse trabalho passa pelo desenvolver da sua visão artística e pelo aprofundar da sua relação com um instrumento que pode soar surpreendente nas mãos certas. Essa surpresa tem sido uma constante quando Francisco Sales se apresenta a solo, mostrando a sua forma particular, aventureira e altamente hipnótica de tocar guitarra. Essa originalidade já lhe valeu, aliás, convites para abrir concertos para gente como Rodrigo LeãoAvishai Cohen ou Diana Krall.

Gaiteiros De Lisboa – Bestiario – Tour Portugal

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Bestiário – O Projeto

Quando primeiro surgiram, em 1991, os Gaiteiros de Lisboa eram “outra coisa”. Mesmo pelo meio de uma cena musical fervilhante de novos olhares para a música tradicional portuguesa, os Gaiteiros promoviam o embate directo entre tradição e inovação, respeito pelo passado e vontade de abrir caminhos para o futuro.

De um lado, músicos veteranos que tinham aprendido com as recolhas de Giacometti e tocado com nomes como José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco (que viria a produzir o primeiro disco do grupo) ou Fausto. Do outro, músicos oriundos da cena pop ou rock ou jazz que olhavam para a tradição de modos totalmente novos.

A conjugação projectava os Gaiteiros de Lisboa para outro patamar, com a gaita de foles trazida por Paulo Marinho (Sétima Legião) e as polifonias vocais lideradas por Carlos Guerreiro e José Manuel David no centro de um furacão criativo que estava permanentemente em ebulição. Como diz a frase: “a tradição já não é o que era nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era”.

E o que saiu dessa abordagem era “outra coisa”. Nas palavras do crítico do Expresso, João Lisboa, “os Gaiteiros de Lisboa habitam um universo inteiramente privado […] (onde) muito pouco ou nada funciona de acordo com as normas com que habitualmente a música é lançada à pauta”.

Trinta anos depois, o mundo mudou, a formação do grupo também. Em “Bestiário”, sexto álbum de material original e primeiro em sete anos, apenas Carlos Guerreiro e Paulo Tato Marinho restam dos Gaiteiros que entraram em estúdio pela primeira vez em 1995. A nova formação completa-se com Miguel Veríssimo, Miguel Quitério, Paulo Charneca (que já fez anteriormente parte do grupo) e Sebastião Antunes (dos Quadrilha).

Mas os Gaiteiros de Lisboa, tendo mudado, não mudaram: continuam a ser “outra coisa”. Como a aldeia gaulesa do Astérix, os Gaiteiros resistem, ainda e sempre, a serem metidos numa gaveta. A gaita de foles e as polifonias vocais continuam no centro, a música ao seu redor continua a ser surpreendentemente moderna, inventiva, viva, contemporânea e ao mesmo tempo intemporal. Nunca se ouviu o clássico açoriano “Chamateia” desta maneira; um tema novo como “Brites de Almeida” parece um clássico tradicional só agora reencontrado.

E os muitos convidados de “Bestiário” insistem nessa fuga a categorias e gavetas. A companheiros de percurso como o açoriano Zeca Medeiros ou a veterana Filipa Pais juntam-se o jovem colectivo vocal feminino Segue-me à Capela e João Afonso Lima, sobrinho de Zeca. Pedro Oliveira, dos Sétima Legião, dá voz a “Besta Quadrada” e Rui Veloso empresta a sua guitarra eléctrica e a sua voz a “Comprei uma Capa Chilrada”.

“Bestiário” é inteiramente composto por material inédito em disco – as excepções são “Roncos do Diabo”, publicado na compilação de 2018 “A História”, e “Comprei uma Capa Chilrada”, gravado pela primeira vez em “Sátiro” mas aqui numa versão regravada.

“Bestiário” confirma como os Gaiteiros de Lisboa, trinta anos depois do início e com uma formação nova, continuam a ser “outra coisa”, a habitar o mesmo universo privado alheio a modas passageiras e aberto a tudo o que nele caiba. Ou seja, os mesmos Gaiteiros de sempre: imprevisíveis, inconfundíveis, imprescindívei

Duplex – 2021 Tour Portugal

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DUPLEX  – O PROJETO

João Barradas e Ricardo Toscano são dois dos mais destacados nomes do presente jazz português. O primeiro, acordeonista, tem desenvolvido uma abordagem própria a um instrumento pouco comum no jazz e, tal como demonstrado com os dois trabalhos que este ano lançou na Nischo, um deles um solo absoluto registado no CCB, feito por merecer os amplos aplausos da crítica especializada. O segundo, saxofonista alto, tem-se não apenas notabilizado à frente do seu quarteto, angariando efusivos elogios, mas também sido chamado a colaborar em contextos muito distintos, seja para solar à frente de uma orquestra num concerto com Sam The Kid, seja para integrar, em palco com Camané, uma homenagem a Amália Rodrigues. 

 Juntos, Barradas e Toscano, assinam um dos mais aguardados encontros  sob a designação DUPLEX: “Eu adoro tocar com o João”, admite Ricardo, “quando nos encontramos é sempre uma viagem”. Barradas concorda: “Já nos conhecemos há muitos anos. Vi-o a primeira vez no CCB quando tinha uns 15 anos, era ele também um miúdo”. Foi numa edição da Lisbon Jazz Summer School e a ocasião foi uma masterclass de Greg Osby, gigante jazz americano que em ambos reconheceu imediatamente o desmedido talento. 

 

Laurent Filipe – Ode to Chet – 2021 Tour Portugal

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ODE TO CHET – O PROJETO

“Conheci Chet Baker. Era um homem de poucas palavras.Cada vez mais virado para si mesmo, Chet parecia estar permanentemente à escuta de um som interior. À semelhança dos grandes artistas, toda a sua preocupação, e daí a sua arte, consistiu em transmitir cá para fora esse mesmo “som interior”. Quer fosse tocando, quer fosse cantando (a diferença é a mesma), ao dar voz a esse “som”, Chet reinventou as canções de Jazz (“standards”), envolvendo-as de um lirismo soprado, sofrido, e ao mesmo tempo cheio de beleza.”
Laurent Filipe

Eis o que diz, a propósito do CD « Ode to Chet » Artt Frank, baterista de Chet Baker durante mais de vinte anos :

… « quis escrever-te para te felicitar pela tua excelente homenagem ao Chet. A tua forma de tocar e de cantar são mesmo muito boas e sinto que soubeste captar a essência do Chet. E eu, mais do que ninguem, conhecia o Chet !! Excelente trabalho Laurent ! » (Artt Frank)

Lina – 2021 Tour Portugal

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Lina Tour 2021/22 – O Projeto

Poucas vozes ressoam mais fundas e autênticas do que a de Lina. Apaixonada desde sempre pela obra de Amália, Lina provou ser uma das suas melhores intérpretes da atualidade no projeto Lina_Raul Refree em que a sua voz se cruzou com a arte do premiado produtor catalão.

Essa arte tem vindo a ser refinada ao longo dos últimos anos na sua residência no Clube de Fado, apurando, no seu “habitat” natural, o drama que o fado exige, mas com a inventividade que só os verdadeiros artistas conseguem. Essa inventividade, no caso do disco que assinou com o produtor que também operou maravilhas com Rosalía ou Silvia Cruz, mereceu inúmeras distinções e nomeações para prémios por parte da crítica e de instituições internacionais: da Music Moves Europe Talent Awards, para que o trabalho Lina_Raul Refree foi nomeado, à vitória no Preis Der Deutschen Schallplattenkritik, o troféu dos críticos de música alemães passando, entre tantos outros, pelo COUP DE COEUR 2020 atribuído pelo Prix de L’Académie Charles Cros. Essas distinções foram confirmadas igualmente em palcos de referência internacionais, numa extensa digressão que só foi interrompida pela pandemia, mas que ainda assim arrancou aplausos aos públicos da Fondation Cartier, do Mitsubishi Electric Hall, dos Festivais Eurosonic e La Mar de Músicas, e que tem já muitos concertos marcados para eventos como o FMM Sines ou, entre outros, o Festival La Linea na Union Chapel em Londres. Mas a obra de Lina já vem mais de trás: editou em nome próprio pela Sony Music os álbuns Carolina, em 2014, e enCantado, em 2017, trabalhos em que já demonstrava ser fadista de corpo inteiro e alma funda. A preparar novo capítulo no seu extraordinário percurso, Lina regressa aos palcos com todos esses fados que lhe foram marcando os passos e em que a sua voz brilha como sempre brilhou.

Lina_Raül Refree – 2021 Tour Portugal

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Lina_ Raül Refree – O PROJETO

Dois músicos incríveis que criaram uma intensa e profunda relação musical.
Numa noite de fados as vozes mostram-se autênticas: sem amplificação, sem adornos e sem filtros, apenas nervo e talento, alma e paixão.

Raül Refree entende bem o que é isso da paixão e como marca as vozes, tendo assinado a produção de Los Angeles, o álbum que colocou o fenómeno internacional Rosalía no mapa. Por isso mesmo, o músico e produtor não teve dúvidas quando ouviu Lina cantar no Clube de Fado, que é uma das mais reputadas casas desta cultura na capital, pouso certo de grandes vozes e viveiro de muitos talentos resguardados por Mário Pacheco, guitarrista que acompanhou os maiores artistas, incluindo a eterna Amália. E foi aí, à meia luz, num momento solene e autêntico, que Raül Refree se apaixonou pela voz de Lina.
A ideia de se juntarem num estúdio foi imediata e pouco depois cruzaram-se ambos numa sala especial, nos arredores da capital.
Rodeado de sintetizadores vintage, de Moogs e Arps, de Oberheims e Rolands, mas também com o piano muito perto, Raül emoldurou a voz de Lina em névoa analógica, deixando as guitarras do fado na nossa imaginação, mas retendo toda a força de uma garganta carregada de verdade.

Lina mostrou-se à altura do desafio. Estudante atenta da obra de Amália, escolheu uma série de pérolas do reportório da Diva com o intuito de as usar como base de comunicação. Como se este projecto nascesse de uma busca do assombro, da essência.

Concordaram ambos imediatamente que deveriam explorar o reportório da eterna fadista, despindo-o dos dogmas instrumentais do fado, mas retendo a sua mais funda alma.

Neste projeto os arranjos são extraordinários!
Refree, que tem uma longa carreira na pop mais desafiante e que como produtor já assinou dezenas de trabalhos, de Sílvia Perez Cruz a El Niño de Elche ou Lee Ranaldo, além da já mencionada Rosalía, é um artista de extraordinária intuição.

Lina, com voz maturada pelas noites nas casas de fado, pela sua própria devoção por Amália e por todas as grandes vozes que ouviu, sentiu e estudou, é uma artista verdadeiramente especial: soa como se tivesse nascido no meio da história, a ouvir as divas a ecoarem nas vielas da sua imaginação. Soa autêntica e comovente. E por isso conquistou Refree.

Em temas como “Barco Negro” ou “Foi Deus”, “Ave Maria Fadista”, “Medo” ou “Gaivota”, qualquer um deles um monumento maior da memória do fado, Lina mostra-se artista completa, verdadeira e de um talento capaz de nos assombrar a todos. As suas interpretações são sobretudo humanas, emocionantes, preferindo arrancar as palavras ao coração do que moldá-las com a técnica que também estudou. Essa entrega oferece uma outra luz ao fado nos arranjos que Raül Refree lhe preparou. Sem truques ou filtros, mas com arte e com uma abordagem nunca antes tentada vestindo o fado com uma inédita roupagem electrónica que ao invés do o desvirtuar só lhe reforça a condição universal.

O fado é património imaterial da humanidade, uma cultura que ajuda a identificar um país que anda nas bocas do mundo e que tem atraído muitos artistas a Lisboa. Vindos de fora, esses artistas buscam no fado um terreno ainda imaculado, um rasgo de autenticidade num universo musical tantas vezes rendido ao artifício.
Foi exactamente isso que trouxe Raul Refree a Lisboa. Essa busca do que é novo e sem tempo, do que estremece e que o mundo precisa de ouvir. Mesmo que para tanto seja necessário desafiar as regras.

É assim, afinal de contas, que se faz história.

 

Maria de Medeiros & The Legendary Tigerman – 24 Mila Baci – 2021 Tour Portugal

 

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24 Mila Baci – O Projeto

Cinema é música, não achas?
E música é cinema. Quando eu era criança,o meu pai contava histórias sobre sinfonias.
Enquanto a música majestosa se expandia, vinham imagens e mais imagens. O arrepio e a emoção na garganta.
Como vês a música, tu?
Ouço o silêncio. Sim, há música no silêncio.
A música das esferas diz William Shakespeare. O estrondo do universo, diz a Nasa.
The universe rocks and rolls.
E o que vês agora? Vejo a imagem gráfica, a preto e branco, o fumo do cigarro na boquilha da Marlene Dietrich. Ich bin von Kopf bis Fuss auf Liebe eingestellt.
Canta, da cabeça aos pés, e desliza o seu olhar pelo mundo.
É isso, olhar para o mundo. Um mundo triste e bonito.
Uma mulher sozinha na noite, It’s a sad and beautiful world.
E iluminando tudo, a noite e o tempo, surge uma voz italiana, cheia de alegria.
24 Mila Baci! Sempre adorei essa canção. Agora, são como 24 mil beijos mandados da distância. Um adeus longínquo.
Como Fernando Pessoa quando se despede da infância. E lembra o tempo em que se festejava o seu aniversário.
E há outra melodia. Tenho uma história curiosa com ela. Detestava-a. Era a melodia dos pátios. Em todo o pátio, havia uma voz arrastada que cantarolava essa música. Sempre a mesma, insidiosa. Mas depois fui crescendo, e sabes aqueles alimentos que odiamos quando somos crianças e depois se transformam em iguarias? É isso: a trilha do Padrinho.
Nino Rota, claro, mais que persistente, imortal.
E as tuas trilhas. Fizeste tantas trilhas para o cinema. Fizeste tantos filmes. É inseparável.
É uma espécie de fado. Sim, diz que é fado.

Misia – Pura Vida – 2021 Tour Portugal

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PURA VIDA – O PROJETO

SENTIMENTOS E VONTADES
Depois de viver dois anos que foram – pelos piores motivos – uma aprendizagem vital de decisiva importância, sou a mesma, mas sou diferente.
De facto, tudo mudou.
Também e sobretudo o meu trabalho, que sou eu – não há fronteiras.
Eis aqui a banda sonora deste período, onde há céu e inferno, dureza e paixão. Fados de amarga saudade, músicas de coração e osso, rosas negras, ausência, lágrimas e renascimento. 
As músicas de Pura Vida (banda sonora) são pura música, puras notas musicais totalmente livres de regras, porque já não preciso pertencer a nenhum género ou tribo depois do que vivi. 
Não consigo nem quero banalizar isto.
Penso que o Fado não é alegre nem triste, é a Vida, o Destino. 
Só uma música com esta nobreza permite usar as suas melodias mais simbólicas como um pintor usa as cores primárias para dizer com elas tudo o que a sua alma precisa. 
Por isso digo que neste álbum há músicas de fados, mas não é um disco de Fado.
Pura Vida (banda sonora), está cheio de brechas, de rugosidades, e às vezes um pouco de “seda, veludo e lã”.
A guitarra portuguesa é o Céu e a guitarra eléctrica o Inferno. 
O sentimento trágico, é transmitido neste trabalho, através da guitarra eléctrica.
Não se trata, pois, de ser “pop ou moderno”, pelo contrário.
Ouso dizer que há uma beleza cinematográfica nos arranjos de Fabrizio Romano.
Não é este um disco para anestesiar o público. É um disco que procura o “outro”, o eco na fragilidade e incapacidade que todos nós já alguma vez sentimos.
O místico Rumi disse que a ferida é o lugar por onde a luz entra.
Neste caso trata-se de pedir que ouçam a diferença. A beleza, a força e a humildade que a passagem por um calvário nos pode trazer. A ânsia de um caminho possível através das palavras de Miguel Torga, Tiago Torres da Silva e Vasco Graça Moura, entre outros. 
E por fim, a vontade de viver e de cantar sem medo de mostrar as cicatrizes. 

Mísia, 

Fevereiro 2019 

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Mísia, sabe-o bem, que a pura vida acontece quando esta se deixa contaminar pelas emoções, pelas ideias e pelas vivências. A pura vida carrega as marcas – as visíveis e as invisíveis – de quem nela se atravessa. É isso que Mísia canta, com alma de quem bem sabe com quantas mágoas se tece um xaile negro. Esta fadista soube amar Amália e muitas outras vozes, de poetas e marujos, de compositores e músicos, que com ela ergueram um singular percurso e repertório de mais de 25 anos de entrega a palcos e estúdios, apontando tantas vezes caminhos e espaços que o fado não conhecia, mas que ela se atreveu a trilhar porque sentia que tinha que ser. Porque sentia.  

Em Pura Vida Mísia volta a cantar o fado, que não é triste, nem alegre, como gosta de dizer. É Destino. Volta a cantar os sentimentos e emoções com a sua grandeza e miséria em igual medida. Com os fados escolhidos para Pura Vida, Mísia pretende cantar o léxico e a gramática das emoções: o Amor e o Beijo, a Cidade, o Destino e a Esquina, a Felicidade, o Grito, o Mar e a Saudade, pois claro, o tudo e o quase nada. A vida, em estado puro. “E outras letras do abecedário”, garante ela. Tudo isto recorrendo a fados clássicos e a alguns inéditos, porque a vida, a pura vida, faz-se de certezas, obviamente, mas também de surpresas.  

 A palavras de Miguel Torga, Vasco Graça Moura, Tiago Torres da Silva e outros. A algumas músicas em castelhano que fazem parte da sua vida, do seu ADN. Companheiro essencial neste trabalho, o músico napolitano Fabrizio Romano que co-produz o trabalho com Mísia e que é ainda o director musical e responsável por quase todos os arranjos (exceto: Rosa Negra no Meu Peito II – Paulo Gaspar, Lágrima – Raul Refree e Ouso Dizer – Luís Guerreiro e Fabrizio Romano). Convidados nesta aventura vital são o artista argentino Melingo, o fadista Ricardo Ribeiro, o jovem guitarrista Gaspar Varela e o músico catalão Raul Refree. Porque a vida, a pura vida, faz-se de certezas, obviamente, mas também de surpresas.